4 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA ARRANJOS PRODUTIVOS
4.4 PROGRAMA DE APOIO A COMPETITIVIDADE DAS MICRO E
4.4.2 Descrição do Programa
Nacionalmente, o PROCOMPI é gerenciado por um comitê, que pelo lado da CNI é composto pela Gerência de Competitividade Industrial, do Instituto Euvaldo Lodgi (IEL), e pelo lado do SEBRAE Nacional, é composto pela Unidade de Atendimento Coletivo Indústria; competindo à Gerência de Desenvolvimento Empresarial, do IEL/RN, a execução do programa no âmbito do Estado.
O PROCOMPI rapidamente atingiu um nível de maturidade conceitual e metodológica, mesmo com pouco tempo de existência. Em 2004, a CNI e o SEBRAE elaboraram um manual operacional que demonstra esta afirmativa.
O manual composto de seis partes descreve as linhas gerais e mecanismos de gestão do programa, permitindo o nivelamento em todo o território nacional. Muitos dos termos, técnicas e procedimento adotados fazem referência a tecnologias desenvolvidas no âmbito do Sebrae.
Sendo assim, a parceria com o SEBRAE trouxe recursos, mas principalmente conhecimento e experiência na condução da política pública por parte do Instituto Euvaldo Lodgi – IEL. A partir da análise deste manual, descrevem-se os principais pontos da política pública em análise. O manual apresenta os seguintes pressupostos para a política:
Quadro 20: Pressupostos para a atuação do Procompi Pressupostos
estratégicos O fortalecimento das micro e pequenas indústrias no contexto do seu território e do setor produtivo que ali se encontra; Atuação em ações coletivas, estimulando o desenvolvimento de projetos estruturantes e incrementais no âmbito de Arranjos Produtivos Locais – APLs prioritários, selecionados a partir da densidade empresarial e do dinamismo sócio-econômico existente;
Pressupostos
operacionais Ênfase em projetos incrementais, no âmbito dos APLs, que promovam os encadeamentos entre grandes e pequenas indústrias; Ênfase em projetos incrementais, no âmbito dos APLs, que estimulem a
formação de núcleos setoriais;
Ênfase em projetos setoriais, que aumentem a capacidade gerencial e associativa das Micro e Pequenas Indústrias.
Continuando, as diretrizes para atuação do Procompi em cada Estado são apresentas, buscando os objetivos abaixo (SEBRAE, 2004, p. 8):
1. Incrementar o nível de articulação do setor no estado, visando o desenvolvimento de uma rede de apoio institucional;
2. Inserir as ações de melhoria em um Arranjo Produtivo Local ou em elos de Cadeias Produtivas prioritárias para o estado ou região;
3. Promover o Desenvolvimento Setorial e Regional a partir das iniciativas estabelecidas;
4. Estimular o fortalecimento de uma cultura, em todo o país, onde predomine valores voltados para a cooperação na busca do atendimento de interesses comuns;
5. Elevar o capital social das comunidades;
6. Identificar e consolidar experiências exitosas nos projetos, centradas em ações voltadas, preferencialmente, ao desenvolvimento local e setorial, transformando-as em referência para a multiplicação no país;
7. Estimular o desenvolvimento de lideranças locais, formando as competências necessárias para a promoção do desenvolvimento local e setorial;
8. Capacitar as micro e pequenas indústrias em gestão empresarial para atuação em mercados internacionais provendo soluções em Inovação e Acesso à Tecnologia, Comercialização, Marketing, Educação Empreendedora, Orientação Empresarial, Desenvolvimento Setorial e Regional;
9. Estimular o aumento da participação da CNI e do SEBRAE no esforço nacional de elevação da competitividade e de maior internacionalização dos micro e pequenos negócios, através de iniciativas voltadas para a melhoria da qualidade e aumento da produtividade;
10. Reforçar as imagens institucionais do SEBRAE e do Sistema CNI, dando o exemplo de atuação em parceria em sintonia com as reais demandas e necessidades do setor produtivo, especificamente no que diz respeito às micro e pequenas indústrias.
Operacionalmente, o Procompi define as organizações e setores que devem ser alcançados pela política pública, a saber:
Segmento do Público a ser Atingido: Empresa industrial de micro e pequeno porte, obedecendo ao número limite de até 99 (noventa e nove) empregados.
Setores Prioritários: Agronegócios, Alimentos e Bebidas, Artefatos de Borracha, Bens de Capital, Calçados e Artefatos de Couro, Cerâmico, Construção Civil, Eletroeletrônico, Extração Mineral, Embalagens, Gemas e jóias, Gráfico, Higiene e Beleza, Mármore e Granitos, Moveleiro, Metal mecânico, Metalúrgico, Minerais Não Metálicos, Plástico, Químico e Têxtil/ Confecção e Petróleo e Gás.
Territórios Trabalhados pelo SEBRAE com a abordagem de APL: buscará identificar as diversas oportunidades existentes em cada estado, levando em conta, inclusive, aqueles identificados pelo SEBRAE como prioritários.
Nº mínimo de indústrias participantes: com um grupo de, no mínimo, 15 indústrias.
Mais a frente, percebe-se que Arranjo Produtivo Local de Água Mineral da Grande Natal atende a todos os requisitos para inserção na política pública. Entretanto, um último fator é apresentado pelo manual.
O Procompi pode ser implementado a partir da opção de dois tipos de projetos, e estes, acessam diferentes montantes de recursos. Esta informação é importante, pois pode explicar a inexistência de projetos setoriais na terceira versão.
Quadro 21: Modalidades de projetos no Procompi
Tipo de Projeto Valor Máximo
Projetos incrementais no âmbito dos APLs R$ 250.000,00
Projetos Setoriais R$ 125.000,00
Fonte: Elaborado a partir de SEBRAE (2004, p. 10-11)
Uma vez que o objeto deste trabalho é a análise das políticas voltadas a Arranjos Produtivos Locais, será dado aprofundamento nos aspectos relativos à linha de ―projetos incrementais no âmbito de APLs‖.
O primeiro ponto a se observar consiste nas premissas e diretrizes adotadas pela abordagem. A compreensão de competitividade é consistente com os trabalhos de Albaladejo (2001, p. 3) e com as orientações da UNCTAD (1998) apud Diniz et.
al. (2006, p. 113-115) mencionadas em capítulos anteriores. A atuação em Arranjos
Produtivos Locais deve prever o incremento da competitividade em três dimensões, conforme quadro abaixo:
Quadro 22: Dimensões de Competitividade, fatores condicionantes e principais ações Dimensão Fatores ou Condicionantes Principais Ações
Sistêmica
Macroeconômicos, internacionais (mercado internacional), avanço do conhecimento, infraestruturas, fiscais, financeiros e político- institucionais;
- Análise dos fatores condicionantes macroeconômicos e do Mercado Internacional
- Orientações fiscais e político-institucionais - Acesso a financiamentos
- Seminários nacionais e internacionais
Estrutural Acesso ao mercado e à tecnologia, à configuração da indústria, à dinâmica da concorrência, ao grau de encadeamentos de negócios, grau de interatividade e
conectividade das empresas do setor nos elos e/ou na estrutura da cadeia produtiva principal, grau de interatividade inter e intra-setorial, do setor com cadeias produtivas
complementares e das empresas
Análises do grau
- de interatividade inter e intra-setorial, - de interatividade e conectividade das empresas dos APLs nos elos da cadeia produtiva principal em que estão inseridas - de interatividade das empresas dos APLs com cadeias produtivas complementares - de interatividade das empresas dos APLs com as instituições de apoio.
- de encadeamentos de negócios - Estudos de Mercado
com as instituições de apoio competitivo e destas entre si.
Empresarial
Custo, qualidade, inovação e ―marketing‖, produtividade, a qualidade dos recursos humanos, a capacidade comercial, a estratégia e a gestão da empresas, entre outros.
- Cursos nas áreas de custos, qualidade, inovação, dentre outras.
- Criação de Marketing
- Capacitação da mão-de-obra
- Criação de estratégias e planos de gestão - Análise da produtividade
Fonte: Elaboração própria a partir de SEBRAE (2004, p. 15) e Apolinário et. al. (2010. c, p. 70)
Dentro da abordagem em Arranjo Produtivo Local restam ainda duas opções de projetos com características distintas, os projetos estruturantes e os projetos incrementais.
O projeto estruturante ―tem como objetivo atuar nas três dimensões da competitividade: empresarial, estrutural e sistêmica. [...] Sinaliza a possibilidade de diversos outros projetos incrementais‖ (MANUAL CNI SEBRAE, 2004, p. 16).
Já o projeto incremental, ―tem como objetivo atuar em demandas específicas no âmbito dos APL [...]‖ (MANUAL CNI SEBRAE, 2004, p. 16). Eles atendem a necessidades específicas nas áreas de gestão empresarial, mercado, ambiente, design, tecnologias limpas, inovação, entre outras.
Nas considerações preliminares para a realização de projetos incrementais no âmbito de APLs, é recomendado que os projetos se agreguem na rede de políticas públicas existentes no âmbito estadual, inclusive identificando os instrumentos de governança já existentes, e quando não for o caso criar os mesmos.
Desta forma, os gestores dos projetos PROCOMPI nos estados deverão procurar os gestores pertencentes à governança dos APLs de maneira a se incorporarem aos projetos de desenvolvimento, no sentido de estabelecer um alinhamento estratégico e operacional, bem como otimizar a eficiência das iniciativas e a alocação dos recursos nos territórios (SEBRAE, 2004, p. 17)
Após a fase de reconhecimento e estruturação da governança, o Procompi busca realizar diagnósticos nas empresas que compõem a cadeia produtiva principal do Arranjo Produtivo Local. Embora o conceito de APL envolva fornecedores de insumos, máquinas e equipamentos, compradores, o estudo se atém apenas as principais empresas.
Por fim, o próprio APL deve definir que modelo de projeto deve ser implementado. As duas opções, ―formação de núcleo setorial‖ e ―encadeamento entre grandes e pequenas empresas‖ podem ser observadas no quadro abaixo:
Quadro 24: Tipos de projetos a serem implementados
Formação de Núcleo Setorial Grandes e Pequenas Empresas Encadeamento entre - Seminário de Sensibilização
- Formação do Núcleo Setorial - Indicadores de resultado - Diagnóstico Empresarial - Estruturação do Plano de Ação - Pactuação e Responsabilidades - Execução do Plano de Ação - Monitoramento e Avaliação
- Identificação de Grande Empresa - Identificação de MPEs fornecedoras
efetivas e potenciais
- Seminário de Sensibilização - Adesão das MPEs
- Indicadores de resultado - Diagnóstico Empresarial - Pactuação e Responsabilidade - Estruturação do Plano de Ação - Execução do Plano de Ação - Monitoramento e Avaliação Fonte: SEBRAE (2004, p. 18)
Abaixo, segue esquema do processo de implementação do Procompi em um Arranjo Produtivo Local:
Figura 12: Esquema de implementação do Procompi em um APL Fonte: Elaboração própria a partir de SEBRAE (2004)
O controle dos programas e projetos acontece pelo SEBRAE por meio de realização de pesquisas em tempos determinados. No começo do projeto é realizada uma pesquisa inicial (T0) que mensura os níveis atuais das metas estipuladas. Periodicamente, e dependendo do projeto, são realizadas novas aferições, até que ao fim é realizada uma pesquisa final (TF) que mensura se as metas foram atingidas.
Esses resultados são transparentes e podem ser consultados em sistema específico, disponibilizado pela internet, na página eletrônica http://www.sigeor.sebrae.com.br. Este sistema é fruto do modelo de Gestão Estratégica Orientada para Resultados implantado no Sebrae há muitos anos.
5. METODOLOGIA DA PESQUISA