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A vida não é seletiva quando se trata de cutucadas. Embora ela possa cutucar com mais força quando há algo melhor mais adiante no caminho, ela leva todo mundo a fazer desvios de vez em quando. Mesmo você, tenho certeza, já foi levado a fazer muitos desses desvios.

Aqui vai um teste simples para ajudá-lo a reconhecer quando está sendo cutucado. É o teste do apagador. Imagine uma nova tecnologia que permite que você escolha qualquer acontecimento passado de que não goste e simplesmente o apague como se ele nunca tivesse acontecido. E o apague da sua memória e do tempo também. A tecnologia consegue apontar aquele acontecimento exato no continuum espaço-tempo e usa um algoritmo flexível, escrito só em poucos milhares de linhas de código Python, para apagá-lo. A tecnologia também acompanha os efeitos do acontecimento ao longo do tempo e apaga automaticamente todas as suas consequências até o momento presente.

Como você é um dos meus estimados leitores, vou deixar você testar essa nova tecnologia. Você pode escolher apagar qualquer coisa. Pode escolher apagar uma aula chata e tudo o que ouviu nela; ao fazer isso você irá apagar todo contato que teve com qualquer pessoa que tenha encontrado naquele momento, todo telefonema que tenha dado para essas pessoas mais tarde, cada informação que tenha guardado − tudo. O apagador irá devolver também o tempo passado lá, então você terá a impressão de ter chegado em casa uma hora mais cedo por um caminho diferente, escutado um programa diferente no rádio, e assim por diante.

O seu caminho na vida será alterado para corresponder a um caminho que não tenha sido afetado de alguma forma pelo acontecimento que você escolheu apagar. Tomara que esse novo caminho deixe você mais feliz, mas para testar o apagador não é oferecida nenhuma garantia.

Vá em frente agora, escolha um acontecimento que você deseja apagar e pense em todas as coisas em sua vida que você irá apagar junto com ele.

Agora pergunte a si mesmo, se essa tecnologia realmente existisse, quantos acontecimento você escolheria apagar? Pergunte a si mesmo quantos acontecimentos você preferiria manter embora na época em que eles ocorreram você os tenha considerado ruins.

Quase todas as pessoas para quem apresentei esse teste hipotético concordam.

Embora umas poucas tenham conseguido encontrar um punhado de acontecimentos dos quais se arrependiam profundamente e quisessem apagá-los, a maioria decidiu manter inalteradas algumas de suas experiências mais duras.

Sabendo que apagar um acontecimento apaga o caminho criado por ele, a maioria das pessoas que entrevistei escolheu manter a cutucada, grata pelo caminho para onde ela as levou. Algumas pessoas disseram até que olhar para essas experiências como cutucadas deixa claro que isso pode ter sido a melhor coisa que lhes aconteceu − embora não fosse sempre fácil de ver.

Olhando para trás, posso ver claramente de que maneira o meu caminho na vida foi auxiliado por uma série de cutucadas espetaculares. Entretanto, eu usaria o apagador uma única vez, se pudesse. Admito que ainda adoraria apagar a morte de Ali. Não há nada que eu adoraria mais do que dar um abraço nele outra vez. Eu entendo que a morte dele foi a maior cutucada da minha vida, fazendo-me escrever este livro e fazer o bem para outras pessoas, mas fazendo-mesmo que controle os meus pensamentos, o meu coração irá sempre sentir saudade dele.

Imagino que o tempo − muito tempo − irá curar o que o pensamento não consegue.

Na cultura popular árabe há uma história de um homem sábio cujo filho foi até o poço num dia em que o calor estava insuportável. Para sua surpresa, ele encontrou um belo e manso cavalo negro. Todos na aldeia invejaram o rapaz e ele começou a vencer todas as corridas com seu novo cavalo. Os aldeões disseram ao velho: “O seu filho foi abençoado pela sorte.” E o velho respondeu:

“Nunca se pode ter certeza.” Uma semana depois, o rapaz caiu do cavalo e quebrou as pernas, então eles correram para o velho e disseram: “A sorte do seu filho se transformou em azar!” Ao que ele respondeu: “Nunca se pode ter certeza.” Uma semana depois, uma aldeia rival os atacou de surpresa. Todos os rapazes foram convocados e muitos foram mortos. O filho do velho foi poupado.

Nunca se pode realmente ter certeza.

Agora, por favor, seja honesto: quantas das piores coisas que você enfrentou, com o tempo, se tornaram as melhores coisas que lhe aconteceram? Quantas delas fizeram de você a pessoa que é hoje? Quantas o ajudaram a conhecer alguém que você amou ou que lhe ensinou algo que você precisava saber? Sei que muitas dessas experiências foram duras e que algumas ainda machucam, mas quantas foram de todo más, tão más que você gostaria de apagá-las?

Quando você perceber que cada acontecimento aparentemente ruim o empurrou para o caminho de tantos acontecimentos bons, você irá modificar suas definições de bom e mau. As novas definições irão ajudá-lo a corrigir a Fórmula da Felicidade. Você vai compreender que suas expectativas são às vezes

apressadas e que a vida pode surpreender você e acabar trabalhando a seu favor.

Ela fez isso tantas vezes no passado. Por que mudaria agora?

Cada momento da sua vida não é nem de todo bom nem de todo mau. Quando você clareia seus pensamentos e vê além da Ilusão do Conhecimento, percebe que o que Shakespeare disse sabiamente é verdade:

“Não há nada que seja bom ou mau em si mesmo, o pensamento é que faz com que assim seja.”

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