Um mensageiro finalmente chegou… com cartas do Conde de Buchan e Alexander MacDougall .
Juliana estava na grande sala com sua irmã e Lady MacDonald, sentadas costurando. Roger e Donald estavam fora, brincando na praia, e o pequeno Thomas estava dormindo no quarto. No momento em que os homens entraram, ouviram suas vozes e pesados passos de botas. Alasdair entrou primeiro.
Juliana viu que sustentava vários rolos de pergaminho, e que um homem que não conhecia estava atrás dele com Angus Mor. Esse highlander levava o tartan verde e vermelho de Buchan.
A notícia a respeito de seus resgates, finalmente havia chegado. Ela se levantou lentamente, com o coração palpitando, quando Alasdair caminhou diretamente para ela.
— Seu irmão escreveu a ambas. — Disse.
Ele mal conseguia desviar o olhar enquanto entregava o rolo que era dele.
— E William? Ele me enviou uma missiva? — Exclamou Mary.
Alasdair lhe entregou um rolo de pergaminho.
— Aye, esta é de William. Mas antes que leiam, Buchan acordou em pagar seu resgate, Lady Mary, e você, provavelmente, estará livre em junho, logo que o pagamento se realize.
Mary assentiu, com os olhos muito abertos, com as bochechas ruborizadas.
— Junho. — Sussurrou.
Agora era dois de abril.
Juliana desviou o olhar do rolo de Alexander. Junho não estava muito longe, e então… Ela também seria livre? E se era assim, por que sentia um estranho desgosto?
Juliana olhou Mary, que permanecia sentada e agora estava lendo com ansiedade a carta de William. As lágrimas caíam de seus olhos. Juliana se apressou a sentar a seu lado, sem soltar seu próprio rolo de pergaminho.
— Está tudo bem?
Ela levantou a vista, assentindo com a cabeça, enquanto limpava as lágrimas.
— Ele está bem. Sente minha falta e dos meninos. Comunicaram-lhe que tenho boa saúde. E não diz uma só palavra a respeito da guerra que certamente se iniciará logo.
Não queria preocupá-la, pensou Juliana.
— Junho não está muito longe. — Disse ela, acariciando sua mão.
— Não vou ver o William em junho. O bebê nascerá em julho. Não vou ser capaz de viajar.
Juliana virou para olhar para Alasdair, tristemente. Ele estava lendo sua carta, mas olhou através da sala para ela. Ela sabia que ele entendia seu significado… ele devia libertar Mary agora, para que pudesse ter seu filho em casa.
— O que diz nosso irmão? Quando vai ser libertada? — Perguntou Mary, brandamente.
Juliana desenrolou o pergaminho e o alisou sobre a mesa. Mary pôs uma vela mais perto, para que fosse mais fácil ler.
Minha querida Juliana, – escrevia.
Incomoda-me extremamente que Alasdair Og tenha atacado Lismore pelas minhas costas, e levou você, Mary e os meninos prisioneiros. Buchan concordou em pagar a soma exigida para a libertação de Mary, e sou agradecido por isso. Seu resgate é outra questão. Alasdair Og exigiu mais ouro para sua liberação do que tenho, e tenho que pedir a ajuda de nossos aliados. Não sei quanto tempo demorará para arrecadar os recursos. Hão-me dito que está em bom estado de saúde, por isso te rogo que tenha paciência.
Deus te guarde bem.
Seu irmão, Alexander MacDougall .
Juliana não podia acreditar. Levantou o olhar. Alasdair a estava observando de perto seus olhos se encontraram instantaneamente.
Tinha pedido um resgate razoável por Mary, mas um excessivo para ela?
Tão excessivo que seu irmão tinha que procurar a ajuda de seus aliados para o pagamento?
Deu-se conta de que estava de pé… e que estava tremendo.
— Juliana? — Perguntou Mary, alarmada.
De algum jeito conseguiu sorrir para sua irmã.
— Não sei quando vou ser posta em liberdade. Alexander não tem ouro suficiente para pagar meu resgate. Não agora, de qualquer modo.
Mary ficou sem fôlego. Olhou severamente a Alasdair.
— Quanto pediu por ela?
Juliana também o olhou fixamente, mas com frieza.
— Sim, quanto pediu?
O rosto de Alasdair se converteu em uma máscara impassível.
— Pedi um resgate acordo com seu valor para mim.
Juliana se deu conta de que todos na sala estavam olhando-a e suas expressões eram de estranha cumplicidade. Angus Mor parecia satisfeito.
O que sabiam todos que ela não sabia? Isso era realmente possível?
Ela achava que Alasdair tivesse pedido um resgate simples… ela tinha acreditado, até então, que seria posta em liberdade com justiça quando se pagasse!
Tinha sido uma néscia?
Mary pôs seu braço ao redor dela. Juliana deu de ombros com desdém.
— Dói-me a cabeça terrivelmente. Vou me deitar.
Sem olhar para ninguém, em especial a Alasdair, saiu da habitação.
Estava furiosa enquanto subia as escadas, o suficiente para tremer.
Tinha pedido um resgate exorbitante, porque ele não queria soltá-la? Porque desejava conservá-la como sua amante? Era por isso?
Gostava de estar em sua cama. Desfrutava de sua companhia, inclusive quando não estavam na cama. Havia chegado a sentir carinho por ele… Se atreveu agora a admiti-lo. Mas ela nunca teria ido voluntariamente a ele, se tivesse sabido que o preço a pagar seria sua liberdade.
Ela tinha acreditado nele… e ele tinha traído essa confiança.
— Juliana!
Ela ficou tensa, mas continuou correndo pelo corredor e entrou no quarto de Mary.
Alasdair a seguiu para dentro.
Olhou-o, mas levantou a mão, uma advertência de que não podia aproximar-se.
— Poderia ter pedido um resgate razoável, que meu irmão pudesse pagar imediatamente.
— Você tem um grande valor para mim.
— Ah, sim… chegamos ao fundo do assunto. Estou compartilhando sua cama, e tem intenção de me manter aqui… Por quanto tempo? Seis meses? Um ano? Seis anos?
Ele estava sério.
— De verdade que realmente te incomoda?
— Tenho que ir para casa, Alasdair!
—Por quê? Você gosta de estar comigo… está bem alimentada, bem vestida…
não te falta nada.
Ela ficou atônita.
— Eu gosto de estar com você… mas me falta minha liberdade.
— Vem a mim livremente todas as noites.
Ela soltou uma áspera gargalhada.
— Alasdair! Tenho dezoito anos! Ia me casar com o Lachlan MacRuari o ano passado! Tenho que voltar para casa… porque logo será arrumado outro casamento para mim, um conveniente!
Ele cruzou os braços sobre seu amplo peito e a olhou fixamente. Quando ele não disse nada, Juliana se sentiu incômoda.
— Eu confiava em você, mas foi um engano. Agora vejo.
— Poderia se casar comigo. — Disse.
Tinhs certeza de que tinha ouvido mal.
— O que acabou de dizer?
— Que poderia se casar comigo. —Repetiu, seu olhar penetrante.
Ela não se moveu, nem respirou, nem por um momento.
— Nós somos inimigos. — Disse ela. — Meu irmão nunca permitiria tal casamento.
Ele encolheu os ombros, mostrando indiferença… mas seu olhar azul era justamente o contrário.
— Poderíamos nos casar de todo o modo.
Sua surpresa aumentou.
— Se nos casássemos sem sua aprovação, ele não cessaria até que te tivesse matado… ou até que você o matasse!
Alasdair se aproximou.
— Acredito que me subestima… e inclusive a seu irmão.
— O que está dizendo?
— Se ele consentir no casamento, você aceitaria?
—Ele nunca consentirá!
Sua mente dava voltas. Eles eram inimigos… terríveis inimigos de sangue.
Entretanto, Alasdair não era um homem imprudente.
De maneira que, agora, as palavras de sua irmã ressonavam em sua mente!
— Você sabe que eu me importo com você, mesmo que não devesse me preocupar. — Disse ela. — E não só porque matou a meu Bispo, apoderou-se do meu castelo e tomou o Achanduin Castle. E não também, porque sou sua refém…
Como o é minha irmã grávida, Alasdair. Quantos de meus parentes Dougall mataste?
— Não mantenho a contagem dos que caem sobre minha espada em batalha.
— É impossível… para uma MacDougall casar-se com um MacDonald. — Disse.
Mas então, umas imagens apareceram como chamas em sua mente… De Alasdair enquanto ela jazia em seus braços; dele sorrindo através da mesa para ela;
dele sentado com Roger nos estábulos, contando com tanta amabilidade ao menino a respeito de quando ele tinha sido um refém.
— Nada é impossível. Disse ele.
— Então esta é a razão pela qual pediu a meu irmão um resgate que não pode pagar?
— Aye.
Mas ele estava louco… seu irmão nunca concordaria. Os dois homens terminariam matando um ao outro por ela.
— Se seu irmão consentir na união, você estaria de acordo com ela?
Ela ficou rígida. Ficou imanginando o que seria governar sua casa, dar a luz a seus filhos, e esperar que retornasse da batalha, principalmente contra seu irmão e seus parentes MacDougall . Ela temeria por sua vida… e temeria pelas vidas de cada MacDougall no campo de batalha.
Se ela e Alasdair se casassem… Trataria, apesar de tudo, de matar a seu irmão quando estivessem na batalha? Quereria seu irmão ainda levantar sua espada contra Alasdair?
Não estavam agora em lados opostos de uma guerra, seu irmão contra Robert Bruce e Alasdair contra John Balliol?
Como poderia uma antiga inimizade de sangue mudar?
— Então não pode responder.
Alasdair dirigiu um duro olhar antes se voltar e sair.
Juliana o viu afastar-se, cambaleando.
*
Juliana estava enrolada na cama de sua irmã quando Mary entrou no quarto com o pequeno Thomas em seus braços, Roger e Donald correndo adiante. Gritaram quando viram Juliana e saltaram sobre a cama… sobre ela.
— Tia Juliana! É muito cedo para dormir! — Gritou Donald.
Juliana os puxou aproximando-os, e sorriu a sua irmã.
— Estou cançada.
Beijou a vermelha cabeça de Donald. Enquanto o fazia, pensou na proposta de casamento do Alasdair.
Seu coração pulsou com força em seu peito.
Ele estava louco, uma guerra seria o resultado disto. Entretanto, não queria ela ter seu próprio par de meninos… e um forte, arrumado e valente marido? Um pelo qual preocupar-se?
Mas seu irmão nunca estaria de acordo.
Mary pôs Thomas em seu berço, mas ele imediatamente se incorporou, chupando o dedo, olhando a seus irmãos com interesse, com os olhos muito abertos.
— Está doente? — Exigiu Donald — Você nunca descansa!
— Não, não estou doente.
Então, beijou também a cabeça de Roger. E depois os dois meninos abandonaram a cama, para as figuras talhadas que tinham ficado esquecidas no chão.
Os brinquedos que eram do Alasdair.
O coração deu um tombo quando Mary se aproximou e se sentou a seu lado.
— O que aconteceu? — Perguntou em voz baixa.
Juliana tomou sua mão.
— Alasdair sugeriu que nos casemos.
Mary empalideceu.
— Alexander nunca estará de acordo!
— Eu disse a mesma coisa, Mary… Que intenção pode ter?
— Acredito que realmente te quer… mas deve querer Lismore.
— Lismore não vale o derramamento de sangue que se produzirá se nos casassémos sem o consentimento do Alexander. E é a parte mais valiosa de meu dote.
Mary estava horrorizada.
— É isso o que vai fazer? Se casar sem seu consentimento?
Juliana começou a sacudir a cabeça.
— Não, é obvio que não.
Ela amava os dois… Não queria que nenhum dos dois morresse!
Então, um pensamento, que era tão simples e também tão complicado, resplandeceu.
— Mary, eu o amo.
Mary a atraiu para si.
— Sei que ama. Foi tão evidente há algum tempo. E ele te ama. Não tenho nenhuma dúvida. Mas nossos pais… nossos avós… estiveram em guerra, Juliana. E estamos em guerra neste momento.
Juliana mal ouviu. Apaixonou-se por Alasdair. Era maravilhoso ser capaz de admiti-lo finalmente, embora só fosse para si mesma. A compreensão fez seu coração disparar. Mas então, nos limites de tanta alegria, surgiu o desespero mais absoluto.
Nunca haveria paz entre seus clãs. Alexander nunca permitiria sua união. Se casassem sem seu consentimento, a vingança de sangue poderia piorar… e ela estaria enfrentando, na guerra, a sua própria família. Por estarem casados, ela teria que ficar do lado de seu marido, e não só contra Alexander, mas também, contra Mary e de todos seus parentes Comyn.
— Não sei o que fazer. — Sussurrou Juliana.
— Não há nada que possa fazer, não agora. É sua refém, e Alexander não pode pagar seu resgate. Talvez isso seja o melhor.
Juliana a olhou fixamente. Mary tinha razão. Era uma cativa e Alasdair ia à guerra. No momento, a única coisa que ela podia fazer era esperar a que esta parte da luta chegasse ao fim… e rezar pelo bem-estar de todos aqueles que amava.
*
Juliana se alarmou. Tinha estado profundamente adormecida nos braços de Alasdair, mas agora, despertou de repente… e seu lado da cama estava vazio.
Entretanto, ainda era meia-noite.
Sentou-se. O luar entrava por uma janela aberta, iluminando uma parte da escura habitação. Alasdair estava vestido e saia.
— Alasdair?
Ele olhou por cima do ombro.
— Silêncio. Volte a dormir. Não há nada pelo que deva preocupar-se. — Disse saindo do quarto.
Juliana voltou a se deixar cair na cama, agora completamente acordada.
O que tinha acontecido? Por que tinha levantado no meio da noite?
Rapidamente deslizou da cama, e levando uma pele com ela, dirigiu-se à porta e a abriu.
Podia ouvir vozes na planta baixa… várias das quais não reconheceu.
Tinham visitas… no meio da noite. Nada bom poderia vir de semelhante visita, estava certa. Só as más notícias chegavam numa hora tão tardia.
Não pôde dormir de novo, e à alvorada, finalmente se levantou, lavou-se e se vestiu. Quando entrou na grande sala, só viu sua irmã, os meninos e Lady MacDonald à mesa. O coração lhe deu um tombo.
— Onde estão os homens? Quem veio ontem à noite? — Perguntou Juliana, apressando-se para frente.
Lady MacDonald estava pálida.
— Buittle caiu, Juliana. Balliol e seus partidários o tomaram de novo. — Disse-lhe ela como resposta, e ficou olhando-a fixamente, quase de forma acusadora.
— Nosso irmão lutou com o Balliol. Também o fez Buchan… e também William. — Sussurrou Mary.
— Um mensageiro de Bruce chegou ontem à noite. — Continuou lady MacDonald. — Ele agora está indo para Wigtown, que Bruce tem intenção de defender… que temos que defender com ele.
Juliana se sentiu mal. Agarrou-se a borda da mesa para manter-se em pé.
Não sabia que tal dia chegaria? Um dia em que a guerra faria Alasdair enfrentar sua família?
John Balliol, o Conde do Buchan, William, seu irmão e vários outros guerreiros tentavam recuperar a guarnição real no Wigtown. Bruce estaria defendendo seus domínios. Necessitaria de seus aliados para fazê-lo… necessitaria de Angus Mor e seus filhos.
— Onde está Alasdair? — Ouviu-se perguntar com voz rouca.
— Está se preparando para ir à guerra. — Disse Lady MacDonald. — E meu marido vai com ele! É muito velho para ir à guerra, disse-lhe em tantas ocasiões, mas ele decidiu ir a esta guerra, agora, quando deveria deixar que seus filhos lutem as batalhas! — Estava a ponto de chorar. —A verdade é que meu marido ama a guerra! Sempre tem feito e sempre o fará!
Mary pôs seu braço ao redor dela, mas dirigiu a Juliana um olhar assustado.
— William está com seu pai, Juliana. Ele lutou em Buittle, e agora, ele brigará em Wigtown.
Juliana se sentiu mal. Sabia que sua irmã estava pensando a mesma coisa...
Alasdair iria a batalha contra William, seu marido, o pai de seus filhos. Era horrível.
— Quando vão? — Conseguiu perguntar.
— Têm intenção de ir ao meio dia. — Disse Lady MacDonald, abatida.
Juliana se levantou de um salto e saiu correndo da sala para o exterior. Era uma bela manhã de final de abril, mas ela não se deu conta. Só viu que o pátio estava
cheio de highlanders armados, de seus cavalos e carros. Havia máquinas de cerco e catapultas. E as portas dianteiras estavam abertas. O exército que estava se reunindo queria partir logo.
— Está me procurando? — Perguntou Alasdair.
Ela deu a volta.
— Iria partir sem sequer se despedir?
Ele sorriu, desabotoou seu broche e tirou o tartan, que rapidamente colocou sobre os ombros dela.
— Nunca te deixaria sem um adeus. — Disse em voz baixa.
Sentia que queria bater nele.
— O que está acontecendo?
Ele ficou sério, tomou sua mão e puxou-a de lado… para os estábulos.
— Buittle caiu. Para seu irmão, Buchan e seus amigos. Bruce nos necessita em Wigtown, Juliana.
Ela agarrou seu pulso.
— Será capaz de defender o castelo ou não?
Bruce tinha se apoderado dele, tirando dos ingleses, no inverno.
— Sem dúvida o Rei Eduardo estará marchando contra vocês, também!
Certamente o Rei Eduardo quer recuperar o castelo!
Ele duvidou.
— Sim, o Inglês marchará contra nós.
O exército inglês era enorme.
— Alasdair! Há alguma possibilidade de que possa ganhar?
— Dificilmente poderia ir a uma guerra para não ganhar, Juliana. — Disse, mas estava sério. — Já deve saber… que esperamos durante todo o mês um exército da Irlanda, mas De Burgh nos falhou. Não enviou as tropas. Para piorar as coisas, no
inverno, contávamos com o apoio do administrador da Escócia, mas depois, entregou suas funções ao Rei Eduardo.
— Assim se rebelam contra meia Escócia, e Inglaterra, para nada?
— Bruce tem uma boa demanda ao trono.
— O mesmo acontece com Balliol! E também com essa menina… a neta do Rei Alexander!
Estendeu a mão para ela.
— A guerra não está perdida. A Escócia necessita um rei… não uma infantil princesa.
Mas soava como perdida, e Juliana tinha medo por ele. Ela apertou seu rosto.
— O marido da Mary estava em Buittle… estará em Wigtown. E meu irmão também.
— Sei. Mas isso é parte da guerra. — Envolveu-a em seus braços e a beijou.
— Vou sentir saudades, Juliana.
Ela quase não podia falar.
— Quero que volte para casa comigo!
E tinha tanta certeza doque dizia a ele!
Seus olhos se abriram.
— Isso significa que estará aqui quando eu voltar?
Ela se sobressaltou.
— Por acaso tenho outra escolha?
Ele a soltou.
— Aye, pode escolher. Sua irmã é livre para voltar para casa… e você pode ir com ela, se o desejar.
Juliana ficou atônita. Isso foi um momento antes que pudesse falar.
— O resgate por Mary foi pago?
Ele negou com a cabeça, olhando-a.
Não pôde evitar sentir-se emocionada, apesar do temor que a embargava.
Alasdair estava libertando Mary, sem um resgate, para que ela pudesse ir para casa ter seu filho.
— Importa-se.
–Preocupo-me com você… o suficiente para libertar sua irmã, como é seu desejo, o suficiente para libertar você, Juliana.
Deu-se conta então, como um golpe, que sua relação tinha terminado.
Ia para casa. Não havia escolha a fazer, já que ela não podia permanecer em Dunyveg, como uma amante esperando a volta de seu amante da guerra.
— Quando voltarei a te ver?
— Não sei. Quanto tempo vai durar a luta? Se Athol e Lennox se aliarem a nós, poderíamos lutar até o próximo inverno.
— O próximo inverno! — Ofegou ela.
Ele sorriu lentamente.
— Então vai sentir saudades?
Ela assentiu, mordendo-os lábios. As lágrimas surgiram.
— Sentirei muita saudade.
Deu-se conta de que não podia contemplar sua vida sem Alasdair nela.
— O que vamos fazer quando retornar?
— Acredito que tinha intenção de se casar como seu irmão desejava?
Ela inalou.
— Então acabou? Assim fácil? Deixa-me em um instante… e alguma vez vou estar em seus braços novamente?
Ele a tomou em seus braços.
— Quando esta guerra terminar, pedirei sua mão a seu irmão. Vai se casar comigo, se ele estiver de acordo?
— Ele não aceitará.
— Se ele estiver de acordo, aceitará?
De algum jeito assentiu, sem deixar de chorar.
A Escócia estava sempre no meio de uma guerra ou outra, e eles eram inimigos, no lado oposto em cada batalha. Entretanto, ela facilmente podia imaginar a si mesma e a Alasdair como marido e mulher, unidos em seus interesses, em seu amor. Podia imaginá-los, com tanta facilidade, lutando juntos contra cada ameaça e ataque que se apresentasse em seu caminho. Podia imaginá-los como verdadeiros aliados, até a morte.
Mas Alexander não estaria de acordo com sua união. Ela não sabia por que Alasdair estava tão seguro de que seria capaz de convencer seu irmão a seu favor.
Tinha medo de que seu irmão organizaria um casamento para ela, uma vez que retornasse para sua casa.
— Deus te guarde, Alasdair. — Sussurrou. — Te amo.
Seus olhos se abriram, e então ele a beijou, com força.
— Vou à guerra como um homem feliz.