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AUMENTO DA SOLICITAÇÃO

5 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

5.2 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

5.2.1 Clima

O clima do município do Ipojuca é do tipo tropical chuvoso, quente e úmido As’na escala de Köppen, com chuvas de outono-inverno, amenizado por brisas marinhas e alísios do sudeste. O período das chuvas situa-se entre os meses de março e agosto (outono-inverno), sendo os meses mais úmidos os que vão de maio a agosto. Dentro desse período, a precipitação pluviométrica oscila entre 140 e 270 mm mensais, com média anual variando entre 1.500 e 2.000 mm. A temperatura média anual está em torno de 26°C, com temperaturas mínimas e máximas em torno de 18ºC e 32°C respectivamente (TORRES, 2014).

Dados pluviométricos fornecidos pela Usina Ipojuca referentes ao município do Ipojuca encontram-se no Gráfico 5.1, onde estão as precipitações mensais de 1941 a 2013 e a média mensal dos últimos setenta e dois anos.

Gráfico 5.1 – Precipitações pluviométricas no município do Ipojuca de 1941 a 2013 e médias mensais dos últimos setenta e dois anos

Fonte: Acervo Gegep, 4 mar. 2015.

5.2.2 Vegetação

Inserido na zona fisiográfica da mata atlântica, vegetação, o município é do tipo floresta subperenifólia, com partes de floresta hipoxerófila. Apresenta como bioma a mata atlântica, onde resquícios podem ser encontrados em pequenas áreas do município em razão de sua

substituição pela cultura da cana-de-açúcar. O litoral comporta mangues. Os tabuleiros do Engenho Gameleira têm uma vegetação exótica, típica de cerrados do Planalto Central brasileiro, com predominância de cajueiro-brabo, guajiru e orelha-de-burro.

5.2.3 Solos

Em geral, no município do Ipojuca, há ocorrência de solos com baixa a média fertilidade, rasos a moderadamente profundos, com limitação de drenagem e topografia irregular. É comum a existência de solos com elevado teor de argila e com limitação em relação à absorção de nutrientes. Em menor escala, são inaptos ou apresentam severas limitações para a exploração agrícola. A maior parte do município de Ipojuca tem seu território ocupado por solos distróficos.

De acordo com o mapa pedológico elaborado por Silva et al. (2001), o solo do município de Ipojuca é composto predominantemente pela classe Argissolo (PA), seguido por Latossolos (LA), gerados pela alteração das rochas do embasamento cristalino. Os Gleissolos (G) são encontrados nos aluviões e os Nitossolos (NVdf), localizados pontualmente na parte norte da região (Figura 5.2).

Figura 5.2 – Mapa pedológico do município de Ipojuca

Por toda a faixa litorânea, podem-se encontrar, como resultado da alteração dos sedimentos mais recentes, os Solos de Mangues (SM) e os Neossolos (RQo). Nas proximidades do Complexo Industrial Portuário de Suape, observaram-se os RQo em conjunto com os Espodossolos (ESo).

No Quadro 5.1, pode ser observada a correlação entre a classificação antiga e a nova dos solos de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Quadro 5.1 – Correlação entre a classificação nova e antiga dos solos

Classificação Nova Classificação Antiga

Argissolo Podzólico Amarelo

Podzólico Vermelho-Amarelo

Espodossolo Podzol Hidromórfico

Gleissolo Háplico Gleissolo

Latossolo Latossolo Amarelo

Neossolo Areia Quartzosa

Areia Quartzosa Marinha

Nitossolo Terra Roxa

Organossolo Solo de mangue

Fonte: Embrapa (2006).

5.2.4 Hidrografia

O município é composto por quatro bacias hidrográficas, a bacia do Ipojuca (Fotografia 5.1), que é a principal do município, abrangendo os distritos sede e Nossa Senhora do Ó e as respectivas áreas de expansão; a bacia do rio Sirinhaém e os Grupos Litorâneos GL2 e GL3. Há, ainda, uma série de canais, naturais ou não, que cortam as áreas planas, muitas vezes inundadas, situadas no litoral do município. A presença dessas quatro bacias ressalta a larga planície fluviomarinha, áreas alagadas próximas do litoral com presença de mangues.

Fotografia 5.1 – Rio Ipojuca à direita e córrego à esquerda bastante assoreado na área de expansão do distrito de Camela, Ipojuca-PE

Fonte: Acervo Gegep, 4 mar. 2015.

5.2.5 Geomorfologia

O município de Ipojuca apresenta oito unidades de relevo, sendo assim classificadas: Planícies Fluviais ou Fluviolacustres, Planícies Fluviomarinhas, Planícies Costeiras, Domínio de Colinas Amplas e Suaves, Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros baixos, Domínio de Morros e de Serras Baixas (AMARAL, 1998).

Na parte central e oeste, as unidades Domínio de Colinas Dissecadas e de Morros Baixos, Domínio de Morros e de Serras Baixas representam as alterações sofridas pelas rochas pré-cambrianas do embasamento cristalino. Nessas unidades ocorre o predomínio de fundos de vales em “V”, linhas de cumeadas, cume de morros, colinas arredondadas e encostas convexas, resultando em ravinamentos, deslizamentos e voçorocamentos em alguns locais.

A unidade Domínio de Colinas Amplas e Suaves também pode ser observada nos sedimentos da Bacia do Cabo, onde há o predomínio de fundos de vales em “U”, cumes arredondados e angulares, morros e colinas que antecedem a Chapada da Borborema.

Nas Planícies Costeiras, observam-se os Terraços Marinhos Pleistocênicos, sedimentos arenosos remanescentes da penúltima transgressão marinha; encontram-se em uma faixa que acompanha todo o litoral do município. Ambos com a mesma composição litológica divididem- se em dois níveis distintos: Terraço marinho superior, situado de 4 a 8 m de altitude acima do nível do mar, com idade do Pleistoceno, e Terraço marinho inferior, que ocorre com, no máximo, 6 m de altitude e foi formado no Holoceno.

As Planícies Fluviais, depósitos de origem fluvial assentados nas várzeas dos rios durante o período das cheias, estão sujeitas a inundações periódicas dos rios. São observadas ao longo dos rios Ipojuca, Arimbi, Sibiró e Sirinhaém.

A Planície Fluviomarinha, localizada ao longo da costa, composta por sedimentos finos arenoargilosos depositados com alguma interferência marinha, formou-se sob as condições ambientais do Quaternário. Representa-se pelas praias, recifes, terraços e planícies, mangues, bancos de areia, planície fluviolagunares e os depósitos de assoreamento.

Os Manguezais são áreas baixas, periodicamente inundáveis, situadas principalmente ao longo dos trechos inferiores dos rios; sofrem a influência direta do mar e têm uma vegetação característica que se assenta em um substrato de sedimentos finos ricos em matéria orgânica. As Praias Recentes são formadas por sedimentos arenoquartzosos que se distribuem em estreita faixa de norte a sul do município.

5.2.6 Geologia

A área do município do Ipojuca apresenta duas unidades geotectônicas principais: o embasamento cristalino e a Bacia Pernambuco. Nesse contexto, o Quadro 5.2 identifica as unidades litoestratigráficas que ocorrem na área de estudo. A evolução geológica dessa área está fortemente condicionada ao processo de abertura do Oceano Atlântico Sul, durante o período Mesozóico (100 a 80 milhões de anos).

Quadro 5.2 – Unidades litoestratigráficas da área de estudo

Períodos Geológicos Litologias

QUATERNÁRIO Depósitos fluviais, de praias e mangues

Areias quartzosas, siltes e argilas orgânicas

TERCIÁRIO

Formação Barreiras

Areias argilosas a siltosas

Formação Algodoais Conglomerados com componentes vulcânicos

CRETÁCEO

Formação Estiva Calcários e margas

Granito do Cabo Granito

Suíte Ipojuca Riolitos, traquitos, tufos e basaltos Formação Cabo Conglomerados, arcósios, argilitos PRÉ-CAMBRIANO Embasamento Cristalino Granitos, gnaisse e migmatitos

Fonte: Acervo Gegep, 4 mar. 2015.

Durante a separação dos continentes sul-americano e africano em razão de esforços tectônicos, ocorreu a formação do Oceano Atlântico e a geração de meios grabens no litoral da região por meio de falhamentos com direção NE-SW, onde foi depositada a Bacia do Cabo – Grupo Pernambuco, os quais posteriormente foram recobertos por sedimentos recentes do Quaternário.

5.2.7 Extrativismo mineral

A atividade minerária existente no município do Ipojuca caracteriza-se, como em praticamente toda a região metropolitana, essencialmente por uma concentração de pequenos e médios empreendimentos de extração de bens minerais de uso na construção civil, de baixo valor agregado e, no geral, por uma baixa capacitação tecnológica.

As ocorrências minerais registradas no município são basicamente destinadas à construção civil. Entre elas, encontram-se o caulim, as rochas ornamentais, areia, argilas, turfa, riólito, traquito e ignimbrito. Por outro lado, a areia é extraída em grande quantidade do leito do rio Ipojuca. São extraídas de forma manual fazendo uso de lavra por canoa/barca, com pás e picaretas manuais (Fotografia 5.2) e de forma semimecanizada por meio de dragas de sucção (Fotografia 5.3).

Fotografia 5.2 – Lavra manual de areia no rio Ipojuca

Fotografia 5.3 – Lavra de areia em leito de rio (alto e baixo do rio Ipojuca) por dragagem

Fonte: Pinto (2009).

5.3 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS E DEMOGRÁFICOS DO MUNICÍPIO DO