Sensoriais pelo Encefalo
ESPECI FICAS DO CORPO
Uma das informacOes mais importantes que o cerebro deve processar para cada uma das sensagöes somestesi,' cas d seu ponto de origem no corpo. Uma vez que essa localizacao tenha sido determinada, é possivel se fazer, alguma coisa sobre a condicao que produziu essa sen- sacao. Para permitir essa localizacao, as fibras nervo sas guardam uma orientacdo espacial nos troncos ner-
vosos, na medula espinhal, no tronco cerebral e no cortex cerebral. Isso pode ser explicado do seguinte modo:
Orientacao Espacial das Fibras Nervosas. As fi- bras nervosas sensoriais corn origem nos membros in- feriores sao separadas na medula espinhal e no ence- falo das fibras que tem origem nos membros supe- riores. As fibras corn origem nos diferentes dedos sao separadas entre si e ate mesmo as fibras que tern ori- gem em areas da pele distantes entre si de apenas 1 cm sac) mantidas separadas umas das outras. Tam- bem, a cada nova estacao sinaptica, ao longo da via sensorial, os sinais sensoriais respectivos de areas adjacentes do corpo ainda sao mantidos separados ate
seus terminos na parte inferior do tronco cerebral, no talamo e no cortex cerebral.
Em geral, o -Warm é capaz de determinar, de forma apenas grosseira, qual a parte do corpo que esta sendo estimulada. 0 talamo nab esta organizado de forma a permitir a localizacao das sensacOes em pon- tos muito precisos do corpo; pelo contrario, essa fun-
cab e realizada principalmente pela area somestesica
Fissura de Sylvian
Lobo temporal afastado interiormente 41
SENSAQAO SOMESTESICA E SINAIS SENSOR lAiS
Cortex Somestesico
A Fig. 9-6 mostra o cortex somestesico que fica loca- lizada em posicffo imediatamente posterior ao sulco central do cerebro, e estende-se desde a fissura longi- tudinal, na parte superior, ate a fissura de Sylvius, na parte lateral do cOrebro. Essa figura tambem mostra as areas do cortex somestesico que recebem as sensa- cOes de cada parte do corpo. As sensacOes do 136, por exemplo, excitam o cortex somestesico no ponto onde ocorre a dobra para a face medial do hemisfé- riO, no interior da fissura longitudinal, que percorre a lint a media do encefalo. A area da perna esti situada, apiOXimadarnerite no ponto onde o cortex somestesi- co'COine0 a ocupar a face lateral do hemisferio, para fora- da fissura longitudinal. Em seguida vem a area da coxa, seguida pela do abdome, do tOrax, do ombro, do bricO; da mao, dos dedos, do polegar, do pescoco, a lint* do palato a da laringe. Dena forma, todo o
coroii'6'fepresentado espacialmente no cortex somes- esico, odd 'pont° individual desse cortex correspon-.
um a ,`
endo a ua area definida, corn dunensao de apenas
ns milimetros, na superficie do corpo.
ma mais importantes funcOes do cortex so- restekbO e• a de localizar corn muita exatidao os pOn- os clo:COrOo'orrile ter origem as sensacöes. Embora o OlaniO'seja capaz de localizar as sensacöes em areas muito,gerais, como, em um bravo, em uma perna ou no tionco, nao a capaz de localizar as sensayies em 'teas diminutas do corpo. Pelo contrario, o talamo ransmite os sinais necessarios para o cOrtex someste-
sico; onde existe tuna representacao espacial muito
niélhor e onde a tarefa da lOcalizacao precisa e exe- cdtada.
ern todas as inodalidades sensoriais sao igualmen- te betri localizadas. As sensagOes de dor continua, de tatO• grosseiro e de calor e de frio sao localizadas em afeas-gerais do corpo e nao em areas bem definidas. Parece que o talamo realiza a maior parte da funcao clelocalizacffo para essas modalidades de sensacao.
Sulco central ae Area somestesica Area somestesica Vssociativa 123
Por outro lado as sensacties de tato leve, de pressao e de posicao sao muito precisamente localizadas pelo cortex somestesico. Essas sao as sensacOes que nor- malmente sao detectadas pelos receptores sensoriais especiais, como os corplaculos de Meissner para o tato leve e os receptores articulares de Ruffin para a sensacao de posicao.
Funcao do Cortex Somestesico na Analise dos Si- nais Sensoriais. Mesmo quando todo o cOrtex
somestesico é removido completamente, uma pessoa ainda conserva a capacidade de detectar o tipo de sen- sacao que esti experimentando, isto 6, se é de dor, de tato, de calor, de frio etc., mas sua apreciacao dessas sensacties fica reduzida de forma muito acentuada. Por conseguinte, o cOrtex cerebral esta relacionado nao tanto a deteccao do tipo de sensacao quanto corn a aralise da informacao sensorial, apOs ja ter sido detectada.
Interpreta0o das Sensacbes Somestêsicas —
Area
de Associa0o SomestesicaA area do cortex, situada a cerca de 1 cm eras do cortex somestesico, a chamada de area de assockok somestesica (ver Fig. 9-6), por ser nem regrao que as qualidades mais complexas da sensacao sao avalia-, das. Os sinais sao ttansmitidos diretainente para essa area de diversos pontos: (1) do Warn°, (2) de outras regiOes .basàis do encefalo e (3) do cortex somest6si- co. Por meios ainda nao conhecidos, a area de asso- ciacao somestesica Integra todas essas inforrnacties e determina as seguintes caracteristicas das sensacOes: (1) forma do objeto, (2) posigOes relativas das partes do corpo entre si, como as pernas, as moos etc.; (3) a textura de uma superficie, se 6 aspera, ou lisa ou on- dulosa; e (4) a orientacao de urn objeto em relacffo a outro — em outras palavras, a orientacao espacial de objetos que sat, palpados.
Muitas das memOrias das experiéncias sensoriais passadas sao tambem armazenadas na area de asso- clack) somestesica e, quando novas sensacOes, seme- lhantes as anteriores, chegam ao cerebro, a natureza paralela das dugs sensac-Oes a imediatamente notada. E desse modo que se associa uma nova sensacao as an- tigas e, portanto, que se reconhece a natureza da sen- sago. Conforme mais e mais experi8ncias sensoriais se acumulam, as novas experiencias sensoriais podem ser interpretadas corn base no que é rememorado do passado.
Figura 9-6. 0 cortex somestesico.
DOR
A sensacao de dor merece um comentario especial por representar urn papel especialmente importante na protecao de nosso corpo, dando noticia de pratica- mente todos os tipos de processo lesivo e de produzir
SISTEMA NERVOSO CENTRAL
as reae5e.s musculares apropriadas a remogao
corpo do contato corn o estimulo lesivo.
0
Estimulo que Causa a Dor. Os receptores da dor sac) estimulados quando os tecidos do corpo estifosendo lesados. Por exemplo, é sentida dor enquanto a
pele estd sendo cortada, mas, em geral, pouco depois do torte, a dor desaparece. Em verdade, a milhares de soldados mortalmente feridos, na Segunda Grande Guerra, foi perguntado se sentiam ou nab sentiam dor. Na maior parte dos casos, nenhuma dor era sen- tida, exceto dutante alguns minutos após ter ocorrido o ferimento ou quando o paciente era movido.
Tipos diversos de estimulos lesivos que podem cau- sar. dor incluem o trauma aos tecidos, a isquemia (fai- t& de fluxo sangfaneo) para os tecidos, calor intenso aplicado ao tecido, ofrio intenso (em especial, o con- gelamento dos tecidos) ou a irritaciio quimica dos te- cidos. Acredita-se que enquanto o tecido estä soften- do, a lesao, ele libere alguma substancia de suas celu-
las que estimule as terminaeöes nervosas da dor. A
bradicinina tem sido especialmente citada como esse
agente, embora ainda nab exista comprovago.
Percepeao da Dor. Freqiientemente, é dito que uma pessoa percebe a dor de modo mais intenso que outrns. Contudo, experimentos, onde intensidades graduadas de lesao tecidual foram produzidas em grande numero de pessoas, mostraram que todas as pessoas normais percebiam a dor a quase que precisa- mente, mesmo grau de lea() tecidual. Por exemplo, quando e usado calor para lesar o tecido, quase todas as pessoas acusavam dor quando a temperatura do, tecido atingia a faixa entre 44°C e 46°C, o que re-, pr6senta Hittites bastantes estreitos.
Reatividade a Dor. Por outro lado, nem todas as pessoas reagem do mesmo modo a dores equivalentes, pOii;algumas reagem violentamente a dores de peque- na intensidade enquanto outras podem aguentar gran- des intensidades de dor, antes de esbocarem qualquer reaCdO. Isso a determinado nao por difereneas na sen- sitividade dos receptores da dor de per si, mas, pelo contrario, por difereneas no arcaboueo psiquico das pessoas. Portanto, quando algtrem a dito ser extrema- mente "sensivel" a dor, isso significa que ele reage dor de forma muito mais intensa do que outras pes- soas e nab que ele percebe mais a dor.
Transmissao dos Sinais de Dor para o Tronco Cerebral,
para o T6lamo e para o Cortex
Dois Tipos de Dor -- a Dor em Pontada e a Dor em Queimagao Continua. Se. o estudante para para re- lembrar por alguns instanter suas experiencias doloro- sas, ele se lembrara de que alguns tipos de dor sffo muito agudos e corn caracterfsticas de pontadas. Esse tipo, chamado de dor em pontada, pode ser localiza-
ri n muita fanilirlarla em areas hastante nreriene rli,
corpo. Por outro lado, urn outro tipo de dor, descrito como sendo uma dor continua em queimacito, perma- nece por longos periodos de tempo, como acontece apOs uma queimadura por escaldamento ou em arti- culagao cronicamente artritica. A Fig. 9-7 mostra que os sinais-da dor em pontada terminam no complexo ventrobasal do talamo, junto corn o lemnisco medial e, desse ponto, sinais sucessivos passam para as areas somestesicas do cortex. Por outro lado, as fibras da dor continua em queimacao terminam diferentemen- te. Enviam numerosissimas ramificacOes para a subs-
tAncia reticular do tronco cerebral, em todos os niveis do bulbo, da protuberancia e do mesenc6falo. Ainda muitas dessas fibras penetram ate a parte mediana do talamo, para terminar nos nficleos intralaminares ta-
Limicos. Esses mideos sao, em verdade, uma extensao para cima da substancia reticular do tronco cerebral. Os sinais neurais que terminam nessa substancia reti- cular, desde o bulbo ate o talamo, produzem muitas de nossas reagOes subconscientes a dor, como nossas manifestaeOes de mau humor, por vezes, agressividade aumentada e, ate mesmo, raiva. Dessa forma, a via da dor continua em queimago 6 urn sistema muito pri mitivo que permite que a dor faca corn que o corpo entre em estado de reaeao muito ativa, mas subcons- ciente, a prOpria dor. Pode, fazer corn que a pessoa fuja ou lute. E pode fazer corn que ela grite e se con- torga na agonia do sofrimento.
CONTROLE DA DOR POR FEEDBACK