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Variabilidade Comportamental e Adaptabilidade:

4. Variabilidade e análise com portamental clinica

Conforme afirmou Donahoe (2003) a seleção prepara o indivíduo para ambientes semelhantes aos que viveu no passado, isto significa que não há garantia de que o que foi selecionado sorá útil se os ambientes futuros forem diforontos. A variação torna-se então a resposta do um organismo às mudanças potenciais do ambiento. Um comportamento podo ser funcional num dotorminado momento da vida de alguém o não ser mais posteriormente; pode servir numa situação e nâo mais em outra; pode produzir certos tipos de reforçadores e não outros que sejam mais necessários em novas condições e assim por diante. Na visão skinneriana, "a variabilidade é fundamental para a existência do homom - um ser suscetível a produzir múltiplas o variáveis formas do ação, um ser criativo o suscetível a mudanças" (Micholotto, 1997, p. 39).

Aposar dosto status, a variabilidade podo não ocorrer mesmo quando as condições a requoiram. Um dos grandes desafios na prática clínica é oncontrar formas de produzir variaçõos ofotivas no repertório apresentado pelo cliente A análiso funcional do comportamento é um importante instrumento quo possibilita ao terapeuta, em conjunto com o sou cliento, sabor o quo mudar, quando mudar, por que mudar e também como mudar.

Muitos fatores podem dificultar ou impedir que as pessoas variem, mesmo em situações em quo variar seja o mais adaptativo. Esta dificuldade pode levar ou manter uma possoa num quadro do sofrimento e sentimento de incapacidade. É muito importanto que terapeuta o clionte estejam cientes destas variáveis.

4.1 Alguns fatores quo dificultam a variabilidade comportamental

A história do reforçamento pode ser um destes aspectos. Os hábitos, por exemplo, indicam classes de respostas que foram inúmeras vezos roforçadas em algumas ou várias situações na vida do uma pessoa, caracterizando-as como fortemente condicionadas. Uma mulher que sempre foi reforçada por ser meiga e carinhosa tom muita dificuldade de mudar sua forma de agir - sentindo-se inclusive culpada - em situações que requeiram uma postura mais agressiva, firmo ou de enfrentamonto.

A punição da variabilidade tambóm contribui para uma estereotipia disfuncional. Tentativas de agir diferentemente podem ter produzido conseqüências dosagradáveis no passado e deixado a pessoa insegura em agir diferente. A punição podo ter origem social. Ter muitas oxperiências em ambientes com restrições severas quanto ao modo de se comportar, inibe o desenvolvimento da variabilidade comportamental. Um exemplo seria um sistema educativo em quo o aluno ó reforçado apenas ao comportar-se exatamente como o esperado. O culto a um padrão idealizado de conduta, dificulta o surgimonto de variações, por vezes necessárias.

Agir conforme um modelo significativo também pode estreitar o espectro de variabilidade. Por exemplo, um estudante de psicologia aprende a fazer ontrevista clinica baseado apenas em um único modelo de atendimento, sendo reforçado diferencialmente por segui-lo e/ou punido por não sogui-lo. Em situações em que este modelo não for o mais adequado, o aluno podo nào apresentar uma variação dosejada.

Quando o controle do comportamento por seguimento de regras impede uma pessoa do mudar seu comportamento mesmo quo haja demanda das contingências em vigor, temos um fenômeno chamado de insensibilidade às contingências (Catania, 1998). O controle da regra pode ter origem social, denominado de aquiescência (do inglês piiance) ou através do contato direto com a contingência, denominado de rastreamento (do inglês tracking). Na clinica são encontradas diversas situações em que o seguimento de regras impede o cliente de agir de uma forma mais ofotiva. Uma pessoa pode estar num casamento infeliz, sem a minima perspectiva de mudança após anos de tentativas, ter autonomia financeira, mas assim mesmo se esquivar de tomar atitudes que lhes permita desfazer-se desta união. Rogras do tipo "separação é sinal do incompetência", “quem se separa não vai para o céu", "possoa separada não consegue ser feliz depois" e assim por diante, exercem um forte controle comportamontal o estabelecem uma insensibilidade às contingências.

Variáveis motivacionais também dificultam o processo de mudança. As vozes

uma pessoa so queixa para o terapeuta da condição em que se encontra. Em concordância com o cliente, são identificadas alternativas para mudar esta condição, mas o mesmo não se engaja em nenhuma delas. Embora existam condições aversivas prosentes na situação atual, as condições reforçadores exercem controle mais eficaz, principalmente quando os reforçadoros positivos envolvidos não foram ou não são facilmente obtidos de outro modo. A relação beneficio/custo de resposta para mudança ó outra variável que pode ajudar a manter as coisas como estão. Os reforçadores obtidos não compensariam o esforço para obtê-lo.

Há tambóm o caso do pessoas que tiveram pouco treino em variabilidado no decorrer do suas vidas. Contingências favorecendo a ostorootipia foram predominantes

e dificultaram o desenvolvimento de habilidades criativas e inovadoras, Alguns clientes revelam-se muito hábeis em seguir ou executar o que já existe e grande dificuldade em apresentar inovações. Estudos que comparam variação ou repetição nas linhas de base, mostram que o contato inicial com a variação favorece a sua apresentação no futuro. Um clínico pode sinalizar novos comportamentos a serem emitidos pelo seu cliente, sem se deparar com o fato do que não há o mínimo treino om comportar-se desta forma ou de um modo semelhante.

4.2 O que pode ser feito?

Ajudar o cliente a produzir mudanças efetivas ó um dos grandes desafios encontrados na clinica. Após a realização de análises funcionais relevantes junto ao seu cliente, são lançados recursos na tentativa de favorecer a aquisição de novos repertórios. Esta análise permite quo o cliente fique sob controle de novas regras quo irão fazô-lo agir de forma diferenciada em sua vida, produzindo novas contingências e conseqüentemente novos comportamentos.

Outra estratégia inclui a inserçào em contextos que favorecem o desenvolvimento de repertórios variados, ou seja, que reforcem a variação. Algumas atividades artísticas, musicais, esportivas, sociais, de lazer ou mesmo profissionais, requerem comportamentos diferentes a todo instante. Ficar mais tempo nestes ambientes permitiria modelar naturalmente a variabilidado.

Estratégias para o enfraquecimento de regras que impeçam a variação também são um importante recurso. O uso de metáforas, como amplamente sinalizado pela ACT (Hayes, Strosahl & Wilson, 1999) mostra-se como uma alternativa eficaz. A análise funcional das regras (origem, manutenção e perspectivas futuras) também auxilia na emissão de novos comportamentos e exposição a novas contingências.

A instrução para comportar-se diferentemente também é um recurso comumente encontrado na prática clínica e capaz de induzir mudanças (e.g. Hopkinson & Neuringer, 2003). Ressalta-se que as instruções sâo mais úteis quando as contingências são complexas, imprecisas ou aversivas (Meyer, 2005). Deve haver cuidado para que a própria instrução seja apresentada de forma que não favoreça a insensibilidade às contingências - como por exemplo, variar em situações em que comportar-se estereotipadamente seria o mais indicado.

Os recursos provenientes da interação terapeuta-cliente também são um poderoso instrumento de produção de variabilidade. Clientes que apresentam formas estereotipadas de falar, raciocinar, resolver problemas, etc, podem ser diferencialmente reforçados na sessão quando emitirem novos repertórios.

Não se pode esquecer que a extinção também é efetiva na produção de variabilidade, embora seja limitada na manutenção da mesma e na produção da alta variabilidade. Isto pode ocorrer naturalmente na vida do cliente e também pode ser apresentada pelo terapeuta - não atenção, não concordância - como recurso que amplie a diversidade para um reforço diferencial posterior.

A restrição da tarefa também pode produzir variabilidade (Stokes, 2001). Um exemplo da clínica é obtido quando se sinaliza para o cliente que o mesmo está num beco sem saída. Na ACT isto é conhecido como desamparo criativo e favorece a variação adaptativa.

Os recursos para o produção da variabilidade comportamental na clínica podem

ser inúmeros. A própria prática terapêutica já é, em si mesma, uma boa contingência que requer comportamentos variados do profissional para solucionar os mais diversos tipos de problemas com que se depara.

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Capítulo 6

A análise do comportamento no