38 2.1 CISTERNAS DE PLACA
2.2 CISTERNA DE PLACA CALÇADÃO
Maria Virginia de Almeida Aguiar Olimpio Arroxellas Galvão Neto A cisterna de placa calçadão é uma tecnologia voltada ao armazenamento de água para a irrigação de quintais produtivos, plantas frutíferas, hortaliças e plantas medicinais e criação de animais. O calçadão serve para a secagem de grãos que não sejam para o consumo humano. Possui capacidade de armazenar 52 m³, sendo que a área de
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captação é um calçadão construído sobre o solo. Fica localizada na parte mais baixa do terreno, para que a chuva que cai no calçadão escoe até a cisterna.
2.2.1. Aspectos Gerais
Hoje existem dois principais tipos de cisterna de placas: a cisterna com capacidade de 16 m³ que foi conceituada e caracterizada no tópico anterior, que tem como finalidade o armazenamento de água para o consumo humano; já a cisterna com capacidade de 52 m³ que promove um armazenamento de água para a produção de alimentos e a criação de animais, tem localização no terreno diferente da anterior.
Deve-se entender que a água não é um bem de consumo, é direito humano básico humano e, ao mesmo tempo, de extrema importância para vida e insumo para a produção de alimentos. A tecnologia de cisterna de placa calçadão tem foco na produção, visando fortalecer e melhorar a convivência com o semiárido brasileiro. Tal tecnologia dialoga com os princípios agroecológicos, de produção sustentável e de uma vida mais digna e justa para o homem do campo. Dentro dessa perspectiva é que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), a Diaconia Sociedade Civil de Ação Social e outros agentes adotam essa tecnologia. A ASA possui o Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semiárido, e dentro desse programa existem duas ações: a Programa um milhão de cisternas (P1MC) que visa beneficiar cerca de cinco milhões de pessoas através da construção das cisternas de 16 m³ e o Programa uma terra e duas águas (P1+2), no qual uma água é para o consumo humano e a outra é para a subsistência e produção. Dentre as tecnologias aplicadas que a P1+2 trabalha para a captação de água destinada a produção de alimentos, a cisterna de placas calçadão é uma delas. O MDS, através da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), financia a construção de tecnologias sociais de captação de chuvas, firmando parcerias com governos estaduais, municipais e também com algumas ONG. Dentro do programa Água para Todos do Governo Federal, a Sesan possui três iniciativas: Primeira Água, Segunda Água e Cisternas nas Escolas. A Segunda Água traz as tecnologias destinadas para a produção de alimentos e criação de animais, no qual a cisterna de placas calçadão é uma delas. A Diaconia também trabalha com a cisterna de placas calçadão, dentro do seu
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Programa de Apoio à Agricultura Familiar (PAAF) e algumas das suas ações são correlacionadas com os programas da ASA, atuando como gestora executora da P1MC e P1+2 de algumas áreas.
2.2.2. Detalhamento Técnico
A captação da água da cisterna calçadão é feita através de um calçadão de cimento de aproximadamente 200 m², o que propicia que com apenas 300 mm de água da chuva encham a cisterna de 52 m³. O sistema de construção desta cisterna é semelhante ao da cisterna de placa de 16 m³, tendo como diferencial apenas uma maior capacidade de acumular água e o calçadão. A cisterna de placa calçadão é utilizada para sistema de produção ao redor da casa, como quintais produtivos, cultivos de hortaliças e frutas, plantas medicinais e criação de pequenos animais” (ARTICULAÇÃO NO SEMIÁRIDO, 2008a). O tamanho do calçadão foi planejado para prover o enchimento da cisterna calçadão mesmo nos anos que a média pluviométrica seja baixa, sendo possível que a cisterna obtenha a sua capacidade total de armazenamento até com 350 mm de chuva. O calçadão ainda serve para secagem de alimentos como feijão e cascas, que após passados pela forrageira servem de suprimento para os animais (ARTICULAÇÃO NO SEMIÁRIDO, 2012b).
A cisterna deve ser localizada em um espaço plano, próximo à área de produção, com uma distância média de 50 m de árvores, preferencialmente com uma declividade de no mínimo 20 cm, ficando o reservatório na parte mais baixa. O calçadão é retangular com declividades mínima de 20 cm dos dois lados. O buraco deve ser cavado com 7 m de diâmetro e 1,70 m de profundidade. (DIACONIA, s/a).
2.2.3. Vantagens e Limitações
A variabilidade de tecnologias sociais para captação de água das chuvas serve para melhor atender as especificidades das famílias e suas propriedades do semiárido brasileiro. A cisterna de placas calçadão potencializa a produção de alimentos e criação de animais da propriedade, já que por sua vez tem uma maior capacidade de captação e armazenamento de água em comparação a cisterna de placas de 16 m³, permitindo a produção até nas épocas de estiagem. Porém a sua
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construção é mais cara e demora um pouco mais do que a cisterna de placas. É inviável construir a cisterna de placas calçadão em pequenas propriedades, já que ela precisa de uma área relativamente grande para sua implantação. Além disso, a água armazenada não é indicada para o consumo humano, apenas para a irrigação e criação de animais.
2.2.4. Onde encontrar maiores informações
No site da Articulação do Semiárido (ASA) há textos e artigos: http://www.asabrasil.org.br/
Já no site da ONG Diaconia há estudos: http://www.diaconia.org.br/ O passo-a-passo da construção da cisterna de placas calçadão pode ser encontrado no: http://www.youtube.com/watch?v=6BXSjXwvCkE
Referências
Articulação do Semiárido – ASA, Segurança no semiárido. Disponível em: <http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_MENU=115 0>. Acesso em: 30 jan. 2014.
DIACONIA, CONVIVENDO COM O SEMI-ÁRIDO Construção da Cisterna Calçadão 52.000 litros Série Compartilhando Experiências Nº 5 Programa de Apoio à Agricultura Familiar – PAAF Abril de 2008
JALFIM, F. T.; FARIAS JÚNIOR, M.; BUSTAMANTE, Y. R.; FERNANDES, A. C.; RIBEIRO, O.; MONTEIRO NETO, L.; ELIEZES NETO, J.; PAIVA, I.;
BLACKBURN, D. M.; LIMA, M. de S.; ÁVILA, J. I. de S. L.. Cisterna de placas “calçadão”: uma alternativa para a captação e armazenamento da água de chuva de escoamento no nível do solo. Recife: Diaconia, 2013. LEAL, A. K. T. B. N.. Cisterna de Placa: Uma Tecnologia Social para a Convivência com o Semiárido.
Ministério de Desenvolviemnto Social – MDS. Programa 1 milhão de cisternas. Disponível em:
<http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/programa-
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Ministério de Desenvolviemnto Social – MDS. Segurança alimentar. Disponível em: <http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/programa- cisternas>. Acesso em: 29 jan.2014.