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FIGURA 6.4 Postal ilustrado “

No documento Para uma história do turismo no Douro (páginas 149-152)

“Durio Lusitania inscript”

FIGURA 6.4 Postal ilustrado “

– Porto – Rio Douro – Barco Rabelo: coleção ‘DULIA’”, coleção privada.

central e regional até ao final do século XX. Contudo, a atribuição da chancela da UNESCO, a 14 de dezembro de 2001, no primeiro ano do século XXI, na categoria de “Paisagem Cultural Evolutiva e Viva” 9 ao Alto Douro Vinhateiro, acarretou obrigações ao Estado português quanto à preservação e divulgação do bem. Obrigações essas que só começaram a dar fruto no ano de 2006, com a celebração dos 250 anos da primeira Região Demarcada e Regulamentada do Douro. Esse ano foi, sem sombra de dúvida, memorável para o Douro, em todos os domínios. Para comemorar os 250 anos da Região, foram planeadas e executadas mais de 200 iniciativas focalizadas no Douro, iniciadas a 31 de agosto e terminadas a 14 de dezembro, dia da consagração do Alto Douro Vinhateiro a Património da Humanidade. Foram realizados, a título de exemplo, vários congressos científicos 10, exposições de fotografia 11, de desenho 12, de gravura 13, de pintura 14, concertos musicais 15, concursos de arquitetura 16, cinema 17, teatro de rua 18, artesanato 19, gastronomia 20, turismo 21, desporto 22 e ainda ações nacionais 23

9 25ª sessão do Comité do Património Mundial, efetuada em Helsínquia [Nomeação do ADV n.º 1046 CPM, Helsínquia – decisão 25 COM X.A].

10 Ciclo de conferências: “Preservação e Valorização da Paisagem Evolutiva e Viva do Alto Douro Vinhateiro”, em Mesão Frio, “A Terra e o Homem” Encontros de Estudos Locais e Seminário de Gestão Cooperativa em S. João da Pesqueira.

11 “A fotografia no Douro: arqueologia e modernidade” no Centro Português de Fotografia, bem como várias exposições de fotografia nos vários concelhos durienses.

12 De Álvaro Siza Vieira “Esquissos do Douro”, em Mirandela e “Douro, a tentação de Baco” de José Rodrigues em Vila Nova de Foz Côa.

13 “Exposição / Espólio da Bienal Internacional de Gravura do Douro (Alijó)”, em Vila Real.

14 “Rostos do Douro” de Gracinda Marques, em Vila Real, “Pelo Douro” exposição coletiva de artistas plásticos contemporâneos, em Lamego, exposição de pintura de Balbina Mendes “Margens Douro, Nascente Foz”, em Freixo de Espada à Cinta e outros locais.

15 Concertos de música antiga, de jazz, em Vila Real, encontros de bandas filarmónicas e de Grupos de Bombos da região, em Vila Real; Régua e Lamego, bem como o festival “Outras Músicas”, na Régua.

16 Prémio de Arquitetura do Douro.

17 Vários ciclos de cinema sobre o Douro, nos vários concelhos da região.

18 Vivências e Personagens da região duriense na Festa das vindimas, no Porto; outras Festas das Vindimas nas Quintas da Rota do Vinho do Porto.

19 Ações no Nervir em Vila Real.

20 Jantar / palestra sobre “As tripas à moda do Porto”, no Porto.

21 1.º Salão de Turismo no Douro, Lamego e região do Douro.

22 Realização de maratonas no Douro, tal como a 1.ª Meia-maratona “Douro Saúde e Vida”, Pinhão-Régua.

e internacionais em Londres 24, Bruxelas 25, Rio de Janeiro 26.

O Douro teve, nesse ano, uma projeção turística regional, nacional e internacional inigualáveis, graças a uma programação, comunicação e atuação concertadas. Foram concebidas, nesse âmbito, inúmeras “imagens efémeras”, que se tornaram “universais”, incorporando o imaginário social da região e convencendo os turistas na pré-venda a escolherem o referido destino.

Foi também, no âmbito das mesmas comemorações, que surgiu a Estrutura de Missão para a Região Demarcada do Douro 27, uma estrutura dependente do Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional criada com a finalidade de “dinamizar acções para o desenvolvimento integrado da Região do Douro e promover a articulação entre as entidades da administração central e local com competências na região, bem como articular a participação e a iniciativa da sociedade civil” 28. Pela primeira vez, o poder central idealizou uma estrutura regional para o Douro capaz de tecer uma rede colaborativa com todos os agentes indutivos da região, desde as autarquias locais, os empresários e as universidades. De 2006 a 2015 29, o destino turístico do Douro foi divulgado nacional e internacionalmente quer pela Estrutura de Missão para o Douro, desde 2006, quer pelo Polo de Desenvolvimento Turístico do Douro, em funções desde 2008.

A consagração do Alto Douro Vinhateiro a Património Mundial da Humanidade estimulou a atuação dos diferentes “atores do sistema turístico”, conduzindo a acertadas decisões político-estratégicas do poder central, com a criação das duas entidades acima citadas, ancoradas na região. Esta estratégia de governação animou, de igual forma, os operadores turísticos do setor privado, entre eles, o

24 “Douro – The Port Wine Country Revisited” no Royal College of Art e na embaixada de Portugal.

25 “Douro – la région du Vin de Porto Revisitée”.

26 Provas de vinhos do Douro e Porto e seminários sobre as “Relações Comerciais do Brasil com Portugal (Século XVIII –XX), Rio de Janeiro.

27 Resolução do Conselho de Ministros n.º 116/2006, publicada no Diário da República, 1.ª série, N.º 182, de setembro, p. 6924.

28 Entrevista de Ricardo Magalhães à RTP aquando do início das suas funções. Acedido em novembro 10, 2017 em: https://www.rtp.pt/noticias/pais/chefe-de-projecto-da-estrutura-de-missao-para-a-regiao-demarcada-do- douro-inicia-funcoes-sexta-feira_n42560.

29 A Missão cessou as funções que tinha inicialmente, a partir de 2014, pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 4/2014, e foi acometida à CCDR-N a missão de proteger, conservar e valorizar, bem como divulgar e promover a “Paisagem Cultural, Evolutiva e Viva do Alto Douro Vinhateiro”, funções que ainda hoje assume.

turismo fluvial, o enoturismo, o turismo em espaço rural, a hotelaria, entre outros, tendo os dois polos público e privado concertadamente e, pela primeira vez, para o destino em causa, conseguido criar uma forte “imagem construída para venda” (Santana Talavera, 2015, p. 41) do destino Douro tanto ao nível nacional como internacional.

No âmbito da estratégia congraçada das duas entidades foram finalmente levadas a cabo ações de marketing centradas única e exclusivamente no território duriense. Foram produzidos, pela primeira vez, materiais promocionais de qualidade, tais como: guias (S.n. 2012; Tapada 2012 e 13), prospetos turísticos (Santana 2009), revistas (Evasões, 2007), postais ilustrados, páginas na internet, bem como campanhas de marketing produtoras de reportagens, artigos, notas de imprensa sobre eventos, documentários, para os diferentes mercados. Neste âmbito foram criadas “imagens induzidas” ou construídas para venda que transformaram favoravelmente a imagem turística emitida sobre o destino Douro.

30 A primeira edição do prospeto em 5 línguas (português, francês, inglês, castelhano, alemão) foi apresentada na Bolsa de Turismo de Lisboa, em 2009, numa edição conjunta da Estrutura de Missão para o Douro e do Turismo do Douro, em colaboração com a UTAD. Os textos são da nossa autoria.

31 Este prospeto teve uma divulgação muito alargada, durante vários anos, tendo sido contemplado com várias edições em português e inglês, patrocinadas pela Caixa Geral de Depósitos. Esteve disponível ao público nacional e internacional até 2016.

FIGURA 6.5 (ESQUERDA)

No documento Para uma história do turismo no Douro (páginas 149-152)