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Conscientizar e promover o reconhecimento público

EXEMPLO: Argentina e as Mães da Praça de Maio

9. Conscientizar e promover o reconhecimento público

y Nesse contexto, conscientizar significa captar a atenção da população em geral para a questão das pessoas desaparecidas e para a difícil situação dos seus familiares, a fim de:

¼

garantir que as famílias sejam mais bem entendidas e apoiadas;

¼

evitar que as pessoas desaparecidas caiam no esquecimento.

y Isto pode ser feito mediante eventos públicos e cerimônias e/ou através dos meios de comunicação.

Como já foi mencionado, a ausência de reconhecimento público – de que o seu parente está desaparecido, ou inclusive de que ele existiu – agrava o sofrimento dos familiares.

“A coisa mais difícil de superar é a falta de respeito: ninguém se lembra do meu filho; é como se ele nunca tivesse existido.” – Pai de um soldado desaparecido.

Ver Seção 3, Ficha Indicativa 320: Aumentar a conscientização, p. 126.

O que significa conscientizar?

Conscientizar significa captar a atenção da população em geral para uma questão específica, de um modo que se ajuste aos desejos das pessoas envolvidas. Nesse contexto, significa falar em nome das famílias, sobre o problema que enfrentam, a fim de suscitar compreensão e apoio.

Como pode ser feita a conscientização?

Os vários problemas enfrentados pelas famílias de pessoas desaparecidas podem ser apresentados ao público em geral em ocasiões importantes (por exemplo, no Dia Internacional dos Desaparecidos) e em cerimônias públicas de recordação ou através da mídia (TV, rádio, jornais), cartazes, exposições de arte, etc. O foco deve ser nos fatores que tornam a situação das famílias particularmente difícil.

86 ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS DE PESSOAS DESAPARECIDAS 3. ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS 87

Ver Seção 3, Ficha Indicativa 306: A conversa com os familiares, p. 106.

Ver Seção 3, Ficha Indicativa 307: Organização de sessões informativas, p. 108.

Ver Seção 3, Ficha Indicativa 318: Ajudar as famílias a organizarem celebrações ou rituais simbólicos/ tradicionais/religiosos, p. 124.

8. Mobilizar a comunidade

Mobilizar as pessoas do entorno imediato

As famílias de pessoas desaparecidas precisam de outras formas de apoio além do oferecido por associações de familiares, ONGs, grupos comunitários, autoridades ou organismos públicos: elas precisam do apoio de pessoas no seu ambiente social imediato, além de compaixão e compreensão acerca da sua situação. No entanto, familiares, amigos, vizinhos e outros membros da sua comunidade podem achar isso difícil de fazer porque as suas experiências são muito diferentes. Podem não saber como confortar as pessoas que lidam com o desaparecimento de um ente querido. Para alguns, pode ser mais fácil dizer às famílias dos Desaparecidos que o seu parente ainda está vivo a fim de alimentar as suas esperanças e – em algumas culturas – contribuir para a “boa sorte” da pessoa desaparecida; outros podem ficar divididos entre dar esperança às famílias ou convencê-las a seguir adiante e deixar o passado para trás. Como resultado, as famílias podem se distanciar do seu ambiente social imediato, já que ele não traz nem consolo nem compreensão.

Ver Seção 3, Ficha Indicativa 319: Mobilização de uma rede de apoio, p. 125.

De fato, não há respostas certas ou erradas aos dilemas enfrentados pelas pessoas nos meios sociais das famílias. A experiência mostra que, em geral, o que as famílias querem escutar dos demais é que eles respeitem e compreendam o modo pelo qual elas escolheram lidar com a sua tristeza. Portanto, as pessoas do seu meio social imediato devem prestar atenção à singularidade da sua experiência; não devem nem exortar as famílias a esquecer, nem aconselhá-las a aceitar passivamente a sua sorte. Respeitar a escolha da família não significa dar a elas falsas esperanças.

As famílias podem ser muito ajudadas por pessoas que possam escutar as suas histórias, que não evitem falar da sua situação e que não julguem nem inquiram demais.

Nesse sentido, os acompanhantes podem ajudar a:

¼

¼promover o entendimento na comunidade, organizando atividades de conscientização em pequena escala (bairros, povoados, etc.), como:

¼

sessões informativas sobre as dificuldades específicas enfrentadas pelas famílias;

¼

organizar visitas de porta em porta (com ou sem um membro da família);

¼

realizar oficinas envolvendo famílias de pessoas desaparecidas e membros da comunidade;

¼

¼incentivar a realização de atividades/eventos envolvendo uma ampla variedade de membros da comunidade, de modo a fortalecer os laços sociais e evitar que as famílias se isolem.

Mobilizar recursos essenciais dentro da comunidade

A mobilização de pessoas e recursos essenciais (líderes tradicionais e/ou curandeiros, líderes religiosos e/ ou políticos, trabalhadores sociais, associações locais, etc.) na comunidade inclui o estabelecimento de uma rede abrangente à qual as famílias podem expor as suas dificuldades. Os acompanhantes devem, portanto, conseguir que essas pessoas se tornem conscientes dos problemas enfrentados pelos familiares, para desse modo convencê-las a estar disponíveis. Além disso, as famílias devem ser incentivadas a buscar ajuda da comunidade. O papel de um acompanhante é ser um mediador entre as famílias e os serviços disponíveis

na comunidade.

Quais serviços podem ser abordados por um acompanhante e por quê?

Serviços Finalidade

A comunidade religiosa (líderes religiosos, grupos de oração, etc.)

Líderes tradicionais

y Informar as famílias sobre o ponto de vista da religião ou das crenças tradicionais a respeito da questão das pessoas desaparecidas.

y Inspirar e guiar as famílias para que lidem com a sua situação de acordo com os seus valores tradicionais e/ou religiosos.

y Encontrar um lugar para os Desaparecidos na prática religiosa.

y Encontrar uma maneira pela qual as famílias honrem os seus entes queridos (p.ex., funerais não tradicionais). y Introduzir ou restabelecer práticas; por exemplo, incorporar uma reza para pessoas desaparecidas durante missas

ou outros rituais a fim de ajudar as famílias a sentir que a sua experiência é reconhecida pela comunidade. Serviços sociais y Ajudar as famílias a lidar com os problemas do seu status.

y Facilitar o acesso das famílias à ajuda econômica.

y Encontrar maneiras de integrar as famílias a um novo ambiente social (p. ex., alojamento para refugiados). Serviços de saúde y Prestar assistência à saúde adequada que leve em consideração o modo pelo qual a saúde dos familiares é

afetada pelo estresse incessante. Serviços jurídicos

(p.ex., assessores jurídicos, organizações de direitos humanos)

y Orientar as famílias sobre os seus direitos e ajudá-las a obter benefícios y Ajudar em processos judiciais e procedimentos legais.

Serviços de busca (serviços públicos, ONGs internacionais, Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho)

y Informar as famílias sobre os mecanismos existentes de busca de pessoas desaparecidas. y Ajudá-las na sua busca.

Profissionais de saúde mental y Informar as famílias (p.ex., durante sessões informativas) sobre os efeitos do estresse incessante e sobre as maneiras de enfrentar a situação.

y Prestar apoio psicológico ou outros tipos de atendimento de saúde mental. Centros sociais/educativos,

associações locais

y Envolver os familiares em várias atividades.

y Oferecer um ambiente de apoio e de incentivo que tirará as famílias do seu isolamento. y Ajudar as famílias de Desaparecidos a investir em outras áreas da vida social e emocional.

y Criar oportunidades para aprender novas habilidades ou para incentivar atividades de geração de renda.

As famílias algumas vezes têm dificuldade de fazer uso dos serviços que lhes são disponíveis. Pode haver várias razões para isto:

¼

¼Elas são novas nesse meio e não estão cientes dos serviços oferecidos.

¼

¼Não estão acostumadas às buscas ou a usar esse tipo de serviço.

¼

¼Estão com medo ou relutantes em procurar apoio de serviços específicos (p.ex., serviços públicos ou institutos de saúde mental) e não acreditam na utilidade desses serviços.

¼

¼Não se permitem sentir melhor.

9. Conscientizar e promover o reconhecimento público

y Nesse contexto, conscientizar significa captar a atenção da população em geral para a questão das pessoas desaparecidas e para a difícil situação dos seus familiares, a fim de:

¼

garantir que as famílias sejam mais bem entendidas e apoiadas;

¼

evitar que as pessoas desaparecidas caiam no esquecimento.

y Isto pode ser feito mediante eventos públicos e cerimônias e/ou através dos meios de comunicação.

Como já foi mencionado, a ausência de reconhecimento público – de que o seu parente está desaparecido, ou inclusive de que ele existiu – agrava o sofrimento dos familiares.

“A coisa mais difícil de superar é a falta de respeito: ninguém se lembra do meu filho; é como se ele nunca tivesse existido.” – Pai de um soldado desaparecido.

Ver Seção 3, Ficha Indicativa 320: Aumentar a conscientização, p. 126.

O que significa conscientizar?

Conscientizar significa captar a atenção da população em geral para uma questão específica, de um modo que se ajuste aos desejos das pessoas envolvidas. Nesse contexto, significa falar em nome das famílias, sobre o problema que enfrentam, a fim de suscitar compreensão e apoio.

Como pode ser feita a conscientização?

Os vários problemas enfrentados pelas famílias de pessoas desaparecidas podem ser apresentados ao público em geral em ocasiões importantes (por exemplo, no Dia Internacional dos Desaparecidos) e em cerimônias públicas de recordação ou através da mídia (TV, rádio, jornais), cartazes, exposições de arte, etc. O foco deve ser nos fatores que tornam a situação das famílias particularmente difícil.

88 ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS DE PESSOAS DESAPARECIDAS 3. ACOMPANHAMENTO DAS FAMÍLIAS 89

Um advogado é indispensável para defender os interesses das famílias quando um procedimento judicial está em curso. Pode ser muito útil para realizar o árduo trabalho legal necessário, expressar adequadamente as demandas da família, encontrar soluções aos seus problemas legais e elaborar os documentos exigidos pelo procedimento.

No entanto, o advogado pode não ter todas as respostas; às vezes, apenas complicará mais o procedimento judicial em questão. Advogados geralmente cobram pelos seus serviços, mas há ONGs de direitos humanos que oferecem assistência jurídica gratuita. Essas ONGs também podem ajudar as famílias a escolher um advogado que atenda às suas necessidades; para o acompanhante, pode ser útil manter contato regular com essas organizações.

¼

z ESPECIALISTAS EM SAÚDE MENTAL

Ver Seção 3, Ficha Indicativa 321: Encaminhamento a um especialista em saúde mental, p. 127. Quando notamos que o sofrimento mental está alterando significativamente a vida diária de uma pessoa, ou colocando em risco a vida dela ou de outras, pode ser necessário o encaminhamento a um especialista em saúde mental (um consultor profissional, um psicólogo clínico ou um psiquiatra).

Embora os sinais de sofrimento possam ser evidentes em muitas pessoas, esses encaminhamentos serão necessários somente para uma pequena porcentagem.

Encaminhamentos para especialistas em saúde mental não buscam incentivar quem sofre a esquecer ou a aceitar passivamente a situação; o seu objetivo é aumentar a capacidade da pessoa de entender melhor e lidar com os sentimentos pessoais (tristeza; raiva, ansiedade, culpa, etc.), desenvolvendo gradualmente estratégias construtivas para conviver com a ausência do ente querido. Além disso, na maioria dos casos (exceto em emergências), a decisão de procurar um especialista em saúde mental deve vir da pessoa em questão.

Através de cerimônias e eventos públicos, a comunidade pode assegurar aos familiares de que os seus parentes desaparecidos não foram esquecidos, que eles ainda fazem parte da sociedade e têm um lugar na sua memória coletiva. “Fiquei realmente surpreso ao ver quantas pessoas se importaram conosco estando presentes à cerimônia pública sem ter uma pessoa desaparecida na família. Com a presença delas, pude entender a história da guerra – e através disso entender o que pode ter acontecido com o meu pai”, diz S., de 18 anos.

Essas ocasiões podem inclusive ser uma fonte de orgulho. “O coração está repleto de orgulho quando o meu filho é lembrado pelas autoridades”, diz o pai de um soldado desaparecido.

Além disso, o reconhecimento público pode aliviar a culpa das famílias sobre a sorte do seu ente querido; também pode diminuir o peso de sentir que somente elas se lembram da pessoa desaparecida.

A conscientização da população pode ser uma fonte de apoio: as famílias podem se consolar com o fato de que a sua situação e o seu sofrimento são amplamente reconhecidos.

INFORMAÇÕES

y Deve-se incentivar a participação ativa das famílias na escolha de mensagens e na organização de eventos.

y Os eventos não precisam ser organizados em grande escala. Ocasiões especiais podem ser organizadas em pequenas comunidades e os meios de comunicação, alertados sobre o fato. y Qualquer contato com os meios de comunicação deve ser feito com esse pensamento em mente:

eles oferecem a oportunidade de trazer à tona questões essenciais.

y É importante assegurar que as famílias entendam as possíveis consequências da exposição à opinião pública. Entrevistas à imprensa e exposições devem ser realizadas apenas com o consentimento das famílias.

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