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EFEITO-RENDA, PRODUTIVIDADE E PÓS-INDUSTRIALISMO

6 FUNDAMENTOS DA DINÂMICA ECONÔMICA DO SETOR DE SERVIÇOS

6.1 EFEITO-RENDA, PRODUTIVIDADE E PÓS-INDUSTRIALISMO

Considerando a série de transformações pelas quais passa o capitalismo contemporâneo, o setor de serviços tem assumido papel importante, seja na geração de produto, seja em relação à estrutura ocupacional. Esse processo suscitou importantes considerações sobre o papel desse setor e sua participação no produto e no emprego, bem como em sua funcionalidade diante da nova dinâmica da economia, fatos que engendraram uma gama de correntes teóricas que buscam explicar o fenômeno.

A abordagem do ‘efeito-renda’ segue a hipótese de que os serviços seriam bens (intangíveis) superiores, ou seja, a sua demanda tenderia a crescer em proporção superior à do aumento da renda, apresentando, também, elasticidade-renda da demanda11 superior à dos bens primários e secundários. Segundo Clark (1940), as atividades terciárias teriam forte elasticidade da demanda por seus produtos, sendo suscetíveis a se desenvolver mais rapidamente que as outras por razões técnicas ou devido a mudanças das preferências. Por esta ótica, quando os países atingissem um nível mais elevado de renda, os serviços se desenvolveriam mais rapidamente, ocupando um espaço maior no sistema econômico em termos de emprego e renda.

Os fundamentos desta abordagem estão na chamada ‘Lei de Engel’, que relaciona a procura por bens e serviços com a renda dos consumidores. Essa lei faz alusão a uma divisão entre bens primários e secundários, revelando uma separação em termos de funções-serviços atendidas. Por exemplo, a função alimentação no consumo final estaria a cargo dos bens primários, enquanto outras funções-serviço, como vestuário e moradia, estariam relacionadas aos bens secundários. A relação desses bens com os serviços estaria no fato de que algumas das funções-serviço poderiam ser atendidas tanto por bens quanto por serviços, como no caso das funções de transportes, tarefas domésticas e lazer.

11 A elasticidade é um coeficiente que relacionada variações percentuais de duas grandezas. No caso da elasticidade-renda da demanda, o coeficiente é dado pela relação entre a variação percentual da

quantidade demanda de um bem ou serviço (ou conjunto de bens ou serviços) e a variação percentual da renda do consumidor. Se este coeficiente for superior à unidade, o bem ou serviço em questão responde, em termos de demanda, mais que proporcionalmente à variação da renda, sendo, portanto, considerado um bem ou serviço ‘superior’.

Deve-se notar, também, que existem complementaridades entre bens e serviços, como no caso da difusão de bens duráveis de consumo, na rede de comercialização e de assistência técnica. Esse fato contradiz a tese de que bens e serviços seriam substitutos face à existência de uma correlação entre renda real e consumo conspícuo.

As primeiras considerações críticas sobre os serviços como bens superiores estão nos trabalhos empíricos de Fuchs (1968). Este autor apresenta dados para os Estados Unidos entre os anos de 1929 e 1963 que demonstram que a elasticidade-renda dos serviços era pouco superior à elasticidade-renda dos demais produtos.

A Lei de Engel enfatiza que a grande correlação existente entre a renda per capita e os serviços seria circunscrita à categoria de ‘novos serviços’ (não no sentido temporal), exemplificados pela educação e entretenimento. Ou seja, esses serviços revelariam um caráter de consumo de massa impulsionado pelo aumento da renda per capita e do tempo de lazer, acarretando em mudanças de peso em sua distribuição pela população. Para Fuchs (1968), comércio, transporte e serviços financeiros relacionados à industrialização, tidos como serviços complementares, cresceriam acompanhando o crescimento dos mercados, o grau de urbanização e a divisão social do trabalho. Já os serviços antigos – aqueles desenvolvidos em fases anteriores à industrialização – tenderiam a ter menos peso e contribuição à economia, como os serviços domésticos (substituídos por bens ou por novos serviços).

O desfecho dessa discussão é que a participação dos serviços na geração de empregos ou sobre o desenvolvimento econômico seria resultado de três fatores: a industrialização – responsável pela redução da demanda por serviços antigos; os serviços complementares – que se expandem com o crescimento industrial acelerado e posteriormente crescem a taxas decrescentes; e a renda per capita – que aumenta a demanda por serviços novos.

A teoria baseada na Lei de Engel refere-se, basicamente, à dinâmica das atividades de serviços ancorada nas condições de demanda. Diferentemente, as teorias da ‘defasagem de produtividade’ se inserem no contexto da análise da oferta e já estão presentes na literatura desde os anos 1950. O argumento é que o crescimento da produtividade dos serviços seria inferior ao da produção manufatureira ou à da média das economias (KUZNETS, 1983), ou de que o crescimento do emprego no setor de serviços é explicado pela falta de produtividade (SHELP, 1981, apud KON, 2003).

Em estudo empírico, Kuznets (1983) comparou a participação dos serviços no produto e no emprego em países selecionados em uma longa série histórica. O resultado foi que não se verificou qualquer padrão de comportamento relacionado, mas houve uma correlação entre serviços e emprego em função, principalmente, do fato de que o setor não apresenta produtividade do trabalho ascendente. Já Fuchs (1968) enfatiza que o crescimento mais rápido do emprego no setor de serviços acontece devido à defasagem de produtividade.

Baumol (1967) também aborda a defasagem de produtividade dos serviços. Segundo o autor, há forças inerentes à estrutura tecnológica de uma série de serviços como do governo municipal, educação, artes de performance, restaurantes e atividades de lazer que conduzem ao crescimento progressivo e acumulativo dos custos reais advindos do seu fornecimento. Em razão disso, os esforços para compensar estes aumentos de custo podem ser temporariamente bem-sucedidos, porém no longo prazo seriam apenas paliativos que não poderiam ter qualquer efeito significativo sobre as tendências subjacentes.

O argumento de que há um crescimento do consumo dos serviços é questionado por autores que usam estatísticas que apontam a queda da demanda dos produtos deste setor pelos consumidores das famílias como proporção dos gastos totais nas últimas décadas, sobretudo em países em desenvolvimento (GERSHUNY, 1990). A explicação seria o surgimento do fenômeno da cost disease (doença de custos), um processo sócio-técnico que se baseia no crescimento da produtividade do trabalho no setor manufatureiro. Para estes autores, este crescimento levaria à elevação dos salários neste setor, o que ocorreria como recompensa pelo valor agregado excedente gerado; a pressão por igualação dos salários da economia, numa ação de barganha coletiva, atingiria o setor de serviços através do argumento da equidade. O resultado é que os custos do fornecimento de serviços cresceriam, e isto aconteceria a despeito do crescimento de sua produtividade ser mais lenta que na manufatura. Então, ao ser repassado para o consumidor na forma de preços mais elevados, o aumento dos custos dos serviços seria responsável pelo encarecimento proporcional e pela diminuição da demanda por produtos do setor, que seriam substituídos pelo ‘autosserviço’, desde que esta possibilidade exista.

O pessimismo dos autores adeptos da ‘doença de custos’ é refutado por aqueles que defendem as vantagens relativas e os benefícios da economia dos serviços. Segundo Kon (2003), na visão dos ‘pessimistas’, os serviços seriam responsáveis por maior resistência às mudanças cíclicas da economia que podem ocasionar fases críticas de desenvolvimento,

dado que estas atividades não demandam investimentos consideráveis em ativos fixos ou em estoques, investimentos estes que poderiam, de fato, deprimir os preços e causar perdas durante recessões econômicas.

A defasagem de produtividade estaria relacionada a três fatores, na visão de Gershuny e Miles (1983):

a) Força de trabalho pouco qualificada aliado à baixa intensidade de capital no setor;

b) Formas mais amplas de produção em função da pequena concentração econômica do setor e predominância (proporção acima da média) de pequenas empresas e trabalhadores por conta própria;

c) As características naturais do produto do serviço e dos seus componentes, em termos de relações humanas, ou suas características em termos de processamento da informação.

As estatísticas em âmbito internacional – como no caso dos Estados Unidos, Japão e França, entre as décadas de 1970 e 1990 – apontam a confirmação da hipótese da doença de custos para economias desenvolvidas. As pesquisas mostraram, além de um baixo crescimento da produtividade dos serviços, um crescimento em níveis bastante inferiores ao dos demais setores e haveria duas razões para isso: a primeira seria a alta relação trabalho/capital, apontando a intensidade do uso do fator trabalho; e a segunda seria o próprio crescimento dos preços das atividades terciárias (KON, 2004).

Para o caso brasileiro, estudos apontam a situação inversa, ou seja, não se confirmou a hipótese da doença de custos. Em trabalho realizado por Melo et al. (1998), os indicadores desenvolvidos para mensurar a produtividade aparente para o ano de 1990 mostraram que o setor de serviços apresenta valor agregado por trabalhador superior à da agricultura.

Entretanto, nas subcategorias do setor, a pesquisa verificou que o comércio e outros serviços apresentaram menores índices com relação às instituições financeiras e comunicações, estes últimos com indicadores superiores, inclusive, à atividade industrial.

Estas evidências mostram que o setor de serviços tem um comportamento diferenciado em economias desenvolvidas e em desenvolvimento. O próprio Baumol (1985) irá reformular suas teorias apontando a informática e as telecomunicações como partes dinâmicas do setor de serviços, e que por isso não sofreriam a doença de custos.

Ainda sobre o Brasil, em trabalho mais recente, Kon (2003) apresenta as taxas anuais de crescimento da proxy de produtividade em uma série histórica que se inicia nos anos 1950.

Usando a relação valor adicionado/trabalhador como representativa da produtividade, a conclusão foi que, à exceção da década de 1970, as taxas são consideravelmente inferiores às dos demais setores, sendo inclusive negativas para as décadas de 1980 e 1990.

O debate sobre a perda de bem-estar social ocasionada pela medida do crescimento dos serviços em relação às manufaturas – ocorrendo uma troca de atividades progressistas (manufaturas) por estagnadas (serviços) – estaria obsoleto na visão de Kon (2008). Para ela, o dinamismo nas estruturas e na operacionalização das funções de serviços e no inter-relacionamento com outros setores, na atualidade, não estão de acordo com estas ideias:

Ao contrário, a observação da realidade através de pesquisas de vários autores mostra que no contexto da heterogeneidade das atividades de serviços, uma parte considerável são altamente inovativas, como nas atividades manufatureiras. Os serviços profissionais caracterizados como intensos geradores de informação ou conhecimento, desde que a repercussão de sua ação sobre o valor agregado e sobre os preços, enquanto provedores de informação como insumo produtivo, é de difícil avaliação. Portanto, a asserção tradicionalmente aceita de baixa produtividade e estagnação produtiva como característica geral dos serviços ou da anteriormente citada ‘doença de custos’ preconizada por Baumol, deve ser questionada na atualidade (KON, 2008, p. 7).

A autora conclui que as atividades de serviços de informação levam crescimento da produtividade do trabalho e do capital ao setor de serviços devido à diminuição de custos e diferenciação do produto, e isso acontece como parte das pressões competitivas que instigam as inovações de processos produtivos e organizacionais.

Apesar deste ponto de vista, Kon reconhece que o conceito de produtividade é difícil de ser operacionalizado no setor de serviços (e também em algumas manufaturas), principalmente naqueles que apresentam rápidas mudanças qualitativas e com alto grau de operacionalização, ou mesmo com uma acentuada integração produtor-usuário. Parte disto se deve à dificuldade de mensuração em termos físicos, ligada à diversidade de aspectos qualitativos que um mesmo serviço pode oferecer, tanto em termos de comparação num ponto do tempo (cross section) como ao longo do tempo.

Tendo como ponto de partida os trabalhos de Bell (1973), as atividades terciárias ganharam o status de setor ‘pós-industrial’, termo utilizado para se referir à sociedade em que o setor de serviços é dominante. A ideia é que as indústrias de serviços não haviam se desenvolvido antes da ocorrência da industrialização ou do desenvolvimento manufatureiro. Assim, segundo Fisher (1935) e Clark (1940), a sociedade capitalista teria

se organizado em etapas no processo de desenvolvimento, começando pelo setor agrícola, passando pela indústria e culminando com a dinâmica do setor terciário como etapa mais avançada do desenvolvimento. A ‘sociedade do consumo em massa’ levaria, inevitavelmente, ao crescimento do consumo de serviços finais através da já citada Lei de Engel. Em outras palavras, em etapas avançadas de desenvolvimento econômico, em que a renda é crescente, a demanda por serviços finais seria maior que a de bens manufaturados.

Por outro lado, segundo Diniz e Matos (2006, p. 62):

[...] o aumento da participação do setor terciário na ocupação seria reflexo do ‘gap’

de produtividade entre a indústria e o setor de serviços, que, combinado ao crescimento relativo de demanda por esses serviços, levaria a uma transferência de mão-de-obra de outros setores para o mesmo.

O argumento de Bell está baseado no processo de desenvolvimento econômico e nas mudanças no emprego setorial na Europa Ocidental no século XX. Segundo a observação deste autor, as economias desta região partiram de sociedades agrárias até sociedades baseadas na indústria, com os serviços tornando-se importantes apenas posteriormente.

A discussão sobre a evolução dos serviços dá conta de que o seu crescimento estaria relacionado, por um lado, a fatores intrínsecos ao seu desenvolvimento (sobretudo a demanda por serviços da economia, responsável pelo reinvestimento, no próprio setor, do excedente operacional gerado), e por outro lado, ao comportamento de fatores externos.

Segundo Kon (1992), estes fatores externos seriam:

a) Volume e velocidade de liberação da mão-de-obra das atividades rurais da região e de outras regiões, que se dirigem às áreas urbanas;

b) Nível de habilitação da mão de obra rural que se dirige à zona urbana;

c) Evolução quantitativa e qualitativa das atividades do setor secundário, que requerem a ampliação e a modernização de serviços complementares;

d) Capacidade do setor secundário do país de absorver esta mão de obra rural liberada;

e) Geração de um excedente operacional de outros setores econômicos que deve ser realocado para as atividades de serviços;

f) Existência de uma infraestrutura econômica concentrada em uma região, que oferece economias externas para a localização de novas atividades econômicas.

Na visão de Kon (2003), o respaldo para estes fatores exógenos estaria no fato do setor de serviços absorver mão de obra advinda de outros setores, seja ela qualificada ou não, e na possibilidade dos serviços expandirem as atividades informais em momentos de perda de dinamismo econômico.

As primeiras ideias teóricas sobre a sociedade pós-industrial como resultado do desenvolvimento surgiram por volta das décadas de 1960 e 1970. Este período coincide com as primeiras tentativas de mudanças no paradigma de processo produtivo do

‘taylorismo’ para processos mais flexíveis, com base nos quais se intensificaria o progresso tecnológico e as mudanças organizacionais que teriam efeitos sobre a divisão, organização e qualificação do trabalho, do produto e do consumo. Assim, os serviços passariam a ter um peso maior na indução do desenvolvimento. Segundo Kon (2004), as primeiras premissas da teoria do pós-industrialismo estipulavam que:

a) A geração de conhecimentos é a fonte da produtividade e do crescimento e se estende por todos os domínios da atividade econômica, por meio do processo de informação;

b) A ênfase da atividade econômica mudaria da produção de bens para o fornecimento de serviços. A eliminação do emprego agrícola seria seguida pelo declínio irreversível dos trabalhos manufatureiros, em benefício das ocupações em serviços, que constituiriam a maior proporção do emprego. À medida que houvesse avanço econômico dos países, o emprego e a produção seriam cada vez mais focados nos serviços, sendo os demais setores complementares;

c) A nova economia aumentaria a relevância das ocupações com alto conteúdo de informação e conhecimento. As ocupações administrativas, de profissionais liberais e técnicas cresceriam mais rapidamente do que outras categorias ocupacionais e constituiriam o núcleo da nova estrutura social.

As mudanças advindas da sociedade pós-industrial não são sempre bem recebidas por estudiosos que ainda defendem que a indústria seria o motor do crescimento. Para estes autores, os empregos nos serviços não gerariam o mesmo grau de desenvolvimento econômico que as manufaturas, pois seriam menos produtivos e implicariam em menores rendimentos. Segundo Kon (2004), um dos pontos de defesa desta abordagem são estudos feitos nos Estados Unidos a partir da década de 1970 que apontam que os empregos em serviços no setor privado pagam apenas 90% da média dos empregos nas manufaturas.

Outra constatação é que o setor industrial recebe por volta de 96% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento da economia. Também, no ano de 1988, estatísticas mostram que cada emprego no setor manufatureiro criava outros três empregos no setor de serviços.

Outra crítica é que a corrente pós-industrialista não daria conta das verdadeiras mudanças que estavam ocorrendo na sociedade. Para estes autores, não haveria um novo paradigma produtivo, centrado no setor de serviços, mas sim um processo de reestruturação da produção industrial, no qual o setor de serviços passa a ter grande importância na estrutura produtiva. Nas palavras de Andrade (1994, p. 10):

O ponto central da crítica aos pós-industrialistas refere-se à atual impossibilidade de compreender o crescimento do terciário desconectado das transformações industriais promovidas pela incorporação de novas tecnologias. O ritmo e a própria criação de novas atividades terciárias estão determinados pela capacidade de modernização dos setores produtores de bens, em particular na indústria de transformação, através da incorporação e difusão de novas tecnologias. Nesse sentido perde a importância a hipótese de que os serviços cresceram atrelados ao consumo final.

A tese, então, é a de que o setor dinâmico das atividades terciárias, responsável pelo crescimento de sua participação no produto – os serviços produtivos –, é aquele ligado à demanda industrial. Cohen e Zysman (1987, apud DINIZ; MATOS, 2006), por exemplo, defendem que, no capitalismo contemporâneo, não existe uma substituição setorial de indústria por serviços enquanto polo dinâmico, mas sim uma reestruturação do setor industrial. Assim, as atividades terciárias passam a ter uma importante relação de complementaridade, expressa pelo crescimento de atividades como serviços financeiros e de consultoria, dentre outros.

Autores como Castells (1989, apud MELO et al., 1998), apontam, inclusive, a inexistência de um setor de serviços. Ao invés disso, o que há, na visão do autor, é uma série de atividades que aumentam a diversidade ou especialização com a evolução da sociedade, e especialmente os serviços pessoais e sociais teriam a função de absorver o excedente de mão de obra gerado pelo aumento de produtividade na agricultura e na indústria.

Diniz e Matos (2006) apresentam outra visão importante para a compreensão da expansão do setor de serviços observada entre as décadas de 1960 e 1970 para países latino-americanos, tidos como de industrialização tardia. Segundo os autores, a ‘escola

cepalina’12 atribui o alargamento da participação das atividades terciárias à sua característica de absorvedoras de mão de obra desqualificada, proveniente do êxodo rural e do elevado crescimento demográfico, e isso seria fruto de um processo de industrialização tardia.

Na opinião de Diniz e Matos, os serviços ainda nos dias de hoje possuem componentes de atraso que estariam relacionados a atividades de baixa produtividade e uma funcionalidade relacionada à questão de absorção de mão de obra. Como exemplos, os autores citam a existência de trabalhadores excluídos do mercado de trabalho formal que encontram

‘abrigo’ nos serviços, executando atividades de baixa qualificação e, consequentemente, de baixos rendimentos. Assim, os serviços desempenhariam a função de ‘esponja’, dada a sua propensão a acomodar a mão de obra excedente, excluída do circuito organizado da economia.

Com base nesta análise, Diniz e Matos (2006) apontam a necessidade de se diferenciar dois movimentos possíveis sobre a expansão dos serviços, válidas principalmente para países não desenvolvidos:

a) Aquele ligado ao circuito organizado da economia e conectado à dinâmica produtiva;

b) Outro ligado à precarização do mercado de trabalho, com inchamento dos serviços atrasados de menor produtividade e menores rendimentos, caracterizando o setor como ‘dual’.

Sobre este último aspecto, Andrade (1994, p. 13) coloca:

Por um lado, um setor de serviços ‘atrasados’, que apresenta uma dinâmica própria e teve sua origem no processo de urbanização e desenvolvimento desses países, mas que vem exercendo um papel de funcionalidade importante como absorvedor de mão-de-obra. [...] Por outro lado, um setor de serviços ‘modernos’ integrados com a indústria de transformação, que tem sua dinâmica atrelada à dinâmica do segmento hegemônico e vem, recentemente adquirindo um papel relevante no processo produtivo, vis-à-vis a reestruturação produtiva que vem ocorrendo principalmente a partir dos anos 80.

12 Referente ao conjunto de profissionais das mais diversas áreas, como economistas, antropólogos,

12 Referente ao conjunto de profissionais das mais diversas áreas, como economistas, antropólogos,