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11. DO ESTADO DE NECESSIDADE NO DIREITO COMPARADO

11.5 Família do extremo oriente

Art. 39. Extrema necessidade. 2. Infligir um dano que claramente não corresponde à natureza e ao grau da ameaça de perigo, nem às circunstâncias sob as quais o perigo foi removido, quando dano igual ou maior for causado a tais interesses do que o dano evitado, será considerado um excesso da extrema necessidade. Tal excesso envolverá responsabilização criminal apenas nos casos em que houver intenção de causar dano. (tradução livre)

Também não há na legislação russa menção à natureza jurídica do estado de necessidade, ou seja, se justificante ou exculpante. Valendo-se do mesmo raciocínio lógico utilizado na legislação nigeriana e madagascarense, pode-se afirmar que apresenta a extrema necessidade a natureza jurídica justificante porquanto seu reconhecimento exclui a própria criminalidade da conduta.

técnicas de mediação, sobre um apelo constante à autocrítica por um lado e ao espírito de moderação e de conciliação por outro.

Todavia, a partir do século XIX, os países do extremo oriente passaram a receber fortes influências do ocidente que os obrigaram a indagar as suas estruturas tradicionais. Nota-se que não somente receberam novos códigos, como também buscaram a fundamentar as relações sobre o direito, principalmente o da família romano-germânica. Do ponto de vista político, ainda, optaram pela edificação do comunismo. A despeito de todas as influências supramencionadas, as relações sociais permaneceram a ser guiadas em consonância com os modelos tradicionais222:

Verificou-se então, pelo menos em aparência, uma verdadeira revolução. A maior parte dos países do extremo Oriente receberam códigos e o que parecia era que, repudiando as suas maneiras de ver tradicionais, eles pretendiam, a partir de então, fundar as relações sociais sobre o direito, ligando-se à família romano-germânica. Por outro lado, numa época posterior alguns desses países manifestaram a sua vontade de transformar as suas estruturas edificando o comunismo. [...] As estruturas e instituições de tipo ocidental que foram criadas podem, em numerosos casos, constituir uma simples fachada atrás da qual as relações sociais continuam a ser exercidas, em larga medida, em conformidade com os modelos tradicionais.

11.5.1 China

O Código Penal da China estatui, em seu art. 21, que a responsabilidade penal não pode exsurgir de danos resultantes de condutas realizadas em urgente perigo e para evitar a existência de danos presentes para o interesse público, Estado ou aos direitos da pessoa ou da propriedade223:

Art. 21. Não haverá responsabilização criminal pelo dano que resultar de uma ação de prevenção de um perigo urgente que necessite ser tomada para evitar

222 DAVI, René. Os grandes sistemas do direito contemporâneo. 4a ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 585.

223 Disponível em: <http://www.china.org.cn/english/government/207319.htm>. Acesso em: 18 de junho de 2022.

“Article 21. Criminal responsibility is not to be borne for damage resulting from an act of urgent danger prevention that must be undertaken in order to avert the occurrence of present danger to the state or public interest or the rights of the person, property rights, or other rights of the actor or of other people.”

a ocorrência de um perigo para o Estado ou interesse público ou os direitos da pessoa, direitos da propriedade ou outros direitos do agente ou de outras pessoas. (tradução livre)

Extrai-se do dispositivo legal a preocupação do legislador em garantir que condutas tendentes a proteger o interesse público ou o Estado sejam abarcadas pelo estado de necessidade. Ainda, o art. 21, inciso I normatiza a hipótese de excesso no estado de necessidade, estipulando que haverá responsabilidade penal quando a prevenção de um perigo urgente exceder os limites necessários e causar dano indeciso. E o art. 21, inciso II expressa que as determinações sobre a prevenção de perigo a si mesmo não se aplicam à pessoa que possua responsabilidade específica devido ao seu cargo ou profissão224:

Art. 21. Não haverá responsabilização criminal pelo dano que resultar de uma ação de prevenção de um perigo urgente que necessite ser tomada para evitar a ocorrência de um perigo para o Estado ou interesse público ou os direitos da pessoa, direitos da propriedade ou outros direitos do agente ou de outras pessoas. 1. Haverá responsabilização criminal quando a prevenção de um perigo urgente exceder os limites necessários e causar dano indeciso.

Entretanto, considerar-se-á de acordo com as circunstâncias impor uma punição amenizada ou garantir isenção da punição. 2. As determinações do primeiro parágrafo sobre a prevenção de perigo a si mesmo não se aplicam à pessoa que possua responsabilidade específica devido ao seu cargo ou profissão.(tradução livre)

Também não há na legislação chinesa menção à natureza jurídica do estado de necessidade, ou seja, se justificante ou exculpante. Todavia, utilizando-se do mesmo raciocínio lógico da legislação nigeriana e madagascarense, pode-se afirmar que apresenta o estado de necessidade a natureza jurídica justificante porquanto seu reconhecimento exclui a própria responsabilidade penal.

224 Disponível em: <http://www.china.org.cn/english/government/207319.htm>. Acesso em: 18 de junho de 2022.

“Article 21. Criminal responsibility is not to be borne for damage resulting from an act of urgent danger prevention that must be undertaken in order to avert the occurrence of present danger to the state or public interest or the rights of the person, property rights, or other rights of the actor or of other people. Criminal responsibility shall be borne where urgent danger prevention exceeds the necessary limits and causes undue harm. However, consideration shall be given according to the circumstances to imposing a mitigated punishment or to granting exemption from punishment. The provisions of the first paragraph with respect to preventing danger to oneself do not apply to a person who bears specific responsibility in his post or profession.”