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EFEITO REFLEXO CONSTITUCIONAL

2. Efeito reflexo.

O efeito reflexo das decisões jurisdicionais consiste na redução do grau de

interatividade256 dos discursos jurídicos normativos elaborados pelo legislador, ao patamar de estes só poderem ser integrados a fatos jurídicos exclusivos, antevistos pelo

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“A eficácia erga omnes da declaração de inconstitucionalidade tem plena razão de ser. a força obrigatória geral pretende, no fundo, atribuir à declaração força ou vinculatividade paralela à da norma controlada”.

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“Contudo, a “Jurisprudência dos Valores”, tal como se viu no capítulo anterior, no afã de fazer com que o Judiciário Ordinário fique subordinado às decisões das Cortes Constitucionais, sustenta que o efeito vinculante estende-se aos fundamentos determinantes da decisão (tragende gründe). Isso impediria o Judiciário Ordinário de fundamentar autonomamente seus julgados.

O efeito vinculante, tal como admitido pela “Jurisprudência dos Valores”, concede ás decisões de controle abstrato de constitucionalidade força de lei, ou seja, transforma-s em discursos normativos de fundamentação, com todas as conseqüências já examinadas.

Dessa forma, tal efeito vinculante passaria a obrigar órgãos e autoridades que não haviam integrado o processo, fazendo com que se adaptassem a uma postura fixada pela Corte Constitucional. Sob essa concepção o efeito vinculante não poderia ser admitido.

Para que possa ser aceito no Estado Democrático de Direito, ele deve ater-se à parte dispositiva da decisão, de modo a não haver distinção entre o mesmo e os limites objetivos da coisa julgada”.

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“Efeito vinculante das decisões proferidas em ação direta de inconstitucionalidade. Eficácia que transcende o caso singular. Alcance do efeito vinculante que não se limita à parte dispositiva da decisão. Aplicação das razões determinantes da decisão proferida na ADI 1.662. Reclamação que se julga procedente” (Rcl. 2.363, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 01/04/05).

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Gradação da capacidade de um discurso jurídico normativo ser integrado a fatos jurídicos formando discursos jurídicos de decisão. Sobre o tema, vide capítulo V desta dissertação.

Supremo Tribunal Federal nos fundamentos dos acórdãos em sede de controle abstrato de constitucionalidade.

Adotando uma distinção clássica, o efeito reflexo das decisões interpretativas em sede de controle abstrato de constitucionalidade faz com que o Supremo Tribunal Federal deixe de atuar na condição já conhecida de legislador negativo, retirando discursos jurídicos considerados inconstitucionais pelos ministros da corte em sede de controle abstrato de constitucionalidade, e o coloca na posição de legislador positivo.

O efeito reflexo pode ser identificado nas situações em que houver alteração de normatividade dos discursos produzidos pelo legislador oficial (Presidente da República e Parlamentos federais, estaduais, municipais e distrital), vinculando os poderes executivo e judiciário257 a uma única opção de discurso jurídico normativo.

Ao contrário do que se pode imaginar, o efeito reflexo das decisões em sede de controle abstrato de constitucionalidade não é resultado pura e simplesmente da existência do efeito vinculante. Esse fenômeno se manifesta em razão de o efeito vinculante das decisões em sede de controle abstrato de constitucionalidade não estar restrito aos dispositivos das decisões, obrigando os juízos inferiores a respeitar as razões ou

fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão, nos termos de jurisprudência

reiterada pelo STF, consoante o exposto no tópico 1.2 deste capítulo.

Ocorrerá sempre que os acórdãos forem veículos de decisões interpretativas declaratórias da constitucionalidade de um dispositivo normativo infraconstitucional258, as quais determinem que para um discurso jurídico enunciativo só exista um único discurso jurídico normativo possível, concedido de forma vinculante a um dispositivo legal sob o pretexto de torná-lo apto a permanecer no ordenamento jurídico sem conflitar com a Constituição Federal de 1988.

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O STF entende, acertadamente, que o efeito vinculante não interfere nos trabalhos do poder legislativo:

“A eficácia geral e o efeito vinculante de decisão, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de

constitucionalidade ou de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, só atingem os demais órgãos do Poder Judiciário e todos os do Poder Executivo, não alcançando o legislador, que pode editar nova lei com idêntico conteúdo normativo, sem ofender a autoridade daquela decisão” (Rcl. 2.617-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 20/05/05)

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O conceito de infraconstitucionalidade é empregado, nesta dissertação, para identificar todo e qualquer ato não proveniente do constituinte originário e, portanto, passíveis de controle de constitucionalidade. Enquadra-se nesta categoria a emenda constitucional.

2.1. Modalidades de efeito reflexo.

O efeito reflexo ocorre quando o STF fixa uma única interpretação possível a discursos jurídicos infraconstitucionais259 cuja análise da constitucionalidade está sendo realizada em sede de controle abstrato. Entretanto, existem discursos jurídicos produzidos pelo legislador ordinário que se integram diretamente ao texto da Constituição Federal.

Nesses casos, a incidência do efeito reflexo não atingirá tão-somente os discursos jurídicos infraconstitucionais. Quando o discurso jurídico infraconstitucional for alçado à condição formal de discurso constitucional (emendas) ou, mesmo não sendo, estiver diretamente co-relacionado em grau de interconstituição com um discurso contido no texto constitucional originário, o efeito reflexo também atingirá os discursos constitucionais.

Portanto, existem duas modalidades de efeito reflexo: o efeito reflexo puramente

infraconstitucional, incidente apenas sobre discursos jurídicos infraconstitucionais; e o

efeito reflexo constitucional, que incide sobre os discursos jurídicos

infraconstitucionais, e também sobre os discursos jurídicos originários do poder constituinte.

Essa dissertação tem como objeto de estudo as conseqüências sistêmicas da existência do efeito reflexo constitucional no direito brasileiro, numa condição de análise que leva em consideração o fato a modernidade estar passando por um processo de transição paradigmática ao que se convencionou denominar de pós-modernidade.

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