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Episódio 51: Imagens e preservação ambiental

No documento elianatoledosirimarcofranco (páginas 129-134)

3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

3.3.29 Episódio 51: Imagens e preservação ambiental

O professor Cezar chamou atenção para uma foto que estava sendo exibida no data show, mostrando outro erro na construção da BR-040, pois colocaram uma canaleta ao lado da estrada pegando todas as minas que iam para a represa e jogando na canaleta, de modo que a água pura que antes ia para a represa e aumentava o nível da água, agora estava indo para a canaleta.

A professora salientou para os alunos que o professor Cezar estava mostrando as obras que estavam sendo feitas para a construção da BR e que encontravam-se paradas e que ele estava explicando o motivo do embargo. Em outra foto, o professor Cezar apontou que aterraram a nascente, jogando pedra e terra e que isto não era correto, pois elas deveriam ser protegidas e preservadas e que, com isso, os animais do entorno, também presentes na foto, estavam perdidos, “olhando para a pedra e pensando ‘Que absurdo, que ignorância!’”. Neste momento, os alunos riram e o aluno André comentou que o animal parecia um cachorro de longe e um passarinho de perto.

Em outra foto, o professor Cezar mostrou que ele estava muito próximo da represa, há uns 5 m de distância e que toda a água que estava correndo do seu lado estava sendo perdida, pois não ia mais para a represa. Ele explicou aos alunos que as pessoas estavam querendo secar a represa, o que era errado e exemplificou com o fato de o mundo inteiro preservar a água, limpar a represa, tirando a terra do seu fundo, para aumentar o volume de água, enquanto que em Juiz de Fora as pessoas desviavam a água para fora da represa.

Completando o que havia sido dito pelo professor Cezar, o professor Luiz Evaristo disse que havia, ainda, um agravante pelo fato de a água estar arrastando barro e, com isso, levando lama para o curso d’água, o que demonstrava que um problema gerava outro e que, portanto, era preciso preservar. O aluno Alan disse “Perto da nascente!” e o professor Cezar indicou que colocaram um cano na nascente, que fez com que a água não fosse mais para a

represa. Ele afirmou que estavam aterrando aquele local para construir a estrada e que só não cortaram a mata da foto, porque não houve autorização.

O professor Cezar continuou mostrando fotos de minas e os alunos que estavam inscritos para perguntar, ao serem indagados pela professora, disseram que as perguntas que eles queriam fazer não estavam relacionadas às fotos que estavam sendo exibidas.

O professor Cezar, então, selecionou outras fotos, que haviam sido enviadas por uma pessoa que morava próximo à represa. Havia fotos que mostravam a mata antes do início das obras e outra, de momento posterior, em que as árvores haviam sido destruídas. Os alunos, surpreendidos, exclamaram “Nossa!”. O professor Cezar continuou sua fala, mostrando que as árvores eram grossas e que, desse modo, deveria ter mais de cinquenta anos quando foram cortadas e que iria demorar mais cinquenta anos para nascer outra. Ele afirmou que elas vivem mais do que os seres humanos.

O aluno Rodrigo, impressionado, perguntou por que havia feito aquilo. O professor Evaristo lhe respondeu que era em razão da estrada, mas o aluno não escutou e novamente perguntou, dessa vez dirigindo-se especificamente para o professor José Homero, que respondeu que era porque queria construir a estrada. O professor Cezar também respondeu que era em razão da estrada e que havia sido utilizado motosserra. Falou também que queriam cortar a mata registrada na foto e, em seguida, mostrou outra foto em que uma nascente havia sido drenada e em que um carro estava parado ao lado da represa.

O aluno André perguntou se aquelas pessoas haviam ido pescar e foi informado pelo professor Cezar que eles estavam lá querendo fazer “estrago”. O aluno Rodrigo, então comentou que há pouco tempo, havia ido pescar na represa.

O professor Cezar deu sequencia à sua exposição mostrando uma fato em que havia uma mata que protegia a represa, segurava o solo, fazia com que entrasse água dentro da represa. Neste momento o Alan disse “Agora não segura mais”, com o que o professor Cezar concordou. Em seguida, ele mostrou uma foto, dizendo “Olha essa foto aqui gente, olha que absurdo, ó! Olha lá, cheio de engenheiros lá. Engenheiros ignorantes, né? Engenheiros burros, né? Tudo engenheiro burro!”. Os alunos perguntaram por que e ele respondeu que eles estavam fazendo coisa errada, prejudicando a si mesmos e aos seus filhos.

Os alunos começaram a comentar entre si, em voz baixa, as fotos que estavam sendo exibidas. O aluno Léo perguntou “Por que vai secar a represa?” e o professor Cezar lhe

informou que era para desativá-la, pois assim, eles iriam vender os lotes em volta e só aqueles compradores iriam aproveitar a água da represa, o resto da cidade não. Acrescentou que era “um monte de gente egoísta, que só pensava neles. O professor demonstrava estar indignado olhando tanta coisa feita de maneira erada que prejudicava muito o bairro.

O aluno André apontou para a foto, dizendo ao professor que morava ali em cima, o professor Cezar comentou que era um bairro dividido ao meio, todo sujo e o aluno continuou tentando explicar onde ele morava.

O professor Luiz Evaristo lembrou ao professor Cezar que procurasse pelas fotos de um canal que eles haviam calculado a quantidade de água que passava, sendo que se caísse a quantidade de água que eles haviam calculado, seria equivalente a uma enchente que demora três dias para baixar.

O professor Cezar chamou a atenção para uma foto tirada na Universidade (UFJF), em que cortaram uma mata para fazer um estacionamento e falou que a própria Universidade estava dando um exemplo errado. O aluno Rodrigo, então disse que era um cemitério de árvores. O aluno Léo contou que havia passado na Universidade e visto aquilo.

O professor Luiz Evaristo iniciou a conclusão da palestra dizendo que o que eles haviam tentado passar era a ideia de preservação do Meio Ambiente. Falou que o risco dos quantitativos de água é que eles são os mesmos, já que a água não muda e explicou como nasce um rio e também como funciona o ciclo hidrológico.

Em seguida, o professor Homero explicou que a quantidade de água no planeta é constante, estando na nuvem, no oceano, nos rios, na geleira ou embaixo da terra, não sendo possível desaparecer com essa água e, com isso, se não há preservação, fica mais difícil e mais caro tratá-la. Continuou, dizendo que nos países desenvolvidos, todos estão cientes de que é preciso preservar a água e, por isso, não se pode fazer uma ação que vá destruir uma represa, já que a água é um bem caro.

Em seguida, o professor Cezar mostrou um mapa para os alunos com a proposta deles para a realização de um rodoanel e destacou a maior represa da cidade, chamada João Penido. A aluna Beatriz perguntou se era perto do bairro Grama e o professor Homero lhe disse que era para o lado do Náutico, na Zona Norte. O professor Cezar continuou sua explicação, mostrando outra rodovia (representada por uma linha na cor vermelha), chamada “Rodovia do Aeroporto”, que estavam querendo construir e que cortaria a represa João Penido ao meio e

exclamou “Olha que ignorância também!”. O aluno Dimítrio disse, então, “Os caras burros, hein?”, imitando uma fala anterior do professor César. O aluno Bruno também se manifestou: “Só por dinheiro!”, aludindo à explicação dada pelos professores sobre o motivo para drenarem a represa. O professor Cezar concordou com os alunos, dizendo “Aqui os caras são burros! Tudo burro!” e Rodrigo completou “Eles não sabem aonde construir, também!”. O professor Cezar retomou a palavra dizendo que eles (professores da Universidade) não eram procurados para dar orientações. Rodrigo, novamente, se manifestou repetindo que aquilo era “Só pra ganhar dinheiro!”.

O professor Cezar voltou a mostrar no mapa a proposta deles, que é um rodoanel ao redor de Juiz de Fora. Rodrigo voltou a repetir que só estavam fazendo a linha vermelha para ganhar dinheiro e continuou dizendo que só faziam a estrada para ganhar dinheiro, até que o professor Cezar se manifestou dizendo “Só para ganhar dinheiro! Ganhar dinheiro só para eles próprios! Não é um dinheiro para todo mundo, assim, para dividir”.

Em seguida, ao continuarem mostrando por onde passava a proposta deles e o aeroporto da cidade, Rodrigo perguntou se era perto do Sesc e ao ser informado que sim, disse que conhecia o lugar, que já havia visto. Os professores mostraram para os alunos a localização do aeroporto regional e o professor Cezar explicou que ele é maior do que o de Juiz de Fora e que para ele funcionar é necessário o rodoanel. Disse também que várias cidades seriam beneficiadas, Piau, Santos Dumont, Ewbanck da Câmara, Ubá, Goianá, Rio Novo, Lavras, Coronel Pacheco.

Em seguida, o professor Homero falou que as pessoas só estavam preocupadas em fazer propostas para ganhar dinheiro, sem se incomodar com a questão ambiental e que, assim, cada um deveria se preocupar individualmente, garantindo o futuro de seus filhos. O professor Cezar completou dizendo que era necessário os alunos orientarem os pais que ainda não estavam preocupados com o meio ambiente.

Com a palavra, o professor Luiz Evaristo mostrou uma foto do Paraibuna, que registrava o trabalho de campo dos professores, que vão até o rio medir a quantidade de água que passa, através de um instrumento criado por ele e que utiliza garrafa pet. Ele também mostrou aos alunos o Córrego do Yung e reforçou que apesar de haver bastante água, é preciso saber utilizá-la. Em seguida, disse que no local em que o professor Homero tirou uma foto, na altura da Mata do Krambeck, há capivaras, cocô, terra e que se alguém fosse construir

ou escavar à beira do rio era para não permitir, pois a areia vai para o fundo do rio e, aos poucos, forma ilhas e é necessário limpar isso.

O professor Cezar informou aos alunos que as pessoas nadavam no rio Paraibuna, mas que à medida que a cidade foi crescendo, foram sujando a água. O professor Homero explicou que ao remover a mata que fica ao lado do rio, a sujeira das ruas chega até o rio e muda o ambiente, consequentemente muda o tipo de vida no rio, impedindo a proliferação de vida boa.

Em seguida, o aluno Alan lembrou que a aluna Beatriz queria fazer uma pergunta e a professora esclareceu que os parentes da aluna estavam fazendo novos projetos para o espaço em que estava sendo construída a BR-440. Beatriz falou o nome de seus parentes e o professor Cezar falou que eles são amigos do meio ambiente, pois fizeram um projeto para arrumar o erro que fizeram, para recuperar o bairro, mas esclareceu que o projeto precisava ser aceito pela Prefeitura.

Na sequência, o professor Homero perguntou o que era mais importante, corrigir algo errado ou planejar a execução de uma obra de maneira adequada, respondendo, logo depois, que era preferível planejar antes e disse que um projeto de 32 anos precisava ser adequado aos dias atuais através de um novo projeto.

A professora, então, informou que a aula ia ser encerrada e que, mesmo não havendo combinando nada previamente com os alunos, sugeriu que eles se manifestassem espontaneamente em sinal de agradecimento pela ida dos professores. Rodrigo disse “Muito obrigado por vocês terem vindo aqui ensinar a gente!”. Em seguida, foi a vez do Alan: “Muito obrigado por vocês terem tirado as nossas dúvidas!”. Beatriz também participou: “Muito obrigada por... por...dar o tempo de vocês para ensinarem a gente”, ao que o professor Homero disse “Legal!”.

A professora então se manifestou “Olha! Que bacana, né? Uma salva de palmas para eles, né?!” e os alunos bateram palmas. O professor Homero agradeceu à professora Eliana, pela oportunidade ao Colégio João XXIII e aos alunos por estarem ali envolvidos e interessados no assunto que eles estavam falando. O professor Cezar sugeriu aos alunos para que eles pedissem à professora para leva-los na Universidade e eles rapidamente começaram a se expressar: “Êêêê!!!! Eba!!! Eu quero! Êêêê!!!” . Os professores tiraram fotos junto com os

alunos, dentro do anfiteatro e do lado de fora da Escola e foram servidos biscoitinhos e refrigerantes para brindarem a aula realizada.

As fotos projetadas foram ilustrativas de todo o ensinamento proporcionado pelos professores. Nos momentos finais os agradecimentos dos alunos foram conduzidas pela professora por uma ação educativa e foram ditos espontaneamente pelos alunos, atingindo os objetivos normativos do trato que se deve ter com pessoas que são convidadas a participar de uma atividade deste tipo.

A atividade “Mesa de Debates” sobre a construção da BR-440 nos mostrou que os alunos de 9 a 11 anos foram capazes de interagir com professores de formação em nível de doutorado, sem que houvesse prejuízos em termos de compreensibilidade. Os professores usaram a linguagem com a qual estão acostumados a se comunicar e os alunos se mostraram participativos e fizeram perguntas próprias, adequadas ao tema que estava sendo tratado.

3.4 12ª aula

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