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Castelo de Dunstaffnage, Argyll, Escócia. Maio de 1287.

Juliana enterrou os pés descalços na espessa erva, movendo-os. Estava sentada sobre uma manta de lã com sua irmã, fora das muralhas do Castelo. Era um dia quente de primavera, ensolarado, o céu azul, o sol alto, as colinas cobertas de cardos púrpura e flores silvestres amarelas. Juliana se sentia quase como uma menina enquanto desfrutava do sol, sentindo-se, nesses momentos, preguiçosa e sem preocupações. Mary parecia feliz. Deitada sobre vários travesseiros, como se estivesse a ponto de ter seu filho a qualquer momento, mesmo que o bebê não fosse esperado até cinco ou seis semanas mais tarde.

Juliana sorriu enquanto fechava os olhos, desfrutando do calor em seu rosto.

Mas então, a imagem de Alasdair lhe veio à mente e o coração deu um tombo.

Depois de tudo, ela não era uma menina, não importava quão tranquilos fossem seus dias, já que o homem que amava estava na guerra.

Quanto sentia falta dele, como se preocupava agora por ele!

Haviam chegado em Dunstaffnage fazia quase um mês. A viagem por mar foi breve e tinha transcorrido sem incidentes. Juliana tinha lutado para não chorar… já que enquanto seu navio navegava mais e mais perto de Argyl, sentia como se

estivesse deixando Alasdair cada vez mais para atrás. E que era mais que distância física o que os separava. Tinha medo de que a próxima vez que visse Alasdair, se por acaso acontecesse, fosse a esposa de outro homem.

Quando chegaram, forma muito bem recebidas pela esposa de Alexander, que chorou de alegria ao vê-los. Juliana tinha carinho por Jeanne, que também era uma Comyn, tinham se abraçado durante um longo momento. Jeanne confessou que tinha estado muito preocupada com as duas. E não podia compreender como tinham sido postas em liberdade quando não se pagou nenhum resgate. Logo, tinha dado aposentos a ambas as mulheres; Juliana não podia retornar a Coeffin Castle, já que permanecia nas mãos de Alasdair. Assim que elas ficaram lá para esperar o nascimento do filho de Mary, o final desta guerra, e a volta dos homens.

Juliana esperava e ao mesmo tempo se assustava com o futuro!

Levantou a vista para o céu azul, olhando o passo das nuvens brancas. Seu coração pulsava acelerado. Ela nunca tinha amado um homem antes, e agora amava Alasdair muito. Não podia pensar num futuro casada com outra pessoa.

— Está pensando em Alasdair? — Perguntou Mary, suas pequenas mãos entrelaçadas em cima de sua enorme barriga.

As irmãs não tinham segredos. Mary sabia como sentia falta de Alasdair, e como se preocupava com ele. Mas Mary sentia o mesmo por William. O Wigtown Castle tinha caído há algumas semanas; a luta havia se mudado para Dumfries.

— Todo mundo diz que é só questão de tempo para que Robert Bruce seja derrotado. — Disse Juliana, abraçando seus joelhos contra o peito. Bruce e seus aliados tinham sofrido uma terrível derrota em Wigtown. Muitos homens tinham morrido.

Mas ela tinha ouvido que Alasdair vivia. Um dos mensageiros de seu irmão tinha cereteza disso. Seu alívio não tinha tido limites.

— Se Bruce for derrotado, Alasdair poderá voltar para casa. — Disse Mary brandamente.

— O mesmo acontecerá com o William. — Respondeu Juliana. –E levará você e os meninos para casa. Mas Alasdair voltará para Islay… a menos que venha aqui, em primeiro lugar, para falar com nosso irmão.

E se fosse a Dunstaffnage, ela o veria quando a pedisse em casamento para seu irmão. Mas Juliana quase temia esse dia, porque quando chegasse, poderia realmente pôr fim a suas esperanças para o futuro.

A menos que ela se atrevesse a desafiar a seu irmão.

Esse pensamento traidor tinha ocorrido quando tinha deixado Dunyveg, e voltava para sua mente com mais e mais frequência… e com urgência.

Mary tentou sentar sem muito jeito, e Juliana correu para ajudar.

— Temos que nos preparar, de uma vez, para a fúria de nosso irmão, e além disso, para convencê-lo de que permita que você e Alasdair se casem.

Juliana ficou olhando-a.

— O que pensará. —Sussurrou finalmente. — Se te disser que poderia lutar contra Alexander para estar com Alasdair?

Mary empalideceu por um momento antes de falar.

— Gosto de pensar que ama Alasdair tanto como eu amo William.

Juliana estava a ponto de responder quando, fortes gritos excitados se ouviram do alto das muralhas. Juliana se levantou de um salto, dando a volta.

Homens, mulheres e meninos se reuniam nas muralhas, gritando de felicidade;

algumas das mulheres ondeavam tartans, outras lançavam flores. E por debaixo da grande fortaleza, ouviu os relinchos dos cavalos e o som de centenas de cascos que se aproximavam.

Ela respirou fundo, dando a volta. Alexander tinha retornado.

Ele apareceu na frente, liderando a uma centena de seus cavaleiros fora do bosque, montado em um grande cavalo de guerra negro. William cavalgava ao seu lado em um semental vermelho fogo, com seu cabelo dourado brilhando ao sol. O pendão vermelho e verde MacDougall ondeava por cima deles enquanto galopavam pelo caminho.

Mary gritou. Juliana a ajudou a ficar de pé, e ficaram atrás, enquanto os cavaleiros trotavam pelo meio-fio. Alexander as viu e saudou com a mão.

William se desviou, galopando para elas. Saltou de sua montaria; Mary correu para ele.

Abraçaram-se, balançando-se para frente e para trás.

— Deus, senti saudades! — Gritou William.

Juliana se virou, com os olhos chorosos. Alexander atravessou a ponte levadiça, e desapareceu no Barbacã. Deixando sua irmã e seu marido, apressou-se a retornar a muralha. No momento em que chegou à sala, Alexander estava rodeado por seus três filhos maiores, de dez a quatorze anos de idade e pela Jeanne, sua mulher, todos envoltos em sorrisos.

Quando viu Juliana, seu sorriso desapareceu.

Seu próprio sorriso se desvaneceu, também.

— Irmão. — Se adiantou e o abraçou. — Graças a Deus que está bem.

— Robert, o Nobre, não é tão nobre agora. — Disse Alexander, seus olhos escuros. — Perseguia uma quimera, e ele e seus amigos foram derrotados! Bruce fugiu para suas propriedades na Inglaterra, com o rabo entre as pernas.

Jeanne entregou uma taça de vinho. Sorriu-lhe, aceitando-a.

Juliana não o duvidou ao questionar.

— O que aconteceu ao resto dos rebeldes?

Ele estava bebendo de sua taça. Esvaziou-a e a entregou a sua esposa.

— Quer dizer os MacDonald?

Estava tranquilo. Ela assentiu com a cabeça, com o coração acelerado.

— Escapou Alasdair? Está vivo?

Alexander a olhou de frente, com as mãos nos quadris.

— Fugiu com seu irmão e seu pai, Juliana, e permanecerão muito longe por muito tempo, lambendo suas feridas, esperando a volta do favor do Rei Eduardo. — Disse contente. — Se é que voltem algum dia.

Juliana desviou o olhar. Alasdair estava vivo e estava a salvo, e só por isso, estava agradecida.

—Balliol será rei? — Perguntou Jeanne.

Voltou-se para ela.

— Margarida de Noruega herdará o reino, é muito provável, se o Rei Edward e alguns adversários fizerem sua parte. Soube que será enviada imediatamente e arranjou-se um casamento, talvez com o filho do rei Edward.

Assim, depois de tudo, a pequena menina, a neta do Rei Alexander, reinaria, pensou Juliana. E isso significava que a Escócia seria governada por regentes, até que alcançasse a maioridade… encorajando homens como Bruce e Balliol a continuarem lutando pelo trono.

— De verdade que uma menina herdará o reino? — Jeanne ficou sem fôlego.

— Isso é que desejamos. — Disse Alexander com gravidade.

Juliana ficou tensa, já que ele a estava olhando fixamente agora.

Ele sabia.

— Então libertaram você e nossa irmã… sem que se pagasse nenhum tipo de resgate. — Tinha seus punhos fechados.

Juliana assentiu com pavor. Mas ela ergueu o queixo.

— Sim, libertaram.

— E por que, Juliana, iriam fazer isso?

Ela estremeceu. O que deveria dizer?

E então, Mary, que tinha entrado com William na habitação, enviou-lhe um olhar de advertência. Correu para eles, e beijou seu irmão na bochecha.

— É um homem razoável. — Disse. — E ele fez o correto.

— Não! É só um MacDonald! — Bramou Alexander, e a seguir enfrentou a Juliana. —Não queria dizer isso até que as negociações fossem definitivas, mas comecei a organizar um casamento para você.

Juliana inspirou.

— Com quem?

— Com quem você acha? Com Sir James, o segundo filho do Sir Ingram Umfravil E. O maior está casado, entretanto, não tem filhos e está doente. Há muita possibilidade de que Sir James herde suas propriedades.

Juliana se sentiu mal.

— Não acredito que conheça filho do Sir Ingram.– Comentou.

Deveria dizer agora que ela não podia se casar com Sir James? Deus, teria que perguntar a seu irmão se podia se casar com Alasdair?

— Quando me dirá a verdade? O que esteve fazendo, Juliana?

— Eu… Eu não sei o que quer dizer.

— Tem certeza? Alasdair Og me pediu sua mão em casamento.

Juliana olhou para Mary, aliviada apesar da indignação de seu irmão.

— Procurou-me antes de sair do sul. — Bramou Alexander, a cara vermelha.

— Maldição!

Esse homem pensa em se casar com minha irmã? O maldito filho de meu pior inimigo de sangue?

— Ele é um bom homem. —Disse Juliana. — É valente, forte e justo.

— Ele é um assassino… Com nosso sangue cobrindo suas mãos!

Juliana tinha esperado exatamente uma reação deste tipo. Não se atreveu a assinalar que seu irmão também tinha sangue cobrindo suas mãos… sangue MacDonald.

— Os homens morrem na guerra, como você bem sabe. E sim, nossos clãs estiveram em guerra, por muitas gerações. Mas isso não quer dizer que Alasdair Og não seja nobre.

Mary se interpôs entre eles.

— Ele nos libertou sem um resgate, porque se preocupa com Juliana.

—Libertou porque esteve na cama com sua irmã.

Juliana se ruborizou.

— Vai escutar falatórios?

— Vais nega-lo? — Gritou Alexander.

Jeanne se precipitou entre eles.

— Não é certo, Alexander. —Começou. — Não pode ser verdade. Juliana é uma dama.

Ele não a olhou, mas sim olhou a Juliana, com fúria.

Ele sabia a verdade, e Juliana não podia mentir para ele.

— Não posso negá-lo.

— Deveria te enviar para longe, Juliana. Deveria te enviar com as monjas a França.

— Amo-o. —Disse Juliana laconicamente. –Eu não queria me apaixonar, mas me apaixonei.

Seus olhos se abriram com incredulidade.

— Não pode amar esse homem. Não pode amar o inimigo. Está grávida?

— Não. — Disse calmamente, negando com a cabeça.

— Alexander. — Exclamou Mary, correndo para ele. — Não a escutou? Ela o ama.

E eu os vi juntos. Ele se preocupa com ela.

— Ele se preocupa com Lismore… se preocupa com Achanduin Castle… se preocupa com a Catedral de São Moluag!

Afastou-se dela, seu olhar frio e duro.

Mary o seguiu.

— E se ele trouxer a paz a nossas famílias?

Alexander se voltou.

— Então você sabe que ele me fez promessas que só um parvo acreditaria…

Promessas que nunca irá cumprir?

— Que promessa ele te fez? – Sussurrou Juliana.

Alexander girou para olhá-la.

— Ele prometeu que não levantaria armas contra mim… depois ele ofereceu te trocar por Coeffin Castle! Realmente, deve me considerar um parvo.

Se apoiar a seu pai e a seu irmão, é obvio, que levantará armas contra mim! E Coeffin Castle é seu dote… Não pode te tomar sem ele!

Será que Alasdair, sinceramente havia proposto uma trégua? Realmente realmente devolver o Coeffin Castle, se Alexander aceitasse seu enlace?

Juliana sabia que seu futuro estava em jogo. Devagar, aproximou-se dele.

— Irmão, eu cheguei a conhecê-lo bem. Ele não mente, e não faz promessas à toa. Se ele fez esses votos, significa que os manterá.

— Se crê que vai manter a paz comigo, então você é a parva, Juliana.

— Mas, e se mantiver esses votos? — Perguntou Mary. —Angus Mor é velho.

Alasdair será o chefe do Clã Donald e governará como aprouver.

Juliana olhou a sua irmã com gratidão.

Durante um longo momento, Alexander olhou para Mary e Juliana.

— Eu tenho que acreditar em suas promessas? Enquanto leva suas terras em Lismore e Argyl? Mesmo se me devolver Coeffin Castle, ele ainda mantém Achanduin Castle! E ele perdeu o favor do rei Edward!

Juliana umedeceu os lábios.

— Quero me casar com ele. Peço que nos dê sua bênção.

Alexander se enfureceu.

— Ele é um maldito MacDonald… meu pior inimigo, e um partidário de Bruce! Nego-me! Como pode, inclusive, pensar que me atreveria a considerar sua oferta? Como pode pensar em se casar com meu inimigo… e se converter em minha inimiga?

— Nós nunca seríamos inimigos. — Sussurrou.

— Talvez esse casamento traria a paz a nossas famílias. — Disse Mary. — Como vamos saber, se não tentarmos?

Alexander não podia acreditar.

— Ele não traz nada para essa união! Nada, exceto promessas que somente Juliana acredita!

— Eu acredito. — Disse Mary.

Jeanne se adiantou.

— Acredito que deveria se reunir com ele de novo.

Alexander dirigiu a sua esposa um olhar de incredulidade. E amaldiçoando, saiu da sala.

*

— Tenho medo por você. — Disse Mary.

Era uma noite do verão com lua cheia. Os grilos cantavam no bosque atrás delas, enquanto permaneciam de pé sobre um banco de areia na baía abaixo de

Dunstaffnage Castle. William estava com elas, e dois highlanders estavam mais abaixo liberando uma pequena galera de suas amarras. De vez em quando, uma coruja piava.

Will se aproximou para apertar seu ombro, com um sorriso tranquilizador.

— Deve amá-lo muito para ir contra Alexander como está fazendo.

Juliana assentiu, tremendo.

Podia realmente estar fazendo isto? Estava desafiando seu irmão, o laird do clã Dougall, que tinha sido quase como um pai para ela, como algo mais, o homem que a tinha cuidado, criado, socorrido, durante toda sua vida.

— Deus, rogo que me perdoe.

Mary a abraçou com força. Estava chorando.

— OH, Juliana! Sei que ama Alasdair, mas ele nem sequer sabe o que está fazendo. E se Alexander nunca te perdoar?

Juliana engoliu as lágrimas. Alexander tinha abandonado o tema de sua aventura com Alasdair, mas sabia que ele ainda estava zangado com ela.

Também sabia que planejava casá-la com Sir James Umfravil sem ter em conta suas objeções. Ela simplesmente não podia esperar sem fazer nada, e aceitar tal união.

— Então, terei a meu marido para amar… e você. — De algum jeito, conseguiu sorrir.

Mary a abraçou de novo.

— Sempre será bem-vinda em Fyne Castle e em Bain Castle. — Disse.

— Ela tem que ir, antes de ser descoberta. — Disse William, interpondo-se entre elas.

Mary assentiu.

— Uma vez que Alexander se acalmar, te enviarei seus pertences.

— Obrigada, obrigada por ser a melhor irmã que poderia ter. — Exclamou Juliana, abraçando-a de novo.

E então, virou e se foi cambaleando até a pequena galera, que agora se balançava nas águas pouco profundas da baía. Os dois highlanders a ajudaram a subir. Secando os olhos, Juliana se sentou, enquanto ambos os homens tomavam os remos. Não havia vento, por isso teriam que remar até Lismore.

Juliana olhou Will e Mary, tratando de sorrir, enquanto se afastava da orla.

Sua irmã e seu cunhado despediram-se abanando as mãos, enquanto foram ficando cada vez menores, até que já não pôde vê-los.

Epílogo

Castelo do Coeffin. Julho de 1287.

Juliana ficou em uma janela da torre, seu coração pulsava com força. Abaixo das muralhas do castelo viu que dezenas de highlanders montados a cavalo se aproximavam, o estandarte azul e vermelho dos MacDonald ondeando no céu por cima deles.

Mal podia acreditar. Alasdair havia chegado.

O viu, galopando muito à frente de seus homens, sobre seu cavalo de guerra cinza, seu cabelo escuro agitando-se ao vento. Lágrimas de felicidade e alegria alagaram seus olhos, impedindo-a de ver.

Virou-se, correu escadaria abaixo e saiu ao exterior.

Quando chegou a muralha, ele galopava atravessando a ponte levadiça. Com a rapidez de um raio chegou até ela e saltou de sua montaria ainda em movimento.

Juliana se precipitou para seus braços fortes.

Por um momento, ficou quieta em seu abraço, desfrutando de seu contato, de seu aroma e do som de seu coração que pulsava com força. Nesse instante, a realidade abateu sobre dela… ele estava em casa.

E então, ele a afastou e seus olhares se encontraram, seus olhos azuis ardendo.

Juliana gritou quando ele a beijou… e ela devolveu o beijo. E então, toda a paixão contida se desatou, acompanhada de imenso amor. Beijaram-se durante alguns momentos mais, e logo Alasdair a soltou. Respirava com dificuldade.

— Desafiou a seu irmão por mim.

Ela assentiu com a cabeça.

— Sim, fiz … Senti sua falta!

Ele apertou seu rosto entre suas mãos.

— Eu também senti sua falta! — Beijou-a de novo. — Faz-me arder.

Ela assentiu, mordendo o lábio.

— Ele tinha intenção de me obrigar a contrair casamento, Alasdair. Não tive outra opção.

— A maioria das mulheres teria obedecido docilmente. Estou orgulhoso de ti, Juliana. Ainda me surpreende! — Disse, abraçando-a com força.

Então, ela se virou.

— Piorei as coisas? Odeia aos dois agora?

Ele começou a sorrir.

— OH, você fez pior … Acabo de falar com seu irmão.Ele é tão teimoso como você!

Não conseguia entender seu sorriso.

— Falou com Alexander de novo? — Perguntou, aturdida.

Ele sorriu.

— Nós realmente não falamos… discutimos.

— Posso imaginar. Por que você parece feliz?

— Pode? — Ele sorriu de novo. — Inclusive chegamos aos golpes.

— Alasdair!

Seu sorriso desapareceu.

— E discutimos, Juliana, por muitas horas, e no final, eu ganhei.

Sentiu que o tempo parava. Poderia significar o que ela pensava que queria dizer?

— Certamente, não o convenceu a abençoar nossa união?

— Consegui.

Ele riu, levantando-a em seus braços. E rapidamente, deu a volta, como em uma dança.

Ela também se pôs a rir.

— Mas, como é isso possível? — Ele te odeia e está furioso comigo!

Baixou-a lentamente.

— Mas ele é um homem ardiloso, Juliana, e existem vantagens que se teriam, se Dougall e Donald se unissem. Convenci-o dessas vantagens.

Ele estava certo. Entretanto, ela estava surpreendida. Pensou em Alexander e sua esposa e seus filhos… em Mary, William e sua família. Em como amava a todos.

— Comprometeu-se a não levantar as armas contra meu irmão… contra minha família?

— Não posso dar as costas a meu pai nem a meu irmão, mas não vou levantar armas contra Alexander… ou William.

Ela começou a ter esperança.

— Isso será possível? — Quando certamente houver alguma nova guerra, enfrentando os clãs, uns contra outros?

Seu sorriso se desvaneceu.

— Vai ser uma tarefa difícil, mas se esse é o preço que devo pagar para tomá-la como esposa, então, eu, com muito gosto, o pagarei. — Disse, muito sério.

Ele a puxou e Juliana se encontrou de novo em seus braços, desta vez apertando sua bochecha contra seu peito duro. Amava muito sua irmã e seu irmão, mas amava Alasdair mais do que imaginasse ser possível amar alguém. E sabia que, cedo ou tarde, haveria outra guerra rasgando o país… Sabia quão difícil seria manter

essa promessa. Mas Alasdair era um homem de honra, um homem que manteria sua palavra.

E ele era o mais forte, mais valente e mais orgulhoso homem, que já conheceu.

Se alguém podia percorrer tão incerto caminho, esse era Alasdair.

Sabia que não ia ser fácil, mas confiava nele… como nunca antes.

Levantando o rosto para ele, ela olhou para ele.

— Então logo deverá fazer de mim uma mulher honesta.

— OH, acredito que há uma igreja perto… uma catedral.

Ele sorriu de novo, desta vez levantando-a em seus braços, e a levou para as portas dianteiras.

— E Juliana? Não terei que renunciar a Coeffin Castle. — Sussurrou.

Ficou sem fôlego, emocionada porque levaria seu dote com ela para seu casamento. E então, deu-se conta de que isso não a surpreendia… É obvio que Alasdair tinha ganhado!

—Amo você. — Sussurrou.

Seus olhos se obscureceram.

— Então, somos realmente um.

E a levou rapidamente ao interior de seu lar.

Carta da Autora

Estimados leitores: Alexander Og MacDonald, a quem chamei Alasdair, casou-se com Juliana MacDougall em algum momento antes de 1292. Não há nada registrado a respeito da forma em que este casamento se levou a cabo.

Esta novela é uma obra de ficção. Entretanto, tentei retratar acontecimentos históricos e personagens históricos, com a maior precisão possível.

Mas, este período da história da Escócia está cheio de versões contraditórias e de enormes lacunas na informação, me deixando opção de escolher o que queria

Mas, este período da história da Escócia está cheio de versões contraditórias e de enormes lacunas na informação, me deixando opção de escolher o que queria

No documento O Guerreiro e a Rosa The Warrior and the Rose (páginas 102-121)

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