3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
3.3.2 Episódio 24: A apresentação dos professores
Antes que os professores iniciassem a conversa com os alunos, a professora propôs que fossem estabelecidas as normas para a dinâmica da atividade. Perguntou-lhes se cada um iria falar e em seguida abrir para as perguntas ou se os três falariam primeiro e fariam ao final
a interlocução com os alunos para esclarecimentos e debate do tema. Ficou combinado que um professor falaria e abriria para as falas dos alunos e depois passaria para o próximo professor mantendo-se a mesma dinâmica até o terceiro.
O Professor José Homero iniciou a atividade agradecendo o convite feito a ele pela professora, dizendo para os alunos que era muito prazeroso estar ali e que eles poderiam ficar a vontade para fazerem perguntas sobre o tema. Ele se apresentou como coordenador do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental e explicou um pouco o funcionamento do curso e os assuntos que lá são tratados, desde a questão, por exemplo, do lixo urbano, passando pela questão de saneamento, de tratamento de água, de esgoto e de resíduos sólidos.
Um aluno levantou a mão e o professor já ia lhe dar a palavra, quando a professora interrompeu-o dizendo que era melhor acatar a norma, para dar continuidade ao raciocínio. O professor prosseguiu dizendo que a questão ambiental seria discutida um pouco com eles, naquele momento, passando a palavra para o próximo professor que se apresentou dizendo que era o Luiz Evaristo, também professor da Universidade.
O Prof. Luiz Evaristo falou que trabalha junto com o professor José Homero, dentro do mesmo departamento, no mesmo ambiente e segue a mesma linha de trabalho: preservação do meio ambiente, controle de qualidade da água que se gasta, aspectos de poluição dos rios e das ruas, questões relativas ao lixo... Disse que são coisas que os alunos ouvem falar na televisão e que eles, professores, têm a preocupação de buscar a preservação, os meios de convivência com o ambiente, de modo a poder suprir as necessidades de alimento, água e ar e preservar esses recursos para os alunos, para um futuro próximo, para os filhos deles. Explicou que isso é chamado de conceito de desenvolvimento sustentável, que meio ambiente era utilizar o que a terra nos oferece de maneira adequada. Contou que eles procuram trabalhar assim, pois eles têm a formação que lhes dá as ferramentas para saberem usar esses recursos, ensinar aos alunos a usarem esses recursos para serem preservados para outras gerações. O professor Luiz Evaristo passou a palavra para o professor Cezar.
O professor Cezar iniciou dizendo que trabalhava também na Faculdade de Engenharia, só que na área de transportes. Disse que era engenheiro com doutorado em Geografia, outra ciência que tem a interface com a área ambiental e com a Biologia. Explicou que faz parte do mestrado em Ecologia da Universidade e que a Engenharia, a Ecologia e a Geografia estão sempre conversando uma com a outra. Referiu-se aos alunos dizendo que eles estão novos para decidirem a profissão, mas mesmo que eles não se decidam pela Engenharia
e nem pela Biologia ou Geografia, irão se deparar com problemas na área ambiental, no dia a dia. Lembrou que quando eles acordam e vão escovar os dentes, eles precisam de água de qualidade, bem tratada e que isso já está começando a faltar em várias cidades do mundo, que não têm água para escovar os dentes e nem para fazer comida. Abordou a questão do ar perguntando: “Como está o ar que você respira?”, respondendo em seguida que em vários locais o ar está bem contaminado, bem poluído, porque tem muita indústria, muito carro e muito veículo. Explicou que trabalha na área de transportes e na construção de estradas: estuda como vai projetar uma estrada, uma rodovia, uma ferrovia... Explicou que a estrada tem que ser projetada com o menor impacto ambiental possível, que deve se evitar a construção de estrada próxima à represa e curso de água, que tem que minimizar os impactos florestais, para não haver atropelamento de animais e prejuízos na fauna, que é preciso avaliar até a questão do fogo, pois quando a pessoa transita na rodovia e joga o cigarro para fora do carro, pega fogo na mata e perde a mata e perde os bichos também, porque os bichos não têm para onde correr e morrem todos queimados. Tornou a reforçar que o seu trabalho é com esses aspectos de transporte e meio ambiente; a parte dos impactos ambientais e a parte dos monitoramentos dos rios. Disse que ele e os outros professores estão sempre medindo a qualidade da água: vendo se está com o oxigênio dissolvido, se tem organismos vivendo naquela água ou se ela está tão ruim que não tem nem peixe vivendo ali de tão ruim que ela está. Neste caso, eles chamam os biólogos para irem com eles verificar o estado da água. Falou que ele coordena o curso de especialização em Análise Ambiental. Depois, dirigindo-se aos alunos, disse que eles ainda são novos para escolherem uma profissão e que quando isso acontecer, eles poderão fazer um estudo continuado, um estudo após a graduação, uma pós- graduação. Explicou para os alunos que eles irão estudar a vida inteira, na verdade, que não se para de estudar e que os alunos devem estar sempre estudando. Quem não gosta de estudar, vai ter que aprender a gostar! O professor Luiz Evaristo reforçou que estudar é muito bom!
A “Mesa de debates”, atividade similar à “Discussão Crítica”, à “Seminário”, à “Mesa Redonda”, que são frequentes na vida acadêmica (Demo, 2009, p.53), é uma atividade pouco comum com alunos do 4º ano do ensino fundamental. O convite feito aos professores da universidade possibilitou aos alunos a participação em uma atividade com grande potencial para aquisição de conhecimentos, para o agir normativo e também para a expressão dos sentimentos dos alunos e professora, em relação ao tema tratado.