Mesmo que desacompanhadas das necessárias alterações complementares do espaço físico das escolas, as pretendidas mudanças educacionais seriam importantes para trazer benefícios para os educandos quanto à qualidade dos ensinamentos recebidos, que podem ser considerados sob diferentes pontos de vista.
1. Opera-se, no indivíduo, uma mudança qualitativa no seu modo de ser, quando ao completar a idade de 15 anos idade, entra para o ensino médio, isto se deve ao fato de ver o momento da sua inserção social se aproximando. Esta nova situação proximal tem o poder de ensejar no educando o esforço maior de atenção em relação a sua preparação, para que possa enfrentar de igual para igual os demais concorrentes, no momento de sua entrada no mercado de trabalho, na universidade e no curso que escolheu para trilhar. Entretanto, a crescente especialização, exigida pela divisão do trabalho característica da sociedade moderna, faz com que as ofertas de vagas existentes no mercado atuem negativamente no interesse do aluno em relação a uma boa formação geral. Esse interesse inicial é logo abandonado e o aluno passa a expressar este sentimento de desprezo ainda no ensino médio propedêutico, por certas disciplinas que ele acredita não acrescentar nada aos conhecimentos da área que escolheu estudar futuramente como profissão. Já, no ensino superior, manifesta-se através do desprezo total aos outros cursos que não o seu.
2. Toda a carga negativa advinda daquela especialização exacerbada, exigida pelo mercado de trabalho que gera o sujeito desmotivado em relação ao universo de uma formação geral, mais integral e pelo seu ingresso no universo da cultura, agora, pode ser encarada, de um outro ponto de vista, um pouco mais favorável. Aquela antiga formação educacional profissional unilateral está caindo em desuso e cedendo espaço para as de outro tipo. A interdependência entre os vários setores da realidade fez com que, no meio industrial, ela se tornasse importante, também. Certa forma, ela já estava sendo colocada em prática, posto que os equacionamentos, de certos problemas dotados de graus de complexidade, passaram a exigir a colaboração de várias áreas do saber para a sua realização. Por exemplo,
objetivos finais do planejamento e da gestão solicitam várias disciplinas para sua realização e determinam a importância relativa das áreas chamadas a colaborar em seu auxílio. É lógico, também, que as finalidades ditam de maneira definitiva aquilo que é principal e o que é subsidiário, fazendo com que a colaboração que algumas disciplinas possam dar, apresente um valor apenas instrumental. Desta forma, neste exemplo podemos ver, para além de um sintoma da insuficiência do adestramento unilateral o reconhecimento explícito da inadequação, da especialização e a importância de uma formação universal, mesmo que apresentada nesta simples experiência, cuja situação é ainda de pequena monta, em relação a um sistema industrial complexo e por apresentar apenas um limiar mínimo de integração disciplinar, mas que, ao mesmo tempo, é muito significativa, como ilustração.
3. Aquele contexto social que encorajava o aluno a menosprezar uma boa formação geral ou mais global, ainda no nível médio propedêutico e, mais tarde, no universitário, está mudando. Hoje, costuma-se associar excelência profissional não mais a uma especialização exacerbada, mas sim a uma formação mais ampla. Nesse sentido a formação geral ou global, ou ainda, integral do ser humano, não pode mais ser entendida simplesmente como uma possível compensação à crescente especialização a que estava submetido na atual organização do trabalho, base de sustentação da sociedade moderna. A necessidade de uma formação mais ampla está muito mais além do que isto, pois se tornou essencial ao ser humano, que sente mais e mais, a cada dia que passa, a importância de um entendimento mais completo, geral, multidisciplinar sobre as coisas, como forma de ser e de estar no mundo, sem a qual sente- se incapacitados de qualquer ação. Dessa forma, o mundo atual coloca o homem diante de duas situações, antes antagônicas, posto que, por um lado, continua, ainda, exigindo de todos nós uma especialização cada vez maior, mas, por outro, coloca-os frente a frente a uma aldeia global, a um
mundo globalizado, no qual tudo se relaciona e faz da interdependência um fator comum. Logo, vive-se numa sociedade em que não há mais a possibilidade de se entender a parte sem entender o todo, e nem o todo senão pelas partes. Portanto, quanto mais cedo estiver o ser humano colocado nesta perspectiva, mais rápido sentir-se-á feliz, posto que estará mais apto a viver na hiper-modernidade ou na pós-modernidade como querem alguns. Esta seria, pois, a importância das mudanças educacionais para o educando caso ocorressem.
É bem verdade que o governo brasileiro captou essas mudanças apresentadas pela nova realidade social, política e econômica, nacional e internacional e as implementou, ao menos em forma de Lei, e isto fez com que o modelo educacional brasileiro mudasse. Os princípios educacionais dela são os da estética da sensibilidade, da igualdade e da identidade. Estes deverão ser ensinados aos alunos, mas também respeitado por todos, pois consubstanciam a condição de convivência social entre os seres humanos de uma escola, país ou do mundo. Nesse sentido, o princípio da estética da sensibilidade indica ser o respeito à diferença e à criatividade algo extremamente necessário; o da igualdade estabelece que todos devem ser igualmente tratados, com respeito aos direitos humanos e universais e o da identidade estabelece a necessidade do respeito à diferença e, no caso educacional e curricular, a diferença regional. Dessa forma, se é possível observar que esta situação em relação à formação geral, integral e sistêmica do educando avançou bastante, é possível também observar que este avanço deve ser considerado com moderação, pois a realidade tornou-se apenas um pouco mais favorável, já que o atual estágio societário – o capitalismo – proíbe que as medidas tomadas e explicitadas em forma de Lei, sejam extensivas a todas as pessoas, pois, hoje, ele serve como um freio para o desenvolvimento das relações humanas. Dessa forma, constata-se que embora essas Leis sejam importantes, têm os seus limites.