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Cccllui de Abreu e Silv.i , l idui N.il.ilui Pobri.inskyi Weber

Regras e auto-regras: um estudo sobre o comportamento de mulheres no

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fatores de complementação, de enriquecimento. Os mais comuns, entre esses fatores, são: maneira de ser, diferenças de opiniões, afazeres, gostos, interesses. No segundo caso, cada parceiro atua, ora como controlador, ora como suplemento do outro.

Neste mesmo sentido, Amélio (2001) ao descrever os princípios que regem a seleção de parceiros cita os princípios da homogamia, da heterogamia e da complementaridade. Os princípios podem funcionar para a escolha de um grupo de atributos, e não funcionar para outro grupo. Por exemplo: pode-se buscar alguém com valores e religião semelhantes, porém, com características físicas diferentes.

Complementando os estudos acerca dos relacionamentos amorosos, Otero e Ingberman (2004) discorrem a respeito de duas etapas da relação amorosa: o namoro e o casamento, e sobre como, com o passar do tempo os problemas podem vir a surgir. A fase do namoro é aquela em que as pessoas explicitam suas melhores idéias, a melhor maneira de ser e de resolver questões divergontes, pois se conquistam visando uma vida futura. Os encontros são mais esporádicos e quase sempre tem por objetivo a recreação, o lazer e o prazer. As diferenças e semelhanças potencialmente conflitantes geralmente não costumam se caracterizar como problemas nessa fase.

Após o tempo de convivência do namoro, e decidirem viver juntos, o aumento do tempo compartilhado permite que os casais revelem suas características individuais, estados de humor, hábitos de vida e preferências pessoais. Beck (1988) diz que casar ou viver junto é bem diverso das demais formas de relacionamento vividas. Para Lazarus (1992), na maioria dos casamentos bem sucedidos as pessoas compartilham liberdade e espaço mútuo, contanto, nem sempre nessa fase desejam as mesmas coisas ao mesmo tempo e da mesma maneira.

Segundo Lazarus (1992), a maioria dos casais se juntam cheios de sonhos e expectativas irreais. Cada cultura, em sua especificidade, transmite conhecimentos, o que alguns autores chamam de mitos relativos aos relacionamentos amorosos (Beck, 1988; Lazarus, 1992, Sternberg, 1991). Com base em alguns estudos Lazarus (1992) e Stemberg (1991) relacionaram uma série de mitos conjugais que representam uma crença errônea que geralmente leva a insatisfação nos relacionamentos.

Alguns mitos descritos por Lazarus (1992) merecem ser citados, pois podem igualmente ser observados na cultura em que nos encontramos inseridos, e também são descritos pela comunidade verbal que nos rodeia, alguns até mesmo em forma de provérbios e ditos populares, tais como: marido e esposa sáo os melhores amigos; o

romantismo do casal faz uma boa relação: uma relação extraconjugal destrói o casamento; marido e esposa devem fazer tudo juntos; é preciso lutar para salvar o casamento; num bom relacionamento, um tem confiança total no outro; um deve fazer o outro feliz num relacionamento; num bom relacionamento um pode descarregar “tudo" um no outro; os bons maridos consertam tudo em casa e as boas esposas fazem limpeza; ter um filho melhora um mau casamento; os que amam de verdade adivinham os pensamentos e sentimentos do outro; um casamento infeliz 6 melhor que um lar desfeito; as pessoas podem transformar o parceiro em uma pessoa melhor; os opostos se atraem e se completam.

Sternberg (1991) também descreve alguns mitos sobre o amor, e diz que as pessoas são influenciadas por estes conhecimentos difundidos popularmente. Multas vezes, diante do fracasso dos relacionamentos culpam a si mesmas, ao Invés de questionar suas premissas básicas. A pesquisa cientifica, segundo este autor, revela que muitas destas idéias sobre amor, que são aceitas como fato, são falhas. E que as pessoas dificilmente comparam a realidade que se apresenta com a Idéia. Neste sentido, há um abismo, entre as expectativas culturais e as circunstancias reais.

De acordo com Sternberg (1991) as pessoas aceitam esses mitos sobre os relacionamentos porque aparentemente fornecem "instruções" sobre como agir (e obter sucesso) nas relações amorosas. Para ele, o primeiro passo para um relacionamento inteligente é verificar a falsidade dos mitos comuns sobre o amor. O autor também cita algumas idéias, transmitidos pela comunidade verbal, que podem ser causadoras de problemas nas relações: o amor conquista tudo; paixSo e sexo são mais importantes no

começo de um relacionamento; a "química“ 6 essencial no relacionamento; os casais devem se amar mais do que amam qualquer outra pessoa.

Os mitos conjugais descritos por Lazarus (1992) e Sternberg (1991) podem, sob a perspectiva da Análise do Comportamento, serem percebidos como exemplos de regras e que transmitidas culturalmente ou formuladas a partir das experiências individuais funcionam como estímulos discriminativos verbais controladores de comportamentos no relacionamento amoroso. Ao ouvir histórias ou observar modelos de interações amorosas, as pessoas passam a agir conforme as contingências descritas pelas regras. Como nem sempre as contingências descritas pelas regras são estáveis, e como muitos de tais ditos populares foram formulados em outra situação histórica e cultural é possível que tais "mitos" levem a problemas por não condizerem à realidade em que estão sendo aplicados.

Segundo Otero e Ingberman (2004) é possível que, com o passar do tempo, as

características que atraíram o casal passem a ser geradoras de conflito, e tornem-se fontes de punições mútuas, privando ambos os parceiros de reforços e expondo-os a estímulos aversivos. Além disso, com o passar do tempo os parceiros tornam-se monos tolerantes com as diversidades do cotidiano, e podem passar a agredir-se ou interagir coercitivamente Otero e Ingberman também descrevem a polarização, ou seja, quando o relacionamento ruim transforma as diferenças em deficiências, fazendo parecer maiores do que realmente são.

Os casais que estão em um relacionamento satisfatório buscam o desenvolvimento da afetividade conjugal e não a excitação romântica, e tem como base a capacidade de negociar, transigir e evitar papéis rígidos. Isso presume um grau de maturidade em que ambos são conscientes que são responsáveis pela construção e preservação da felicidade deles (Lazarus, 1992). Além disso, quando um cônjuge deixa de perceber o outro como uma pessoa única, com direitos, privilégios e destino próprio, as conseqüências são bastante negativas para o relacionamento.

Os relacionamentos amorosos podem influenciar de maneiras positivas ou negativas outros aspectos da vida das pessoas. Kiecolt-Glaser & Newton (2001) realizaram uma revisão em artigos na última década, buscando evidências sobre a relação marital,

sugerindo que o bem estar matrimonial é conseqüência de uma boa saúde, e que aspectos

negativos da interação conjugal influenciam direta e indiretamente a saúde em doenças como depressão, problemas cardíacos, desordens endócrinas, entre outras.

Rochlen e Mahalik (2004) demonstraram que as mulheres que perceberam em seus parceiros aspectos como sucesso, poder e competição em detrimento de

comportamento afetuoso e emotivo obtiveram os escores mais altos nas escalas de

ansiedade e depressão. Neste mesmo sentido, Possati (2002) discorre sobre a associação entre relacionamentos de qualidade e o bem estar psicológico, pois seriam protetores contra eventos estressantes. Por outro lado, situações de conflito nessas áreas podem ter um efeito devastador como evento estressor.

2.1 O papel da mulher no relacionamento amoroso

Para tentar compreender o comportamento de mulheres no relacionamento amoroso toma-se necessário fazer uma breve discussão a respeito da formação de identidade e papel

sexual. Sabe-se que a identidade feminina, bem como o papel da miilhor na sodedade e nas relações que estabelece sofreu grandes transformações nas ultimas décadas.

O movimento feminista, iniciado após a Revolução Francesa, que a principio reivindicava molhores condições do trabalho para as mulheres e direito ao voto, teve grande repercussão om todo o mundo, e os osforços para a construção de uma idontidado feminina e garantir a liberação soxual da mulhor ganham forca a partir da década de 50 (Coelho, 2002) Importantes mudanças ocorrom com a liberação soxual: os meninos oxpressam mais sous sontimontos. deixando transparocer fragilidade, o que era bem diferente nas décadas 50, 60 e 70. Com a pílula anticoncepcional as mulheres passam a ter controle sobro o próprio corpo, as manifostações da sexualidade se transformam. A emancipação feminina possibilita mudanças no amor, casamento bom como nos papéis sociais o na atividado profissional (Benedetto, 2003).

Homons o mulheres não tôm que cumprir papéis sociais o sexuais definidos e estagnados como nas décadas passadas. Novas formas de exprossão estão se desenvolvendo e facilitando os relacionamentos humanos. Em tese, cada pessoa pode fazer suas opções sexuais baseadas em seus próprios princípios, valores e proforèndas (Benedetto 2003). Atualmento, há um processo do democratização das relações pessoais, e o casamento marcado pela dominação masculina vem dando lugar a uma relação fundamentada na amizade e no companheirismo, onde a mulher negocia e reivindica igualdado.

Biasoli-Alves (2000) constata que há uma nova forma da mulher ser considorada. A imagem de ser frágil e necessitado de proteção, sob o domínio dos sentimentos, atuando na intimidade o presa aos cuidados com a prole, ganha outros contornos, fazendo dela um ser om construção, na busca de seu desenvolvimento e realização de potencialidados,

Beauvoir (1980) ao afirmar "ninguém nasce mulher: toma-so mulher” demonstra que há uma construção acerca do papel que a mulher exerce em suas relações. Desta forma, muitas características universalmonte consideradas femininas, tais como passividade, sensibilidade, dependência, sentimento maternal, podem estar relacionadas a valores socialmente transmitidos. Segundo Sant’ Ana (2003) o papel soxual, ou papel de gênero é o conjunto de normas referentes às atitudes, valores, reaçôos emocionais e comportamentos que são considerados apropriados a cada sexo em uma cultura e momonto historicamente determinados. Sob este ponto de vista, as características habitualmento apresentadas por homens e mulhores também não são necessariamente contingentes ao sou sexo biológico. Em suas pesquisas Franchetto, Cavalcanti e Heilbom (1981) demonstram que algumas das características femininas são construções sociais, e por isso mesmo passaram pelas transformações históricas e culturais vivenciadas nas ultimas décadas.

3. Método