UMA PSICOLOGIA DA MENTE
6. Dúvida Aflitiva
Conceito: Dúvida aflitiva é um estado mental oscilante e indeciso tendendo para uma conclusão incorreta sobre pontos importantes como a lei de causa e efeito, as quatro nobres verdades e as três jóias.
A fim de que um estado de indecisão ou dúvida possa ser considerado uma aflição raiz, ele deve ser um que obstrua o desenvolvimento do que é benéfico e induz a um quadro de perturbação mental. Ter dúvidas não é necessariamente negativo. Algumas das incertezas sobre a validade de certos pontos de vista errôneos podem conduzir alguém para um ponto de vista mais realístico. Também, indecisões aflitivas ocorrem somente quando o objeto da dúvida é algo que a aceitação é crucial e valorosa para o desenvolvimento do caminho espiritual, tal como as três jóias. Ela não inclui indecisões sobre tópicos mundanos e triviais. Indecisão impede-nos de atingir qualquer certeza sobre um ponto particular e então cria uma mente frágil e vacilante que não é uma base perfeita para a prática do Darma. Para transformá-la
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temos que testar o objeto da nossa dúvida com uma discriminação inteligente baseada num raciocínio perfeito. Através da nossa aplicação neste caminho, devemos ser capaz de atingir um estado unifocado de convicção livre de qualquer hesitação ou oscilação.
Finalmente o modo como e a disposição destas aflições raízes surgirem está claramente exposto por Ven. Tsong Khapa no Grande Tratado nos Estágios do Caminho.
“Assumindo que consideramos a ignorância e a visão da composição transitória como fenômenos distintos, (então ele é como segue)”. Supomos que em um quarto com luz obscurecida existe um pedaço de corda esticado, visto que ele é incapaz de ser claramente distinguido como uma corda, alguém o apreende como uma cobra. Similarmente, na escuridão da ignorância que nos obstrui de ver claramente a verdadeira natureza dos nossos agregados, a visão da composição transitória, confunde os agregados com uma pessoa auto-existente. Então, desses (dois fatores mentais) todas as outras aflições são produzidas. Mas deveríamos considerar (ignorância e a visão da composição transitória) como únicas, então a visão da coleção transitória seria a raiz de todas as aflições. Além do mais, uma vez que a visão da composição transitória estiver
estabelecida (o senso de) uma pessoa auto-existente, então passaríamos a discernir nós próprios e outros seres (inerentemente) distintos. Tendo realizado esta discriminação, desenvolvemos apego pelos objetos que estão do nosso lado, ferindo os objetos que estão do outro lado, e nos orgulhamos com relação a nossa própria identidade. Subseqüentemente, nos concebemos como sendo eternos ou sujeitos a total aniquilação. Então começamos a considerar tais visões sobre a identidade pessoal tanto quanto as formas insatisfatórias de comportamento relatadas naquelas visões como supremas. Similarmente, tornamos propensos a nutrir visões errôneas que pensamos: “tais coisas como o Professor que ensinou sobre a falta de existência inerente do eu tanto quanto ele ensinou sobre ações e seus resultados, as quatro nobres verdades e as Três Jóias são não existente. Alternativamente podemos desenvolver indecisão, pensando, “fazer tais coisas existentes ou não, elas são (verdade) ou não?”
Aflições que derivam dos três venenos mentais a). Cinismo
Conceito: Cinismo é um fator mental distinto que não evita o maléfico por razões de consciência pessoal ou por causa do Darma. Ele age como suporte e condição para todas as aflições raízes e derivadas e como base para danificar a proteção dos seus votos. Ele é o oposto ao fator mental benéfico de auto-respeito. Existem dois tipos: cinismo que ocorre devido a falta de consciência pessoal; e cinismo que ocorre devido a falta de respeito pelo Darma.
b). Desconsideração com os outros
Conceito: Desconsideração com os outros é um fator mental que, sem levar os outros ou suas tradições espirituais em conta, deseja se comportar de uma maneira que não evita comportamentos negativos. Ele age como uma base para causar aos outros a perda de fé em nós e tornar-se agitado. Ele tem a função de danificar uma conduta imaculada.
Existem três tipos de desconsideração pelos outros: aquelas que surgem do ódio, apego e confusão respectivamente.
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de restrição em sua conduta e está dirigindo incontrolavelmente pela força das suas outras aflições. Suas atividades tornam-se como a de um carro sem freios.
c). Inconsciência
Conceito: Inconsciência é um fator mental que, quando alguém está afetado por preguiça, deseja agir livremente de uma maneira irrestrita sem cultivar virtude ou proteger a mente contra fenômenos contaminados. Ele tem a qualidade de designar qualquer dos três venenos mentais quando eles estão acompanhados por preguiça. Ele tem a função de aumentar não virtude e obstruir virtude tanto quanto causar a destruição qualquer qualidade positiva individual.
De acordo com sua função existem dois tipos de inconsciência: aquela na qual faz a mente inconsciente e aquela na qual faz corpo e mente inconsciente.
d. Distração
Conceito: Distração é um fator mental que, incapaz de dirigir a mente através do objeto benéfico, dispersa-a para uma variedade de outros objetos. Ele causa a deterioração da força da concentração e age como a base para a perda da atenção nos objetos referidos na meditação analítica e de
concentração. Ela tem uma qualidade de suportar um estado mental no qual a mente tem sido deixada fora do objeto de concentração por raiva, apego ou confusão.
De acordo com as condições temporais, seis tipos de distrações são classificados. Os primeiros quatros são chamados de estados mentais “naturalmente agitados” e os dois últimos são chamados de formas de distração “errôneas”.
a) Distração inerente. Esta é a qualidade na qual pertencem todas as cinco consciências sensoriais de uma pessoa ordinária. Quando uma consciência sensorial tornar-se manifesta durante a meditação, a mente não é capaz de permanecer muito tempo em equilíbrio, mas é imediatamente transferida para um objeto externo.
b) Distração externa. Todo estado mental benéfico dentro do reino dos desejos, tais como
aprendizagem, reflexão e assim por diante, tem esta qualidade. Ela surge quando a mente é incapaz de permanecer direcionada para um referente benéfico por um período de tempo sustentado. Dentro do reino dos desejos estados benéficos mentais são constantemente sujeitos a serem dispersos de um objeto para outro.
c) Distração Interna. A excitação e o afundamento que ocorrem durante a concentração equilibrada tanto quanto a anseio pela prova (sabor) da absorção que ocorre enquanto a concentração ainda está se desenvolvida, são exemplos de distrações internas. Elas são assim chamadas porque são aflições distintas as quais distraem a mente dos estados mentais de quietude e insight penetrativo.
d) Distração para um sinal. Um exemplo deste seria a atividade mental benéfica que pensa que seria insustentável se outras pessoas acreditassem que alguém fosse um grande meditador. Isto é chamado assim porque dispersa a mente para fora por causa das crenças de outras pessoas nas suas próprias qualidades benéficas.
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e) Distração rígida. A visão da composição transitória e auto-importância são rígidas, formas inflexíveis de distração visto que elas são acompanhadas por tais coisas como medo no qual não suportam a glória daqueles envolvidos em virtude.
f) Distração atenta. Tais pensamentos que consideram estar deixando um estado mais alto de absorção para um mais baixo, ou abandonando o Mahayana pelo Hinayana são chamados de distração atenta no que elas primeiro rejeitam algo superior e então se tornam envolvidos em algo inferior.
Deveríamos notar que nem todos estes seis tipos são necessariamente formas de distração maléficas. Distração inerente é um fenômeno inespecífico, distração externa é benéfica, e também alguns dos outros tipos podem ocasionalmente ser benéficos.
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Anexo 1 - Bibliografia
Obra principal utilizada como eixo básico deste trabalho:
1) A Mente e suas Funções – Geshe Rabten – Editora Rabten Choeling - Traduzida por Elton Oliveira
Outras obras consultadas:
2) Entender a Mente – Geshe Kelsang Gyatso – Editora Tharpa
3) Mind in Tibetan Buddhism – Lati Rinpoche – Snow Lion – Foi utilizada também a edição em espanhol.
Dicionários
1) Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa - Eletrônico
2) Dicionário Escolar de Filosofia – Organização de Aires Almeida - Lisboa: Plátano, 2003 3) Dicionário Eletrônico Online - Sanskrit, Tamil and Pahlavi Dictionaries - http://webapps.uni- koeln.de/tamil/
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Anexo 2 Epistemologia
A disciplina tradicional da filosofia, também conhecida por TEORIA DO CONHECIMENTO, que trata de problemas como "o que é o conhecimento?", "o que podemos conhecer?", "qual é a origem do
conhecimento?", "como justificamos as nossas crenças?", envolvendo um conjunto de noções relacionadas entre si, como "conhecer", "perceber", "prova", "crença", "certeza", "justificação" e "confirmação", entre outras. O nome deriva de epistêmê, termo do antigo grego que significa CONHECIMENTO. A esse termo opunha-se o termo doxa, que significa opinião. Isto porque, como PLATÃO começou por sublinhar, não é possível conhecer falsidades, sendo contudo possível e até freqüente ter opiniões falsas. Assim, um dos problemas que desde logo se coloca é o de saber como se alcança o conhecimento e se evita a mera opinião. A célebre TEORIA DAS IDEIAS de Platão continha uma resposta para esse problema. Para Platão, só através de um processo racional de afastamento das impressões sensíveis somos conduzidos à contemplação das Idéias perfeitas, de que os objetos captados pelos nossos SENTIDOS são simples cópias imperfeitas. É nas Idéias que reside a verdade, pelo que o chamado "conhecimento sensível" não deve, em rigor, ser considerado conhecimento. A discussão acerca do papel dos sentidos na formação do conhecimento e na justificação das nossas crenças acabou por dar lugar a duas grandes doutrinas epistemológicas rivais: o EMPIRISMO e o RACIONALISMO. Empiristas como os britânicos LOCKE, HUME e BERKELEY defendem que todo o conhecimento
substancial provém da experiência sensível, enquanto os RACIONALISTAS, como o francês DESCARTES e o alemão LEIBNIZ, consideram que o conhecimento, se corretamente entendido, deve exibir as marcas da universalidade e da necessidade, características que de modo algum dependem da experiência. Assim, para os racionalistas nem todo o conhecimento deriva da experiência sensível. KANT procurou
determinar com exatidão como se constitui o conhecimento, concluindo que este depende tanto da matéria fornecida pelos sentidos como das formas A PRIORI do pensamento a que os dados sensíveis têm de se submeter. Kant opõe-se assim tanto ao empirismo como ao racionalismo tradicional. A justificação das nossas crenças é outro dos problemas epistemológicos que têm gerado importantes debates. Há filósofos que defendem que por muito boas que sejam, as nossas justificações nunca conseguem ser inteiramente satisfatórias, vendo-nos assim permanentemente confrontados com dúvidas insuperáveis. Este problema é também conhecido por "problema do CEPTICISMO", uma vez que os cépticos acabam por concluir, aparentemente de forma justificada, que o conhecimento não é
possível. No sentido de evitar o cepticismo, muitos filósofos procuraram um fundamento para o
conhecimento, isto é, um reduzido número de certezas inabaláveis a partir das quais se estrutura todo o nosso sistema de crenças. Essas certezas tanto podem pertencer ao domínio da razão como da
experiência, consoante as inclinações racionalistas ou empiristas do filósofo. A este ponto de vista chama-se FUNDACIONISMO, e Descartes constitui um dos exemplos mais conhecidos. Mas há também quem não aceite qualquer tipo de fundamento último para o conhecimento, sem contudo aderir ao cepticismo. É o caso dos defensores do COERENTISMO, para quem as nossas crenças se apoiam mutuamente umas nas outras sem precisarem que uma delas sustente as restantes. À maneira de uma rede ou das inúmeras peças de madeira de que é feito um barco, permitindo-lhe flutuar no mar sem se afundar - esta é a metáfora de Otto Neurath (1882-1945) - o importante é que as crenças sejam coerentes entre si. Mais diretamente ligado ao que se passa com a ciência, embora não só, há o chamado
PROBLEMA DA INDUÇÃO, a propósito do qual se discute se o tipo de justificação baseado em inferências indutivas é ou não aceitável. Podemos ainda encontrar problemas de epistemologia da religião, tratando- se aí da justificação das crenças religiosas; epistemologia da matemática, etc.