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Efeitos de generalização do Modelo da Dupla Identidade

CAPÍTULO IV. O MODELO DA IDENTIDADE ENDOGRUPAL COMUM __________57

3. TESTES EMPÍRICOS AO MODELO DA DUPLA IDENTIDADE

3.2 Efeitos de generalização do Modelo da Dupla Identidade

O conjunto de estudos seguinte têm como objectivo principal testar a capacidade de

redução e de generalização da redução a outros membros do exogrupo da estratégia da dupla

identidade, bem como testar a estabilidade da redução do enviesamento intergrupal

3

As estratégias apresentadas eram a assimilação (recategorização), a integração (dupla

identidade), a separação (identificação apenas ao grupo étnico) e marginalização (ausência de

identificação aos grupos maioritário e étnico).

promovida por aquela representação (generalização ao longo do tempo).

Um dos primeiros estudos a que faremos referência é o conduzido por González e

Brown (2003). Nele, grupos de 4 elementos foram submetidos a uma manipulação

experimental em 3 fases distintas. Na primeira, os elementos eram divididos em dois grupos

e realizavam uma tarefa de forma a aumentar a identificação relativamente ao endogrupo e,

consequentemente, a produzirem enviesamento intergrupal. Na segunda fase os

participantes resolviam novamente a tarefa mas agora sob quatro representações distintas:

recategorização, dupla identidade, indivíduos separados e categorização). Na terceira fase

eram avaliadas as atitudes dos participantes face a membros do endogrupo e do exogrupo

com os quais não interagiram directamente.

Considerando que, de acordo com o desenho original de Gaertner et al., 1989, o

desenho deste estudo não incluía uma condição de controlo (dois grupos separados), não foi

possível demonstrar, segundo González e Brown (2003), que os resultados obtidos nas

condições de contacto significavam efectivamente uma redução do enviesamento intergrupal.

Assim, referem apenas que durante a situação de contacto, os participantes sob as

representações de recategorização (um grupo), descategorização (indivíduos) e dupla

identidade (dois grupos num grupo) apresentavam baixos níveis de ansiedade intergrupal,

uma percepção positiva da interacção intergrupal e uma interdependência positiva com

complementaridade de papéis na concretização de objectivos comuns (González & Brown,

2003).

No que se refere à generalização ao exogrupo como um todo, os resultados mostraram

que apenas a Recategorização e a Dupla Identidade foram eficazes neste aspecto.

Especificamente, a particular vantagem da estratégia da Dupla Identidade deriva do facto de

a integridade das identidades originais dos subgrupos não terem sido ameaçadas pela

presença da categoria supraordenada. Neste sentido, a estratégia da dupla identidade

ajudaria, mais do que as demais, a promover relações intergrupais mais positivas dado que a

saliência das categorias subgrupais reduziria o risco de perda de distintividade.

Consequentemente, a dupla identidade deveria ser a estratégia mais eficaz na extensão dos

efeitos positivos do contacto quando se consideram variáveis estruturais de contacto

intergrupal, designadamente, o estatuto (elevado/baixo estatuto) e a dimensão dos grupos

(maiorias/minorias). De acordo com González e Brown (2003), esta ideia vem ao encontro do

defendido por Berry (1984), Van Oudenhoven et al (1998) e Gaertner et al. (1999).

Eller e Abrams (2004), através de dois estudos longitudinais com dois pontos de

avaliação temporal, testaram a capacidade de redução e de generalização da redução do

enviesamento intergrupal operado pelas representações de Dupla Identidade, de

Recategorização e de Descategorização, bem como o modelo sequencial de contacto

intergrupal de Pettigrew (1998). Os participantes no primeiro estudo foram estudantes

ingleses e franceses e os participantes no segundo estudo foram trabalhadores mexicanos de

uma empresa multinacional. Os resultados referentes ao primeiro estudo mostraram a

capacidade de redução e de generalização do modelo da Descategorização, na medida em que

os participantes ingleses e franceses apresentavam níveis mais reduzidos de enviesamento

intergrupal em cada um dos momentos avaliativos e ao longo do tempo. No segundo estudo,

os resultados já colocaram em evidência os modelos da Dupla Identidade e da Identidade

Endogrupal Comum. Assim, enquanto que ambas as representações cognitivas produziram

níveis mais baixos de enviesamento intergrupal nos participantes mexicanos na situação de

contacto, a Dupla Identidade foi a estratégia mais eficaz na manutenção do enviesamento

intergrupal reduzido ao longo do tempo.

Num estudo realizado com estudantes universitários, González e Brown (in press)

testaram o impacto das representações cognitivas inerentes aos modelos da Recategorização,

Descategorização e Dupla Identidade na produção de baixos níveis de enviesamento e na

generalização do enviesamento intergrupal reduzido em grupos de diferente estatuto

(elevado e baixo) e entre grupos maioritários e minoritários de elevado e de baixo estatuto,

tendo estas características dos grupos sido experimentalmente induzidas. No que diz respeito

ao impacto do modelo da Dupla Identidade na produção do enviesamento intergrupal

reduzido na situação de contacto, os resultados mostraram que, independentemente do

estatuto dos grupos (dimensão do grupo e dimensão do grupo cruzada com estatuto dos

grupos), os participantes nesta condição apresentavam níveis baixos de enviesamento

intergrupal. Os resultados relativos à generalização ao exogrupo como um todo mostraram

que no caso das minorias, a estratégia de dupla identidade foi eficaz a estender benefícios

positivos do contacto para os grupos de elevado e de baixo estatuto. No que se refere aos

grupos maioritários, e independentemente do estatuto dos grupos, os resultados não se

mostraram significativos.

IV PARTE REDUÇÃO DO PRECONCEITO

ÉTNICO NA INFÂNCIA

Capítulo VI

Estudos introdutórios

Os estudos introdutórios incluídos neste capítulo tentaram dar resposta a objectivos

específicos, que interessaram averiguar previamente ao desenvolvimento dos estudos

principais deste trabalho.

O principal objectivo do estudo A foi adaptar a tarefa experimental utilizada por

Gaertner e colaboradores em 1989 – o Winter Survival Problem de Johnson & Johnson

(1975) – a crianças com idades compreendidas entre os 9 e os 11 anos de idade, na medida em

que ela irá ser aplicada em todos os estudos experimentais seguintes. Para além disso, a

necessidade de adaptação desta tarefa decorre do facto de ela ter sido sempre aplicada a

indivíduos adultos.

O objectivo central do estudo B foi adaptar e testar a metodologia, as manipulações

experimentais na indução das representações cognitivas do agregado e as medidas

dependentes adoptadas pelos mesmos autores em 1989, a crianças daquela mesma faixa

etária, de forma a poderem ser aplicadas nos três estudos principais.

Por último, o estudo C teve como principal objectivo averiguar a percepção de

simetria ou de assimetria de estatuto social e económico que crianças Portuguesas de

diferentes origens étnicas (origem Portuguesa e origem Africana) possuem em relação aos

seus próprios grupos de pertença, ou seja, relativamente a alvos portugueses brancos e a

alvos portugueses negros. Os resultados deste estudo, se forem ao encontro do estabelecido

pela hipótese central que o acompanha, terão como objectivo final a demonstração empírica

da designação de “assimetria de estatuto étnico” utilizada nos estudos 2 e 3 deste trabalho em

crianças daquela faixa etária (9 – 11 anos de idade).

ESTUDO A

Adaptação da tarefa experimental de Gaertner e

colaboradores (1989) a crianças de 9-11 anos4