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Capítulo Vinte e Dois

No documento Meu Amor. The Vault Collection 02. Maya Banks (páginas 183-188)

Simon soltou outra maldição.

— Venha. — Ele disse com urgência, voltando rapidamente para o túnel. Eles se rastejaram até a câmara e se levantaram prontamente.

A mente dele trabalhava apressadamente e ele começou a apagar as tochas que iluminavam a escultura do sol.

— O que você está fazendo? — Isabella perguntou, apressando-se a icar perto dele.

Ele prosseguiu, sem parar enquanto explicava.

— Se nós deixarmos a câmara no escuro, tudo o que eles verão são duas passagens iluminadas. A esperança é que eles peguem uma delas e nos dê tempo su iciente para chegarmos à saı́da.

Ela o ajudou a apagar as tochas restantes e depois se apressaram para a entrada do túnel.

Uma eternidade depois, eles explodiram na sala da lua e correram direto para o túnel que levava às pontes.

A mente dele corria mais rápido do que os seus movimentos. Formulava, descartava, esgotando todas as possibilidades. Ele nem ao menos sabia se existia alguma. A única certeza era que eles não poderiam sair pelo mesmo caminho que entraram.

Quando eles chegaram à beira do abismo e em frente às pontes, ele pegou o braço dela e a parou.

— Há outro modo de sair da câmara inal? O seu pai alguma vez mencionou alguma coisa?

Os olhos dela brilharam à luz das tochas, uma mistura de medo e concentração em suas profundezas.

— Eu não sei. — Ela disse em uma voz torturada.

— Então vá pensando em uma forma de lutar contra um número desconhecido de atacantes. — Ele murmurou, pegando o braço dela e a puxando pela ponte.

Ele atravessou a ponte, rezando para que eles pudessem fazer isso uma terceira vez, depois do desastre inicial de Isabella. Embora ele se movesse com a maior velocidade possı́vel, pareceu que ele levou uma eternidade para cruzar a oscilante ponte. Quando ele saiu da última prancha, ele ergueu a tocha e sinalizou para que ela a atravessasse.

Ela se moveu rapidamente, mas ele podia notar o terror bruto em seu rosto.

— Apenas um pouco mais. — ele murmurou, apesar de duvidar que ela pudesse ouvir.

Quando ela inalmente saiu da ponte para parar ao lado dele, ela se abaixou e pegou a faca em sua bota. Em um movimento rápido, ela cortou as cordas, fazendo com que a ponte batesse no outro lado. Ela guardou a adaga no lugar e o encarou, diretamente nos olhos.

— Agora é melhor rezar para encontrarmos outra saı́da.

O suor deslizava por suas costas e, pela primeira vez em anos, o medo tomou conta dele, quase o paralisando no processo. E se eles fossem incapazes de encontrar uma saı́da alternativa? Não apenas falharia miseravelmente em sua missão, mas sua vida e a de Isabella estariam perdidas. Parecia que ele sempre falhava com aqueles que eram próximos a ele. Ele desapontaria Isabella também?

Não querendo insistir nesta possibilidade, ele focou em recordar as ordens das passagens à sua frente. Esquerda, direita e depois direita novamente.

Finalmente eles alcançaram a última câmara e ele imediatamente começou a procurar.

Cada fenda, cada recanto, esperando que houvesse outra passagem. Isabella fazia o mesmo do lado oposto, passando suas mãos sobre pedras, movendo rochas para o lado.

Ele observava as tochas que rodeavam a mesa de pedra onde as caixas de vidros estavam.

Ele não soube por quanto tempo ele olhou, mas de repente aquilo o atingiu. As chamas brilhavam e balançavam. Elas não icavam apenas iluminando com um fogo imperturbado.

— Isabella, venha aqui. — Ele disse excitado.

Ela correu até onde ele estava.

— Encontrou alguma coisa?

Ele apontou para as tochas.

— Uma corrente de ar está soprando de algum lugar e isso signi ica que há uma abertura por aqui.

Ela seguiu a direção de sua mão, seus olhos se arregalaram enquanto ela notava para o que ele apontava. As chamas sopravam para a direção contrária e ambos se viraram ao mesmo tempo para ver a área atrás deles.

— Isto deve vir dali. — ela disse seguindo em frente.

Eles correram para a pilha de rochas e procuraram por qualquer abertura. Ele testou a robustez da pilha, em seguida ele testou um apoio e subiu nele. Deslizando suas mãos por cada fenda, ele sentiu ar. Quando ele alcançou o topo, ele se perguntou se eles haviam imaginado tudo isso, pois ele não conseguia encontrar a fonte da corrente.

Então, bem lá em cima, ele a sentiu. Fria, constante, soprava sobre seu rosto e bagunçava seus cabelos.

— Eu achei! — Ele falou.

Isabella estava parada lá embaixo olhando para ele, seu rosto brilhando de alegria.

— E grande o su iciente para passarmos?

— Eu não sei ainda. Dê-me um momento.

Ele cavou as pedras onde ele sentiu o ar e logo tinha um buraco do tamanho do punho dele. Um pequeno feixe de luz apareceu e ele se sentiu triunfante.

— Isabella, escute-me. — Ele falou com urgência. — Vá para a entrada do túnel e preste atenção a qualquer som enquanto eu aumento o buraco para que possamos sair.

— Eu não deveria ajudá-lo? — Ela perguntou.

— Não podemos icar os dois aqui em cima ou qualquer um pode entrar na caverna sem que percebamos. Escute e se ouvir qualquer coisa me alerte. Espero que estejamos longe quando eles chegarem aqui.

Ela assentiu e correu para o túnel. Ele se voltou para as pedras e começou a cavar furiosamente. Periodicamente ele inseria sua cabeça e ombros na abertura para ver se estava larga o bastante, mas cada vez ele icava mais frustrado. As pedras caiam abaixo dele, empilhando-se no fundo enquanto ele abria o buraco.

Ele não poderia falhar agora. Não quando tantos dependiam dele. Não como ele falhara com o seu pai. Nunca mais, ele havia jurado, quando seu pai morreu. Nunca mais ele decepcionaria alguém como ele izera.

O paı́s dele dependia dele. Leaudor dependia dele. Mas, o mais importante de tudo, Isabella dependia dele.

A medida que mais rochas caı́am no chão, ele inalmente foi capaz de abrir um buraco grande o bastante para que ele e Isabella coubessem. Ele a chamou e ela correu, rapidamente escalando até onde ele estava.

Então ele ouviu vozes distantes ecoando no túnel no qual Isabella havia acabado de sair.

Como eles conseguiram se mover tão rápido entre as cavernas? E claro, eles possuı́am mais suprimentos e um número maior de homens. Eles provavelmente se dividiram e pegaram todas as rotas alternativas com a intenção de diminuir o tempo para chegar ao im. Porém a pergunta mais importante em sua mente era como eles haviam encontrado a entrada.

Uma sensação desagradável se agitou em seu estômago e ele esperava que o Padre Ling e os monges estivessem seguros.

Isabella olhou para ele, seus olhos cheios de preocupação, medo e raiva. Então ela esticou a mão e tocou o rosto dele antes de passar pela abertura.

Ele afastou a mão dela e a pôs atrás dele. Sem hesitação, ele entrou na abertura, chamando-a para segui-lo. O ódio impulsionava os seus movimentos e ele se rastejou apressadamente, ignorando a dor em seus joelhos e palmas das mãos. Eles estavam apenas a alguns minutos à frente de seus perseguidores e ele não desistiria. Nem falharia com Isabella.

A luz icou mais intensa mais a frente, sinalizando a aproximação de uma saı́da. Mas até

onde este túnel os levaria? E então ele ouviu um rugido impreciso. Foi icando mais alto a medida que eles se aproximavam da luz e ele franziu as sobrancelhas como se tentasse decifrar o que poderia ser.

Uma lufada fria de ar o atingiu com toda a força no rosto e ele sentiu um jato d'água. Ele piscou surpreso e depois a compressão o atingiu. Eles estavam atrás de uma cachoeira

Ele saiu e se virou para ajudar Isabella. O túnel se abria em uma área pequena atrás do jato d'água.

Eles correram para onde a água descia em cascata, formando uma parede sólida diante da abertura.

— Fique aqui. — Ele ordenou e deslizou ao longo da parede atrás da cachoeira.

Ele entrou em uma saliência que mal tinha espaço para os dois icarem em pé. Ele estava no alto do vale e na metade do penhasco. Ele inclinou o pescoço e olhou para cima em busca da fonte da cachoeira.

Ao longo penhasco, a água se derramava por sua lateral e caı́a formando um rio agitado. E a única forma de eles escaparem era para baixo. Ele voltou a olhar para trás da cachoeira e gesticulou para que Isabella viesse.

Ela deslizou cautelosamente ao longo da parede, suas costas grudadas ao mármore liso.

Sua cabeça girava, olhando para todas as direções e quando ela olhou para ele, ele soube que ela chegara à mesma conclusão que ele. Eles teriam que saltar. E eles poderiam não sobreviver.

— Isabella. — Ele começou em uma voz tensa. — Há algo que eu devo dizer.

Ele não podia, não iria para a morte sem lhe dizer seus mais profundos sentimentos.

Ele havia prometido há muito tempo nunca dar a alguém o poder de machucá-lo novamente. Ao fechar-se em si mesmo, não permitindo sentimentos, ele conseguiu a vida sem a dor aguda que acompanhava o desapontamento. Mas, ao proferir aquelas palavras, tão pequenas e inócuas, ele desistia completamente dar poder a outra pessoa.

Ali estava ele, parado, pronto para abrir a sua alma para uma mulher com quem ele não teria um futuro, e se ele não izesse isso, ele sabia que viveria com um arrependimento eterno.

E ele já vivera com tal arrependimento por muito tempo.

— O que é, Merrick?

A voz suave dela se intrometeu em seus pensamentos tumultuados e ele focou sua atenção na beleza do seu rosto.

— Nós podemos não sobreviver a este salto... — Ele fez uma pausa, incapaz de verbalizar o que tinha de mais importante em sua mente.

Ela fechou os olhos brevemente e quando os abriu, a determinação queimava em suas profundezas.

— Nós sobreviveremos. — Ela disse com irmeza. — Você não permitiria que eu me machucasse.

O peito dele se expandiu, inchado com todas as coisas que ele queira dizer a esta mulher que tinha uma fé inabalável nele.

Ela desviou o olhar, focando na água lá embaixo.

— Olhe para mim. — Ele sussurrou. — Há algo que eu devo lhe dizer.

Ela olhou de volta para ele e ele abaixou a cabeça para capturar os seus lábios em um beijo longo. Ela abriu os lábios e ele experimentou sua doçura, certo de que nunca esqueceria isso, tão arraigado que estava em sua alma.

— Eu te amo. — Ele murmurou e as palavras quase se perderam sobre os lábios dela.

Ela estacou. Tomando vantagem de seu evidente choque, ele pegou a mão dela e saltou pela borda, girando para baixo em direção à água agitada.

A água gelada explodiu ao redor de Isabella, sugando-a para baixo. Enquanto ela lutava para identi icar o ambiente e manter a cabeça acima da água as palavras dele ecoavam em sua cabeça. Eu te amo.

Ele realmente dissera aquilo ou ela imaginara? E ele realmente quis dizer ou eram palavras ditas por um homem que pensava que era o seu im? Talvez um esforço para dizer alguma coisa, qualquer coisa para aliviar a terrı́vel verdade da situação.

A corrente jogava seu corpo como se ela fosse uma boneca de pano e em sua cabeça, os seus piores medos se concretizavam. Ela ia morrer.

Ao mesmo tempo em que a percepção a atingia, a raiva tomou seu corpo. Ela não morreria. Enquanto o pé dela era tragado para o fundo do rio, ela se empurrava para cima, batendo seus pés com rapidez.

Ela quebrou a superfı́cie da água, ofegando e engasgando lutando contra desesperadamente para icar à tona. A sua frente ela viu Merrick lutando contra as corredeiras e quase se derreteu de alı́vio por ele estar vivo. Por enquanto, pelo menos.

Posicionando o seu corpo de um modo que ela não precisasse lutar contra a correnteza, ela desceu o rio atrás dele. Ela quase o havia alcançado quando a corrente diminuiu e as implacáveis pancadas que ela recebeu, diminuı́ram.

Merrick nadou contra a correnteza para encontrá-la e a abraçou apertado.

— Nós conseguimos. — Ele disse triunfantemente.

Ela jogou os braços ao redor dele e capturou os seus lábios em um quente e longo beijo que delineava cada grama de alı́vio.

— Cuidado. — Ele murmurou. — Você nos afogará.

Ela sorriu delirantemente feliz e agradecida.

Eles nadaram até a margem do rio e saı́ram cansados da água até o solo. Ela caiu sobre sua barriga e encostou suas bochechas contra o chão suave fechando os olhos. Quando ela os abriu novamente, um par de botas ocupava sua visão. Botas que ela sabia não pertencer a Merrick.

Uma sensação doentia de desgraça envolveu o seu corpo frio e molhado. Seus olhos viajaram para além das botas, subindo pelas pernas e inalmente encontrou os olhos do homem parado à sua frente.

Ela apertou os olhos contra o sol para ver melhor o seu potencial adversário.

— Você gostaria de ajuda para se levantar, Vossa Alteza?

Ela relaxou aliviada. Kirk.

No documento Meu Amor. The Vault Collection 02. Maya Banks (páginas 183-188)