As questões relacionadas com este objetivo específico dão respostas que possibilitam a elaboração de categorias de análise, como o “Conhecimento Profissional” que é considerado um recurso tangível. De outro lado, a “Infraestrutura e Conhecimento Técnico Complementar” e o “Desenvolvimento e Aprimoramento dos Serviços para Demandas Específicas”, atributos desenvolvidos a partir dos recursos e capacidades adquiridas pela empresa, mediante ao apoio do INMETRO e do DENATRAN.
Em um competitivo cenário do ambiente de negócios determina a freqüente e crescente mudança em todas as indústrias e setores. A organização tem o privilégio, pois ela “ganha” a preferência do consumidor, quase sempre identificando, criando e entregando o real valor aos clientes. Para o entrevistado:
“A competência do quadro de pessoal e a localização da empresa não animam a concorrência, também em Foz do Iguaçu há um número não muito expressivo de veículos na região, não sendo viável financeiramente a entrada de novos concorrentes no mesmo ramo do negócio. [...] toda empresa de inspeção veicular trabalha dentro das normas do INMETRO e do DENATRAN”.
Para Barney (1991), os recursos e as capacidades desenvolvidas e controladas pela organização é a visão baseada em recursos (VBR), que considera as características internas da organização como responsáveis pelo desempenho superior, ou seja, a vantagem competitiva, vantagem esta que está na combinação e na melhor utilização de seus recursos.
A visão baseada em recursos (VBR) auxilia a organização a definir suas estratégias através do questionamento de quais recursos devem ser diferenciados. É necessário saber quais recursos são necessários para desenvolver para atingir a diversificação, em quais marcados ingressar e em qual seqüência desenvolver os recursos (WERNERFELT, 1984).
Para Kretzer e Menezes (2006), VBR é explicar a criação, a manutenção e a renovação da vantagem competitiva no que se refere aos recursos internos da empresa, ainda para os autores, é uma perspectiva que considera as competências, as capacidades e habilidades como sendo à base de conhecimento produtivo e organizacional, a fonte mais importante da vantagem competitiva, da heterogeneidade e do retorno (lucratividade) das empresas ao longo prazo ou ao longo da vida.
Já para os autores Johnson, Scholes e Whittington (2007), consideram que as capacidades são habilidades de uma determinada empresa em gerir seus recursos e competências, com o objetivo de sobreviver e prosperar.
Para Barney e Hesterly (2007), destaca que existem dois tipos de vantagens competitivas a temporária e a sustentável, para os autores, a vantagem competitiva temporária é a que persiste por um período de tempo curto, já uma vantagem competitiva sustentável pode durar um período de tempo um pouco maior.
Em relatos do entrevistado pode-se perceber que são destacados os atributos como diferenciação no serviço prestado, qualidade no serviço, precisão no acabamento, agilidade no atendimento, que para ele é considerado fatores determinantes para compor o portfólio de serviços.
O gestor relata que a empresa de inspeção veicular de Foz do Iguaçu, não possui concorrentes diretos e os recursos e as capacidades são controladas apenas por sua empresa, conforme relatos do entrevistado:
“Como não temos concorrentes diretos, a concorrência é a empresa com ela mesma, devemos e temos que cumprir com nossos escopos e fazer as coisas certas, inibindo os concorrentes. [...] e para não levarmos advertências do INMETRO que chegam a ser de 30/60/90 dias e uma suspensão do DENARAN”.
Peteraf e Barney (2003) destacam que a criação do valor criado por uma empresa é a criação do valor econômico, ao ofertar determinado bem ou serviço, tendo elas diferenças percebidas pelo comprador, refletidos no preço que eles estão dispostos a pagar, e os custos da empresa para produzir o mesmo bem ou serviço.
Conforme apresentado no relato do entrevistado, um elemento do ambiente geral de uma empresa são as condições legais e políticas que se referem ao impacto das leis do sistema legal nos negócios, juntamente com a natureza geral do relacionamento entre as empresas e o governo (BARNEY e HESTERLY, 2007).
Dentro da empresa a estrutura administrativa, as políticas e os processos adotados dão suporte à exploração produtiva dos recursos e capacidades. Sendo elas mencionadas durante a entrevista com o gestor, que são elas:
“A estrutura administrativa é bem enxuta, mas atende as necessidades dos funcionários e clientes. Periodicamente são revistos métodos e procedimentos na busca das melhorias, condições de trabalho e atendimento ao publico. [...] temos suporte para nossa organização cumprir as normas exigidas por leis, melhorando nossos profissionais e suas áreas de trabalho e suas áreas específicas de trabalho. [...] sempre os capacitando cada dia mais, para terem orgulho do que fazem e fazerem parte da organização INSPEFOZ”.
Os autores Peteraf e Barney (2003), ainda relatam que esses valores podem ser aumentados, oferecendo maiores benefícios para os compradores ou reduzindo os custos para produzi-los, ou ambos.
Com a obrigatoriedade das inspeções veicular no Brasil, a empresa INSPEFOZ, não deve ficar de olho exclusivamente no ambiente geral ligado a parte apenas administrativa da empresa, mais também estar atualizada constantemente na parte ambiental da empresa, os riscos que as inspeções trazem ao meio ambiente, podemos verificar essas informações na entrevista com o gestor que argumentou os seguintes pontos:
“Dentro da nossa empresa o trabalho de inspeção dos veículos, é realizado dentro das normas do INMETRO/DENATRAN. [...] estamos atuando para reduzir os números de poluentes emitidos pelos veículos, como: o nível de ruídos, análise de gases, opacidade emitido pelo veículo, [...] os mesmos atendem aos limites máximos [...] tornando cada vez mais rigoroso as verificações de estabelecidas pelas resoluções do CONAMA (Ministério do Nacional do Meio Ambiente), garantindo assim, a segurança para os clientes e o cuidado com do meio ambiente”.
Dentro da empresa nada acontece sem estar estabelecido na lei, o trabalho do conselho CONAMA inclui medidas para assegurar a proteção ambiental no Brasil, reconhecendo a necessidade de impor limites à intervenção econômica e a adoção de uma conduta mais equilibrada perante a natureza, tendo em vista que cada indivíduo se torna responsável pelos impactos que produz ao meio ambiente.
A inspeção veicular no Brasil trata-se de uma medida impopular, pois gera taxas e tarifas, além do obrigatório gasto com a manutenção do veículo. Envolve equipamentos caros, aferição constante e contratação de mão de obra especializada, assunto que causa bastante preocupação para os concorrentes.
A inspeção veicular é um procedimento mais profundo em relação à análise do carro, realizada obrigatoriamente por um engenheiro registrado, onde este profissional testa o funcionamento do carro através de maquinas e aparelhos específicos. A inspeção é procedimento burocrático de regularização, analisando se há modificações no carro em relação à configuração de fabrica, realizada por um profissional do INMETRO, determinando se o procedimento está mecanicamente bem realizado e não oferece riscos para o trânsito.
Com estes recursos a empresa também precisa ter a capacidade ou habilidade de se adequar para alcançar uma condição distinta e desejada pelo setor. Confirmando essas afirmações Helfat e Peteraf (2003) afirmam que as capacidades correspondem ao conjunto de habilidades essenciais, para a coordenação e alocação dos recursos necessários para o comprimento de tarefas e implementação estratégica da empresa. A principal habilidade por parte da empresa é coordenar a utilização de recursos de modo a alcançar os objetivos por ela estabelecidos.
Para outros autores nem todo recurso ou capacidade de uma organização pode ser considerada fonte de vantagem competitiva sustentável, para isso ela deve atender como relata os autores Barney e Clark (2007) a quatro critérios para ser considerada como fonte superior ou estratégica que são as seguintes: ser valioso, raro, custoso de imitar e intrínseco a organização, sendo preparada para explora-los de maneira eficaz e eficiente.
E ainda relatam para que a empresa obtenha uma vantagem competitiva sustentável, não basta que a mesma possua recursos ou capacidades valiosas, raras ou custosas de imitar, é fundamental que a organização trabalhe para que tais recursos e capacidades obtenham o máximo de vantagem.
Os recursos que obtêm são valiosos, pois segundo Barney e Clark (2007) ela explora a necessidade e neutraliza as ameaças já para Barney (1991) ela é valiosa, pois satisfaz as necessidades dos clientes.
O modelo VRIO (Valores, Raridade, Imitabilidade e Organização) gera dentro da empresa INSPEFOZ uma vantagem competitiva temporária, sendo a principal ferramenta para se conduzir a análise interna da empresa (Barney e Clark, 2007). A análise realizada pelos acadêmicos foram as seguintes (QUADRO 04):
QUADRO 04: RECURSOS VRIO: VALIOSO, RARO, IMITÁVEL E ORGANIZAÇÃO
Recursos Tangíveis
Recurso Valor Raridade Imitabilidade Organização Implicações Competitivas Instalações:
Estrutura Física da Empresa
Sim Não Não Não Igualdade
Competitiva
Pessoal: Recurso Humano
Sim Sim Não Sim Vantagem
Competitiva Temporária Clientes: Recursos Sim Não Sim Sim Vantagem
Competitiva Temporária Materiais: Bens e
Serviços
Sim Sim Sim Sim Vantagem
Competitiva Recursos Intangíveis
Informações: Diagnóstico do
Mercado
Sim Não Sim Sim Vantagem
Competitiva Sustentável Sistemas: Rotinas e
Procedimentos
Sim Sim Não Sim Vantagem
Competitiva Experiência: Valor
da Organização
Sim Não Sim Sim Vantagem
Competitiva Sustentável Relacionamento:
Parcerias
Sim Não Sim Sim Vantagem
Competitiva Sustentável
FONTE: Elaborada pelos autores (2017).
A empresa possui um recurso raro, pois ela obtém uma vantagem competitiva sustentável, ou seja, o recurso raro é porque ela é a única no mercado de Foz do Iguaçu, e segundo Barney (1991), para ser raro ela deve ser possuída por uma empresa ou por muito poucas delas, sendo utilizada por um número pequeno de concorrentes, este tenderá a se tornar uma fonte de vantagem competitiva.
Dentro dos recursos imitáveis podemos perceber que entra como um recurso temporário para a empresa, pois segundo Barney (1991) os concorrentes se deparam com uma desvantagem de custo para obtê-la ou para desenvolvê-la. Barney e Clark (2007) a empresa para não ser imitável deve estar ligada a um, ou uma combinação de três fatores: (a) condições históricas únicas; (b) ambiguidade causal e (c) complexidade social.
Já na questão da organização, a empresa possui sim uma vantagem temporária, pois a empresa não basta possuir recursos ou capacidades valiosas, raros ou imitáveis para obter
vantagem competitiva é preciso e fundamental que organize seus recursos e capacidades para obter isso segundo Barney e Hesterly (2007). Para Knott (2009) se a empresa não estiver organizada para esta exploração seus recursos e capacidades poderão perder a oportunidade de mercado para os concorrentes com relação aos produtos e serviços prestados. O quadromostra os atributos existentes na empresa INSPEFOZ.
Apesar da infraestrutura disponível oferecida pela INSPEFOZ conter os atributos de valor e raridade, de uma maneira geral o entrevistado relata que este é um serviço/recurso imitável, por novas organizações que querem entrar no mercado.
Demonstrando grande convergência na prática da empresa, assim destacou-se na entrevista que atributos como a diferenciação no serviço prestado, qualidade nos serviços, precisão e soluções nas inspeções e agilidade no atendimento, são considerados fatores determinantes para compor o portfólio de produto e serviços de valor agregado ofertado aos seus clientes. Categorização dos recursos estratégicos adotados na pesquisa de campo (QUADROS 05 e 06):
QUADRO 05: CATEGORIZAÇÃO DOS RECURSOS ESTRATÉGICOS: TANGÍVEIS
Categorias dos Recursos Estratégicos Descrição
Tangíveis
Instalações
Estrutura física da empresa tais como: ● Máquinas,
● Equipamentos, ● Mobiliário Interno, e ● Localização.
Pessoal
Recursos humanos responsáveis por executar, manter e gerenciar a empresa que são:
● Diretor Geral, ● Advogado,
● Gestor da Qualidade,
● Gerente e Auxiliar Administrativo, ● Responsável Técnico e Substituto, ● Inspetor e Auxiliar Técnico, e ● Serviços Gerias.
Clientes
Clientes externos são os destinatários dos serviços, sendo considerado um recurso, pois é a parte integrante do sistema de operação.
Matérias
Bens e serviços consumidos no processo de inspeção e oferecidos como parte do pacote de valor. Isto inclui matérias que são transformados pelo processo, advindo dos clientes ou fornecedores externos.
QUADRO 06: CATEGORIZAÇÃO DOS RECURSOS ESTRATÉGICOS: INTANGÍVEIS
Categorias dos Recursos Estratégicos Descrição
Intangíveis
Informações
Recursos de informação que podem vir dos clientes ou outras fontes do ambiente externo ou interno que são: ● Banco de Dados dos Clientes,
● Informações do Mercado.
Sistemas
As Rotinas e os procedimentos que são documentadas e que dependem do conhecimento, habilidades e informações para funcionar dentro da empresa, que são:
● Software,
● Critérios do CGCRE, ABNT e IBAMA, ● Certificações ISO, INMETRO e DENATRAN, ● Resoluções do CONAMA e CREA.
Experiência
Inclui o valor da organização, como o conhecimento que não é documentado na forma de sistemas e que vem sendo desenvolvido ao longo do tempo.
Relacionamentos
A reputação da empresa no mercado de inspeção, que inclui parcerias com relação ao:
● Governo e MERCOSUL, ● Certificações e Resoluções, ● Novas Tecnologias, ● Estrutura Organizacional,
● Acesso as Novas Competências; e ● Agregar o Valor ao Negócio. FONTE: Elaborado pelos autores (2017).