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Fases do procedimento licitatório

No documento DIREITO. undamentos. Fundamentos de Direito (páginas 105-109)

Licitação Pública

6.1 Conceituação e objetivo

6.1.1 Fases do procedimento licitatório

O procedimento licitatório possui duas fases: interna e externa.

Na primeira, a administração pública instaura o procedimento administrativo licitatório. É quando se apresenta o objeto a ser licitado por meio de portaria e a autorização da autoridade competente para a realização da licitação, bem como quando se comprova a existência de recursos, escolhe-se a modalidade de licitação e elabora-se o edital com todas as exigências para atender a sua finalidade. Já na

segunda fase, em que todos de fora da administração conhecem o instrumento convocatório, ocorrem a habilitação, julgamento, homologação e adjudicação.

O instrumento convocatório da licitação é o edital, entendido como a lei interna do processo licitatório, por subordinar às suas regras a administração pública e os que com ela pretendem estabelecer contrato. Portanto, o edital é o instrumento utilizado pelo Poder Público para convocar interessados externos a participar no processo licitatório.

Do edital devem constar o objeto da licitação, o preço e as condições de reajuste, bem como o prazo e os critérios de julgamento da modalidade licitatória. Ele é divulgado por meio de publicação de aviso resumido em Diário Oficial, em que consta o local onde se encontra o seu texto integral para que os interessados tenham a oportunidade de conhecer tudo o que envolve a licitação. Isso porque a lei determina que o edital tenha anexos contendo a minuta do contrato a ser firmado, orçamento estimado em planilhas, projeto básico e, se necessário, projeto executivo, com especificações complementares e normas de execução.

Para uma licitação atingir os seus objetivos, o passo inicial é a elaboração de um edital vinculado às normas e ao interesse público que a administração visa atender com o futuro contrato. Entretanto, muitas vezes, os diversos controles internos não são suficientes para que um edital de licitação seja elaborado com estrita obediência às normas. Isso significa dizer que, uma vez contendo irregularidades, o edital pode ser impugnado tanto pelo licitante quanto por qualquer cidadão. Além da impugnação, também é possível utilizar ação popular, ajuizamento de mandado de segurança e representação ao Tribunal de Contas (órgão responsável pelo controle financeiro da administração pública).

O edital não é utilizado para duas modalidades de licitação: o convite, que tem como instrumento convocatório a carta-convite, e

adjudicação:

o pregão, regulado pela Lei n. 10.520, de 17 de julho de 2002, a qual determina que a divulgação deve ocorrer por meio de publicação em Diário Oficial, jornal de grande circulação ou por meios eletrônicos (BRASIL, 2002).

Após a abertura do edital, os interessados terão um prazo para a elaboração de suas propostas, assim como para o estudo e a análise das condições da licitação. Tal prazo varia conforme a modalidade de licitação, mas a lei estabelece um prazo mínimo para os licitantes se manifestarem. Por exemplo, o prazo mínimo para o recebimento das propostas é de quarenta e cinco dias para o concurso e de cinco dias úteis para a modalidade convite.

Após a divulgação do edital, passa-se à fase de habilitação, que se destina à verificação dos requisitos pessoais dos licitantes e da documentação exigida. O artigo 27, bem como os relativos incisos da Lei n. 8.666/1993, deixam claro que a habilitação tem por finalidade assegurar que o vencedor tenha condições técnicas e financeiras, além de idoneidade para adequadamente cumprir o contrato objeto da licitação (ALEXANDRINO; PAULO, 2014).

Nessa fase, o licitante deve apresentar a documentação relativa à habilitação jurídica, à regularidade fiscal e trabalhista, à qualificação técnica e à qualificação econômico-financeira. É importante frisar que, após participar da fase de habilitação, o licitante não poderá desistir da proposta, pois esta é sigilosa.

No julgamento das propostas, a comissão responsável pela licitação analisará os critérios, que, segundo a Lei n. 8666/1993, podem ser: menor preço, melhor técnica, melhores técnicas e preço, maior lance ou oferta na modalidade leilão (BRASIL, 1993). Esta é a fase em que o Poder Público atua decisivamente na seleção da proposta que se apresenta mais vantajosa para o contrato a ser realizado, a partir da análise da razoabilidade dos preços e da compatibilidade das propostas com as exigências do edital. É fundamental que o órgão julgador leve em consideração os

elementos constantes do edital. A partir disso, são selecionadas as propostas classificadas.

Se ocorrer inabilitação de todos os licitantes ou não existir proposta classificada (licitação fracassada), a administração poderá ajustar o prazo de oito dias úteis à apresentação de nova documentação ou propostas. Tal prazo, na modalidade convite, poderá ser reduzido para três dias úteis (ALEXANDRINO; PAULO, 2014). Caso exista apenas um habilitado, o processo de habilitação prosseguirá normalmente apenas com ele.

Depois do julgamento das propostas pela comissão, o processo será encaminhado à autoridade competente para a realização da homologação do procedimento, confirmando, assim, a validade da licitação. Ressaltamos que em tal fase será exercido o controle de legalidade do processo licitatório.

Se alguma ilegalidade for constatada, a autoridade competente anulará o procedimento licitatório em qualquer fase da licitação.

E se o processo licitatório for anulado depois de o contrato já ter sido realizado, a lei de licitações prevê que a administração pública deverá indenizar o vencedor por tudo que foi realizado por ele, desde que não tenha participação na ilegalidade cometida.

Em sua análise, a autoridade competente poderá também revogar o procedimento licitatório. No entanto, a revogação é diferente da anulação, pois a primeira ocorre por situação subsequente que impeça sua continuidade, exigindo atendimento ao interesse público. Por exemplo, no caso de uma licitação envolver a compra de ambulâncias, mas ocorrer um desmoronamento no município, o orçamento reservado para tal aquisição será utilizado para auxiliar os moradores a reconstruírem suas casas. Em tal situação, não haverá ilegalidade no procedimento licitatório, mas por meio de ato discricionário a autoridade administrativa o revogará (considerando critérios de oportunidade e conveniência).

Caso a autoridade competente homologue o processo licitatório, segue-se para adjudicação. A esse respeito, Alexandrino e Paulo (2014, p. 641) explicam que

adjudicação é o ato pelo qual se atribui ao vencedor o objeto da licitação. Não se deve confundir a adjudicação com a celebração do contrato. A adjudicação apenas garante ao vencedor que, quando a administração for celebrar o contrato relativo ao objeto da licitação, o fará com o vencedor. A adjudicação é o ato final do procedimento licitatório.

Desse modo, a mesma autoridade que fez a habilitação será responsável por fazer a adjudicação.

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