“Durio Lusitania inscript”
BIBLIOGRAFIA VIRTUAL
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Circuito arqueológico de Freixo Numão – estação do Prazo. Acedido junho 30, 2019 em https://www.visitarportugal.pt/d-guarda/c-vila-nova-foz-coa/freixo -numao/estacao-arqueologica-prazo
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Rodrigues, Sérgio Monteiro (2013). Novas datações pelo carbono-14 para as ocupações holocénicas do Prazo (Freixo de Numão, Vila Nova de Foz Côa, Norte de Portugal). Estudos do Quaternário / Quaternary Studies, América do Norte. Acedido julho 3, 2019 em http://www.apeq.pt/ojs/index.php/apeq/ article/view/20
A longínqua Idade Média deixou as suas pegadas no vale do Douro. O movimento cisterciense esteve associado à reconquista cristã e à formação da nacionalidade portuguesa. Os primeiros cenóbios da Ordem de S. Bento, fundados pelos beneditinos em Portugal, nos finais do século XI ao século XIII, localizaram-se, precisamente, no Douro, em São João de Tarouca, em
S. Pedro das Águias e em Santa Maria de Salzedas. Estes três mosteiros
tiveram um papel preponderante no “desenvolvimento agrícola da região” quer “na expansão da viticultura” quer no “comércio de vinhos para o Porto”, como assevera Gaspar Martins Pereira (Dias et al., 1999, p. 12). As explorações vinícolas ensaiadas no rincão duriense, na Idade Média, com o contributo dos “visitantes” franceses que acompanharam o conde D. Henrique da Borgonha na sua ajuda ao rei de Leão, Castela e Galiza, Afonso VI, deram os seus frutos séculos mais tarde, com o aprimorar da produção dos “vinhos velhos” e “cheirantes”, e com o ensaio do fabrico do champanhe na zona geográfica de Lamego.
Porém do período medieval, importa recordar as estratégias governativas dos monarcas da primeira dinastia preocupados em repovoar e fixar gente no Douro. As fontes foraleiras medievais, vulgarmente conhecidas por forais e aforamentos - as cédulas de nascimento das localidades – evidenciam, nos seus arrazoados, os incentivos dados pelos primeiros monarcas, senhores laicos e eclesiásticos, os outorgantes dos diplomas, ao cultivo da vinha no vale do Douro. Disso é exemplo paradigmático, o foral mais antigo concedido ao território que viria a tornar-se Portugal, o de S. João da Pesqueira, Paredes, Linhares, Penela e Ansiães [1055-1065], ou seja, a várias comunidades situadas na bacia do Douro (Alves, Tomo IV 1990, pp. 403-406). Esse diploma foi outorgado por Fernando Magno com a finalidade de fomentar o assentamento das populações nas margens do rio Douro, deslocando a fronteira para além do vale do Douro (Mattoso, 1991, p. 343). Os moradores destas vilas que tivessem família e casa eram obrigados a pagar impostos em cereal (trigo, centeio) e em vinho, o que comprova que a produção cerealífera e vitícola estava já firmada neste território no século XI.
Com o avanço da reconquista, os soberanos portugueses praticaram uma estratégia política de repovoamento e colonização dos territórios recuperados, atribuindo forais e cartas de aforamento. Essa estratégia política de repovoamento foi preparada e encetada, no governo de D. Afonso III (1248-
1279), e sedimentada com a política colonizadora de D. Dinis (1279-1325). O monarca que mais favoreceu a fixação e o fomento agrícola, no Douro, foi o rei- trovador. Na letra dos seus forais, ficou gravado com frequência o incentivo ao cultivo da vinha. Este monarca estipulou em muitos diplomas foraleiros que todo o chefe de família teria três ou quatro anos para construir uma casa e uma vinha. Nalguns forais dados na Terra ou Julgado de Panóias foi isso que se verificou. A título de exemplo, atente-se no texto do foral dionisino de Vila Real da Terra de Panóias, outorgado em 1289: “E todo o pobrador de Vila Real daquel dia que começar a pobrar ata tres anos faça casa e vinha” (Chancelaria de D. Dinis, Livro I, fl. 248 v.).
Como constatámos, através da leitura da documentação foraleira medieval, o vale do Douro já era uma terra de vinha, de produção de vinho, na Idade Média. Por conseguinte, é natural que os excedentes da produção do vinho duriense fossem vendidos e levados para o litoral, desde este período.
A ligação do Douro ao Porto é ancestral, tendo-se consolidado, com o Infante D. Henrique e a criação da escola náutica do Porto. No alvorecer da Idade Moderna, D. Manuel I, o Venturoso, durante o seu governo (1495-1521), promoveu ainda mais o transporte e o comércio dos vinhos “cheirantes” do Douro até à cidade do Porto, porquanto esses “vinhos fortes” eram apreciados pelos mareantes das armadas dos Descobrimentos.
A documentação foraleira manuelina, a segunda geração de forais, outorgada por D. Manuel I a mais de cinco centenas de concelhos de todo reino, indicia que o vinho, no século XVI, era um produto muito granjeado, na região de que nos ocupamos, porque era dos mais exigidos no pagamento dos impostos quer pela coroa quer pelos senhorios laicos e eclesiásticos. A título ilustrativo, encontramos pagamento de foros em vinho nos forais e registos manuelinos do Couto do Peso (Régua), de
Santa Marta de Penaguião, de Fontes, de Godim, de Murça, de Ansiães, de S. João da Pesqueira, de Lamego, de Valdigem, do Couto de Sande, de Fontelo, da Penajóia, de Samudães, da Meda, entre outros (Santana, 2003, pp. 18-20).
FIGURA 3.1