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Capítulo I - Das Partes Art. 566. Podem promover a execução forçada:

I – o credor a quem a lei confere título executivo;

II – o Ministério Público, nos casos prescritos em lei.

Referência Legislativa – CPC, arts. 81 (legitimação do MP); 291 (obrigação indivisível); 583 a 590 (título executivo); 598 a 601 (disposições gerais); 612 a 620 (diversas espécies de execução; disposições gerais).

Indicação Doutrinária – Anselmo de Castro, A Ação Executiva Singular, Comum e Especial, Coimbra, 1ª ed., p. 72, § 3º, nº 12 – a legitimação para promover a execução não provém da obrigação em si mesma, pois pode haver credor, sem que haja possibilidade de o mesmo poder usar o processo de execução, para ser satisfeita sua pretensão; Amílcar de Castro, Comentários ao CPC (1973), vol. VIII, p. 20, nº 33 – o devedor não pode agir, na execução, como age o sujeito passivo da relação de direito material, o devedor não pode mover ação executiva contra si mesmo; Alcides de

Mendonça Lima, Atividade do Ministério Público no Processo Civil, RF, 257/157; RP, 10/63: RDPGERJ, 07/24; Eliezer Rosa, Dicionário de Processo Civil, p. 126 – "... a assistência na execução, a pretexto de que o silêncio da lei não vale como proibição e ainda com fundamento no princípio da economia processual"; Humberto Theodoro Júnior, Processo de Execução, Leud, 16ª ed., e Execução, Aide; E. D. Moniz de Aragão, Processo de Execução, RF, 246/51; Cláudio Vianna de Lima, O Processo de Execução no novo CPC, RF, 246/124; Hamilton de Moraes e Barros, Alguns Problemas da Execução Forçada, RF, 248/26; Alcides de Mendonça Lima, Principais Inovações no Processo Executivo Brasileiro, RF, 258/119; Antônio Carlos Costa e Silva, Algumas Questões Controvertidas do Processo de Execução, RF, 266/369; Athos Gusmão Carneiro, Da Execução no novo CPC; RP, 10/97; Ovídio Baptista da Silva, Ação de Execução, Ajuris 20/186; José Augusto Delgado, Algumas Controvérsias na Aplicação do Processo de Execução, RP, 27/144;

Marcos Afonso Borges, Execução Forçada; Cândido Dinamarco, Condições da Ação na Execução Forçada, Ajuris, 34/42, RF 248/27; Humberto Theodoro Jr., A Execução Forçada no Processo Civil, RP, 46/152; Ernane Fidélis dos Santos, Partes e Responsabilidade Patrimonial no Processo de Execução, RBDP, 25/21; Carlos Alberto Carmona, "O Processo de Execução depois da Reforma", RF, 333/39; Araken de Assis, "Reforma do Processo Executivo", Inovações do CPC, p. 143; Giuseppe Tarzia, Problemas Atuais de Execução Forçada, RF, 341/57.

Jurisprudência Selecionada – "Honorários de advogado. Direito autônomo do advogado. Art. 23 da Lei nº 8.906/94. Dúvida não há sobre o direito autônomo do advogado a executar na parte relativa aos honorários profissionais, a teor do art. 23 da Lei nº 8.906/94. Todavia, esse direito não fica maculado quando a execução é feita pela parte com a representação do mesmo advogado que recebeu a procuração para ajuizar a ação e, depois, ingressa com a execução, tendo, até mesmo, assinado as contra-razões do especial. Tal cenário revela acordo do advogado com a parte, não competindo ao juiz obstar tal procedimento" (STJ, REsp. nº 144.335/RS, 3ª T., Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, ac. 08.08.98, in DJU 26.10.98, p. 115).

Art. 567. Podem também promover a execução, ou nela prosseguir:

I – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo;

II – o cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe foi transferido por ato entre vivos;

III – o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional.

Referência Legislativa – CPC, arts. 41 a 45 (substituição das partes e dos procuradores); 267, IX (extinção do processo sem julgamento do mérito; ação intransmissível); 673 (penhora em direito e ação); 1.055 e 1.062 (habilitação); CC, arts. 913 (solidariedade passiva); 985 a 990 (pagamento com sub-rogação); 1.065 a 1.078 (cessão de crédito); 1.491 a 1.501 (efeitos da fiança).

Indicação Doutrinária – Alcides de Mendonça Lima, Comentários ao CPC, vol. VI, 7ª ed., 1991, nº 231, p. 102 – o inventariante judicial é dativo, neste caso, devem participar da execução todos os herdeiros: nº 251, p. 108/9 – "tratando-se de título extrajudicial das execuções... . Se, porém, levantar-se qualquer dúvida, deverá ser instaurado, então, o procedimento especial da habilitação (Livro IV, Capítulo XI, inserto na "Jurisdição Contenciosa"). O mesmo pode acontecer em relação ao cônjuge supérstite, considerado, para este fim, por ficção, como "herdeiro"; Humberto Theodoro Jr., Processo de Execução, nº 11, p. 45 – o legislador esqueceu-se de prever os casos da herança jacente ou vacante e a massa falida, omisso, pois, o art. 567.

Jurisprudência Selecionada – "O avalista que pagou o débito em execução pode, como sub-rogado, prosseguir contra o devedor avalizado (nos mesmo autos), "a despeito da homologação da desistência" (do credor primitivo)" (Ac. do 1º TACiv. SP de 27.09.77 no Agr. nº 235.982, Rel. Juiz Jurandyr Nilsson;

RT, 508/143).

"O prosseguimento da execução pelo cessionário, mesmo que tenha havido citação anterior, é perfeitamente cabível, bastando que o devedor tome conhecimento da cessão, que se opera independentemente de seu consentimento, antes do pagamento do débito" (Ac. unân. da 3ª Câm. do TAMG de 05.08.86, na Apel. nº 31.054, Rel. Juiz Hugo Bengtsson; RJTAMG, 28/139).

Art. 568. São sujeitos passivos na execução:

I – o devedor, reconhecido como tal no título executivo;

II – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;

III – o novo devedor, que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo;

IV – o fiador judicial;

V – o responsável tributário, assim definido na legislação própria (caput e incisos com a redação da Lei nº 5.925, de 01.10.1973).

Referência Legislativa – CPC, arts. 42, § 1º (substituição das partes e dos procuradores; alienação); 584, § único (título executivo extrajudicial;

inventariante, herdeiros e sucessores); 591 a 597 (alienação de coisa litigiosa); 827 (prestação de caução); 1.061 (habilitação; sucessão processual); CTN, arts. 128 a 138.

Indicação Doutrinária – José Alberto dos Reis, Processo de Execução, nº 60, p. 214 – "convém distinguir responsabilidade e obrigação. Não pode haver obrigação sem responsabilidade, visto que esta é a sujeição à coação ou aos atos pelos quais se traduz a sanção e sem coação não é concebível o vínculo obrigatório; mas pode haver responsabilidade sem obrigação, o que significa que o responsável, isto é, o indivíduo sujeito a coação, pode ser

186 pessoa diversa do obrigado"; Aroldo Plínio Gonçalves, Da Denunciação da Lide, ps. 306 e segs. – contrário à aplicação da denunciação à lide ao devedor insolvente, denunciado pelo avalista; João José Ramos Schaefer, A Posição Processual do Terceiro Prestante de Garantia Real no Processo de Execução da Dívida, Ajuris, 20/89; Araken de Assis, Da Legitimidade do Fiador no Processo de Execução, RP, 38/230.

Jurisprudência Selecionada – "Não inviabiliza a execução fiscal contra os sócios gerentes, com apoio no art. 135, III, do CTN, a circunstância de não figurar no título senão o nome da sociedade de responsabilidade limitada. O molde do art. 202 do aludido Código consigna a necessidade da nomeação dos co-responsáveis, mas quando possível, e ainda assim daqueles que se solidarizam pelo vínculo com o fato gerador do tributo e não daqueles que se tornem substitutos por um evento superveniente. A responsabilidade tributária, no caso, e a sujeição passiva à execução independem de novação no título executivo, conceito a que adere o art. 568, V, do CPC. – Aí o responsável tributário, não é precisamente a pessoa mencionada na certidão da dívida ativa, mas a pessoa definida como responsável na legislação fiscal" (ac. unân. da 1ª T. do STF de 02.03.82, no RE nº 95.393-1-RJ, Rel. Min. Luiz Rafael Mayer;

DJ, 02.04.82, p. 2.886).

"Não nega a vigência do art. 568, I do CPC, a decisão que, em execução hipotecária, indefere liminarmente os embargos opostos pelos adquirentes das unidades imobiliárias gravadas, por não possuírem qualidade de devedores reconhecidos como tais no título executivo" (ac. unân. da 1ª T. do STF de 02.08.85, em Agr. Reg. no Agr. nº 103.318-SP, Rel. Min. Octávio Gallotti; RTJ, 115/860; RT, 600/239).

"Constitui erro de ofício e importa em inversão da ordem legal de processo, suscetível, portanto, de correção por via de reclamação, o despacho que determina a execução, com penhora de bens, contra quem não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 568 do CPC" (ac. unân. da 4ª Câm. do TJRJ de 23.04.85, na Apel. nº 906/85, Rel. Des. Narcizo Pinto).

"O terceiro que constitui hipoteca sobre bens próprios em garantia da dívida de outrem, não se torna devedor solidário, mas assume uma responsabilidade própria de resgatar o débito, não o do bem hipotecado. A obrigação hipotecária consubstancia título executivo, cuja execução se pode fazer diretamente contra o terceiro-garante, independentemente de litisconsórcio com o devedor principal. Assim como a fiança pessoal pode ser executada apenas contra o fiador; também a hipoteca de terceiro, que é espécie de fiança real, permite a execução isolada contra o prestador da garantia" (Ac. do TAMG na Apel. nº 16.986; Humberto Theodoro Júnior, Títulos de Crédito e outros Títulos Executivos, S. Paulo, Saraiva, 1986, ps. 234-235).

Art. 569. O credor tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas.

Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte (§ único acrescentado pela Lei nº 8.953, de 13.12.1994):

a) serão extintos os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o credor as custas e os honorários advocatícios;

b) nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do embargante.

Referência Legislativa – CPC, arts. 38 (poderes do advogado para desistir); 158, § único (homologação da desistência); 267, § 4º (extinção do processo sem julgamento do mérito).

Breves Comentários – O parágrafo único do art. 569, acrescentado pela Lei nº 8.953, de 13.12.94, faz uma distinção entre os embargos puramente processuais (de forma) e aqueles que suscitam questões substanciais (de mérito). No primeiro caso, a desistência da execução acarreta também a extinção dos embargos de devedor, mesmo porque extinta a relação processual executiva ficaria sem objeto a ação de embargos. Ao credor, porém, serão imputados os encargos sucumbenciais, isto é, a responsabilidade pelas custas e honorários advocatícios. No segundo caso, ou seja, nos embargos de mérito, o credor não poderá desistir sem o assentimento do embargante, justamente porque lhe assiste o direito de prosseguir na ação incidental para encontrar uma solução judicial definitiva para o vínculo obrigacional litigioso.

Indicação Doutrinária – Antônio Janyr Dall'Agnol Jr., Da Desistência no Processo de Execução, Ajuris, 19/72; Pontes de Miranda, Comentários ao CPC (1973), tomo IX, p. 109, nº 1 – desistida a primeira execução, terá que fazer prova o credor, do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários advocatícios, para que possa intentar segunda execução; Humberto Theodoro Júnior, Inovações ao Código de Processo Civil, Forense, 6ª ed., ps. 38/39;

Calmon de Passos, Inovações no CPC, Forense, 1995, p. 131.

Jurisprudência Selecionada – "Constitui a transação figura de transição entre o direito civil e o direito processual, negócio jurídico bilateral, resultante da convergência das vontades dos interessados transatores, pressupondo a existência, potencial ou efetiva, de um litígio sobre os direitos das partes.

Caracteriza-a a reciprocidade das concessões, pelo que constitui negócio jurídico oneroso, embora essa reciprocidade, saliente-se, não significa equivalência ou proporcionalidade das prestações nem das vantagens e ônus. Por fim, é preciso que através da transação ocorra a extinção ou a prevenção do litígio, sem o que o negócio não constituirá transação, mas ato constitutivo de direitos ou pagamento. Bem por isso, não se pode cogitar de transação condicional, que não poria fim à controvérsia. Já a desistência da ação, ou da execução, é figura tipicamente processual. A desistência da ação que acarreta a extinção do processo sem julgamento do mérito – art. 267, VIII, do Código de Processo Civil – não se confunde com a renúncia, pelo autor, do direito sobre que se funda a ação, a que alude o inc. V do art. 269 do mesmo estatuto. Nem se identifica com remissão da dívida ou com a renúncia ao crédito, a que se referem os incs. II e III do art. 794 do estatuto processual como causas de extinção da execução. Da ineficácia da transação não decorre, como conseqüência necessária, a ineficácia da desistência, que é irretratável'' (1º TACiv.-SP, ac. unân. da 1ª Câm., publ. na JTACiv.-SP nº 146/30, AI nº 507.137-0, Rel. Juiz Elliot Akel).

"Execução. Desistência. Embargos da executada. Honorários advocatícios. A desistência da execução não implica extinção da ação de embargos quando nestes forem suscitadas questões de direito material e a executada-embargante não concorda com extinção dos embargos. Art. 569, parágrafo único, alínea b do CPC. Prosseguindo a ação de embargos, nessa causa descabe a imediata condenação do embargado em honorários de advogado, matéria reservada à sentença que a julgar (art. 20, caput, do CPC)'' (Ac. unân. da 4ª T. do STJ, de 13.05.96, no REsp. nº 75.056/MG, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar; DJU de 17.06.96, p. 21.495).

Art. 570. O devedor pode requerer ao juiz que mande citar o credor a receber em juízo o que lhe cabe conforme o título executivo judicial; neste caso, o devedor assume, no processo, posição idêntica à do exeqüente.

Indicação Doutrinária – Humberto Theodoro Jr., Processo de Execução, p. 67, nº 02 – o procedimento a ser adotado pelo devedor será o da ação de consignação em pagamento; Orlando Soares, Comentários ao CPC, 1ª ed., vol. II, 1993, p. 157; Humberto Theodoro Jr., Curso de D. Processual Civil, vol.

II, nos 687/690.

Jurisprudência Selecionada – "O art. 570 do CPC apenas assegura ao devedor a iniciativa, se desejar oferecer em Juízo, ao credor, "o que lhe cabe, conforme o título executivo judicial". Se o título for extrajudicial, o remédio normal será a ação de consignação em pagamento" (ac. unân. da 4ª T. do TFR de 10.12.86 na Apel. nº 96.179-MG, Rel. Min. Antonio de Pádua Ribeiro, RTFR, 149/139).

Art. 571. Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor, este será citado para exercer a opção e realizar a prestação dentro em 10 (dez) dias, se outro prazo não lhe foi determinado em lei, no contrato, ou na sentença.

§ 1º Devolver-se-á ao credor a opção, se o devedor não a exercitou no prazo marcado.

§ 2º Se a escolha couber ao credor, este a indicará na petição inicial da execução.

Referência Legislativa – CPC, art. 288, § único (pedido alternativo); CC, arts. 884 a 888 (obrigações alternativas).

Indicação Doutrinária – Orozimbo Nonato, Direitos das Obrigações, p. 327 – vale observar que as obrigações alternativas tanto podem ser de dar, como de fazer ou de não fazer: podem compreender, como dilucida Giorgio Giorgi, prestações positivas e negativas, serviços reais e pessoais; Pontes de Miranda, Comentários ao CPC, (1973), tomo IX, ps. 122/3, nº 4 – na obrigação alternativa, no ato citatório, a escolha da obrigação não deve ser verbal,

187 deverá ser feita mediante petição escrita ou termo; Llelyn Medina, Execução de Obrigação Alternativa Quando a Escolha pertence ao Credor, RBDP, 10/101.

Jurisprudência Selecionada – "Nas obrigações alternativas, o devedor deverá ser citado para, uno actu, dentro do prazo de dez dias, se o direito for seu, por lei ou por contrato, optar e prestar. Omitindo-se a esse chamamento, cumpre ao credor formalizar a opção e prosseguir na execução" (ac. unân. da 1ª Câm. do TJSC de 07.11.85, na Apel. nº 23.679, Rel. Des. Napoleão Amarante; Jurisp. Cat., 51/106).

Art. 572. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o credor não poderá executar a sentença sem provar que se realizou a condição ou que ocorreu o termo.

Referência Legislativa – CC, arts. 114 a 122 (condição); 123 e 124 (termo); CPC, arts. 614, II (requisitos da execução); 618, III (nulidade da execução);

741, II (embargos à execução por título judicial); 743, V (excesso de execução).

Indicação Doutrinária – Alcides de Mendonça Lima, Comentários ao CPC, vol. VI, 7ª ed., nº 405, p. 159 – "O fato de o art. 572 referir-se à necessidade de provar que se realizou a condição é porque, implicitamente, a mesma é a suspensiva, cuja verificação dará vida ao ato jurídico a ela sujeito; Pontes de Miranda, Comentários ao CPC (1973), tomo IX, p. 137, nº 4 – idem.

Jurisprudência Selecionada – "Se o título tem e encerra quantia que não necessita de operação para que fique bem conhecida, pode-se dizer líquido; se oferece elementos quanto ao credor, devedor, bem quanto ao objeto devido, é certo; se está vencido pela ocorrência do prazo marcado, por condição realizada, não ajustada ou cumprida – art. 572 do CPC – é exigível" (ac unân. da 3ª Câm. do TARS, na Apel. nº 183.002.146, Rel. Juiz Luiz Fernando Koch; Adcoas, 1983, nº 93.516).

"Nula se apresenta a execução se instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrido o termo, como proclamam as normas dos arts. 572 e 618, III, do CPC" (Ac. da 4ª T. do STJ no REsp. nº 1.680-PR, rel. Min. Sálvio de Figueiredo; DJU, 2.4.90).

Art. 573. É lícito ao credor, sendo o mesmo o devedor, cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, desde que para todas elas seja competente o juiz e idêntica a forma do processo.

Referência Legislativa – CPC, arts. 292 (requisitos da cumulação); 575 (título judicial; competência); 576 (título extrajudicial; competência); 586, § 2º (sentença em parte líquida e em parte ilíquida).

Indicação Doutrinária – Pontes de Miranda, Comentários ao CPC, (1973), tomo IX, nº I, p. 141 – haverá pluralidade de devedores quando o devedor originário falece deixando vários herdeiros, permitindo, assim, a execução de todos eles; Amílcar de Castro, Comentários ao CPC (1973), vol. VIII, p. 24, nº 41 – quando diversas forem as naturezas das obrigações, o credor deverá promover execuções separadas; Humberto Theodoro Jr., Curso de D.

Processual Civil, vol. II, nº 691.

Jurisprudência Selecionada – "A lei não veda a cumulação de execução por títulos judiciais e extrajudiciais. Todavia, não cabe ao juiz, ao acolher os embargos à execução por títulos extrajudiciais somente, determinar o prosseguimento da execução por título judicial não exigida pelo exeqüente e nem concedê-la de ofício" (ac. unân. da 8ª Câm. do 2º TACiv. SP de 21.10.86, na Apel. nº 197.828-0, Rel. Juiz Garreta Prats; JTACiv. SP, 105/412).

Súmula nº 27 do STJ: "Pode a execução fundar-se em mais de um título extrajudicial relativos ao mesmo negócio".

"Instrumentalizada a execução com mais de um título, a eventual imprestabilidade de um não induz, necessariamente, a invalidade dos demais" (Ac. unân.

da 4ª T. do STJ de 8.6.93, no REsp. nº 34.719-5-MG, rel. Min. Sálvio de Figueiredo; DJU, 2.8.93, p. 14.257).

"Pode a execução, uma única execução, fundar-se em mais de um título extrajudicial (Súmula 27/STJ). Não pode, porém, o credor promover duas execuções, cobrando a mesma dívida ao mesmo tempo e separadamente" (Ac. da 3ª T. do STJ de 22.2.94, no REsp. nº 34.195-8-RS, rel. Min. Nilson Naves; DJU, 6.6.94, p. 14.274).

"Execução simultânea do devedor principal e seus avalistas, em processos distintos, por títulos diversos, mas oriundos da mesma dívida. Possibilidade."

(Ac. unân. da 4ª T. do STJ de 20.10.93, no REsp. nº 32.627-1-RS, rel. Min. Barros Monteiro; DJU, 6.12.93, p. 26.667. No mesmo sentido: RSTJ, 56/274).

"Execução. Dívida única. Processos diversos. Inadmissibilidade. Não é lícito ao credor promover, ao mesmo tempo, duas execuções distintas, cobrando a mesma dívida do devedor principal com base no contrato e dos avalistas pela nota promissória. Ambos os títulos, nesses casos, podem instrumentalizar uma única execução (verbete nº 27 da Súmula desta Corte)" (STJ, REsp. nº 97.854/PR, 4ª T., Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, ac. 15.10.98, in DJU 30.11.98, p. 165).

Art. 574. O credor ressarcirá ao devedor os danos que este sofreu, quando a sentença, passada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação, que deu lugar à execução.

Referência Legislativa – CPC, art. 588, parág. único (execução provisória sem efeito).

Breves Comentários – Trata-se de responsabilidade objetiva. O credor pode possuir título para abrir a execução. Mas se vier a ser reconhecido por sentença que a obrigação a ele correspondente já não existe mais (dívida já paga ou extinta por qualquer outro motivo jurídico), incidirá a responsabilidade indenizatória prevista no art. 574.

Indicação Doutrinária – Alcides de Mendonça Lima, Comentários ao CPC, vol. VI, 7ª ed., nº 452, p. 175 – Pelo sistema brasileiro nem se exige a prova da culpa do credor por ter intentado a execução. Se o requisito legal ocorrer – declaração da inexistência da obrigação – responsabilidade lhe cabe. Mas não basta que a responsabilidade seja decorrência natural daquela declaração: é necessário que, efetivamente, haja danos a serem ressarcidos ao devedor. Em caso contrário, tudo se resumirá nos ônus processuais normais (custas e honorários advocatícios); Amílcar de Castro, Comentários ao CPC (1973), vol. VIII, p. 28, nº 50 – o dispositivo não se aplica ao título judicial – fruto de sentença transitada em julgado –, pois esta já considera a obrigação existente, válida e eficaz, podendo ser atacada somente via embargos à execução, por motivos posteriores a sentença; J. J. Calmon de Passos, Responsabilidade do Exeqüente no novo Código de Processo Civil, RF, 246/167; Humberto Theodoro Júnior, Processo de Execução, Leud; Curso de Direito Processual Civil, Forense.

Jurisprudência Selecionada – "Execução. Declaração da inexistência parcial da obrigação. Dever de indenizar. A interpretação tradicional do art. 1.531 do CC é no sentido de que na sanção, nele prevista, só incidirá o credor que agir de má-fé. No entanto, tratando-se de execução baseada em título extrajudicial, incide o art. 574 do CPC, segundo o qual o credor deverá indenizar o devedor quando for declarada inexistente, total ou parcialmente, a obrigação. Neste caso, há responsabilidade objetiva, admitindo-se a condenação em dano moral" (Ac. pmv do 2º GCC do TJRS, nos EI nº 598.045.086, julgados em 08.05.98 – Relator: Des. Araken de Assis; RJTJRS 254/74).

Capítulo II - Da Competência Art. 575. A execução, fundada em título judicial, processar-se-á perante:

I – os tribunais superiores, nas causas de sua competência originária;

II – o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;

III – o juízo que homologou a sentença arbitral;

188 IV – o juízo cível competente, quando o título executivo for a sentença penal condenatória.

Referência Legislativa – CF, art. 102, I, m (competência originária dos tribunais superiores); CPC, arts. 94 a 101 (competência territorial); 102 a 111 (modificações da competência); 112 a 124 (declaração de incompetência); 584 (títulos executivos judiciais); 747 (embargos à execução mediante conta);

CPDC, art. 98, § 2º.

Breves Comentários – A competência para a execução de sentença de ação de alimentos é definida pela regra especial do art. 100, nº II, que prevalece sobre a regra geral do art. 575, nº II.

A competência do juízo da causa para a execução de sentença é funcional e, por isso mesmo, não pode ser tratada como relativa.

Indicação Doutrinária – Gabriel de Rezende Filho, Curso de D. Processual Civil, vol. III, p. 198, nº 1.008 – a competência do juiz do processo de conhecimento, para o julgamento da ação executiva, é relativa; Jorge Americano, Comentários ao CPC, vol. III, p. 114 – a competência é relativa; Amílcar de Castro, Comentários ao CPC, (1973), vol. III, p. 32, nº 35 – a competência é relativa; José Frederico Marques, Instituições de Direito Processual Civil, vol. I, p. 285, nº 169; vol. III, p. 108, § 129, nº 126 – a competência é funcional, por isso absoluta; Humberto Theodoro Jr., Curso de D. processual Civil, vol. II, nº 692 – "em princípio, no entanto, as normas básicas são estas: a competência é funcional e improrrogável em se tratando de execução de sentença civil condenatória, e é territorial e relativa, nos demais casos, podendo, pois, sofrer prorrogações ou alterações convencionais, de acordo com as regras gerais do processo de conhecimento."

Jurisprudência Selecionada – "A execução fundada em título judicial processar-se-á perante o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição,

Jurisprudência Selecionada – "A execução fundada em título judicial processar-se-á perante o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição,