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4.1 Instrumentos de análise da Racionalidade Ambiental na Praia de Ponta Negra

4.1.1 Principais intervenções urbanísticas ocorridas na Praia de Ponta Negra – de 2000 a

4.1.1.4 De 2010 a 2012: Desmoronando entre velhos e novos problemas

O processo judicial destinado ao ordenamento da praia foi julgado extinto na primeira instância. Chama-se a atenção para reflexão e análise posterior, o fato de que a sentença judicial, prolatada em 04/10/2010, extinguiu o processo sob a fundamentação de que “o Município de Natal comprovou que as providências ora executadas foram devidamente adotadas”32A despeito disso, os problemas da Praia de Ponta Negra continuavam a ser perceptíveis e amplamente divulgados pela imprensa local, como se analisa na matéria jornalística publicada em 10 de setembro de 2010:

Ponta Negra e o seu "mar de problemas" Por Zenaide Castro

O principal cartão-postal da cidade, a Praia de Ponta Negra, enfrenta um somatório de problemas ocasionados pela falta de ações e medidas voltadas à segurança, saúde pública, cidadania e, principalmente, a uma educação adequada. O lugar, que há alguns anos era parada obrigatória para quem visitava

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Fls. 147 a 149 dos autos do processo judicial 001.08.033826-8 ( 0033826-07.2008.8.20.0001) – em trâmite.

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  a cidade, era frequentada – dia e noite - pelos natalenses, hoje se vê em um “mar de problemas”.

[...]

Basta descer a ladeira de acesso à praia para presenciar outros problemas que afetam o local: os comerciantes e praticantes de corrida e caminhada reclamam do descaso com o calçadão. Em alguns pontos ele está com buracos. Os quiosques estão danificados e pouco iluminados. O patrulhamento é precário e vez por outra a praia está imprópria para banho por causa da poluição. (CASTRO, 2010, documento online não paginado).

Em dezembro de 2011, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte33, em grau de recurso, reconheceu que o Município não havia dado cumprimento às obrigações firmadas para ordenar a Praia de Ponta Negra e determinou fosse dado prosseguimento à cobrança ao acordo firmado em 2005.

O ano de 2012 teve início com a tentativa por parte da Prefeitura de Natal de realizar novo plano para ordenar as atividades na Praia de Ponta Negra. A Secretaria Municipal de Serviços Urbano (SEMSUR) chegou a realizar novo cadastro dos ambulantes; no entanto, as tentativas de solucionar os problemas foram suspensas. Concomitantemente, os problemas, inclusive os relativos à erosão costeira, com ameaças à danificação da infraestrutura construída à beira-mar já se apresentavam evidentes, demandando obras de manutenção e reparo.

Figura 23 – Danificaçãoda infraestrutura urbanística instalada à beira mar.

Fonte: Gilka da Mata, em 7 maio 2012.

                                                                                                                          33

Figura 24 – Danificaçãoda infraestrutura de esgotamento sanitário instalada à beira mar, prejudicando a

balneabilidade da praia.

Fonte: Gilka da Mata, em 7 maio 2012.

A capa do jornal “Tribuna do Norte” do dia 04 de julho de 2012, estampou a imagem das águas do mar atingindo e destruindo o “calçadão de Ponta Negra”. A matéria correspondente noticiou que “a maré alta voltou a castigar o calçadão da Praia de Ponta Negra, onde ruiu, pela madrugada, mais uma a parte do passeio público” (TRECHO..., 2012, documento online não paginado). A publicação informou ainda que as marés que atingiram a parte urbanizada da orla mediam 2.6 metros de altura e não foram as mais altas do ano, uma vez que já havia sido registrada a ocorrência de marés de 2,8 metros de altura nos meses de abril, maio e junho do mesmo ano.

O aumento das marés no dia 04 de Julho de 2012 causou o tombamento de algumas árvores, deixou postes de eletricidade e outras árvores na iminência de novos tombamentos e deixou a população em perigo.

 

Figura 25 – Danos ocasionados à estrutura implantada na Praia, em decorrência da dinâmica das marés

ocorrida em julho de 2012.

Fonte: União Federal (2015).34

O problema ensejou nova ação judicial para que o Município de Natal adotasse as medidas necessárias para proteção da população, tais como o isolamento de áreas de risco. A ação teve, também, como objetivo a realização de estudos periciais com vistas ao esclarecimento técnico de quais deveriam ser as medidas emergenciais para impedir os riscos iminentes, em especial para evitar os possíveis tombamentos e novos desmoronamentos; como deveriam ser realizadas as obras emergenciais de contenção/ reparação e de segurança dos frequentadores da Praia e avaliação da situação da erosão e dinâmicas marinhas da Praia de Ponta Negra – levando em consideração o trecho do início da Via Costeiraaté o Morro do Careca.

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UNIÃO FEDERAL. 4ª Vara Federal da Seção Judiciária (5. Região). Medida Cautelar Inominada. 0006804- 08.2012.4.05.8400 Autor: Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte, Ministério Público Federal e outros. Réu: Município de Natal. Encerrado em 27/04/2015.

Figura 26 – Registros dos processos erosivos na Praia de Ponta Negra com danos à infraestrutura

construída à beira-mar.

Fonte: Gilka da Mata, em 15 ago. 2012.

Os primeiros estudos periciais realizados na Praia de Ponta Negra e apresentados judicialmente em novembro de 201235 ressaltaram que, assim como acontecem em várias praias arenosas ao redor do mundo, a Praia de Ponta Negra passa por processo erosivo que está relacionado à ocupação da orla por construções fixas e rígidas, realizadas sem o adequado entendimento dos processos costeiros atuantes na morfodinâmicapraial, o que representa um agravamento socioambiental, uma vez que tais infraestruturas impedem o retorno e o avanço livres da linha de praia. (AMARO et al., 2012, fl. 42).

4.1.1.5 2013: o ano das grandes pedras na Praia de Ponta Negra

Em 2013, a paisagem da Praia de Ponta Negra foi severamente alterada. Mesmo não tendo sido a medida indicada pela equipe de peritos judiciais, a Prefeitura implantou, como forma de sustentação do calçadão, uma estrutura de enrocamento aderente, que se apresenta como um amontoado deblocos de rochas graníticas (grandes pedras) na extensão de todo o calçadão. O

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Laudo pericial referente à erosão da Praia de Ponta Negra, Natal, RN, considerações técnicas, realizada pela equipe de peritos nos autos do processo judicial 0006804-08.2012.4.05.8400 / 4ª Vara da Justiça Federal no Rio Grande do Norte. Equipe de peritos: Venerando Eustáquio Amaro; Ada Cristina Scudelari, Cláudio Freitas Neves; Werner FarkattTabosa; Zuleide Maria Lima; Olavo Francisco dos Santos Jr.; Anderson Targino da Silva Ferreira; André Luís Silva dos Santos. Equipe técnica: LívianRafaely de Santana Gomes; Débora Vieira Busman; Francisco Gabriel Ferreira de Lima; Maria de Fátima Alves de Matos; Mattheus da Cunha Prudêncio; Ranyere Maia Alves; Tarik Sousa Araújo e Rafael Victor de Melo Silva.

 

enrocamento teve como consequências principais a diminuição da área de areia da praia e a alteração da paisagem.

Figura 27 – Registro da instalação do enrocamento aderente realizado na Praia de Ponta Negra para

sustentação da infraestrutura do “calçadão”.

Fonte: Fernando Chiriboga, em 4 maio 2013.

Figura 28 – Registros da diminuição do espaço de areia da praia (principalmente nos períodos de

preamar) em decorrência da instalação do enrocamento instalado pela Prefeitura para sustentação da estrutura do calçadão.

O enrocamento instalado em Ponta Negra não pode ser considerado uma forma de conter a erosão costeira detectada no localO objetivo da medida foi apenas de proteger a estrutura do “calçadão”.36