Que fatos gostaria de abordar sobre sua participação pessoal nos pródromos da Revo-lução de 31 de Março de 1964, na sua eclosão e nas suas conseqüências?
Com relação aos pródromos, posso declarar que a classe militar principal-mente os oficiais da Aeronáutica, Exército e Marinha só começaram a ter uma noção exata do que ocorria no Brasil a partir dos acontecimentos que culminaram com o suicídio, em 24 de agosto de 1954, do Presidente Getúlio Vargas.
O assassinato do Major-Aviador Rubens Florentino Vaz causou um trauma tão grande na Aeronáutica que a Força praticamente parou desde o dia 5 de agosto até a posse do novo governo que assumiu depois de Getúlio Vargas. O novo Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Eduardo Gomes, era o líder natural da Força e a situação normalizou, mas não por muito tempo.
Os acontecimentos de 11 de novembro de 1955 colocaram a Aeronáutica em estado de rebelião. O Brigadeiro Eduardo Gomes não aceitou o golpe e conseguiu des-locar quase toda a força de combate para São Paulo, para, segundo suas próprias pala-vras, tentar resistir. Não conseguiu apoio, voltamos para o Rio de Janeiro derrotados.
Veio o Governo de Juscelino Kubitschek, acompanhado do General Lott, fi-gura incontrastável no Governo etc. Em fevereiro de 1956, Velloso parte para Jacareacanga. Chegou a tomar Santarém, mas foi obrigado a deixar a cidade, embrenhando-se na selva e acabou preso.
Em 1959, vem o movimento de Aragarças, com Burnier, Velloso, Lebre e outros que acabaram exilados na Bolívia, Paraguai e Argentina.
Jânio Quadros – a nova esperança – renuncia e, daí em diante, passamos a viver o caos.
Jango – o Governo das agitações permanentes – empenha-se em destruir a disciplina e a hierarquia nas Forças Armadas e em eliminar seus desafetos, dardejando suas ferinas manobras, como as arquitetadas para matar o Governador Carlos Lacerda. O País, cansado de conviver com a irresponsabilidade e incapaci-dade governamentais, levanta-se em 31 de Março de 1964, dia em que arrancamos os janguistas e comunistas do Poder.
A partir do dia 11 de novembro, vale lembrar, as reuniões eram quase que só de oficiais da Aeronáutica, mas, aos poucos, integrantes do Exército e, tam-bém, da Marinha passaram a participar e, aí, já começamos a caracterizar os en-contros como verdadeira conspiração.
A partir da posse do Jango, as reuniões conspiratórias passaram a abranger praticamente todo o território nacional.
Os oficiais viajaram do Rio para contatos em todas as grandes cidades brasi-leiras, onde começaram a sentir os primeiros sinais claros de desapontamento e
de revolta contra o Governo que infelicitava o nosso País, incentivando a discór-dia e o conflito nos mais diferentes setores da população, estimulando, sobretu-do, a luta de classes.
Na Aeronáutica, os oficiais que se opunham ao Governo estavam em sua totalidade em funções burocráticas.
Um fato marcante, que acabou jogando até os indecisos ao lado dos oposi-cionistas, foi o episódio ocorrido em dezembro de 1958. O Ministro da Aeronáu-tica viajou para os Estados Unidos e deixou o General Lott como Ministro Interino da Aeronáutica. Foi a gota d’água – explodiu na imprensa brasileira a famosa Carta aos Brigadeiros que gerou uma cadeia de solidariedade, chegando a serem presos por trinta dias cerca de um mil oficiais. Centenas de outros só não foram presos, porque as autoridades resolveram não mais prender ninguém. Concomitante com a carta, houve a cerimônia da Formatura da Turma de 1958 na ECEMAR (Esco-la de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica). Com a chegada do Marechal Lott, grande parte dos instrutores e oficiais alunos se retiraram do salão e a cerimônia praticamente terminou e os diplomas foram entregues nos escaninhos.
No meu caso – Instrutor da ECEMAR desde 1954 – saí da cerimônia direto para cumprir a pena de trinta dias na Base Aérea de Santa Cruz, nunca mais vol-tando àquela Escola.
Em 1963 – na Escola Superior de Guerra – pude sentir na sua plenitude o ambiente inteiramente contrário à situação. No início de 1964, encostado no EMAER (Estado-Maior da Aeronáutica), cerca de três dias antes do 31 de março, fui chamado pelo Brigadeiro Burnier, para junto com outros companheiros da Aeronáutica, do Exército e civis tomar parte na defesa do Palácio Guanabara. Quando lá chegamos, encontramos o Coronel-Aviador Gustavo Borges, que era o Secretário de Segurança do Estado da Guanabara.
Aí, ficamos sabendo que a Revolução estava para eclodir e viria de Minas Gerais. O Coronel Borges tinha seu plano já montado para defender o perímetro do Palácio, utilizando Forças da Polícia Militar, e bloqueando todo o acesso ao Palá-cio, com caminhões de lixo da limpeza urbana. O inimigo mais aparente eram os fuzileiros navais que iriam atacar comandados pelo Almirante Aragão.
Convém salientar que, após o comício da Central no dia 13 de março, só um “anjo” poderia acreditar que as Forças Armadas iriam assistir passivamente a comunização do Brasil.
Já no dia 30 de março, ficamos sabendo que o General Mourão Filho e o General Carlos Guedes só aguardavam o pronunciamento do Governador Magalhães Pinto para iniciar o Movimento. No fim, o que se viu foi que o Almirante Aragão não
atacou e os tanques do I Exército que foram mandados para atacar o Palácio Guanabara acabaram aderindo à Revolução.
Consolidada a vitória, fui comandar a Base Aérea dos Afonsos, onde fiquei três anos e, em seguida, fui para a Casa Militar do Presidente Costa e Silva.
As primeiras decepções ocorreram quando notórios corruptos e ladrões foram tirados da primeira lista de cassados. Não foi a Revolução que os tirou e sim os que dela não participaram, mas que se incorporaram à mesma, agindo “por baixo dos panos”.
Poderia precisar quais foram as raízes do Movimento revolucionário desencadeado em 31 de março de 1964?
A meu ver, o divisor de águas foi a renúncia do Presidente Jânio Quadros e a conseqüente posse do Presidente João Goulart.
A renúncia foi uma verdadeira bomba lançada contra aqueles seis milhões de eleitores que se viram repentinamente órfãos a observar a ação dos três ministros militares e o transporte das tropas do Exército para o Sul e unidades da FAB para Florianópolis. Após o plebiscito em janeiro de 1963, as Forças Armadas foram atingidas diretamente pelo Governo com muito mais poder, conseqüência da ado-ção do regime presidencialista e o 31 de Março era apenas uma questão de tempo. Dentre as causas mais remotas, estão o assassinato do Major Rubens Vaz, o suicídio de Vargas e o manifesto dos coronéis que levou à novembrada, o 11 de Novembro de 1954.
A gota d’água foi o comício da Central do Brasil, em 13 de março, a rebe-lião dos marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos de Triagem e, principalmente, o discurso do Presidente da República, ofensivo à disciplina e à hierarquia das Forças Armadas no Automóvel Clube do Brasil, fatos insuportáveis ocorridos no Rio de Janeiro.
O senhor julga que a guerra fria, pós-Segunda Guerra Mundial, teve alguma influên-cia na Revolução de 31 de Março de 1964?
A influência da guerra fria considero relativa. O mundo estava dividido entre as democracias e os regimes totalitários, representados por comunistas e socialistas; isto, é claro, trouxe conseqüências, para o Brasil e suas Forças Arma-das, claramente favoráveis à democracia.
Já ao fim da Segunda Guerra Mundial, o retorno, a partir de junho de 1945, dos pracinhas vitoriosos da Itália, onde lutaram pela democracia, acabou desa-guando no 29 de outubro de 1945 com a queda de Getúlio Vargas.
Gostaria de nos dizer algo acerca do panorama político brasileiro, anterior a 31 de março de 1964?
Resumidamente, acredito que o período JK – Juscelino Kubitschek – aque-le clima de entusiasmo desenvolvimentalista, “50 anos em 5”, construção de Brasília etc. chegou a enganar, por algum tempo, o povo, mas, para a classe militar, que estava atenta, não passaram desapercebidas as falcatruas, as roubalheiras, o enri-quecimento ilícito e rápido dos comparsas de JK etc. O resultado foi a esmagadora vitória de Jânio nas eleições de 1960, o qual se apresentou como o antídoto à corrupção, “o homem da vassoura”, aquele que iria limpar o Brasil.
A súbita renúncia de Jânio e a posse de Jango, com seu populismo demagó-gico e a infiltração comunista, só podiam resultar nos acontecimentos que vive-mos então e acabaram no desfecho esperado de 31 de março de 1964.
Havia, de fato, um clima de insatisfação contra o Governo de João Goulart?
Pelo que sentia nas reuniões que tínhamos freqüentemente com os outros oficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica, posso afirmar que sim. O problema principal era que todos os comandos principais estavam nas mãos de elementos do famoso dispositivo militar dos Generais Argemiro de Assis Brasil, Osvino Ferreira Alves e Crysantho de Miranda Figueiredo.
Qual era, de modo geral, a posição da Igreja, com relação ao Governo deposto em 1964?
A Igreja Católica já naquele tempo – como agora – estava dividida entre os conservadores, a maioria, e o chamado “clero progressista”. Dom Helder Câmara – que antes fora integralista, tornando-se depois comunista – causou estragos muito grandes com suas pregações “progressistas” quando, ao comentar as agitações nas grandes cidades, se referia aos agitadores chamando-os de “os admiráveis guerri-lheiros urbanos”. Havia vários outros bispos “progressistas” como os Lorcheider, Casaldaglia, Tomás Balduíno etc. mas do nosso lado havia dois grandes cardeais – Dom Jaime de Barros Câmara, que era do Rio de Janeiro, e o Cardeal Dom Vicente Scherer, do Rio Grande do Sul. Daí, podemos entender as famosas e inesquecíveis Marchas da Família brasileira, das mulheres brasileiras, que foram às ruas “mar-chando com Deus pela Liberdade”.
O que gostaria de falar sobre as “Ligas Camponesas” e os “grupos dos onze”?
As “Ligas Camponesas” de Julião faziam no Nordeste exatamente o que o MST (Movimento dos Sem Terra) faz hoje em, praticamente, todo o território nacional, sem o menor respeito à propriedade privada e ao patrimônio público, contando com o alheamento das autoridades, sobretudo, em nível federal.
Os “grupos do onze”, do Brizola, estavam articulados mais no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Creio que havia muita propaganda, pois na hora “H” da Revolução não apareceu nenhum “grupo dos onze” para se opor.
O que se passava no meio militar? Houve tentativa de criar cisões nos quadros das Forças Armadas? Como era o ambiente nos quartéis, na fase pré-revolucionária? Poderia citar exemplos? Qual a participação do Clube Militar e das Associações congêneres, como o Clube da Aeronáutica?
Uma tentativa séria de criar cisões na minha opinião foi o golpe do General Lott em 11 de novembro de 1955, que criou feridas só cicatrizadas anos mais tarde, mas isso foi naquela ocasião, quando a Aeronáutica foi humilhada com suas Bases cercadas por tanques do Exército.
Fez isso e pagou levando uma surra nas eleições contra Jânio Quadros...
Com relação ao ambiente nos quartéis, só posso me referir aos da Aero-náutica. Lembro que todos os Comandos da Força estavam nas mãos de oficiais janguistas. Afirmo, porém, que os comandos não controlavam ninguém. Como exemplo, recordo o dia 1o de abril, data em que o Coronel-Aviador Alfredo Gonçalves Correa, com seis oficiais leais, invadiu a Base do Galeão, assumiu o Comando da Base em nome da Revolução e não houve a menor reação por parte do Coronel-Aviador que a comandava – até então. É válido lembrar que, nessa Base do Galeão, tinha se refugiado toda a cúpula do dispositivo janguista na Aeronáutica, inclusive o seu Ministro, Brigadeiro Botelho, e outros brigadeiros que saíram de “fininho”.
Sobre o Clube Militar não tenho informação, mas o Clube da Aeronáutica, a partir de 31 de março passou a funcionar como se fosse o Ministério e era para onde iam os oficiais quando souberam da eclosão do Movimento.
O nosso grupo que estava no Palácio Guanabara, quando foi “dispensado” da missão, que não mais se fazia necessária, se dirigiu para o Clube e lá ficou “acantonada” por cerca de uma semana. O grupo acabou se “dissolvendo” quando a maioria dos oficiais que a ele pertenciam foi chamada para exercer funções na nova situação, lembrando o episódio do atentado contra o Brigadeiro Lavanère Wanderley e a defesa do mesmo, feita pelo Coronel Hippóllyto da Costa.
A reação do Coronel-Aviador Alfeu Monteiro que não quis passar o Coman-do da 5a Zona Aérea, atirando no Brigadeiro Wanderley, fez com que o Coronel Hippóllyto revidasse dando-lhe um tiro certeiro que causou a sua morte. Aliás, esse tiro foi transformado pelos inimigos da Revolução em 16 tiros. Veja o absur-do de quem anda elaboranabsur-do absur-documentos e escrevenabsur-do livros por aí, pertencente
à esquerda “revanchista”. Um tiro, em legítima defesa de terceiros pela frente, do qual foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar, transformou-se em 16, pelas costas. É possível acreditar no que esses mentirosos estão colocando no papel? Essa mentira foi forjada para indenizar a família do Coronel janguista Alfeu.
Quais os principais acontecimentos, a seu ver, que foram determinantes para o desen-cadeamento da Revolução, no dia 31 de março de 1964?
A “fermentação” que havia no seio das Forças Armadas transformou-se em ação motivada por vários fatores.
Ao fundo, a renúncia de Jânio e a humilhação sofrida pelas Forças Arma-das que foram obrigaArma-das a aceitar a posse de Jango, venciArma-das pela guerra psico-lógica de Brizola – Campanha da Legalidade e posterior defecção de General Machado Lopes, Comandante do III Exército. Cabe lembrar que o outro lado dispunha da totalidade da Marinha, da Aeronáutica e de praticamente todo o Exército Brasileiro com exceção da tropa do General Machado Lopes. A seguir, cito, como grande motivação, as Marchas da Família com Deus pela Liberdade, nas quais o papel das mulheres foi fundamental, que, em Minas Gerais, impediram um comício do Brizola.
Outra razão foi o comício da Central do Brasil, com toda a “comunada” pre-sente e as ameaças que os oradores faziam a quem se opusesse às “reformas de base”. A revolta dos marinheiros num sindicato em Benfica (Triagem), que levou, posteriormente, o “almirante do povo” Aragão a ser carregado como vitorioso pelos manifestantes, foi um forte argumento a mostrar que aquele governo real-mente não governava...
E tudo culminou com o discurso de Jango no Automóvel Clube do Brasil, na Cinelândia, onde ele desacreditou a hierarquia e a disciplina nas Forças Armadas.
As Forças Armadas, particularmente o Exército, foram intérpretes da vontade nacio-nal, quando foi deflagrada a Revolução de 31 de Março de 1964?
Não tenho a menor dúvida, basta ver as manchetes dos principais jornais do País naqueles dias gloriosos que se iniciaram em 31 de março.
Havia, a seu ver, uma revolução em andamento, de cunho comunista, para a mu-dança da ordem institucional do Brasil?
Está mais do que claro: o que fazia o “general do povo” Osvino Ferreira Alves? E o que fazia Luís Carlos Prestes nos comícios ao lado do Presidente? A agita-ção nos campos com a aagita-ção das “Ligas Camponesas” etc.
Qual a atitude do Congresso Nacional quando da eclosão da Revolução de 31 de Março de 1964?
Acredito que o Congresso foi tomado de surpresa; no início chegou a pensar que iria tomar conta tendo o Presidente da Câmara – Ranieri Massili – assumido o Governo, mas logo se deu conta de que o Movimento era muito mais amplo do que imaginava.
Acabaram elegendo o Marechal Castello Branco para Presidente.
Como se portaram os sindicatos e entidades tachadas de esquerdistas (UNE, CGT etc.), logo após o início da Revolução?
Não notei a menor reação. Seus principais líderes fugiram.
A UNE foi tomada por alguns revolucionários e creio que foi até incendiada, dizem, que pelos seus próprios membros, para impedir que determinados documen-tos chegassem às nossas mãos, principalmente os relativos a dados do seu pessoal.
Os “grupos dos onze” de Brizola sumiram no espaço.
Quais, na sua opinião, os principais líderes civis e militares da Revolução de 31 de Março de 1964?
Entre os civis, devo citar o Governador Carlos Lacerda, o Governador Maga-lhães Pinto e o Governador Adhemar de Barros. Com relação aos militares, devo destacar o General Mourão Filho e o General Carlos Luís Guedes que desencadearam a Revolução a partir de Minas Gerais e mais os Generais Costa e Silva, Castello Bran-co, Moniz de Aragão, Emílio Médici, Amaury Kruel e Justino Alves Bastos.
Na Aeronáutica: Brigadeiros Eduardo Gomes, Márcio de Souza Mello e Gabriel Grüm Moss.
A Revolução de 1964 foi um Movimento exclusivamente de preparação interna ou houve auxílio externo, em especial dos EUA?
O envolvimento dos americanos na Revolução é uma velha cantilena dos comunistas.
Nas incontáveis reuniões que tivemos nos dez anos anteriores à Revolução de 31 de Março, com oficiais das três Forças reunidos, nunca encontrei um único elemento da CIA ou de qualquer outra organização dos Estados Unidos.
E mais: nunca ouvi de nenhum dos companheiros que se reunia conosco, que tivesse, uma só vez que fosse, se encontrado ou mantido contato com algum elemento estrangeiro.
A nossa Revolução foi genuinamente nacional para desespero dos comunis-tas que insistem na tentativa de buscar elos externos, considerando que eles, sim, não dão um passo sem o apoio internacional.
A que atribuir o rápido e incruento desmoronamento do chamado “esquema militar” do Governo federal, quando se desencadeou a Revolução?
O Governo João Goulart foi tomado de surpresa e confiava no famoso “dis-positivo militar” que tinha montado.
A maior prova que o dispositivo não controlava coisa alguma foi dada quando o Governo mandou um poderoso destacamento para impedir a progressão do General Mourão sobre o Rio de Janeiro.
O que aconteceu? A tropa que saiu do Rio aderiu à Revolução e acabou engrossando as fileiras do General Mourão Filho.
Qual a sua apreciação, quanto ao aspecto “chefia e liderança”, por parte dos ofi-ciais das Forças Armadas, em especial das tropas do Exército, que estiveram na iminência de um combate?
É muito difícil opinar nessa questão com relação às Forças e com relação à Aeronáutica. Como citei anteriormente, os oficiais encarregados de ocupar ou tomar as Bases Aéreas demonstraram grande capacidade de liderança. Destaquei o Coronel-Aviador Correa que tomou a Base do Galeão; houve o caso do Coronel Esrom Pires que se deslocou para Santa Cruz e, posteriormente, para Natal.
Com relação ao encontro do II Exército na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), ouvi do próprio General Médici, que tratou de todos os detalhes da reunião havida entre o General Kruel e o General Âncora, Comandante do I Exército, que a reunião resultou no fim das operações no Vale do Paraíba, saindo vencedor o Brasil, que, daí em diante, garantiu a paz para trabalhar e crescer.
Creio que os oficiais generais do nosso Exército se portaram muito bem, sendo que o General Médici demonstrou sabiamente sua competência e capacida-de capacida-de licapacida-derança até culminar sua carreira, chegando à Presidência da República “para cumprir uma missão”, como ele mesmo declarou.
O General Médici foi brilhante, sob todos os aspectos, em sua vida militar e, como Presidente da República, missão que cumpriu de forma exemplar.
De pleno acordo. Foi tão bom que os “revanchistas” morrem de ódio e de inveja dele. O Brasil e a Revolução vitoriosa têm uma enorme dívida para com ele. Uma opinião pessoal: O General Mourão Filho, se tinha alguma aspiração maior, além de se levantar com sua tropa contra o Governo João Goulart, falhou na parte crucial de sua jornada. Todos nós aprendemos desde os tempos de cadete em Realengo ou na AMAN que o aproveitamento do êxito é fundamental no combate. Pois o General Mourão, com aquela tropa toda na mão, em vez de dirigir-se ao QG do Exército, foi parar num acantonamento no Maracanã. Acabou
lhe sendo oferecido o cargo de Presidente da Petrobras e, por fim, foi ser Ministro do Superior Tribunal Militar.
O emprego operacional dos cadetes da AMAN, a favor da Revolução de 1964, foi correto em seu entendimento? Por quê?
Creio que foi muito correto: a tropa de que dispunha o General Médici eram os seus cadetes – altamente treinados e extremamente motivados – todos queriam defender o Brasil do comunismo.
Quando o nosso grupo foi formado para defender o Palácio Guanabara, não tínhamos só militares, mas também, dezenas de civis, alguns não tinham nem um