3. O tratado Versuch einer Anweisung die Flöte traversiere zu spielen: repercussão e
3.1. Características Gerais do tratado de Quantz
Até a segunda metade do século XIX, os estudos repetitivos de mecânica
não faziam parte da rotina diária de um estudante de música. Laura Rónai (2008, p.
111) nos afirma que “[...] a ideia de estudos diários de repetição não é congenial ao
século XVIII. Estudos mecânicos aparecem pela primeira vez no século XIX, junto
com toda uma mudança na maneira de conceber o mundo”. Podemos inferir que, de
alguma maneira, tal mudança apontada por Rónai influenciou o meio artístico. De
acordo com esta autora,
56
While a few sections of Tromlitz's volume are little more than free paraphrases of the Versuch and his general approach derives directly from that of Quantz, in his preface he is at some pains to explain and defended to need for a new work to supplant the Versuch and pointedly takes issue with Quantz in a number of matters. His opening argument explaining the purpose of a new work on the flute is based on the need for instructions that could be followed independently of a teacher [...].
[...] Num século que descobre a industrialização, se encanta com as máquinas, e prepara o surgimento das linhas de montagem, parece natural imaginar que no estudo do mecanismo pode-se encontrar a fórmula mágica da fabricação de um músico. Assim como o exercício físico regular aprimora o atleta, é a repetição de passagens padrão que irá aprimorar o músico. [...]. De fato, as atividades artísticas em geral passam a depender não mais de um “dom”, de uma imersão num mundo de paixão, mas sim de uma disciplina voluntária, ao alcance de qualquer um. (RÓNAI, 2008, p. 111- 112).
Com isso, a principal diferença entre os métodos de música do século
XVIII
57e XIX é o aprimoramento do corpo e a disciplina para um real
aperfeiçoamento do instrumentista: escalas, estudos de sequências intervalares,
arpejos, articulação, o uso do metrônomo em maior escala devem fazer parte da
rotina diária de um músico. Ainda segundo Laura Rónai,
Quando o assunto é metodologia de ensino, uma dessas lacunas é exatamente a organização do estudo diário. Isso porque caímos aqui numa armadilha previsível. A maior parte dos tratados, especialmente aqueles anteriores a 1800, não se pretende autossuficiente. Pressupõe a presença de um mestre, que será o responsável por orientar os estudos de seu aluno. E a maneira de estudar, propriamente dita, pretende exatamente à seara do mestre. (RÓNAI, 2008, p. 108).
De que maneira os flautistas do século XVIII aprimoravam sua técnica
instrumental? Constata-se que nos métodos anteriores a 1800 não havia qualquer
tipo de exercício padrão recomendado, nem mesmo em relação ao estudo de
dedilhados complicados (RÓNAI, 2008, p. 116). Em algumas passagens do Versuch
de Quantz, percebemos que ele concilia o estudo da técnica instrumental com obras
que fazem parte do repertório flautístico. Vale ressaltar que tais obras não foram
escritas especificamente para aprimorar a técnica, mas Quantz as utiliza para tal fim.
No Capítulo X, tópico 5, nosso compositor destaca
58:
O iniciante deve escolher peças curtas e fáceis para treinar a embocadura, a língua e os dedos, de modo que não esforce mais a memória do que a língua e os dedos. Estas peças podem ser compostas em tonalidades fáceis, tais como Sol maior, Do maior, Lá menor, Fá maior, Si menor, Ré maior e Mi menor. [...]. (MURILLO, ed., Spanish Translation of Johann Joachim Quantz’s Essai D’une Méthode pour apprendre a jouer de la Flüte Traversière, 1997, p. 135, tradução nossa)59.
57
Em 1791, quatro décadas depois de Quantz, Tromlitz em seu tratado Ausführlicher und gründlicher
Unterricht die Flöte zu spielen discute a ideia de exercícios de mecanismo inseridos na rotina do
estudo diário. (RÓNAI, 2008, p. 118). 58
Ver também Introdução, tópico 13 e Capítulo X, tópicos 8 e 10. 59
El principiante debe escoger piezas cortas y fáciles para adiestrar la embocadura, la lengua y los dedos, de manera que no se esfuerce más la memoria que la lengua y los dedos. Estas piezas
Somado a isso, Quantz nos demonstra a importância da repetição para o
aprendizado de uma passagem complicada. Tal repetição é realizada no próprio
estudo da obra. O autor indica no Capítulo X, tópico 3: não devemos tocar uma peça
a uma velocidade superior àquela em que somos capazes de realizar. Pelo contrário,
precisamos nos esforçar para expressar claramente as notas e repetir
frequentemente o que os dedos, a princípio, não pode executar.
Laura Rónai (2008, p. 116) afirma que: “A repetição de trechos sempre foi
uma ferramenta útil ao aprendizado. O que não existia, isso sim, eram os exercícios
de mecânica, aos moldes de Taffanel & Gaubert
60[...]”. Portanto, através dos
exemplos descritos, percebemos que em seu tratado, Quantz destacou algumas
ferramentas necessárias à prática instrumental, apesar da não utilização de
exercícios mecânicos. Rónai aponta:
Apesar de mencionar exercícios de caráter eminentemente técnico, Quantz está se referindo a peças já existentes no repertório de qualquer flautista, e não a exercícios mecânicos. Todo o estudo diário é feito a partir da seleção de trechos dentro de um repertório geral que não foi concebido especificamente para aprimorar a técnica. O que mais se aproxima ao estudo de mecânica dos séculos posteriores é seu conselho em relação a trilos: o principiante “deve praticar trilos diariamente em todas as tonalidades, de modo a fazer seus dedos adquirirem fluência”. [...]. (RÓNAI, 2008, p. 116).
Para Quantz, um instrumentista virtuoso é aquele que, além de dominar a
técnica de seu instrumento, possui um conhecimento significativo de harmonia,
estilo, análise, ornamentação, dentre outros aspectos considerados importantes para
uma boa interpretação musical (RODRÍGUEZ, 1997, p. 4). Quantz destaca no
Capítulo X, tópico 18, o caminho necessário para que um flautista seja um
verdadeiro músico: aprender composição, baixo contínuo e canto. O conhecimento
da arte de cantar, por exemplo, nos auxilia na ornamentação de um Adagio.
Além disso, o compositor afirma no Prefácio de seu tratado que não
pretende formar o flautista unicamente nos aspectos técnicos. Pelo contrário, deseja
que o estudante de flauta tenha uma formação integral em seu aprendizado de
música. Por exemplo: um gosto musical refinado; que saiba acompanhar outros
pueden ser compuestas en tonalidades fáciles tales como Sol mayor, Do mayor, La menor, Fa mayor, Si menor, Re mayor, y Mi menor. [...].
instrumentistas; que conheça por completo o repertório que irá tocar, inclusive as
partes acompanhantes.
O Versuch de Quantz é uma das principais fontes de informação sobre a
interpretação musical do século XVIII (LINDE, 1979, p.14), tornando-se assim um
dos mais importantes tratados deste período (LOZANO, 2009, p. 20). Siqueira em
sua tese de mestrado define de maneira bem clara e resumida as principais
características deste escrito:
Trata-se de uma obra de grande fôlego, a qual trata de um sem-número de assuntos concernentes não apenas à flauta (sua história, sua construção e a maneira de tocá-la), mas também ao fazer musical corrente em seu tempo, como um todo. Quantz discorre sobre as qualidades que alguém que almeja seguir a profissão de músico deve possuir caso queira obter algum sucesso com ela, fala sobre estilos nacionais, esclarece questões de andamento, versa sobre as várias maneiras de se ornamentar um adagio, dá conselhos sobre a disposição dos músicos no palco para as mais diversas formações camerísticas, opina sobre o que deve ser levado em conta ao julgarmos uma composição musical... Essa riqueza de conteúdo é o que afere ao seu tratado a grande importância que ele tem para o movimento da música historicamente informada: é uma das principais fontes de conhecimento acerca do fazer musical do período barroco. (SIQUEIRA, 2012, p. 47).
Por esta razão, merece ser conhecido e estudado por todos os músicos,
não só flautistas, que desejam aperfeiçoar-se na interpretação do repertório do
século XVIII. Quantz afirma no Prefácio de seu tratado:
Por isso que me prolongo um pouco explicando as regras do bom gosto na prática musical. Ainda que as tenha aplicado principalmente em relação à flauta transversal, estas mesmas regras poderão ser de utilidade a todos aqueles que se dedicam a arte de cantar ou de tocar outros instrumentos e desejam cultivar uma boa interpretação musical. (MURILLO, ed., Spanish Translation of Johann Joachim Quantz’s Essai D’une Méthode pour apprendre a jouer de la Flüte Traversière, 1997, p. i, tradução nossa)61.
Percebemos, portanto, a completude do Versuch em relação ao fazer
musical de seu tempo. Quantz oferece várias ferramentas para o estudo da técnica
instrumental e performance, nos auxiliando assim na conquista de uma interpretação
musical consciente, prazerosa e inteligente.
Visando auxiliar àqueles que desejam estudar o tratado de Quantz como
um todo, desenvolvemos duas tabelas que apresentam uma visão geral do Versuch,
61
Es por eso que también me he extendido un poco explicando las reglas del buen gusto en la práctica de la música. Y aunque las he aplicado principalmente en relación a la flauta travesera, estas mismas reglas podrán ser de utilidad a todos aquellos que se dedican al arte de cantar o de tocar otros instrumentos y que deseen cultivar una buena expresión musical.
elencando resumidamente as características de cada capítulo. Vale ressaltar, que
Frederick Neumann em seu artigo The use of baroque treatises on musical
performance, faz apontamentos muito interessantes sobre o estudo aprofundado de
um tratado de música. Dentre estes apontamentos, podemos destacar:
personalidade do autor, relação do tratado com outras fontes, a quem o tratado é
dirigido (estudantes iniciantes, avançados ou artistas), dentre outros (NEUMANN,
1967, p. 316).
Na Tabela 1 apresentamos: Título, Dedicatória, Prefácio, Introdução. Na
Tabela 2, os Capítulos.
Tabela 1: Título, Dedicatória, Prefácio, Introdução
Título
Método para aprender a tocar la Flauta Travesera, con diversas observaciones para promover el buen gusto en la musica. Todo esto ilustrado con ejemplos en XXIV tablas gabradas en cobre por Johann Joachim Quantz, musico de camara de su majestad el Rey de Prussia. Berlin, Frederick Voss 1752, / Essay of a method for playing the Transverse Flute, accompanied by several Remarks of service for the Improvement of Good Taste in Practical Music, and illustrated with examples. With XXIV copperplate tables. By Johann Joachim Quantz, Royal Prussian Chamber Musician. Berlin, Johann Friedrich Voss 1752.
Dedicatória Dedica o tratado ao rei da Prussia, Frederico II.
Prefácio
Quantz nos apresenta o seu tratado afirmando que o entrega a todos os amantes da música;
Ressalta que o Versuch é um método que indicará passo a passo todo o necessário para que se toque bem a flauta transversal, porém incentiva a pesquisa em outras fontes;
As regras e exemplos musicais que destaca servirão a todos os músicos que querem desenvolver uma boa interpretação musical; Uma interpretação musical com êxito depende não só dos solistas, mas também dos músicos acompanhantes;
Formação integral do flautista que vai além da técnica;
Justifica o emprego dos dois últimos capítulos (músicos solistas e acompanhantes);
Não quer impor regras aos músicos que tanto na interpretação, quanto na composição, estão em destaque. Ao discutir no livro o que os distingue de tantos outros, coloca em evidência seus méritos e obras;
Quantz mostrará aos jovens dedicados à música o que devem fazer para seguir os passos destes homens bem sucedidos em suas carreiras musicais;
Ressalta mais algumas observações que são para promover o bom gosto musical;
Destaca a importância da tradução do tratado para o francês, para que seja conhecido em outros países; O prefácio termina datado de setembro de 1752.
Introdução: As aptidões necessárias para aqueles que desejam se dedicar à música. 21 tópicos;
Conselhos e opiniões sobre a profissão de músico. Temos talento para seguir a profissão? Ou estudamos porque alguém nos disse que seria importante?
Os que se dedicarão profissionalmente à música devem contar que com o tempo obterão destaque; os que não querem seguir a profissão podem encontrar reconhecimento e prazer na leitura do tratado;
Requisitos necessários para ser um bom músico: talento, amor e um bom professor; Ao estudante de música aconselha a dedicação plena aos estudos (reflexão e atenção); Importância do conhecimento musical como um todo: composição, harmonia, etc;
Cuidado com o orgulho, o excesso de autoconfiança pode ser um dos maiores impedimentos para o desenvolvimento de um músico; Tocar flauta não danifica o corpo, no entanto, devemos tomar alguns cuidados: não tocar imediatamente após as refeições e nem tomar bebida fria quando se acaba de tocar.
Tabela 2: Capítulos
Capítulos Características
I - Breve história e descrição da flauta transversal.
19 tópicos;
Informações históricas sobre o desenvolvimento do instrumento, os tipos de flautas existentes e sua manutenção. II - Sobre a maneira de
sustentar a flauta transversal e como colocar os dedos.
9 tópicos;
Instruções sobre a montagem do instrumento, postura, designação das mãos e dedos na flauta, cabeça, posição dos lábios. III - Sobre a digitação ou
disposição dos dedos e a escala na flauta.
12 tópicos;
Informações detalhadas sobre a digitação na flauta, afinação, escalas, questão do temperamento neste instrumento, tabelas de digitação e digitações alternativas.
IV - Sobre a embocadura.
26 tópicos;
Comparação da estrutura da flauta com a da traqueia (existe uma grande relação entre a produção do som na flauta e a produção do som na traqueia): explicação detalhada;
Formação do som através da disposição dos lábios (embocadura); Qualidade sonora, mudanças de registro, respiração e timbre. V - Sobre as notas, seus
valores, o compasso, os
silêncios e outros símbolos utilizados na Música.
27 tópicos;
Explicação das claves de sol, fá e dó, valores das notas musicais, tonalidades, escalas, os tipos de compassos, solfejo, regras quanto à execução, alguns termos em italiano (da capo, bis) e outros símbolos musicais.
VI - Sobre o uso da língua ao tocar a flauta.
Antes das seções, dois tópicos;
Função da língua na articulação, ela é indispensável para a expressão musical e assume o mesmo papel que o arco para o violino; Para que tenhamos uma boa articulação na flauta, é necessário que se pronuncie certas sílabas enquanto assopramos, por exemplo: ti, di, tirí e did’ll. Exemplos de aplicação em diversas situações;
3 seções, a primeira com 13 tópicos, a segunda com 9 e a terceira com 16;
Logo após as três seções, Quantz coloca um acréscimo ao Capítulo 6, em que faz várias observações sobre o uso do fagote e oboé (6 tópicos);
Seção I (Sobre o uso da língua com as sílabas ti ou di): o ti deve ser empregado para atacar notas iguais, rápidas e vivas; o di em melodias lentas, com ataques mais delicados. Exemplos musicais com o emprego destas duas sílabas;
Seção 2 (Sobre o uso da língua com as sílabas tirí). Este tipo de articulação é usado em passagens de movimentos lentos. Faz-se necessário para tocar notas pontuadas (por exemplo, a figura rítmica “colcheia pontuada/semicolcheia”), pois as expressam com mais força e vivacidade. Exemplos musicais com o emprego desta articulação;
Seção 3 (Sobre o uso da língua com o vocábulo did’ll, ou ataque com duplo golpe de língua). A articulação com duplo golpe de
língua é utilizada para as notas que são executadas com grande rapidez. Exemplos musicais com o emprego desta articulação e das outras já mencionadas;
Acréscimo ao Capítulo 6 (Algumas observações para o uso do oboé e do fagote): O fagote e oboé possuem várias características comuns à flauta transversal, com exceção da digitação e embocadura. Os músicos que se dedicam a estes instrumentos podem se beneficiar com as instruções dadas em relação a duas articulações: ti e tirí. Várias outras observações.
VII – Como respirar ao tocar a flauta.
10 tópicos;
Regras aplicadas durante a divisão das frases (respirar nos momentos adequados); Exemplos musicais com demarcações das respirações.
VIII - Sobre as apojaturas e outros pequenos ornamentos essenciais.
19 tópicos;
As apojaturas (do italiano appogiature) são ornamentos necessários;
Sem elas a melodia seria mais simples e seca. São indicadas por notas menores acrescentadas à nota principal; Exemplos musicais com diversos tipos de apojaturas e explicação detalhada de como executá-las;
Pequenos ornamentos: trinados de meio tom, pincé (mordente) e doublé ou grupeto (exemplos e explicação de cada um deles). De acordo com Quantz, os franceses utilizam estes ornamentos para dar lucidez a uma peça. Explicação sobre os battements.
IX - Sobre os trinados.
13 tópicos;
Como as apojaturas, os trinados são indispensáveis. Exemplos de como executá-los (varia de acordo com a peça e velocidade da mesma);
Tabela de digitação para cada trinado. Devemos praticar os trinados diariamente em todas as tonalidades de modo a fazer nossos dedos ganharem agilidade e fluência.
X - Sobre o que um
principiante deve observar em sua prática individual.
23 tópicos;
Quantz aconselha que os estudantes de flauta busquem outras fontes de estudo além de seu tratado, como, por exemplo, um bom professor;
Resumo das recomendações anteriores para que o estudo do instrumento seja efetivo (peças que o estudante pode praticar diariamente, postura, mãos, boca, respiração, solfejo, golpes de língua, dentre outros);
Ressalta a importância de ter todos os princípios que ele desenvolveu nos capítulos anteriores de maneira clara e resumida; Em uma melodia escrita no estilo italiano não se indicam todos os ornamentos, diferente do estilo francês.
XI - Sobre uma boa expressão musical em geral ao cantar ou tocar um instrumento.
21 tópicos;
Relação entre a interpretação musical e a oratória (o orador e o músico têm os mesmos objetivos quanto à composição e rendimento de suas produções);
Características da voz de um orador;
Importância de uma boa interpretação musical (os sentimentos que uma música pode despertar nos ouvintes dependem do compositor e do intérprete): muitas vezes, a composição pode ser arruinada por uma má interpretação e uma composição medíocre pode ser melhorada por uma boa interpretação;
Uma boa interpretação depende de todo o conjunto, não só dos solistas, sejam eles instrumentistas ou cantores;
Características e regras de uma boa interpretação musical, por exemplo, a execução deve ser clara e todas as notas bem afinadas e tocadas no valor correto (exemplos musicais);
A execução deve ser fácil e fluida (a dificuldade não deve ser aparente), dentre muitas outras características; Interpretação de sentimentos que dominam uma peça. Como reconhecê-los?
XII - Sobre a maneira de tocar o Allegro.
27 tópicos;
Os vários tipos de Allegro (Allegro, Allegro Assai, Allegro non presto, Allegro ma non tanto, Allegro moderato, dentre outros); O Allegro se caracteriza por sentimentos de alegria e de vitalidade. Já o Adagio expressa ternura e tristeza;
Tomar muito cuidado com a execução do Allegro, as notas devem ser bem claras e tocadas no valor correto; Colocar bastante atenção na articulação e nos golpes de língua; respirar nos lugares corretos, administrar bem o ar;
Em uma melodia simples devemos ornamentá-la de acordo com o sentimento existente na peça. Características gerais de execução de um Allegro (passo a passo).
XIII - Sobre as
mudanças ou variações
arbitrárias em
intervalos simples.
44 tópicos;
Ornamentos essenciais e improvisação (análise e instruções). Para as variações, Quantz orienta passo a passo como devemos ornamentar uma nota simples e intervalos, sem prejudicar a harmonia da peça;
Tabelas com diversos exemplos e explicações detalhadas de cada figura (em cada uma Quantz exemplifica ornamentações): tomar cuidado com a harmonia, notas principais, interpretação, observar bem o caráter da obra, não cometer exageros em relação ao acréscimo de ornamentos, dentre muitos outros;
Todas as regras descritas por Quantz servirão principalmente para o Adagio, já que, por se tratar de um movimento lento, temos mais tempo para a introdução dos ornamentos e variações.
XIV - Sobre a maneira que se deve tocar o Adagio.
43 tópicos;
Reconhecimento de um bom intérprete a partir de como ele executa um Adagio. Existem duas maneiras diferentes de tocar este movimento: a primeira é a francesa e a segunda italiana. A francesa requer uma expressão nítida e a melodia vem acompanhada de ornamentos essenciais como apojaturas, trinados, mordentes, grupetos, flattements e battements, dentre outros. No estilo italiano, além dos ornamentos essenciais, o intérprete tem a liberdade de improvisar, desde que não afete a harmonia da obra;
Quantz exemplifica os ornamentos em tabelas. Os compositores franceses geralmente escrevem os ornamentos essenciais em suas obras, já os italianos não;
Os vários tipos de Adagio existentes: Cantabile, Arioso, Andante, Andantino, Affetuoso, etc. Ao tocar um Adagio, devemos ter em mente o sentimento que ele evoca e todas as outras características que o envolve, por exemplo, tonalidade, compasso, melodia, harmonia, respiração, ornamentos, dinâmicas (piano e forte), etc;
Tabelas com exemplos de ornamentação num Adagio e explicação detalhada (tabelas XVII, XVIII e XIX): como executar, quais as dinâmicas, duração das notas, dentre outros.
XV - Sobre as
cadências.
36 tópicos;
Como Quantz define cadência; pequeno contexto histórico sobre o seu uso;
Propósito e função das cadências melódicas improvisadas em concertos e obras solo; necessidade de adequá-las de acordo com o sentimento evocado pela peça;
Cuidado com o abuso, quando e como devemos usar uma cadência; estrutura harmônica e cadências a duas vozes; Exemplos de cadências em tabelas.
XVI - Sobre o que um flautista deve observar ao tocar em público.
33 tópicos;
Cuidados necessários para uma apresentação: afinação do instrumento com os demais músicos, condições físicas da sala