— Espero que eu tenha te satisfeito ontem à noite o suficiente para que dure e assim não pense em me espionar hoje.
Juliana apertou a manta de pele sobre seu peito. Ainda não tinha amanhecido e ela tinha passado toda a noite na cama de Alasdair… fazendo amor com ele.
Acreditava que as primeiras horas que tinham compartilhado tinham sido grosseiramente apaixonadas, mas só tinham sido um mero prelúdio dos alarmantes níveis que haviam chegado mais tarde.
Olhou-o fixamente, cambaleando. Como podia encontrar tal prazer nos braços de seu inimigo? Como ia considerar sua relação agora?
Eram amantes, mas isso não mudava o fato de que era sua refém. Importava-se com ela? Não a deixaria em liberdade Importava-se o fizesImportava-se?
— Está me olhando.
Se ela não fosse sua prisioneira, paqueraria com ele agora, já que estava tão gloriosamente nu.
— O que resolveu a noite anterior para que dure até hoje?
Ele encolheu os ombros, já com sua túnica, cobrindo seu corpo magnífico, e lhe dirigiu um olhar duro.
— Tudo.
Ela umedeceu os lábios.
— Assim ontem à noite teve algum significado?
Então, seu olhar se tornou cauteloso.
— Estamos em uma negociação, Juliana?
Ela tomou ar.
— Se a noite passada serve para hoje, nos libertaria, a mim e a Mary… ou pelo menos, libertaria minha irmã.
Por fim sorriu.
— A maioria dos homens se incomodam com mulheres obstinadas. Eu gosto de sua natureza obstinada.
— Está me insultando?
— Estou te adulando.
Ela não ia ser dissuadida.
— Se meus beijos significam algo para você, se ontem à noite nos afeta hoje, então, poderia me libertar junto com Mary e os meninos.
Ele tinha jogado seu tartan sobre os ombros. A irritação cobriu sua cara.
— Basta. Seus beijos significam muito para mim; do contrário, teria passado uma breve hora com você e teria te jogado deste quarto. Mas não posso te libertar, nem você nem a sua irmã, ainda não, eu não vou fraquejar por uma mulher, Juliana…
nem sequer por uma mulher como você.
— Então seguiremos sendo inimigos durante o dia, e amantes de noite?
Ela tremia de ira e decepção. Mas, realmente tinha esperado algo mais?
— Não está bem alimentada? Protegida? Vestida? Falta algo a sua irmã e a seus filhos?
— Precisam de William… seu marido… o pai os meninos!
Ele a olhava sem acreditar.
— Passamos a maior parte da noite juntos e agora briga comigo?
Ela soltou a manta de pele e ficou de pé, completamente nua… e consciente de que nunca antes tinha feito alarde de si mesma dessa maneira.
— Ontem à noite não significou nada e seguimos sendo inimigos.
Passou junto a ele para recuperar sua roupa. Olhou-o por cima do ombro.
— Mas como, é obvio, foi sua decisão.
Agarrou-a e a atraiu para seus braços.
—Bruxa. —Disse, beijando-a. — Tenho muitos inimigos, Juliana, mas você não é um deles.
Ela olhou seus olhos azuis e sussurrou: — Demonstra-o.
Ele se escureceu e a soltou.
— Será melhor que vá ou a tomarei de novo.
Juliana pegou sua roupa, vestiu sua saia, e com o cinto e as botas na mão, saiu correndo do quarto. Uma vez fora, no salão, deteve-se e vacilou, com vontade de gritar. Mas, realmente tinha esperado que ele os libertasse, em troca de sexo?
Recordou o enorme resgate que Mary informou que foi pedido por ela, de longe, um muito maior que o seu. Ela era filha do Conde de Buchan por casamento, assim como a irmã do MacDougall . É obvio que queria manter Mary como refém até que se pagasse seu resgate.
E agora, perguntou-se, por que importava tanto para ela o que ele sente em relação a ela.
— Pensei ter ouvido você. — Disse Mary em voz baixa.
Juliana começou a caminhar e se ruborizou. Ela tinha sido pega fora da câmara de Alasdair, com o cabelo solto, seu cinto, seu sulque e botas na mão.
—Veem para dentro, Juliana, ante o fogo ou vai pegar um resfriado. —Disse Mary em voz baixa.
Juliana seguiu sua irmã para dentro da câmara, tomando assento frente ao fogo e colocou as botas. Uma luz cinza pálida finalmente foi entrando na câmara, um presságio da saída do sol.
Mary se encaminhou para outra cadeira que havia no quarto para perto dela e a ocupou. Os meninos continuavam dormindo na cama.
— Você o ama?
Juliana ficou sem fôlego.
Mary tomou sua mão.
— Você sempre doi minha irmã mais nova selvagem, mas nunca foi uma coquete. Nunca se interessou oir qualquer homen. Entretanto, passou a noite com ele.
Juliana estremeceu.
— Ele é um homem difícil de resistir. —Respondeu apressada.
— OH, Mary, está terrivelmente zangada comigo?
—Tenho medo por você. — Disse ela. — E você não me respondeu.
Juliana começou a mover a cabeça.
— Como posso amá-lo? Ele é o filho mais velho de nosso pior inimigo.
Estivemos em guerra durante anos e anos. Centenas de bons moços e homens MacDougall morreram em suas mãos!
Apaixonar-se por Alasdair é impensável.
Mary suspirou.
— Nunca esperei me apaixonar por William… Um terceiro filho de Buchan, que estava destinado à igreja!
— Não estou apaixonada. —Disse Juliana rapidamente.
— Te seduziu?
Mary a olhou com incredulidade. Juliana sabia quão perigosa era tal acusação… sobre tudo se seu irmão soubesse.
— Não! Eu queria estar com ele. Mary, eu tenho dezoito anos. Eu deveria ter casado no ano passado e a maioria das mulheres já teriam estado casadas faz anos!
Eu, sinceramente, não sei por que desejo Alasdair, mas desejo.
Mary a observou.
— E o que acontecerá quando formos libertadas? Quando voltarmos para casa? Quando nosso irmão arrumar um casamento adequado para você?
Juliana ficou rígida. Não tinha considerado nenhuma das perguntas de Mary.
— Estarei contente quando formos libertadas, e não posso esperar para ter um marido. —Disse, mas enquanto falava, sentia-se como se estivesse respondendo com respostas ensaiadas, umas que sua irmã desejava ouvir. — Sabe que quero ter meus próprios filhos!
— Se Alexander se inteirar de sua aventura, ficará furioso. Mas ele te perdoará, tenho certeza, assim como também tenho certeza de que vai matar Alasdair Og.
Juliana negou com a cabeça enquanto imaginava seu irmão e Alasdair na pior vingança de sangue imaginável… uma luta por sua inocência… ou falta dela.
— Sei que nunca vai dizer.
— É obvio que não! Mas, vai ser capaz de enganar o seu marido quando chegue o momento? Como pode esperar ter um bom casamento, quando começa com uma mentira?
Juliana se levantou de um salto.
— Não sei! Não pensei em nada disso!
Mary também ficou de pé.
— Sei que não pensou. Amo você como é, Juliana, mas é impulsiva e imprudente e tenho medo por você.
— Ele não me fará mal.
Tinha certeza disso.
— Acredito que tenha razão. Ele é nosso inimigo, mas é um homem honrável.
Mesmo assim, estou preocupada. Deve tomar cuidado com ele.
Juliana não a entendeu.
— O que quer dizer?
— Alasdair não me parece um homem imprudente.
Mary sorriu tristemente, quando Juliana se deu conta de que estava certa. Não havia nada que Alasdair fizesse por acaso. Ele era um homem de considerável ambição e aguda inteligência. Não se comportaria imprudentemente ou daria qualquer passo às escuras. Seus atos eram premeditados.
Inclusive o querer ter uma aventura com a irmã de seu inimigo.
*
Os dias seguintes transcorreram sem nenhum incidente de importância, enquanto ambas as irmãs esperavam notícias de seu irmão e de William, para conhecer sua resposta às demandas de resgate do Alasdair… para conhecer seus destinos. É obvio, tinham poucas dúvidas de que, cedo ou tarde, os resgates seriam pagos. Entretanto, Alasdair não tinha revelado as demandas impostas, e tampouco, nem Juliana nem Mary se atreveram a lhe perguntar diretamente.
Permitiu que as mulheres circulassem livremente pelo castelo, e os meninos que brincassem na praia. Lady MacDonald era uma anfitriã amável, que compartilhava com as mulheres e os meninos histórias a respeito da vida nas ilhas, e que incluía Mary e Juliana em muitas tarefas do lar. Devido a nevasca forte que durou vários dias, um fato incomum para março, todo mundo se manteve no interior a maior parte do tempo. E com semelhante tempo, era pouco provável que qualquer mensageiro fosse capaz de chegar.
Alasdair deu aos meninos pequenos cavalos e homens talhados em madaeira, brinquedos que os mantinham ocupados durante horas. E de noite, quando todo mundo estava na cama, Juliana ia para o quarto de Alasdair, onde ele a esperava com impaciência.
Finalmente deixou de nevar uma tarde. Juliana olhava fixamente fora da janela de sua câmara, contente por ver as nuvens cinza dispersando-se, revelando retalhos de céu azul. Amanhã poderia ser um dia ensolarado.
Mary se aproximou dela.
— Talvez agora recebamos notícias de Alexander e William.
Juliana a rodeou com seu braço.
— É obvio que teremos. Vou ajudar Lady MacDonald e às criadas nas cozinhas. Quer vir?
Mary vacilou.
— Acredito que vou me deitar um pouco.
Juliana a abraçou.
— Descansa.
Nos dez dias que estavam em cativeiro, a circunferência da Mary tinha aumentado notoriamente. Ninguém poderia duvidar agora que estivesse grávida.
Desceu as escadas. Ao dar-se conta de que seu estado de ânimo era tão radiante como o dia seguinte prometia ser, ficou séria. Estava começando a sentir-se como uma convidada, não como um refém, e talvez sentir-seria melhor recordar a si mesma que não era o caso.
Então ouviu gritos de Alasdair.
Ficou rígida, já que poucas vezes levantava a voz. Mas agora era seu irmão, Angus Og, quem gritava com ele. O que poderiam estar discutindo?
Impressionada, apressou-se para frente, com intenção de pôr fim à disputa.
— Está louco agora? — Gritou Angus Og. — Ou talvez, acredite que seja imortal, como um velho deus celta!
Seus olhos azuis brilharam e se ergueu como se preparasse para lutar.
— Acredito que fala com muita liberdade, ou talvez, cheio de inveja! — Espetou Alasdair — O Achanduin Castle é uma boa fortaleza!
Juliana tinha estava a ponto de entrar e ficar entre eles, pois temia que pudessem chegar às vias de fato, mas se deteve, aturdida. O que tinha haver o Achanduin Castle com eles?
— Eu não estou com ciúmes, Alasdair. — Angus Og advertiu. — Quero te proteger, idiota, de sua própria desmedida e cega ambição!
— E você não tem ambição? Nós dois sabemos que seria Rei das Ilhas se te deixasse tomar Islay!
Ela não tinha visto nada mais que camaradagem e afeto entre os irmãos. Sua determinação se voltou inquebrável. Juliana entrou na grande sala.
Os dois homens giraram para olhá-la. Cada um estava vermelho de ira e agora, também incrédulos por se atrever a interrompê-los.
— Deseja falar comigo agora? — Exigiu Alasdair.
— Deixa que fique. — Angus Og lhe sorriu.
Juliana estremeceu.
— Ouvi vocês … gritarem. Como podem dois irmãos brigar assim?
— Não é assunto seu, Juliana. — Advertiu Alasdair.
Juliana olhou para Angus Og, ruborizando-se. Alasdair estava tão zangado que tinha esquecido de dirigir-se a ela como Lady Juliana… ele tinha falado como se tivessem intimidade, algo que certamente, faziam.
— Talvez Lady Juliana sinta desejo de conhecer o motivo qual nós discutimos sobre o Achanduin Castle. — Disse Angus Og, olhando-a.
Juliana lhe devolveu o olhar. Pouco tinha falado com ele nos últimos dias desde que havia chegado a Dunyveg. Mas ela tinha observado-o de longe, e de muitas maneiras, lembrava a Alasdair. Era ardiloso, arrogante, poderoso e era consciente disso. Também era de aparência agradável e ele sabia também. Tinha surpreendido-o paquerando com sua jovem aia e tinha certeza que a havia seduzido.
Ele herdaria de seu pai a maior parte de Kintyre, fazendo dele um poderoso laird das Highlands. Era um par de anos mais jovem que Alasdair, a quem já sabia que tinha vinte e sete anos, e ainda tinha que casar-se.
— É obvio que eu gostaria de saber por que discutem sobre Achanduin… que está em minhas terras.
Alasdair lhe sorriu, de forma forçada.
— Não deixa de me surpreender com sua audácia.
Angus Og se riu sem alegria.
— Meu irmão paquera com sua excomunhão16.
Juliana ficou imóvel. Tinha ouvido mal?
Alasdair amaldiçoou, a primeira vez que o fazia diante dela.
— O Papa pensa excomungar a Alasdair? — Exclamou.
— O Bispo Wishart nos tem escrito, exigindo que Alasdair devolva o Achanduin Castle à Igreja, já que o próximo Bispo de Argyl foi eleito. Wishart foi muito claro… Da próxima vez enviará uma carta à Batata, descrevendo o assassinato do Bispo Alan em chão sagrado, o ataque à Catedral, e o roubo de Achanduin Castle.
Juliana começou a tremer.
— Muitos homens foram excomungados por crimes menores contra Deus.
— Eu não matei o Bispo em chão sagrado, foi pendurado fora da Catedral. — Disse Alasdair, com força.
Juliana não podia acreditar.
— Ninguém se preocupa com um detalhe tão insignificante! Deve devolver Achanduin Castle imediatamente!
Ficou olhando-a friamente. Logo se voltou para seu irmão.
— Por que não? Talvez sinta um pouco de afeto por você, o suficiente para persuadi-lo de recuperar seu são julgamento.
Angus Og inclinou a cabeça para ela, e saiu da habitação.
Alasdair lhe deu as costas e caminhou para a chaminé, onde ficou olhando sombriamente o fogo. Juliana se dirigiu vacilante para ele. Ela pôs sua mão em suas costas.
Ele deu um coice.
—Você não quer ir para o inferno?
— Ainda não fui excomungado.
— Alasdair! Não pode jogar um jogo tão perigoso… Devolve Achanduin Castle!
Ele a olhou.
— E devo devolvê-lo para salvar minha alma, ou para enriquecer suas terras?
Ela se sentiu ferida.
— Não estou pensando em mim mesma. Sou parva por isso. — E se virou para afastar-se.
Ele agarrou seu braço, girando suas costas para ele. Seu olhar azul era abrasador.
— Quer dizer que tem por mim um pouco de carinho?
Ela titubeou.
— Não sei.
Estava assustada por ele… Isso significava que realmente se importava? Que desejava salvá-lo, e a sua alma?
Ele grunhiu, e logo a soltou.
— Mas eu sim sei isto: reter Achanduin Castle não vale uma eternidade no inferno.
Juliana se voltou bruscamente, tremendo. E viu Angus Mor, de pé na soleira da sala, olhando-os como um falcão. Ainda suspeitava de sua traição.
Passou depressa junto a ele enquanto saía da habitação.
*
Juliana se dirigiu à habitação de Alasdair, onde esteve trocando as mantas de lã de sua cama por outras novas. Ninguém a pediu que fizesse, mas enquanto dobrava a pele aos pés da cama, ficou consciente de que gostava de fazer esse pequeno trabalho e de cuidar dele.
Deu a volta e se dirigiu sucessivamente a cada janela, abrindo suas persianas.
Era meados de março e fazia frio, mas o dia era claro e ensolarado.
Não ficava neve sobre o castelo ou nas praias por debaixo dele; só podia ver algumas cúpulas cobertas de muita neve ao Norte.
Fez uma pausa, respirando o ar fresco, enquanto os pássaros cantavam das copas das árvores fora da fortaleza. Por que não havia chegado um mensageiro ainda? Por que não havia nenhuma notícia de qualquer um dos dois, de Alexander ou William?
Mas, estava realmente consternada?
Deu uma olhada ao redor do quarto de pedra, que quase se converteu em seu próprio. Ela nunca dormiu no quarto com a Mary e os meninos. Converteu-se em um costume compartilhar o quarto de Alasdair.
— Juliana? Viu Roger? — Perguntou Mary, com preocupação da porta.
— Achei que todos os meninos estivessem lá em baixo.
Mary negou com a cabeça, com uma mão sobre seu ventre agora inchado.
— Desapareceu.
Juliana se apressou para ela.
— Ele não desapareceu, te garanto.
— Não. — Mary agarrou sua manga. — Começou a me perguntar onde está William. Começou a queixar-se de que quer ver seu pai… e que ele quer ir para casa.
Juliana se surpreendeu. Roger, era o maior, era muito mais tranquilo e mais responsável que seu travesso irmão, Donald. Ele era claramente o irmão sério… o que lhe será muito útil, um dia, quando se convertesse em Senhor do Bain Castle .
— Roger esteve se queixando?
Mary assentiu.
— Nesta manhã conversei com ele explicando que logo iremos para casa, mas se negou a escutar… correu para fora do quarto. Agora, não o encontro.
Juliana se sentiu ligeiramente alarmada.
— Eu o encontrarei, Mary. Só descansa. Não pode ter ido muito longe.
Deixou a sua irmã e correu escada abaixo. Demorou meia hora para dar-se conta de que se Roger não estava dentro do castelo, escondia-se deliberadamente delas.
Ninguém o tinha visto, desde que todos tinham tomado o café da manhã mais cedo.
Juliana se assustou, mas não tinha nenhuma intenção de preocupar sua irmã.
Depois de ter pego um manto quente, estava a ponto de sair para o exterior em busca dele quando Alasdair entrou apressado para o interior.
Estava despenteado pelo vento, o cabelo longo emaranhado sobre seus ombros, a pluma azul brilhante mais visível que nunca, manchas de barro em suas botas, nas saias de sua túnica, e até em suas coxas nuas.
Sorriu-lhe.
— Vamos ter carne de veado esta noite.
Ela devolveu o sorriso. Seu coração deu um tombo, como sempre fazia quando ela o via, depois de não haver visto durante umas horas. Talvez havia chegado o momento de admitir que ela realmente se afeiçoou a ele.
— Então, todo mundo estará contente. Alasdair… viu o Roger?
— Não está com os outros meninos?
— Já procurei em todo o castelo… Se estiver aqui, está se escondendo. Mas talvez ele esteja lá fora.
Ele ficou desconcertado.
— Por que se esconderia?
— Começou a comportar-se de forma estranha, com angustia… ele esteve pedindo para ir para casa.
Um estranho olhar, que ela não pôde decifrar, cruzou seu rosto.
— Te ajudarei a procura-lo.
Saíram ao pátio, Alasdair dizendo que procurasse na zona das portas dianteiras. Enquanto se dirigiam em direções opostas, Juliana se sentiu consternada ao ver que as portas dianteiras estavam abertas. Mas inclusive um menino pequeno teria sido notado se tivesse saído de Dunyveg… Com certeza.
Passou outra hora, em que Juliana se desesperou. Ninguém tinha visto Roger, e ela tinha procurado até no último rincão do pátio. Perguntou a um moço que passava se sabia onde estava Alasdair que indicou os estábulos.
Tentando tranquilizar-se, Juliana se apressou a cruzar o pátio e entrou nos estábulos de pedra. Dentro estava escuro, com um aroma agradável de feno e cavalos.
Ao entrar, um cão correu para ela movendo sua cauda e várias éguas relincharam.
Alasdair saiu das sombras e colocou um dedo nos lábios, logo assinalou com a cabeça para sua direita.
Juliana se precipitou para frente. Alasdair a pegou pelo braço e a conduziu até o lugar onde uma égua amamentava a seu lado um jovem potro. Roger estava enrolado entre aparas e feno, em um extremo da quadra, dormindo.
Respirou com alívio. Alasdair pôs seu braço ao redor dela e a atraiu para si.
Ela o olhou, sentindo uma quebra de onda de gratidão.
— Temos que despertá-lo. Surpreende-me que a égua tenha permitido entrar junto ao potro.
— Me deixe fazê-lo. — Disse.
Juliana supôs que ele não queria que ela entrasse, caso a égua decidisse comportar-se de maneira protetora para seu potro. Observou-o entrar, acariciar a égua, e a seguir evitá-la cuidadosamente e ajoelhar junto a Roger. Levantou-o em seus braços e o levou para fora.
Enquanto o fazia, Roger despertou.
Alasdair lhe sorriu.
— Vieste ver o potro recém-nascido?
Roger despertou completamente. Seus olhos enormes, e negou com a cabeça.
Alasdair saiu da quadra, fechou-a, e pôs Roger no chão.
— Então, pensava encontrar um cavalo, e cavalgar para longe?
Juliana se assustou. Por que tinha feito tal pergunta?! Roger estava choroso e agressivo.
— Eu não gosto de ser um refém.
— Sei. — Disse acariciando seu cabelo. — Ninguém gosta de ser um refém, mas é a forma em que os homens fazem certas coisas.
Roger sacudiu a cabeça com força.
— Eu não gosto de estar aqui!
Alasdair se ajoelhou.
— Sei. Mas tem um dever para com sua mãe. A assustou Roger, se escondendo como fez, e pensando em fugir. Assustou também a sua tia. Sua obrigação é ser forte e valente como seu pai. Não deseja ser como William?
— Sei. Mas tem um dever para com sua mãe. A assustou Roger, se escondendo como fez, e pensando em fugir. Assustou também a sua tia. Sua obrigação é ser forte e valente como seu pai. Não deseja ser como William?