1. CAPÍTULO 1: A EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS DO MUNICÍPIO DE
1.1. A EDH na rede municipal de ensino de São Paulo
1.1.5. Centros de Educação em Direitos Humanos (CEDHs)
O Centro de Educação em Direitos Humanos (CEDH) foi um projeto realizado de forma conjunta pela SMDHC e SME, com financiamento da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). Esse projeto contou ainda com a participação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) na discussão sobre os territórios onde os centros seriam implementados.
Os CEDHs são pólos permanentes de trabalho e difusão da EDH, desenvolvidos com a finalidade de aproximar a escola e a comunidade através de ações voltadas para a formação de gestores(as), educadores(as) e disseminadores(as) em direitos humanos, além do desenvolvimento de materiais didáticos e atividades voltadas ao tema.
36 Abertos a toda a população, os CEDHS foram implementados em quatro Centros de Educação Unificados (CEUs), abrangendo todas as macrorregiões de São Paulo: Zona Leste (CEU São Rafael), Zona Norte (CEU Jardim Paulistano), Zona Oeste (CEU Pêra- marmelo) e Zona Sul (CEU Casablanca).
A escolha do CEU como instituição local para a implementação do projeto se deu porque nele funcionam três escolas: um Centro de Educação Infantil (CEI) para crianças de 0 a 3 anos; uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) para crianças de 4 e 5 anos; uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) para alunos(as) até o 9º ano; e Educação para Jovens e Adultos (EJA). Além da educação formal, os CEUS incluem também a educação informal e é capaz de reunir um amplo espectro de pessoas, faixas etárias e diferentes níveis de formação, além de uma grande diversidade de profissionais da educação.
A escolha dos CEUS que passariam a fazer parte do projeto passou pelos seguintes critérios: afinidade com a temática de direitos humanos; interesse da equipe educacional e gestora em trabalhar com a comunidade; instalações físicas adequadas ao desenvolvimento de novas atividades em EDH, como bibliotecas com acervo de direitos humanos; localização em territórios onde já estivessem sendo desenvolvidas ações da SMDHC; e ser equipamento de referência na região. Além disso, foi realizado um estudo prévio sobre os grandes temas e desafios de direitos humanos em cada território, identificando as principais questões em cada localidade (APRENDIZ, 2016).
Também passaram a integrar os CEDHs, duas “escolas satélites” em cada território. Além de fazerem parte da mesma DRE relativa a cada CEU onde o projeto estava sendo implementado, uma delas já deveria estar desenvolvendo projetos em EDH, enquanto a outra deveria ser uma escola com pouca adesão aos direitos humanos e que estivesse localizada em um território de maior vulnerabilidade socioeconômica e cultural. Assim, foram definidos os quatro CEUs e as 20 unidades escolares participantes do projeto. Essas escolas acabaram se tornando projetos pilotos da política de EDH voltada para a rede municipal de ensino em São Paulo, pois foram nelas que o “Respeitar é Preciso!” foi implementado.
Veja na figura abaixo (figura 1) a localização de cada um dos CEDHs e as escolas participantes do projeto:
37 Figura 1 - Centros de Educação em Direitos Humanos
Figura retirada do portal EDH: http://portaledh.educapx.com/ (acesso em 25/05/2017)
A gestão dos CEDHs foi realizada pela “Associação Cidade Escola Aprendiz”21, ONG contratada pela CEDH-SMDHC para desempenhar essa função. O projeto dos CEDHs talvez tenha sido o mais complexo dentre aqueles que compuseram a política de EDH em São Paulo durante a gestão Haddad, pois envolveu diferentes e inúmeros atores em seu processo de construção e implementação. O organograma abaixo (figura 2) busca ilustrar seu arranjo de gestão e cada ator envolvido nesse processo.
21A Cidade Escola Aprendiz é uma Organização da Sociedade Civil que há 20 anos contribui para a promoção dos direitos humanos por meio da promoção de experiências e políticas públicas orientadas por uma perspectiva integral da educação. Atuante em diversas cidades do país, a ONG desenvolve conteúdos metodológicos, dissemina experiências, realiza formações para gestores(as) públicos(as), educadores(as) e lideranças sociais, e contribui para a modelagem e implementação de políticas públicas de EDH.
38 Figura 2 - Organograma de Gestão dos CEDHs
Figura retirada da publicação “Centros de Educação em direitos humanos da cidade de São Paulo: territórios, educação e cidadania”, p.31, produzido pela Associação Cidade Escola Aprendiz (2016).
Como pode ser visto acima a gestão local de cada CEDH era compartilhada entre um representante da Diretoria Regional de Ensino (DRE), um representante do CEU e equipe técnica formada pela gestora do projeto (representante da “Associação Cidade Escola Aprendiz”), articuladores(as) (contratados(s) pela “Associação Cidade Escola Aprendiz”), Coordenação de Educação e educadores(as); e a Coordenação das atividades de campo, realizada pela “Associação Cidade Escola Aprendiz” e Instituto Vladimir Herzog (APRENDIZ, 2016).
Duas marcas importantes dos CEDHs é que esses reuniram comunidades locais e unidades escolares e refletiram as necessidades dos territórios onde foram implementados. Sobre isso, Paula Patrone, coordenadora-executiva institucional da “Associação Cidade Escola Aprendiz”, afirma que “o CEDH é uma experiência muito interessante porque ela não é uma experiência de educação em direitos humanos para a escola, dentro da escola. É uma experiência que busca colocar a engrenagem do território em funcionamento, integrando escola e território, integrando uma agenda que já existe
39 em direitos humanos – visíveis e invisíveis – com a escola; busca disseminar os direitos humanos enquanto valor, mas também enquanto prática.” (APRENDIZ, 2016, p. 39). Entre 2013 e 2016, foram diversas as atividades desenvolvidas nos CEDHs, dentre elas a formação em direitos humanos por meio de cursos, seminários, palestras e oficinas direcionadas à comunidade escolar, agentes públicos(as) e lideranças locais; articulação territorial a fim de engajar escolas, órgãos públicos da rede de proteção integral, lideranças comunitárias e organizações que atuam na região; apoio às escolas dos CEUs para a inclusão de direitos humanos em seus PPPs; produção e disseminação de conhecimentos sobre EDH através da produção de cartilhas e materiais sobre direitos humanos voltados para os territórios, assim como a sistematização de formações e intercâmbio de experiências que obtiveram sucesso.
1.2. Formação da Guarda Civil Metropolitana em direitos humanos e mediação de