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Conceitos de Redes, Clusters e Parcerias

A NÁLISE DE R EDES

3.2. Conceitos de Redes, Clusters e Parcerias

A revolução das tecnologias de informação na década de 90 teve um efeito significativo na teoria organizacional, com o gradual desaparecimento da barreira de custos relacionados com a distância física e com a informação, emergiram novas estruturas organizacionais baseadas em novos modelos de gestão, caracterizados por um sistema dinâmico interactivo de ideias, actividades e organizações (instituições, empresas, pessoas, etc.). A natureza das formas de trabalho na era da informação, as alterações ao nível do comportamento social, a importância das novas tecnologias no crescimento de estruturas sociais e o

processo de globalização mundial, incorporam os principais factores para o aparecimento das organizações virtuais (Malhotra, 2000).

Hall e Johnson (1998) apresentam uma distinção de relações mais complexa que pode assumir 4 tipos, (1) ligação didáctica – duas organizações consideram que podem ter benefícios mútuos através da definição de objectivos comuns, (2) conjunto de organizações – um cluster de ligações didácticas em volta de uma organização comum, (3) conjunto de acções – interacção de organizações que desenvolvem um trabalho comum para atingir um objectivo específico e (4) redes – um grupo formal de organizações com ligações estruturadas e organizadas associadas a um sistema inter-organizacional.

Segundo Powell (citado em Hall, Johnson e Mitchell, 2000) uma interpretação básica de uma rede de relações verifica-se no facto de diferentes partes dependerem de recursos controlados por outros e existem ganhos na utilização desses recursos. Numa rede os agentes individuais não existem por eles próprios mas sim na relação com os outros agentes, essa relação requer um esforço considerável na estabilidade e na sustentabilidade, de modo a adaptar os diferentes parceiros em função de alterações. Benefícios e problemas devem ser partilhados no seio da rede onde a complementaridade e organização são as bases para o sucesso da implementação de redes.

Segundo Porter (1998) os clusters são uma forma de organização de indústria que, com o tempo, assumem características únicas. Um cluster é, então, um conjunto de organizações duma região com actividades interdependentes na mesma indústria. Os factores que estão na base do aparecimento dos clusters são, as características da procura, empresas confrontadas com desafios pontuais que necessitam de ser satisfeitos, existência de uma indústria relacionada que fomente e crie novas oportunidades de negócios, um pequeno número de empresas excepcionalmente dinâmicas com condições muito específicas, e por uma questão de sorte (acaso) que localize uma determinada indústria num local específico. A forma como os clusters se desenvolvem depende da rivalidade gerada internamente, ou seja, maiores investimentos em marketing levam ao crescimento de mercado, a uma diminuição dos preços, visando o aumento da quota de mercado, leva ao crescimento do mercado, o mercado torna-se mais exigente, criando desafios mais complexos às empresas, etc.

Especificamente para a actividade do turismo Porter (1990) refere que a qualidade da experiência do visitante depende, não só da atractividade dos recursos primários e mais fortes, mas também da qualidade e eficiência dos serviços complementares, tais como hotéis, restaurantes, lojas comerciais, serviços de transporte, etc., considerando ainda que os membros de um cluster são complementarmente dependentes. Um bom serviço prestado por parte de um elemento pode incrementar o sucesso dos restantes agentes.

O conceito de cluster foca as relações e as interligações entre os agentes da cadeia de valor na produção de produtos, serviços e inovação, os clusters diferem de outras formas de cooperação e de redes na medida em que os agentes se encontram ligados a essa cadeia de valor. Este conceito extravasa as simples redes horizontais nas quais as empresas pertencem ao mesmo sector de produção e operam no mesmo mercado de produtos, cooperam ao nível da partilha de I&D, programas de demonstração, marketing colectivo ou centrais de compras. Um cluster assume uma função mais inter-sectorial (vertical e/ou lateral), concretizada por empresas concorrentes e complementares especializadas nas várias funções que compõem a cadeia de valor de cada produto (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico [OCDE], 1999).

Alguns autores estabelecem diferenças entre redes e clusters (Nordin, 2003; Rosenfeld (2001) em Lynch e Morrison 2007; Rosenfeld, 2002):

Rede: permite às empresas terem acesso a serviços especializados a custos mais acessíveis, acesso normalmente restrito e sob formalização de contrato entre os membros, logo baseado numa aceitação contratual, melhora os processos de produção, baseado na cooperação, têm objectivos económicos comuns.

Cluster: grupo de empresas, organizações ou agentes que decidem agrupar-se ou trabalhar em conjunto em prol da obtenção de um ou vários objectivos conjuntos, capta para uma região determinados serviços especializados desenvolvendo-os, carácter aberto a todos os agentes, ligação baseada em valores de confiança e de estímulo recíproco, pretende gerar e estimular mais procura para diferentes empresas com valores e capacidades similares, requer cooperação e competição, tem uma visão colectiva.

A importância do envolvimento de diferentes agentes no planeamento e gestão do sector do turismo é cada vez mais reconhecido, o que tem levado a uma crescente atenção direccionada para o estabelecimento de parcerias com o intuito de desenvolver e implementar as estratégias e politicas definidas para o turismo (Breda, R. Costa, e C. Costa, 2006). O termo de parcerias descreve regularmente as interacções intersectoriais entre várias partes baseadas em, pelo menos algumas, normas ou regras com o objectivo de concretizar objectivos comuns, em executar determinadas politicas e estratégias ou em função da resolução de questões comuns (Bramwell e Lane, 2000, citados em Breda, R. Costa, e C. Costa, 2006).

Diferentes estudos identificam um modelo baseado no conceito de parcerias (tradução do termo inglês partnerships) como uma força impulsionadora de transformações na governância regional e urbana apresentando três valências: (i) inclusão - capacidade das parcerias se aplicarem a todos os intervenientes; (ii) responsabilidade - relação entre a partilha de responsabilidades no processo de decisão; e (iii) coesão - capacidade de visão comum no desenvolvimento do destino turístico e da mobilização de recursos comuns.

Em termos práticos, é fundamental garantir a presença destas três valências para garantir que o processo de desenvolvimento de um destino turístico, através da criação e implementação de novas estratégias e políticas de desenvolvimento com a adopção de um modelo de parceria, seja positivo e profícuo para o território, destino e produto turístico (Bonetti, Petrillo e Simoni, 2006).

O sector do turismo é caracterizado por ser essencialmente constituído por PME’s, para as quais os desafios de trabalhar em conjunto representam uma potencialidade enorme. A proximidade geográfica, o investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) e a cooperação entre as empresas potencia a partilha de experiências e informação, processo que fomenta a geração de conhecimento e inovação, factores evocados como essenciais na promoção do crescimento económico (Breda, R. Costa, e C. Costa, 2006).