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Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença.

Referência Legislativa – Lei nº 7.433, de 18.12.85 (requisitos do instrumento público); Decreto nº 93.240, de 09.09.86 (regulamento).

Breves Comentários – A presunção que o art. 364 deriva da escritura pública faz certo que a parte prestou as declarações registradas pelo Tabelião. Não implica, porém, a veracidade obrigatória dos fatos que a parte declarou ao notário.

Indicação Doutrinária – Moacir Amaral Santos, Prova Judiciária, vol. IV, cap. III – documentos públicos; Moacir Amaral Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, vol. II, nº 612 – documentos públicos; João Batista Lopes, Manual das Provas no Processo Civil, 1974, p. 40 – citando Chiovenda, há de diferenciar-se entre a verdade extrínseca e intrínseca do documento público; Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 446; Carlos Alberto Aulicino, A fé pública (RT 484/27); Edson Ribas Malachini, Do julgamento conforme o estado do processo (RP 6/77); Idéu Rocha, Desnecessidade de testemunhas intrumentárias nos atos notariais (RT 558/261); João Abrahão, O valor probatório das reproduções mecânicas (RP 20/127); José Augusto Rodrigues Pinto, A prova documental no processo do trabalho (RDT1 33/17); José Carlos Barbosa Moreira, O juiz e a prova (RP

126 35/178); José Carlos Moreira Alves, Os requisitos da escritura pública no direito brasileiro (Ajuris 20/7; RAMPR 16/17; RFDUSP 73/229); José Casado Silva, Considerações sobre a prova documental (RF 289/107); José Roberto Freire Pimenta, Relação de emprego: somente prova documental levada à colação; necessidade de determinar a qual das partes incumbe o onus probandi de suas alegações; sentença provida parcialmente para declarar a existência da relação de emprego (RJMin 83-84/203); José Rogério Cruz e Tucci, Valor probante do suporte informático (Ajuris 44/101); Marcos Emanuel Canhete, Momento processual da produção da prova documental no direito processual do trabalho (Ltr 46-7/801, jul./1982); Sebastião Luiz Amorim e José Celso de Mello Filho, Aspectos da escritura pública (JTACiv.SP 45/219; RJTJSP 45/13; RF 257/401); Wilson Carlos Rodycz, Liminares possessórias (Ajuris 40/166).

Jurisprudência Selecionada – "Documento público. Valor probante. CPC, art. 364. O documento público, contendo declarações de um particular, faz certo, em princípio, que aquelas foram prestadas. Não se firma a presunção, entretanto, de que seu conteúdo corresponde à verdade'' (Ac. unân. da 3ª T.

do STJ, no REsp. nº 37.253-4-SP, julgado em 12.09.94 – Relator: Min. Nilson Naves).

Art. 365. Fazem a mesma prova que os originais:

I – as certidões textuais de qualquer peça dos autos, do protocolo das audiências, ou de outro livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele ou sob sua vigilância e por ele subscritas;

II – os traslados e as certidões extraídas por oficial público, de instrumento ou documentos lançados em suas notas;

III – as reproduções dos documentos públicos, desde que autenticadas por oficial público ou conferidas em cartório, com os respectivos originais.

Referência Legislativa – Lei nº 6.015, de 31.12.73 (LRP), art. 161; CC, art. 138.

Indicação Doutrinária – Sérgio Sahione Fadel, CPC Comentado, vol. I, 5ª ed., ps. 600/1.

Jurisprudência Selecionada – "Agravo regimental. Autenticação. É de negar-se provimento ao agravo regimental se as peças trasladadas para a formação do instrumento vieram em desacordo com as normas do inciso III do art. 365 do CPC. Agravo regimental a que se nega provimento'' (AGA nº 86.872/SP, Rel. Min. José de Jesus Filho, DJ de 26.02.96).

Art. 366. Quando a lei exigir, como da substância do ato, o instrumento público, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a falta.

Referência Legislativa – CC, art. 134.

Art. 367. O documento, feito por oficial público incompetente, ou sem a observância das formalidades legais, sendo subscrito pelas partes, tem a mesma eficácia probatória do documento particular.

Indicação Doutrinária – João Monteiro, Programa do Curso de Processo Civil, 3ª ed., vol. II, § 134, p. 138; Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 446.

Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumem-se verdadeiras em relação ao signatário.

Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato.

Indicação Doutrinária – Clóvis Bevilácqua, Código Civil Comentado, coms. ao art. 131 – ônus de provar a veracidade dos fatos; Carvalho Santos, Código Civil Brasileiro Interpretado, vol. III, p. 127; Ferreira Coelho, Código Civil Brasileiro, vol. IX, nº 82; Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 447.

Jurisprudência Selecionada – "O escrito particular, assinado pelas partes, isento de quaisquer ilicitudes, vícios de vontade ou de consentimento, e assim ratificado (CC, art. 148) em juízo pelos interessados, constitui prova eficaz das obrigações nele insertas, para produzir efeitos entre seus signatários – CC, art. 131, caput, c/c art. 368 do CPC" (Ac. unân. 6.566 da 3ª T. do TJPR de 24.10.89, na Apel. nº 1.706/87, Rel. Des. Silva Wolff).

"As declarações que se presumem verdadeiras são as dispositivas e enunciativas diretas. As enunciativas indiretas, como ensina a doutrina, máxime quando apenas referentes à ciência relativa a determinado fato, valem como simples declarações, e como tais são havidas provadas. O fato declarado, entretanto, depende de prova pelos meios regulares, recaindo o ônus da prova em quem tenha interesse em demonstrar a sua veracidade, nos termos do art. 368, § único do CPC" (Ac. da 4ª Câm. do TJRS de 20.05.87, na Apel. nº 586.022.527, Rel. Des. Sauro Duarte Gehlen; RJTJRS, 125/411).

"A presunção juris tantum de veracidade do conteúdo de instrumento particular é invocável tão-somente em relação aos seus subscritores" (Ac. unân. da 4ª T. do STJ de 13.3.95, no REsp. nº 33.200-3-SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo; DJU, 15.5.95, p. 13.407).

Art. 369. Reputa-se autêntico o documento, quando o tabelião reconhecer a firma do signatário, declarando que foi aposta em sua presença.

Breves Comentários – É relativa a presunção de veracidade das assinaturas lançadas em documento na presença do notário público e por este reconhecidas.

Art. 370. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provar-se-á por todos os meios de direito. Mas, em relação a terceiros, considerar-se-á datado o documento particular:

I – no dia em que foi registrado;

II – desde a morte de algum dos signatários;

III – a partir da impossibilidade física, que sobreveio a qualquer dos signatários;

IV – da sua apresentação em repartição pública ou em juízo;

V – do ato ou fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade da formação do documento.

Indicação Doutrinária – Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 448.

Jurisprudência Selecionada – "A data do documento particular, quando a seu respeito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, provar-se-á por todos os meios de direito. Em relação a terceiros, considerar-se-á datado no dia em que houve o reconhecimento da firma pelo tabelião. Inteligência do art. 370, combinado com o art. 369 do CPC" (Ac. do TJDF de 26.10.89, na Apel. nº 20.217, Rel. Des. Elmano de Farias; Rev. de Dout. e Jurisp., 31/142).

"Se o documento firmado pelo autor está sem autenticação por notário público, a teor do que estabelece o art. 370, IV, há de ser tido como datado da data em que exibido em juízo" (Ac. unân. da 3ª T. do STJ de 10.12.90, no R.Esp. nº 6.425-PR, Rel. Min. Dias Trindade; RT, 669/204).

Art. 371. Reputa-se autor do documento particular:

127 I – aquele que o fez e o assinou;

II – aquele, por conta de quem foi feito, estando assinado;

III – aquele que, mandando compô-lo, não o firmou, porque, conforme a experiência comum, não costuma assinar, como livros comerciais e assentos domésticos.

Referência Legislativa – CPC, arts. 376 (registros domésticos); 378 e 379 (livros comerciais).

Jurisprudência Selecionada – ..."A questão de conter o documento substância, aposta por outrem que não quem o subscreveu, é matéria a ser apreciada pelo juiz. Para tanto, o legislador adotou o regramento contido no art. 371 do CPC, onde dispõe que é autor do documento particular, aquele que o fez e o assinou; aquele, por conta de quem foi feito, estando assinado. Ora, na fase probatória caberá ao juiz propiciar às partes a produção de prova tendente a demonstrar se o documento foi feito por conta de quem assinou" (do voto do Des. Décio Antônio Erpen, Rel. do ac. unân. da 3ª Câm. do TJRS, de 13.05.86, no Agr. nº 586.014.722; RJTJRS, 118/222).

Art. 372. Compete à parte, contra quem foi produzido documento particular, alegar, no prazo estabelecido no art. 390, se lhe admite ou não a autenticidade da assinatura e a veracidade do contexto; presumindo-se, com o silêncio, que o tem por verdadeiro.

Parágrafo único. Cessa, todavia, a eficácia da admissão expressa ou tácita, se o documento houver sido obtido por erro, dolo ou coação.

Referência Legislativa – CC, arts. 86 a 101; CPC, art. 390 (argüição de falsidade).

Jurisprudência Selecionada – "O silêncio da parte, contra a qual se produziu o documento, faz presumir sua veracidade. Mas o silêncio da parte contra a qual se argúi de falso o documento não leva à presunção de que é verdadeira a argüição, pois não incide, neste caso, o art. 316 do estatuto processual.

Isto porque o art. 392 obriga à realização de prova pericial. O silêncio do argüido interpreta-se, portanto, como resistência à pretensão do argüente" (Ac.

unân. da 11ª Câm. do TJSP de 04.12.86, no Agr. nº 103.168-2, Rel. Des. Salles Penteado; RJTJSP, 106/343).

Art. 373. Ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo anterior, o documento particular, de cuja autenticidade se não duvida, prova que o seu autor fez a declaração, que lhe é arbitrada.

Parágrafo único. O documento particular, admitido expressa ou tacitamente, é indivisível, sendo defeso à parte, que pretende utilizar-se dele, aceitar os fatos que lhe são favoráveis e recusar os que são contrários ao seu interesse, salvo se provar que estes se não verificaram.

Referência Legislativa – CPC, arts. 367 a 373 (documento particular).

Art. 374. O telegrama, o radiograma ou qualquer outro meio de transmissão tem a mesma força probatória do documento particular, se o original constante da estação expedidora foi assinado pelo remetente.

Parágrafo único. A firma do remetente poderá ser reconhecida pelo tabelião, declarando-se essa circunstância no original depositado na estação expedidora.

Breves Comentários – A Lei nº 9.800, de 26.05.99, disciplinou a utilização de sistema de transmissão de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar, para a prática de atos processuais que dependam de petição escrita. Não prevalecem mais as restrições que parte da jurisprudência fazia aos recursos via fax. Bastará a parte juntar os originais da petição até cinco dias após o prazo legal previsto para o ato praticado (art. 2º). O texto da Lei nº 9.800 se encontra na parte reservada à Legislação Especial.

Indicação Doutrinária – Moacir Amaral Santos, Prova Judiciária, vol. IV, nos119/121; Carvalho de Mendonça, Tratado de Direito Comercial Brasileiro, 1933, vol. VI, nº 162 – "o telegrama é cópia da tradução do despacho pela estação receptora; não é cópia do original, assinado pelo expedidor, e entregue na estação transmissora"; Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 449 – sobre telefax ou fac-símile.

Jurisprudência Selecionada – "É admissível a utilização do sistema fax na impetração do recurso" (Ac. unân. da 4ª T. do STJ no Agr. nº 372-PE, Rel.

Min. Fontes de Alencar, DJU 16.10.91, p. 14.481).

"A exigência de reconhecimento da firma se justifica nos casos de petições interpostas por telegrama ou telex, podendo ser dispensadas nos casos de petições manifestadas pelo sistema fax, pois nas cópias por faxconsta a imagem gráfica da assinatura do advogado, passível de confrontação com as assinaturas constantes dos autos. Todavia, por segurança e como as cópias faxpodem com o tempo sofrer esmaecimento, deverá o peticionário providenciar a breve apresentação do original da petição. Harmoniza-se, assim, o uso de técnicas modernas com as necessidades de segurança processual" (Ac. por maioria da 4ª T. do STJ, Rel. Min. Athos Carneiro, j. em 16.04.91, não conheceram do agravo por não apresentada a petição de recurso original – DJU 10.06.91, p. 7.851).

"Agravo regimental de que não se conhece, visto haver sido interposto por meio de telex, desprovido de reconhecimento de firma (art. 374, parág. único, CPC)" (Ac. da 1ª T. do STF de 29.10.91, no AI nº 130.870-2-PR, Rel. Min. Octavio Gallotti; DJU, 22.11.91, p. 16.848).

"É admissível a utilização de fax, para a prática de atos processuais, desde que, tratando-se de prazos preclusivos e peremptórios – como os de índole recursal –, a ratificação sobrevenha enquanto não esgotado aquele lapso de ordem temporal" (Ac. do Pleno do STF de 05.12.91, no MI nº 3.726-6-SP, Rel. Min. Celso de Mello; DJU, 21.02.92, p. 1.692).

"Não se conhece de recurso que, embora tempestivamente interposto mediante fax, só vem a ser ratificado quando já decorrido o prazo recursal" (Ac. da 1ª T. do STF de 02.06.92, no AI nº 143.183-9-AM, Rel. Min. Celso de Mello; DJU, 04.09.92, p. 14.093).

"Interposto tempestivamente o recurso via fax, a juntada da petição original logo após o decurso do prazo do recurso não o prejudica" (Ac. da 4ª T. do STJ de 6.10.93, no Agr. nº 37.149-3-MG, rel. Min. Garcia Vieira; DJU, 22.11.93, p. 24.909).

"A teor do disposto no art. 374 do Código de Processo Civil, a formalização de recurso via telex não prescinde da notícia de encontrar-se o original com a firma do subscritor devidamente reconhecida" (STF, Ac. unân. da 2ª T., publ. em 12.5.95, AG-AI 156.793-8-SP, Rel. Min. Marco Aurélio).

Art. 375. O telegrama ou o radiograma presume-se conforme com o original, provando a data de sua expedição e do recebimento pelo destinatário (artigo com a redação da Lei nº 5.925, de 01.10.1973).

Breves Comentários – Telegrama, no processo civil, é utilizado para a transmissão urgentede cartas de ordeme precatória, e, a requerimento do interessado, do inteiro teor da sentença em mandado de segurança.

Art. 376. As cartas, bem como os registros domésticos, provam contra quem os escreveu quando:

I – enunciam o recebimento de um crédito;

II – contêm anotação, que visa a suprir a falta de título em favor de quem é apontado como credor;

III – expressam conhecimento de fatos para os quais não se exija determinada prova.

Referência Legislativa – Lei nº 5.988, de 14.12.73 (publicação de cartas missivas).

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Indicação Doutrinária – Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 449.

Art. 377. A nota escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo de obrigação, ainda que não assinada, faz prova em benefício do devedor.

Parágrafo único. Aplica-se esta regra tanto para o documento, que o credor conservar em seu poder, como para aquele que se achar em poder do devedor.

Indicação Doutrinária – Carvalho Santos, Código de Processo Civil Interpretado, vol. III, p. 244 – sobre menção liberatória; Sérgio Sahione Fadel, CPC Comentado, vol. I, ps. 613/4.

Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos.

Referência Legislativa – C. Com. arts. 11 a 20; Lei nº 6.404, de 15.12.76 (sociedades anônimas), art. 100; Lei nº 5.474, de 18.07.68 (duplicatas), art. 19;

DL nº 486, de 03.03.69 (escrituração de livros mercantis); Decreto nº 64.567, de 22.05.69 (regulamento).

Indicação Doutrinária – Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 450.

Art. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre comerciantes.

Indicação Doutrinária – Waldemar Ferreira, Tratado de Direito Mercantil Brasileiro, 1939, vol. II, p. 199 – prova dos livros comerciais; Orlando Soares, Comentários ao CPC, vol. I, 1ª ed., ps. 696/7.

Art. 380. A escrituração contábil é indivisível: se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto como unidade.

Referência Legislativa – CPC, arts. 354 (indivisibilidade da confissão); 373, § único (indivisibilidade do documento particular).

Indicação Doutrinária – Moacir Amaral Santos, Comentários ao CPC, vol. IV, 6ª ed., nº 171, ps. 190/2.

Art. 381. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos livros comerciais e dos documentos do arquivo:

I – na liquidação de sociedade;

II – na sucessão por morte de sócio;

III – quando e como determinar a lei.

Referência Legislativa – CPC, arts. 355 a 363 (exibição de documento ou coisa); 844, II e III (medida cautelar de exibição de livros); C. Com., arts. 18 a 20; LSA, art. 105; LF, art. 30, III, 63, V, 169, V e VI.

Indicação Doutrinária – Márcio Antônio Inacarato, O Valor Probante dos Livros Comerciais, RF268/427; Hermano Durval, Livros Comerciais sem Fé Judicial, RF, 251/95; Waldírio Hulgarelli, Exibição judicial de livros – Segredo Mercantil, RF258/202.

Jurisprudência Selecionada – Súmula do Supremo Tribunal Federal nº 260: "O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica limitado às transações entre os litigantes."

"A exibição, contemplada no art. 381 do CPC, só tem aplicação se requerida em caráter incidental. O texto legal é bastante claro, pois só a pode pleitear quem é parte em processo pendente. Sobreleva considerar que a exibitória, como medida cautelar, autônoma, portanto, tem lugar unicamente nos casos expressos em lei, consoante prescreve o art. 846, III, do CPC. Não se cuidando de questão entre sócios ou sucessão por morte, o procedimento cautelar não é apropriado para a apuração de débito com exame de escrita, o que deve ser encontrado por ação própria" (Ac. unân. da 7ª Câm. do 1º TACiv.SP de 31.03.87, na Apel. nº 368.269-0, Rel. Juiz Pereira da Silva, JTACiv.SP, 105/61).

Art. 382. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte a exibição parcial dos livros e documentos, extraindo-se deles a suma que interessar ao litígio, bem como reproduções autenticadas.

Breves Comentários – A exibição não deve violar o sigilo contábil, motivo pelo qual não se permite que vá além da parte da escrituração pertinente ao litígio.

Art. 383. Qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, cinematográfica, fonográfica ou de outra espécie, faz prova dos fatos ou das coisas representadas, se aquele contra quem foi produzida lhe admitir a conformidade.

Parágrafo único. Impugnada a autenticidade da reprodução mecânica, o juiz ordenará a realização de exame pericial.

Indicação Doutrinária – João Abraão, O Valor Probatório das Reproduções Mecânicas, RP, 20/127; Renato Maciel de Sá Jr., A Prova Fonográfica, RF, 290/498; Hermano Durval, A Dimensão Jurídica da Fita Magnética, RF, 251/385; Orlando Soares, Comentários ao CPC, vol. I, 1ª ed., ps. 701/2; Luiz Rodrigues Wambier, Prova. Gravação magnética. Conduta imoral e ilegal (RF310/308); Régis Fernandes de Oliveira, A prova colhida em fita magnética – Validade (RT643/25).

Jurisprudência Selecionada – "Prova. Fita magnética. Aplicação do art. 5º, X, XII e LVI, da CF. A admissão de prova fixada em fita magnética deixou de se situar, como dispõe o CPC, no âmbito da autenticidade da reprodução, para alcançar a própria forma de obtenção de sua gravação e sua legitimidade e licitude. A nova Constituição alargou a proteção e o resguardo da intimidade, fazendo questão de enfatizar que são inadmissíveis no processo as provas obtidas por meios ilícitos. Ademais, tais provas somente poderão ser utilizadas para "fins de investigação criminal ou instrução processual penal", nos termos e condições do art. 5º, XII, da CF. AI nº 124.954-1 (segredo de justiça) – 4ª C. – J.23.11.89 – rel. Des. Olavo Silveira" (Ac. unân. da 4ª Câm. Cív.

do TJ-SP, no AI nº 124.954/1, julgado em 23.11.89 – Relator: Des. Olavo Silveira; RT649/65).

Art. 384. As reproduções fotográficas ou obtidas por outros processos de repetição, dos documentos particulares, valem como certidões, sempre que o escrivão portar por fé a sua conformidade com o original.

Referência Legislativa – CPC, art. 365, III (cópias reprográficas); LRP, art. 141 (microfilmagem).

Jurisprudência Selecionada – "A cópia sem autenticação de documento particular não indispensável faz a mesma prova que o original e sua conferência somente é imprescindível se a parte contra quem produzida impugná-la" (Ac. unân. da 7ª Câm. do 2º TACiv.SP de 21.10.87, na Apel. nº 206.355-2, Rel.

Juiz Bóris Kauffmann; RT, 624/146).

Art. 385. A cópia de documento particular tem o mesmo valor probante que o original, cabendo ao escrivão, intimadas as partes, proceder à conferência e certificar a conformidade entre a cópia e o original.

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§ 1º Quando se tratar de fotografia, esta terá de ser acompanhada do respectivo negativo.

§ 2º Se a prova for uma fotografia publicada em jornal, exigir-se-ão o original e o negativo.

Indicação Doutrinária – Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 451.

Jurisprudência Selecionada – "A cópia de documento tem o mesmo valor probante do original, se a parte contra quem é produzida não impugna a sua fidelidade" (Ac. unân. da 6ª Câm. do TACiv.RJ de 25.02.85, na Apel. nº 32.470, Rel. Juiz Martinho Campos).

Art. 386. O juiz apreciará livremente a fé que deva merecer o documento, quando em ponto substancial e sem ressalva contiver entrelinha, emenda, borrão ou cancelamento.

Referência Legislativa – CPC, art. 171 (atos processuais; espaços em branco, entrelinhas, emendas e rasuras).

Indicação Doutrinária – Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 453.

Art. 387. Cessa a fé do documento, público ou particular, sendo- lhe declarada judicialmente a falsidade.

Parágrafo único. A falsidade consiste:

I – em formar documento não verdadeiro;

II – em alterar documento verdadeiro.

Indicação - Doutrinária – Moacir Amaral Santos, Prova Judiciária, vol. IV, cap. XII; Jorge Americano, Processo Civil e Comercial, 1925, ps. 21/2 – sobre falsidades material e ideológica; Edmundo Muniz Barreto, Falsidade Documental e Falsidade Ideológica, in Revista do Supremo Tribunal Federal,57/611;

Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, nº 455; Pestana de Aguiar, Comentários ao CPC, 1974, vol. IV, p. 213; Ada Pelegrini Grinover, Ação Declaratória Incidental, 1ª ed., nº 56 – só cabe incidente de falsidade quando ocorrer falsidade material; Humberto Theodoro Júnior, Ação Declaratória e Incidente de Falsidade: Falso Ideológico e Intervenção de Terceiros, RP, 51/32; Marcelo Cintra Zarif, Comentário a acórdão versando sobre o tema falsidade ideológica, RP6/286.

Jurisprudência Selecionada – "A falsidade a que se refere a lei quanto ao incidente do art. 390 do CPC é a material, e não intelectual ou ideológica, pois, neste caso, há manifestação de vontade, embora eivada de vício" (Ac. unân. da 7ª Câm. do 1º TACiv.SP de 29.03.88, na Apel. nº 383.458, Rel. Juiz Vasconcellos Pereira; RT, 629/155).

"É de se notar que a Lei Processual, ao tratar da argüição de falsidade, não faz distinção alguma entre o falso material e o falso ideológico, e ainda o art.

387 do CPC diz que a falsidade consiste não só em alterar documento verdadeiro, como em tornar documento não-verdadeiro, compreendendo, portanto, tanto a falsidade material como a ideológica. Logo, é de se admitir o incidente de falsidade também em relação a documentos que afirmam ser

387 do CPC diz que a falsidade consiste não só em alterar documento verdadeiro, como em tornar documento não-verdadeiro, compreendendo, portanto, tanto a falsidade material como a ideológica. Logo, é de se admitir o incidente de falsidade também em relação a documentos que afirmam ser