• Nenhum resultado encontrado

3. METODOLOGIA

3.2 DELINEAMENTO E DELIMITAÇÃO DA PESQUISA

3.2.4 Facilidades e dificuldades na coleta de dados

No que tange às facilidades e dificuldades na coleta dos dados, algumas observações são pertinentes.

Em relação à coleta de dados secundários pode-se dizer que este estudo recebeu substanciais contribuições de outras dissertações de mestrado delineadas de forma similar e que também tiveram como foco de análise as indústrias do setor alimentício paranaense16. Estes trabalhos contribuíram, apontando fontes de informação relevantes, como também indicando elementos e aspectos fundamentais para a análise relativa ao contexto ambiental da indústria de alimentos. Logo, grande parte do trabalho relativo à manipulação e análise dos dados secundários neste estudo compreende uma atualização dos estudos relativos à indústria de alimentos paranaense que há algum tempo vêm sendo realizados pelo Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná – CEPPAD/UFPR.

Muitas das dificuldades encontradas no processo de coleta de dados secundários são similares às reportadas pelos colegas. Ou seja, à medida que se restringe o nível analítico de análise ambiental se reduzem as informações específicas relativas a indústria de alimentos.

Informações sobre ao setor alimentício são abundantes no contexto internacional. Vale ressaltar que o levantamento deste material foi substancialmente facilitado por mecanismos de pesquisa acadêmica, como o PROQUEST e EBSCO.

No contexto nacional, destacam-se os estudos e relatórios elaborados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos – ABIA. Por outro lado, grande parte

16 Os trabalhos referidos são GUARIDO FILHO (2000) e COCHIA (2002).

deste material possui custo relativamente alto para aquisição. Significativo volume de material concernente ao contexto nacional da indústria de alimentos é elaborado e disponibilizado por órgãos oficiais na Internet, como, por exemplo, BNDES e IPEA;

entretanto, a maior parte destes estudos desenvolve-se sobre cadeias alimentares específicas como, por exemplo, soja, leite, carnes, entre outros. Já no contexto regional paranaense, o volume de material é relativamente escasso. Por outro lado, merecem destaque os trabalhos elaborados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social - IPARDES.

Em relação à montagem da moldura de amostragem para coleta dos dados primários, salienta-se que esta tarefa foi facilitada com a disponibilização dos dados do cadastro da RAIS, acessado junto à Delegacia Regional do Trabalho do Paraná – DRT/PR. No caso a relação de empresas inscritas na RAIS compreendeu um cadastro relativamente confiável para a indústria de alimentos. Além disto, a listagem de empresas inscritas na RAIS, uma vez estratificada por porte e localização (região) favoreceriam, se fosse o caso, o delineamento de uma amostra estratificada de natureza probabilística. Da mesma forma, a listagem permitiu que fossem acessados dados cadastrais (endereços) relativamente atualizados.

Em contrapartida às facilidades para a montagem da moldura de amostra, diversas dificuldades permeiam a coleta dos dados primários propriamente dita.

Primeiro, o fato de os envelopes não terem sido postados nominalmente, mas genericamente, ao presidente da empresa, contribuiu para que muitos questionários fossem extraviados no interior da organização. Freqüentemente, houve dificuldade para localizar os questionários na empresa. Além disto, verificou-se que grande parte dos envelopes de pesquisa foram encaminhados indistintamente para um departamento da organização ou pessoa que se encarrega de responder a questionários e pesquisa (departamento de marketing por exemplo). No caso, 44% dos respondentes não foram os fundadores/proprietários da empresa, fato este que, em certo sentido, poderia comprometer a validade das respostas. A fim de transpor tais dificuldades,

sugere-se que estudos futuros, levantem o nome do destinatário na organização antes da remessa dos envelopes.

Segundo, em poucos casos conseguiu-se manter contato telefônico direto com o presidente da empresa. Em contrapartida, foi relativamente comum o contato com secretárias (os) ou subordinados. Além disto percebeu-se certa indisposição dos empresários em participar de pesquisas acadêmicas. Contribui nesta direção o fato de que as pesquisas acadêmicas tendem a ser classificadas indistintamente como pesquisas de natureza comercial. É possível que este preconceito se justifique em virtude de os empresários perceberem poucos benefícios em responder pesquisas acadêmicas. Nesta direção, acredita-se que o envio dos resultados da pesquisa acompanhado por um sumário executivo aos respondentes, contribua para a disseminação da cultura de pesquisa na indústria paranaense. Da mesma forma, sugere-se o envio por e-mail do artigo gerado pela pesquisa para os participantes.

O terceiro aspecto desfavorável que influenciou no baixo índice de retorno dos questionários diz respeito ao período em que o levantamento foi efetivado ou seja, entre novembro e fevereiro. Reconhecidamente, trata-se de um período marcado por feriados de final de ano, férias coletivas, fechamento de contas anuais, carnaval entre outros.

Finalmente, o quarto aspecto a ser ressaltado remete à utilização dos meios eletrônicos de comunicação, como no caso a Internet, na pesquisa científica. Apesar de se ter utilizado amplamente este meio de comunicação no estudo para cobrança da resposta, em termos de eficiência não se mostrou satisfatório. Ainda que se trate de um meio de comunicação barato e em expansão, o volume de informações recebidas (spam) em uma caixa de correio eletrônico é tamanho que muitas vezes informações importantes são desconsideradas. Além disto, a disseminação de vírus via correio eletrônico também desfavorece a utilização do correio eletrônico. Em outras palavras, nota-se que permanece como melhor forma de cobrança dos questionários, o contato telefônico. Neste sentido, sugere-se a realização de um contato telefônico com a

organização anteriormente ao envio do questionário, tanto para identificar o nome do destinatário na organização, quanto para informar a respeito da pesquisa e solicitar a participação.