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2.4 Fontes de Financiamento para o Terceiro Setor

2.4.1 Fontes de Recursos Privados

2.4.1.4 Crowdfunding

Em vista do crescente processo de globalização, atrelado ao avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), as redes sociais vêm ocupando espaço significativo no comportamento, nos modos de relação, identificação e aproximação dos indivíduos na sociedade. Diante desse contexto, vale destacar a afirmação de Castells (2005)

O nosso mundo está em processo de transformação estrutural desde há duas décadas. É um processo multidimensional, mas está associado à emergência de um novo paradigma tecnológico, baseado nas tecnologias de comunicação e informação, que começaram a tomar forma nos anos 60 e que se difundiram de forma desigual por todo o mundo. Nós sabemos que a tecnologia não determina a sociedade: é a sociedade. A sociedade é que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias. Além disso, as tecnologias de comunicação e informação são particularmente

sensíveis aos efeitos dos usos sociais da própria tecnologia (2005, p. 17).

Vale mencionar ainda que as mudanças oriundas dessa relação com a tecnologia em si, foram sustentadas, segundo França (2012), pelo processo de surgimento da Web 2.0, dando origem a um novo paradigma, sobre o qual se pode citar exemplos no que se refere

ao sistema de publicação de fotos (Flikr), no tráfego de dados (BitTorrent), no formato de arquivos musicais (Napster), na publicidade online (Google AdSense), na formatação de dados (Wikipédia) e na mudança de modelo de publicação do website pessoal para o blog. Trata-se, na verdade, da passagem de um paradigma de internauta usuário para o de internauta participador. (FRANÇA, p. 5, 2012)

Ao passo dos avanços tecnológicos, o modelo de ambiente virtual cada vez mais se aproxima do padrão de cooperação entre os indivíduos, traduzindo em benefícios mútuos entre os agentes envolventes na interação. Considerando a necessidade de organizações do terceiro setor estreitar cada vez mais a relação entre seus potenciais financiadores, dado o contexto dos avanços tecnológicos e impacto das TICs na sustentabilidade das mesmas, cabe abordar o conceito de Crowdfunding como ferramenta para captação de recursos para organizações do terceiro setor, o qual crowd, em inglês significa multidão e funding diz respeito ao financiamento e que para Cocate e Júnior (2011) representa

um fenômeno virtual que tem como objetivo promover a realização de projetos, os mais variados possíveis, por meio da contribuição financeira de pessoas que se interessam pela concretização de tais iniciativas, motivadas por vários fatores.

No âmbito das ações realizadas pelas organizações do terceiro setor, tais fatores se traduzem nos benefícios sociais que a mesma leva para os indivíduos, seja de alguma comunidade em específico, de um grupo de pessoas ou até mesmo da sociedade como um todo, por meio do financiamento de ideias de cunho empreendedor e transformador. O site Crowdfunding Brasil (2011) explica que

O crowdfunding, ou financiamento coletivo ou colaborativo, ajuda a quem busca investimento para uma iniciativa. O idealizador inscreve o projeto, estabelece uma meta a arrecadar, um período de tempo definido para essa arrecadação e que recompensas vai oferecer aos apoiadores. Esses podem então colaborar financeiramente com o projeto. O idealizador recebe os fundos para realizar o projeto e quem contribuiu ganha recompensas como vantagens exclusivas e produtos especiais, de acordo com o valor contribuído.

Por meio de plataformas e sites, os projetos são disponibilizados pelos seus idealizadores, fazendo com que o fenômeno virtual estabeleça conexão com o que entende por cultura de participação, que, segundo Jenkins (2008), ao invés do indivíduo estabelecer relação passiva com o projeto apresentado, ele passa a estabelecer significativa interação no processo de concretização daquela iniciativa Essa perspectiva é interessante para o terceiro setor em razão do fato de aproximar os potenciais doadores da causa que está sendo defendida, fortalecendo a relação e a confiabilidade quanto ao investimento a ser realizado, pois “no financiamento coletivo a internet corta o intermediário e põe o dono do projeto em contato com dois bilhões de apoiadores em potencial”, ressalta Lawton (2012). Destaca-se ainda que

Crowdfunding (às vezes chamado de crowd financing, crowdsourced capital, ou street performer protocol) descreve a cooperação, atenção e confiança coletiva de pessoas em rede que arrecadam seu dinheiro e outros recursos, geralmente via Internet, para apoiar esforços iniciados por outras pessoas ou organizações. Crowdfunding acontece por uma variedade de motivos, desde auxílio a desastres; artistas procurando apoio dos fãs; campanhas políticas;  criação de uma companhia startup ou desenvolvimento de um software grátis. (ROEBUK, 2014)

Segundo o Retrato do Financiamento Coletivo do Brasil 2013/2014, pesquisa realizada pelo Catarse (2014), site que já arrecadou cerca de R$ 3 milhões para 249 projetos desde 2010, 41% das pessoas que apoiam o Crowdfunding no Brasil, possuem mais interesse em apoiar projetos com viés social e/ou ambiental, que fortaleçam comunidades de forma responsável e solidária e 52% desejam que ideias ou iniciativas de projetos artísticos e culturais de forma independente se concretizem. Projetos de cunho educacional são os que representam de maior interesse no financiamento e que menos ocupa o portfólio dos sites de financiamento coletivo. E, se a todo mês um projeto social fosse viabilizado, estimou-se na pesquisa que as pessoas estariam dispostas a pagar pelo menos R$10,00 mensalmente por iniciativa apresentada.

Por fim, o site Crowdfunding Brasil (2011) destaca que, para que um projeto tenha mais chances de alcançar o sucesso em seu financiamento, dois pontos são de fundamental importância, como realizar uma boa campanha de divulgação, atrelada a um grau significativo de transparência para com seus potenciais financiadores. Defende-se que uma boa campanha de divulgação é acompanhada e impulsionada por meio de ferramentas audiovisuais que são capazes de comunicar e sensibilizar os

investidores quanto à causa ou ideia a ser implementada e que 72% dos apoiadores dos projetos afirmam que a transparência é fundamental na hora de apoiar um projeto.