Que fatos o senhor gostaria de abordar sobre sua participação pessoal nos pródromos da Revolução de 31 de Março de 1964, na sua eclosão e nas suas conseqüências?
Não fui um conspirador, embora acompanhasse, com preocupação, o que se passava no País.
Ao eclodir a Revolução, à qual de pronto aderi, encontrava-me na ECEME. Terminara o curso no final de 1963, fora nomeado instrutor e estava me preparando para o início das aulas. Iniciada a Revolução, a ECEME imediatamente aderiu, com mínimas dissidências, logo afastadas; transformando-se num repositório de recursos humanos, para atender a qualquer necessidade.
Enviou equipes, organizadas em Estados-Maiores (EM) para várias regiões do País, particularmente para Brasília, além de cumprir outras missões no Rio de Janeiro.
Lembro-me de que ocupamos o Pão de Açúcar, interditando o “bondinho”, estabelecemos barricadas na entrada da Praça General Tibúrcio e nos preparamos para defender a praia, no caso de uma possível invasão por mar (fuzileiros navais); o que me parecia pouco provável.
A mim, que na ocasião era Major, coube participar de uma dessas missões, integrando a equipe chefiada pelo então Tenente-Coronel Diogo de Oliveira Figueiredo, encarregado de ocupar as instalações do antigo SFICI (Serviço Federal de Informa-ções e Contra-InformaInforma-ções), embrião do futuro SNI, que funcionava em um ou dois andares, não me lembro bem, de um prédio situado na Avenida Presidente Wilson, quase esquina da Avenida Presidente Antônio Carlos.
Entramos pelos fundos, à noite, pois não sabíamos o que iríamos encon-trar. Felizmente, as instalações estavam desocupadas (acabavam de ser abandona-das) e pudemos ocupá-las sem problemas.
Depois de alguns dias ali, fui deslocado para as antigas instalações do Conse-lho de Segurança Nacional, no alto da “Casa da Borracha”, na Rua Uruguaiana, esquina da Presidente Vargas.
Aí permaneci cerca de um mês, à frente de um setor da área de informações, após o que recebi ordem de retornar a ECEME, pois seriam iniciadas as aulas do 1o ano, do qual fora designado instrutor.
Sobre essa participação constam de minhas alterações referências feitas pe-los coronéis Ariel Pacca da Fonseca e Jayme Portella de Mello, que passaram pela chefia do Gabinete da Secretária Geral do CSN.
O inusitado dessa minha participação foi a presença, na “Casa da Borracha”, como chamávamos, do Tenente-Coronel Hélber Penha Valle, para dar-me esclarecimentos sobre a seção que eu passara a chefiar e que, na administração afastada, o fora por ele.
Essa atitude certamente contribuiu para que esse oficial voltasse a ser ins-trutor da ECEME e, mais tarde, comandasse o 11o RI (Regimento Tiradentes), de São João Del Rei.
O senhor poderia precisar quais foram as raízes do Movimento revolucionário de-sencadeado em 31 de março de 1964?
Quando Jânio Quadros renunciou, os ministros militares se posicionaram contra a posse de Jango Goulart, que era o Vice-Presidente e se encontrava na China, pois já pressentiam o que poderia acontecer, em razão de suas tendências populistas já manifestadas quando exercera o cargo de Ministro do Trabalho. Chegaram, os ministros militares, na ocasião, a lançar um manifesto à Nação, alertando para os riscos que corríamos.
Não contaram, porém, naquela oportunidade, com o necessário apoio polí-tico e da opinião pública, para tomar qualquer atitude mais drástica.
Mas alguma coisa conseguiram. Surgiu a idéia do parlamentarismo, que foi aprovado pelo Congresso e aceito por Jango; que, assim, pôde assumir a Presidên-cia, com a restrição de poderes que lhe foi imposta. Todavia, tão logo assumiu, Jango começou a boicotar o Gabinete, inicialmente chefiado por Tancredo Neves, terminando por impor a realização de um plebiscito que acabou por restituir-lhe a totalidade do Poder.
Na minha visão, a partir daí, iniciou-se a conspiração para derrubá-lo, pois, aliado aos comunistas e atiçado por Leonel Brizola, começou a enveredar o País por caminhos perigosos, compromissados com o comunismo internacional.
Aí estão, a meu ver, as raízes do Movimento revolucionário de 1964. Há quem veja nas Revoluções de 1922, 1924, 1926 e 1930, as raízes remo-tas do Movimento de 1964.
Não penso assim, pois o Movimento Tenentista, que culminou com a mar-cha da mar-chamada Coluna Prestes, era puramente idealista e não ideológico.
Prestes tornou-se comunista após o término da marcha da coluna e foi renegado por seus companheiros.
O senhor julga que a guerra fria, pós-Segunda Guerra Mundial, teve alguma influência na Revolução de 31 de Março de 1964?
Creio que diretamente não.
Todavia é inegável que a exacerbação do “perigo comunista” provocado pela guerra fria, aliada à utilização de Cuba pela URSS como ponta de lança para ameaçar os Estados Unidos da América (EUA) e como trampolim para exportar a
revolução para a América Latina (Che Guevara), certamente contribuiu, ainda que indiretamente. Acresce a aceitação crescente pelo Governo Jango da influência comunista proveniente da China e de Cuba; iniciada aliás, a meu ver, com a conde-coração de Che Guevara por Jânio Quadros.
O senhor poderia nos dizer algo acerca do panorama político brasileiro, anterior a 31 de março de 1964?
A partir da recuperação por Jango da totalidade dos poderes constitucio-nais com o fim do parlamentarismo, agravou-se o panorama político do País, já bastante tumultuado.
As chamadas “reformas de base” representavam o pano de fundo para as greves dirigidas pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT); as manifestações de rua que sempre terminavam em “quebra-quebra”; os conflitos no meio rural estimulados pela Supra (Superintendência para a Reforma Agrária), órgão governamental; a agitação estudantil promovida pela UNE, com o apoio do MEC; os programas de rádio e televi-são pregando a luta de classes, com a participação de representantes do Governo Federal; a indisciplina nos quartéis, estimulada por autoridades federais, inclusive pelo próprio Presidente, iam num crescendo, preocupando, cada vez mais as autori-dades militares, alguns governadores e a sociedade de um modo geral, contrastando com o Congresso, sem força, dominado pelos partidários de Jango.
Se juntarmos a esse quadro, a ação das “Ligas Camponesas” no Nordeste, a ação desenvolvida por Leonel Brizola que, após deixar o Governo do Rio Grande do Sul, fora eleito Deputado Federal e continuava estimulando a formação dos “grupos dos onze” e a atuação da Igreja ideologicamente engajada; fácil seria verificar que, realmente, caminhávamos para a implantação no Brasil de uma Re-pública Popular Sindical, como pregava o CGT. Cartilhas com instruções para guer-rilha, apreendidas no Nordeste, confirmavam tal assertiva. Estava em curso um plano para transformar o Brasil em um país comunista.
Em síntese, era esse o panorama político brasileiro anterior a 31 de março de 1964, na minha visão.
Havia, de fato, um clima de insatisfação contra o Governo de João Goulart?
É inegável que sim e essa insatisfação crescente, manifestada em várias capitais do País, cristalizou-se com a realização em São Paulo, no dia 19 de março de 1964, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que mobilizou enorme multidão (as fotos da época o atestam), manifestando-se contra os rumos que o Governo Federal pretendia impor ao País.
Tal manifestação teve grande impacto junto às lideranças militares que a inter-pretaram como o respaldo popular que faltava e que não haviam obtido em 1961, quando tentaram evitar a posse de Jango.
Qual era, de modo geral, a posição da Igreja, com relação ao governo deposto em 1964?
A Igreja tradicionalista de D. Antônio de Castro Mayer, apoiada pela TFP (Tradição, Família e Propriedade), era decididamente contra, apoiando o Movimen-to revolucionário que eclodiu em 31 de março.
A Igreja secular, não politizada, aceitava, mas após a Revolução se dividiu. A Igreja ideológica de D. Pedro Casaldaglia era totalmente favorável e engajada na defesa das “reformas de base”, particularmente da reforma agrária.
A CNBB, que reunia bispos de todas as facções, agia em função do pensamen-to do seu Presidente, em regra, compromissado ideologicamente com o Governo Jango. Após a Revolução, deu trabalho.
O senhor poderia falar sobre as “Ligas Camponesas”, os “grupos dos onze” e outros movimentos semelhantes?
Tanto as “Ligas Camponesas” de Francisco Julião, que agiam no Nordeste, particularmente em Pernambuco, com a tolerância do Governador Miguel Arraes; quanto os “grupos dos onze” cuja formação, em todo o País, era fomentada pelo Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, para agirem como uma milícia para-militar, estavam no contexto da preparação da tomada do Poder e implanta-ção no Brasil de uma República Popular Sindical.
Além desses podemos citar:
O Movimento Cultural Popular (MCP), organizado em Pernambuco e orien-tado por Gregório Bezerra, notório comunista, egresso de 1935, com o objetivo de conscientizar os estudantes com relação aos jargões comunistas; o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), braço sindical a serviço de Jango, como arma para a implantação da tal república sindicalista.
O que se passava no meio militar? Houve tentativa de criar cisões nos quadros das Forças Armadas? Como era o ambiente nos quartéis, na fase pré-revolucionária? Poderia citar exemplos?
À medida que o tempo foi passando, mais se evidenciava a intenção de criar cisões nos quadros das Forças Armadas, procurando jogar as praças, particu-larmente os graduados, contra os oficiais.
Em várias unidades do Exército Brasileiro, particularmente nas proximida-des da eclosão do Movimento de 1964, e logo após, essa cisão ficou evidenciada.
Por outro lado, as revoltas dos sargentos da Marinha e da Aeronáutica em Brasília e dos marinheiros no Rio de Janeiro bem caracterizaram o trabalho de dissensão que vinha sendo desenvolvido pelo próprio Governo Jango e seus segui-dores nesse sentido; culminando com a “demonstração de solidariedade” ao Pre-sidente, promovida pela Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Mili-tar do então Estado da Guanabara, no Automóvel Clube do Brasil, na Cinelândia, no dia 30 de março de 1964. Nessa ocasião, o Presidente dirigiu a palavra a sargentos das Forças Armadas, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, concitando-os, claramente, a se insurgirem contra seus superiores hierárquicos.
O Clube Militar e seus congêneres, a meu ver, embora fossem palco de dis-cussões e debates, não tiveram participação decisiva no Movimento, pois não se constituíam em terreno próprio à conspiração em marcha.
Quais os principais acontecimentos, a seu ver, que foram determinantes para o desencadeamento da Revolução, no dia 31 de março de 1964?
Entendo que a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, realizada em São Paulo a 19 de março de 1964, e a “demonstração de solidariedade” ao Presi-dente, realizada no Automóvel Clube do Brasil no Rio de Janeiro no dia 30 de março de 1964, foram os acontecimentos determinantes para o desencadeamento da Revolução.
A primeira, como resposta ao comício da Central do Brasil, dando o neces-sário respaldo popular ao Movimento, e a segunda, caracterizando claramente para todo o País, através da TV, as verdadeiras intenções do Presidente, definidas através de seu discurso populista, demagógico, desagregador e revolucionário. Representou, por assim dizer, a “pá de cal”, “a gota d’água”.
No dia seguinte, desencadeava-se a Revolução.
Qual foi, portanto, o significado da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, qualificada de movimento reacionário pelos opositores da Revolução?
Significou, como foi dito na resposta à pergunta anterior, o aval da popu-lação para que o Movimento fosse desencadeado. Ela pode ser vista como uma resposta ao comício da Central do Brasil, realizado a 13 de março de 1964, no qual o Presidente Goulart “rasgou a fantasia” pregando abertamente, acolitado por seu cunhado Leonel Brizola, a subversão total do País.
Acha o senhor que as Forças Armadas, particularmente o Exército, foram intérpretes da vontade nacional, quando foi deflagrada a Revolução de 31 de Março de 1964?
Sem dúvida. O aval que as Forças Armadas não tiveram em 1961, por oca-sião da renúncia de Jânio, lhes foi concedido plenamente em 1964, em razão dos desmandos de Jango.
A 31 de março de 1964, quando a Revolução foi deflagrada, era inegável que isso representava a vontade nacional, envolvendo praticamente a totalidade das Forças Armadas, vários Governadores, alguns até conspiradores, muitos polí-ticos, o Congresso como Instituição, as classes produtoras e a sociedade conscien-te, todos seguros da necessidade da intervenção das Forças Armadas, a fim de assegurar a sobrevivência da Nação, ameaçada de submergir pela ação deletéria e impatriótica do Governo de então.
Havia, a seu ver, uma revolução em andamento, de cunho comunista, para a mudan-ça da ordem institucional do Brasil?
Creio não haver dúvida sobre isso.
A ação das “Ligas Camponesas”, o estímulo à criação dos “grupos dos onze”, a ação do CGT, o estímulo à baderna, a infiltração no Governo de extremistas e militantes comunistas, a busca pelo Presidente de poderes cada vez maiores, ad-mitindo até mesmo fechar o Congresso e, principalmente, a tentativa de dividir as Forças Armadas, jogando a tropa e os graduados contra a oficialidade, caracteri-zavam, a meu ver, uma revolução de cunho comunista em curso, a caminho da tomada do Poder.
Prestes chegou a dizer: “Já temos o Governo; falta tomarmos o Poder”.
Qual a atitude do Congresso Nacional quando da eclosão da Revolução de 31 de Março de 1964?
O Congresso Nacional, como fizera em 1961, agiu positiva e rapidamente, declarando vago o cargo de Presidente tão logo Jango abandonou o País, nele empossando o Presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzili.
Dessa forma, referendou a Revolução, dando-lhe total respaldo político, institucionalizando-a; contribuindo, assim, para acalmar a população.
Como se portaram os sindicatos e entidades tachadas de esquerdistas (UNE, CGT, PUA, CNTI etc.), logo após o início da Revolução de 1964?
Tomadas de surpresa, deflagrada a Revolução de 31 de Março, ficaram sem ação, somente começando a se manifestar e a atuar mais adiante.
Acresce que imediatamente foram presos vários de seus líderes, inclusive o Presidente do CGT, Dante Pelacani.
Quais, na sua opinião, os principais líderes civis e militares da Revolução de 31 de Março de 1964?
É sempre perigoso citar nomes, pois o risco de cometer injustiças lhe é inerente.
Na minha visão restrita, entre os civis, sobressaíram-se Magalhães Pinto, Adhemar de Barros e Carlos Lacerda. Entre os militares, destaco o trabalho de coordenação conspiratória dos Marechais Odylio Denys e Cordeiro de Farias, a ação desassombrada de Carlos Luís Guedes, Mourão Filho e Muricy, detonadores do Movimento e a ação aglutinadora de Castello Branco quando, como Chefe do EME, legalista por natureza, decidiu-se a expedir a Circular do dia 20 de março de 1964, que foi um verdadeiro divisor de águas e caracterizou seu engajamento na Revolução. Certamente muitos outros nomes poderiam ser citados, mas estes fo-ram os que mais me chamafo-ram a atenção.
A Revolução de 31 de Março de 1964 foi um movimento exclusivamente de prepara-ção interna ou houve auxílio externo, em especial dos EUA?
Não tenho dúvida de que o movimento foi exclusivamente de preparação interna. Por outro lado, certamente os EUA estavam, tanto quanto possível, acom-panhando o que se passava; para o que contavam com a presença na embaixada do General Vernon Walters, amigo desde a Segunda Guerra Mundial, de inúmeros mi-litares brasileiros.
A que o senhor atribui o rápido e incruento desmoronamento do chamado “esquema militar” do Governo federal, quando se desencadeou a Revolução?
A resposta é simples. Não havia “esquema militar” algum no Governo Jango. Havia, sim, a presunção de que as Forças Armadas adeririam ao golpe tramado pelo Jango, tão logo ele se caracterizasse. Ledo engano!
À medida que o Governo ia se deteriorando e as Forças Armadas assistiam às tentativas de dividi-las, seus líderes foram tomando posição, os comandantes de unidades foram se conscientizando da realidade e a oficialidade mais esclarecida se preparando, de modo que, quando se desencadeou a Revolução, pareceu que já estava tudo combinado há muito tempo, o que não ocorreu. Em algumas unida-des, havia dissidências, particularmente de graduados, logo controladas.
Em outras palavras, o comandante janguista ou mesmo legalista ou, na maioria dos casos, em dúvida, foi levado a aderir pela ação de seus comandados. E, assim, o “esquema militar” de Jango, que só existia na cabeça de Assis Brasil, transformou-se em fumaça.
Qual a sua apreciação, quanto ao aspecto “chefia e liderança”, por parte dos oficiais das Forças Armadas, em especial das tropas do Exército, que estiveram na iminência de um combate (4a RM/DI, II Exército e AMAN)?
Para fazer tal tipo de apreciação, precisaria ter acompanhado de perto tais eventos, o que não ocorreu. Todavia, creio que o Comandante da tropa que rece-beu ordem de se deslocar na direção de Juiz de Fora revelou exercer ação de comando, ao fazê-la marchar contra a tropa do General Mourão Filho.
Revelou, ainda, bom senso, ao resolver parlamentar e render-se quando sentiu a inutilidade de qualquer reação.
Os Generais Mourão Filho e Muricy, igualmente, evidenciaram tais qualida-des ao conduzirem vitoriosamente a tropa até o Rio de Janeiro.
O emprego operacional dos cadetes da AMAN, a favor da Revolução de 1964, foi correto, em seu entendimento? Por quê?
Creio que foi correto, tendo em vista a necessidade de barrar em Resende qualquer tropa legalista proveniente do Rio de Janeiro e a inexistência de tropa regular que pudesse, em tempo útil, cumprir tal missão. Estou certo de que os cadetes, antes de serem empenhados, foram devidamente esclarecidos da impor-tância e necessidade da missão que iriam cumprir.
Quanto às operações militares, o senhor pode precisar alguns objetivos estratégicos visados pelas tropas que deflagraram a Revolução de 31 de Março?
O objetivo estratégico das tropas que deflagraram a Revolução, provenien-tes de Minas, era atingir o Rio de Janeiro o mais rapidamente possível, o que conseguiram. Embora a capital já fosse Brasília, o Rio continuava sendo a capital política do País e celeiro de tropas, daí a importância de nela caracterizar, o mais rapidamente possível, a presença da tropa revolucionária.
Creio que a presença da tropa do General Mourão Filho no Rio de Janeiro, com a rapidez com que o conseguiu, foi um “cheque-mate” em qualquer idéia de resistência pelos adeptos de Jango que logo viajou para Brasília e Porto Alegre, asilando-se, a seguir, no Uruguai.
As Forças Armadas robusteceram a união e a coesão, após 31 de março de 1964? Por quê?
Evidentemente que sim.
O sucesso da Revolução, o fato do Presidente da República passar a ser um militar e sua determinação em melhorar os vencimentos e a operacionalidade das
Forças Armadas, certamente contribuíram para isso. Iniciou-se uma nova fase, para o País e para as Forças Armadas.
O Movimento de 31 de Março de 1964 era baseado em alguma ideologia?
A meu ver o movimento não foi ideológico, a não ser que se possa conside-rar uma ideologia puramente democrática. Eu diria que foi um movimento nacio-nalista, no bom sentido.
A hoje chamada “mídia” apoiou o Movimento? Poderia citar exemplos?
A imprensa da época, que gozava de inteira liberdade, apoiou decidida e claramente o Movimento, bastando para assim entender, que se leia os editoriais dos principais jornais do País no primeiro mês após seu desencadeamento.
Em seu entender, está correto o termo revolução? Como denominaria o Movimento de 31 de Março de 1964? Por quê?
Revolução ou contra-revolução, não vejo grande diferença. Não aceito é o termo golpe. Embora, em realidade tenha havido uma contra-revolução pelos motivos de todos conhecidos, prefiro o termo revolução.
No seu ponto-de-vista, os governos da Revolução foram militares ou governos cujos presidentes eram militares? O senhor pode caracterizar a diferença?
O que caracteriza um governo militar, no conceito por nós entendido, é a inexistência de qualquer outro poder que não “o que manda”, sem nenhuma hipó-tese de contestação. Ora, nos governos da Revolução, o Congresso e o Judiciário funcionavam; havia uma oposição ainda que consentida e a imprensa era livre, ainda que não totalmente.
Assim, não tenho dúvida de que os governos da Revolução foram governos cujos presidentes eram militares, como poderiam ter sido civis; e, apesar de eleitos indiretamente, eram referendados pelo Congresso.
A mídia, nesta última década, e aqueles que, hoje, detêm o Poder fazem absoluta questão de omitir os acertos da Revolução de 1964. O senhor poderia citar os principais?
Primeiro a “arrumação” da casa, ordenando a “massa falida” a que se referiu o Presidente Castello Branco quando assumiu o Governo. Depois, melhorar paulati-namente todos os índices de crescimento do País, dotando-o da infra-estrutura necessária para que se transformasse da 48a na oitava economia do mundo. Creio