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FIGURA 7.3 Museu do Côa, Vila Nova

No documento Para uma história do turismo no Douro (páginas 189-192)

“Durio Lusitania inscript”

FIGURA 7.3 Museu do Côa, Vila Nova

de Foz Côa, 2017.

Créditos fotográficos António Borba.

reconhecer o papel imperativo da sua contribuição, na melhoraria do atual estado do ambiente, motivando à alteração de atitudes e comportamentos no sentido pró-ambiental. Considerada também como um instrumento fulcral pela Organização das Nações Unidas, a EA é transversal a vários dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), traçados na ambiciosa Agenda 2030, definida em 2015 (UN, 2019).

Dada a sua relevância económica transversal, o turismo, sendo sustentável, tem um papel vital para a concretização dos ODS. Nesta linha, em 2017, o Banco Mundial identificou 20 razões que tornam o turismo sustentável numa importante ferramenta para o desenvolvimento (WBG, 2017a). A nível nacional, a Estratégia Turismo 2027 reflete tanto os ODS como os princípios do turismo sustentável (ET 27, 2019). De acordo com a Organização Mundial do Turismo, o turismo sustentável “tem em consideração o impacte atual e futuro da sua atividade em termos económicos, sociais e ambientais”, consciencializa o visitante sobre questões de sustentabilidade, proporcionando a compreensão e a tolerância interculturais (WTO, 2005). Os programas direcionados para os diversos produtos e segmentos de turismo do Douro, se baseados em modelos de responsabilidade socio- ambiental, que têm em consideração a sustentabilidade, fortalecem a confiança e a colaboração entre os múltiplos atores sociais e, naturalmente, a equidade territorial.

Para que os territórios durienses alcancem maior projeção, mais visibilidade, notoriedade e atratividade turística, é decisivo que o seu desenvolvimento assente na diferenciação ambiental – com eficiente utilização de recursos – e na inovação, aliado a uma melhoria do desempenho económico e da competitividade, garantindo a qualidade de vida das comunidades locais e a coesão social. Convém realçar a importância de o Douro capitalizar todo o seu potencial humano e conjugar, nesta construção de turismo responsável e sustentável, a igualdade de género, que, sendo um dos ODS da Agenda 2030, é também um dos objetivos globais da UNESCO. Proporcionar às mulheres efetivas oportunidades de empreendedorismo e liderança, neste setor económico (ver também o relatório “Women and Tourism: Designing for Inclusion”, WBG, 2017b), pode revelar-se muito promissor em termos de lucratividade, criatividade e sustentabilidade.

É unanimemente aceite que um ativo valioso para a NUTS III - Douro é o seu património excecional. Na sua transversalidade territorial, a singularidade do património duriense mostra-se uma fonte potencial de interesse, atração

e rentabilidade, tanto para o turismo ambiental e de natureza, como para o turismo cultural. Porém, para que estas atividades turísticas sejam efetivamente sustentáveis, têm que proporcionar, em simultâneo, estreitas e relevantes ligações com o ambiente e as comunidades locais. Ressalva-se ainda que este tipo de turismo, sobretudo em caso de elevado número de visitantes, pode criar pressões, designadamente a pressão ambiental e de identidade nas comunidades locais, pelo que é imprescindível realizar, desde já, uma monitorização sistemática da pressão turística e adotar as boas práticas internacionais, nesta matéria (ver também Kettunen, 2009; Turismo de Portugal, 2019). Na construção de alternativas, na ótica do turismo sustentável, um dos principais desafios é encontrar o equilíbrio entre o potenciar as atividades lucrativas e o preservar do património. Não havendo qualquer antítese entre património, identidades locais e processos de inovação, há ainda que manter em permanente construção o espaço de oportunidades originado por estes equipamentos, incluindo projetos complementares ou similares. Também neste cenário, e tendo em vista o (re)equilíbrio socioambiental, os EqEA podem tornar-se recursos-chave, ao motivarem a valorização: do património, elevando os seus níveis de notoriedade; do diálogo de saberes entre diferentes culturas e gerações; da economia local.

Sendo importantes potencializadores da equidade territorial, os EqEA podem e devem constituir-se também como opções turísticas competitivas e de qualidade. Tal exige, contudo, que (re)pensem, de forma integrada, concertada, criativa e inovadora, o território onde estão implantados sob variadas dimensões: ambiental, socioecónomica, cultural e turística. Como o Douro tem uma grande diversidade de territórios de baixa densidade, a sua atratividade turística pode ser reforçada com a proteção, valorização e divulgação dos seus recursos endógenos peculiares. Neste enquadramento, os EqEA, se proporcionarem experiências singulares, estimulantes, autênticas e diferenciadoras a quem visita o Douro, tornam-se efetivos e importantes “polos de atratividade” que potenciam o turismo científico, cultural, ambiental e de natureza. Para o efeito, é decisivo que constituam espaços inovadores de cocriação de cultura e ciência, acessíveis ao diálogo e à participação pública – incluindo visitantes –, cumprindo o seu papel ao nível da responsabilidade social, nomeadamente no turismo de cunho sustentável.

Refletindo as três prioridades estratégicas identificadas pela União Europeia:

Open Innovation, Open Science, Open to the World (a estratégia dos 3Os;

União Europeia – programa H2020 – requer uma abordagem transdisciplinar e o envolvimento de múltiplos públicos. Neste contexto e de modo a tirar vantagem de perspetivas e conhecimento únicos, a ciência cidadã tem o potencial para abordar desafios de equidade territorial, colaborando na justiça ambiental e na responsabilidade social. Pode ser particularmente importante no desenvolvimento de soluções para problemas societais urgentes, na gestão ambiental e na transformação sustentável da comunidade e do turismo. Os EqEA devem promover pontes de diálogo e cooperação, indo ao encontro do que advogam os ODS. Nesta linha, e porque não há desenvolvimento sustentável sem ciência, foi assinado um acordo entre a Association of Science-Technology Centers e a UNESCO (ASTC, 2019; UNESCO, 2019) que objetiva – além da utilização de centros e museus de ciência como plataformas para comunicar os ODS –, a formação da comunidade e dos visitantes, a fim de que se adaptem à tecnologia, usando-a para potenciar as suas capacidades na produção de valores coletivos.

Também os equipamentos mencionados neste trabalho estão já a procurar construir redes eficazes e inteligentes, e/ou fortalecer conexões sinérgicas entre si, bem como entre este tipo de recursos de EA e os agentes ambientais, sociais e económicos. A título exemplificativo, refira-se algumas das visitas conjuntas já disponíveis, com aquisição de um só ingresso de entrada: Museu do Douro, Museu do Côa e Museu de Serralves; Museu do Côa e Museu da Casa Grande de Numão de Freixo; Museu do Côa e Siega Verde (Espanha). Porém, tanto para a obtenção de recursos como para a atração de visitantes, impõe-se intensificar o

FIGURA 7.4

No documento Para uma história do turismo no Douro (páginas 189-192)