Geralmente as coisas não são inteiramente ruins. Treine o seu cérebro para encontrar o lado bom e faça dele o foco do seu pensamento. Da mesma forma que você fez a sua Lista Feliz, faça uma lista de perguntas genéricas que possam estimular o pensamento positivo, tais como “O que existe de bom nesta situação? O que me agrada nisso?”. Ou você pode recorrer a uma única pergunta, muito simples: “O que há na metade cheia do copo?”
Depois que você pegar o jeito, vai se tornar mestre em achar o lado bom das coisas. Ele existe sempre; só que você não o estava procurando. O seu cérebro irá aprender que pensamentos negativos não levam muito longe e que a única maneira dele ganhar a sua atenção é ter pensamentos positivos. Ele estará domado.
Quando você achar fácil redirecionar a conversa, estará pronto para ir ainda mais longe no processo. Da próxima vez que você notar um pensamento negativo, simplesmente responda com Vá buscar um pensamento mais feliz.
Você só precisa dizer isso, na verdade. Como sempre, o seu cérebro, no início, vai tentar ignorar a tarefa, mas, se você insistir, ele vai obedecer, e daí em diante você só terá que repetir a ordem Vá buscar um pensamento mais feliz até obter um. Aqueles que conseguem fazer isso são os que chegam mais perto do
“controle do cérebro”.
Parabéns!
VOCÊ
, e não o seu cérebro, é oCHEFE
agora!ou a própria respiração.
No entanto, meditação não é um estilo de vida. É uma prática que prepara você para um estilo de vida. De que serve a prática se você volta para o estilo de vida normal, cabeça cheia de pensamentos, assim que a prática termina? O objetivo final é viver num estado de maior conscientização fora da sala de meditação, de modo que ele se torne o seu estilo de vida o dia inteiro.
Outra peculiaridade no modo como o cérebro funciona pode ajudar você a conseguir isso. O cérebro é o equivalente em ciência da computação a um processador serial, o que significa que ele pode focar apenas num pensamento de cada vez. Embora às vezes você possa ter a impressão de ter um milhão de pensamentos na cabeça, o que o seu cérebro está fazendo realmente é pulando rapidamente de um para outro.
Agora tire um minuto para curtir o seguinte jogo. Tente pensar em duas coisas ao mesmo tempo. Tente pensar no quanto você de divertiu no último fim de semana sem tirar da cabeça a lembrança daquela discussão que você teve ontem.
Continue tentando. Continue tentando. Complicado, não é? Agora tente ler em voz alta enquanto conta silenciosamente de 643 para trás. Você vai notar que, quando você lê, a contagem para e, quando você conta, a leitura para. Isso acontece também com seu diálogo interno. Uma coisa de cada vez é tudo o que esta máquina fantástica consegue fazer.
Para o cérebro, realizar multitarefas é um mito!
Nós podemos usar essa característica do nosso cérebro em proveito próprio. A técnica que eu recomendo para calar o pato que grasna sem parar é entupi-lo de coisas que ele não pode ponderar, avaliar ou julgar − coisas que ele só pode observar. Como fazer isso: dirija sua atenção para fora de você. Observe a luminosidade da sala, preste atenção no que está em cima da sua escrivaninha, sinta aquele aroma de café vindo da cozinha, observe a fibra da madeira da mesa, ou preste atenção no ruído distante dos carros na rua. Não deixe de observar nada. Note cada detalhe ao seu redor. Era isso que você costumava fazer quando era um recém-nascido. Apenas observe.
Ou então você pode se valer das técnicas de meditação e dirigir sua atenção para dentro. Preste bastante atenção no seu corpo. Perceba quaisquer músculos doloridos da ginástica de ontem ou a dor nas costas decorrente do longo tempo sentado na sua escrivaninha. Observe sua respiração ou sinta o sangue correndo pelo corpo.
Observe tudo: os estímulos infinitos que o seu cérebro tem ignorado para liberar os ciclos cerebrais de que necessita para se ocupar obsessivamente dos seus próprios pensamentos. Escolha algo que não seja pensamento como a única coisa que ele pode processar de cada vez. Encha-o com sinais do mundo físico para que pare de viver dentro de sua pequena bolha. Cada filtro que você remove dá ao seu cérebro algo para processar e reduz sua capacidade de se dedicar a pensamentos inúteis.
Dessa vez você não está aparelhando seu cérebro com um bom pensamento − você o está aparelhando com ausência de pensamento. É então que o silêncio se instala. Grande sorriso de tranquilidade!
Mas um aviso. Essa pode ser uma zona muito desconfortável para o seu cérebro. Afinal de contas, ele está acostumado a ser o chefe, e sua capacidade de ligá-lo e desligá-lo dependendo da sua vontade vai parecer uma ameaça à sua existência. Ele vai resistir com mais pensamentos. A melhor resposta é ficar quieto e observar calmamente o mundo interno e externo. Continue removendo aqueles filtros até o silêncio retornar.
Usando essa técnica aprendi como simplesmente tirar o meu cérebro da tomada, mesmo depois de anos sendo um executivo do setor de tecnologia que privilegiava o lado esquerdo do cérebro. Às vezes fico horas sentado numa longa viagem de avião com um sorriso tolo no rosto e apenas fantasmas de pensamentos − ou nenhum pensamento − na cabeça. É maravilhoso. Um botão capaz de desligar todos os pensamentos. Apenas digo com firmeza para o meu cérebro “Quero que você desligue, agora”, removo meus filtros sensoriais, e desfruto do mundo sem nenhum comentário.
Experimente fazer isso. É uma alegria sem igual.
Aprenda a calar o pato.