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CAPÍTULO 2 – REVISÃO DE LITERATURA

2.2 Estilo de vida

2.2.3 Estilo de vida sedentário

O estilo de vida sedentário, ou de baixos níveis de atividade física, característico da realidade atual, configura-se como um problema de saúde pública a ser superado. A prática regular e adequada de atividade física está abaixo do que é exigido para a vida nas sociedades modernas. Segundo pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças – CDC (Center of Diseases Control – CDC), órgão norte-americano para o controle de doenças, cerca de 40% dos norte- americanos não praticam qualquer tipo de atividade física, já daqueles que mantém algum tipo de fidelidade a programas de atividade física, cerca de 40% não o fazem

adequadamente, ou seja, não alcançam um nível mínimo de gasto calórico, ficando aquém do necessário para o ganho de aptidão física e promoção de saúde (PATE et

al., 1995).

As estimativas norte-americanas apontam que o estilo de vida sedentário contribui com aproximadamente 23% das mortes causadas por doenças crônico- degenerativas, e que quase 60 milhões de norte americanos apresentam índices de sobre peso e obesidade (COLDITZ, 1999). Myers, Atwood e Froelicher (2003) calculam que ocorram aproximadamente 250.000 mortes por ano nos Estados Unidos atribuíveis a falta de atividade física regular. Segundo Myers et al. (2003), além de inúmeros outros autores, estudos prospectivos e contínuos proveram evidências consistentes que documentam os efeitos protetores de atividade frente a diversas doenças crônicas, tais como a diabetes mellitus, a aterosclerose, a hipertensão, a osteoporose, e diversos tipos de câncer (HORTA e BARATA, 1995; BORREGO, 1998; MCTIERNAN, 2000; BAPTISTA, 2001; BARQUERO e VILASECA, 2001; SANCHO e MATEO, 2002; HITT, 2003).

Segundo Blair et al. (1998) estudos demonstram que as intervenções no estilo de

vida podem prevenir doenças crônico-degenerativas. Segundo os autores, os hábitos de vida sedentários e os baixos níveis de aptidão de cardio-respiratória são fatores de risco importantes para a doença cardiovascular. Segundo suas pesquisas, já existem estudos que provêem evidências de causalidade entre a inatividade física e as doenças crônico-degenerativas, assim como a atividade física e a proteção contra a mortalidade causada por doenças cardiovasculares, tanto em homens quanto em mulheres.

De acordo com Blair et al. (1998), menos de um quarto de adultos norte- americanos são ativos ao nível recomendado para benefícios de saúde, e que 25% dos norte americanos adultos são essencialmente sedentários. Para os autores, a forte associação entre a inatividade física e a mortalidade por doenças cardiovasculares e a alta prevalência de estilos de vida sedentários na população, conduz a uma população de altos riscos à saúde. Segundo seus dados, um terço das mortes é atribuída às doenças coronarianas, perfazendo um total de aproximadamente 250.000 mortes ao ano, e que estão relacionadas à inatividade física.

A partir de evidências científicas, estudos apontam que baixos níveis de aptidão física estão constantemente associados a altas taxas de mortalidade por doenças

cardiovasculares e que o aumento das atividades físicas e de lazer está associado à diminuição das taxas de mortalidade (BLAIR, 1994; GARCÍA, SÁNCHEZ e GARCIA, 1997; PADEZ, 2002). Os dados epidemiológicos brasileiros não apresentam total fidedignidade. Esta limitação é causada, entre outros fatores, pela extensão territorial e falta de pesquisas contundentes por parte dos órgãos governamentais. Contudo, segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de morte no Brasil causados pelas doenças crônico-degenerativas cardiovasculares e cardiorespiratórias, chegam a 346.263 óbitos por ano (BRASIL, 2004i).

Quanto a obesidade é admissível afirmar que nos países industrializados este comprometimento vem sendo delineado como um sério problema de saúde pública. Nos Estados Unidos da América, atualmente ocorre uma verdadeira epidemia de sobrepeso e obesidade, haja vista que quase 97 milhões de adultos apresentam um destes acometimentos. Os cálculos mostram que somente os custos médicos para tratar a obesidade giram em torno de 238 bilhões de dólares ao ano, os quais aproximadamente 100 bilhões de dólares somente para o tratamento dos aspectos ligados à morbidade (KRAUSS e WINSTON, 1998; KAWACHI, KENNEDY e GLASS, 1999; OSTER, THOMPSON, EDELSBERG, BIRD e COLDITZ, 1999; LENHARD 1999; DEL NEGRO, 2000; WING e TATE, 2000; WING, GOLDSTEIN, ACTON e BIRCH, 2001).

Colditz (1999) mostra que os custos econômicos de inatividade (incluindo os atribuíveis à obesidade) representam um significativo impacto na saúde pública das populações crescentemente sedentárias de países com economias de mercado estabelecidas. O autor reitera que os componentes dos custos provenientes da obesidade incluem os gastos diretos, que são o resultado de tratamento de morbidez, e os gastos indiretos, que são causados pela perda da produtividade, absenteísmos, além da mortalidade prematura.

Nos Estados Unidos da América, os custos diretos de falta de atividade física, definidos pela ausência de lazer e atividade física, segundo Colditz (1999), são de aproximadamente 24 bilhões dólares, ou 2,4% das despesas com saúde naquele país. Segundo este autor, os custos diretos relacionados à obesidade, somam aproximadamente 70 bilhões dólares, ou 7% das despesas com a saúde naquele país. As conseqüências da inatividade física representam um dos principais fatores de saúde pública nos Estados Unidos da América. Contudo, a atividade física também pode ser considerado como fator primordial de prevenção e de diminuição

dos gastos com as doenças típicas do sedentarismo. Esta constatação pode ser expandida a outros países com estilo de vida similar que substituíram o trabalho físico por ocupações sedentárias.

A doença cardiovascular é tipicamente um acometimento crônico degenerativo. Este acometimento é a maior causa de mortalidade nas sociedades industrializadas. Anualmente milhares de pessoas no mundo são acometidas de infarto, apoplexias e hipertensão arterial. A doença cardiovascular deve ser entendida como um acometimento multifatorial que apresenta íntima relação com baixos níveis de atividade física, sedentarismo, estresse, fumo, diabete, perfil psicológico entre outros (FOX et al., 1991; SALLIS e OWEN, 1999; KUJALA, KAPRIO, KOSKENVUO, 2002) Quanto as conseqüências da obesidade, existem inúmeros fatores que exacerbam a própria condição do sobrepeso e da obesidade, tais como hipertensão, hiperlipidemia, osteoartrite, diabete mellitus, período pós-menopausa e, inclusive o câncer (COLDITZ, 1999; BURKE, BEILIN e DUNBAR, 2000, HERNÁNDEZ et al., 2000). Seeman (2000) mostra em seu artigo que a osteoporose pode ser considerada um acometimento que leva a morbidez do indivíduo, em especial os comprometimentos relacionados à fratura de quadril. Este acometimento apresenta maior incidência em mulheres, com idades entre 45 e 70 anos. Existem outras doenças que podem estar relacionadas à inatividade física e que podem levar a morbidade e até mesmo a mortandade dos indivíduos. Dentre a extensa lista destaca-se o câncer de cólon, câncer de mama e câncer de próstata (COLDITZ, 1999; MCTIERNAN, 2000). Estas patologias encontram-se em grande parte associadas entre si, o que demonstra a necessidade de intervenções multiprofissionais na prevenção e combate deste malefícios à saúde humana.

Segundo Pitanga (2002), o sedentarismo é um risco primário para doenças cardiovasculares. Estas doenças são a principal causa de morte por doenças crônico-degenerativas, tanto nos países desenvolvidos, quanto nos países em desenvolvimento com alto índice de industrialização, perfazendo quase dois milhões de óbitos relacionados à inatividade física (PARDINI et al., 2001). Portanto, as investigações acerca dos diversos fatores que estão relacionados com a atividade física (genéticos, comportamentais e culturais) deveriam ser incrementadas, permitindo que os conhecimentos sobre o tema avançem e possibilitem as intervenções multiprofissionais necessárias.

Com respeito ao estilo de vida atual, Sallis e Owen (1999, p.11), avaliam que “(...) provavelmente pela primeira vez na história humana, milhões das pessoas podem apresentar estilos de vida extremamente sedentários”. Este autores mostram ainda, que “(...) já não se tem que ser ativos para obter comida, viver ou se locomover. Porém, estes estilos de vida extraem um grande custo da quantidade e qualidade de vida” (p,11). Portanto, o estilo de vida apresenta-se para os indivíduos como um fator determinante para a saúde pública, pois os estudos atuais demonstram que suas conseqüências, refletem diretamente na saúde e qualidade de vida dos indivíduos.