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Direito Público e Direito Privado

2.2 Ramos do Direito

A presente seção pretende lhe proporcionar uma visão geral da árvore jurídica a partir da divisão do Direito Público e do Direito Privado, a qual, embora seja contestada por alguns autores, conforme apresentado anteriormente, ainda é bastante utilizada. A fim de facilitar seu entendimento, observe a ilustração exposta na Figura 1, a seguir, com os ramos do Direito:

Figura 1 – Ramos do Direito

Direito Processual Direito Civil Direito

Comercial

Direito do Trabalho Direito Administrativo

Direito Constitucional Direito Penal

Fonte: Elaborada pela autora.

As diversas áreas jurídicas são denominadas ramos do Direito, e cada uma delas regula determinadas situações e tem normas específicas. No entanto, todas têm por base o Direito Constitucional,

área jurídica que estuda a Constituição Federal, a lei mais importante do país e que organiza a estrutura administrativa e política do Estado brasileiro, bem como regula os direitos e as garantias fundamentais dos cidadãos. Por ser uma área do Direito de extrema relevância para as demais áreas, o Direito Constitucional será tratado em um capítulo próprio.

O Direito Civil é o ramo do Direito predominantemente privado que regula a relação entre as pessoas e entre estas e seus bens. A relação jurídica entre marido e mulher, por exemplo, é regulada pelo Direito Civil, assim como a relação jurídica que existe quando uma pessoa resolve doar seu patrimônio. Tal norma está contida basicamente no Código Civil (BRASIL, 2002).

Esse ramo do Direito é dividido em parte geral e parte especial.

As lições da parte geral do Direito Civil são utilizadas não só no Direito Privado, mas também no Direito Público, tais como o Direito Tributário e o Direito Administrativo, que se utilizam dos conceitos de pessoa natural e jurídica, regulados pelo Direito Civil.

Já a parte especial do Direito Civil contém cinco livros, intitulados Do Direito das Obrigações, Do Direito de Empresa, Do Direito das Coisas, Do Direito de Família e Do Direito das Sucessões, e suas normas jurídicas são mais específicas à área cível. O Código Civil brasileiro de 1916 foi revisado em 10 de janeiro de 2001, quando o presidente da República sancionou o novo Código, que entrou em vigor um ano depois.

Outro ramo do Direito Privado é o Direito Comercial, regulado pelo Código Comercial de 1850, o qual foi revogado em parte pelo Código Civil de 2002, gerando o Direito Empresarial (BRASIL, 2002). O Direito Comercial normatizou, de 1850 até 2002, as atividades mercantis, determinando as regras para aqueles que praticavam o comércio, indicando quem seriam os comerciantes e quais seriam os atos de comércio. Com o passar do tempo e a evolução da economia brasileira, exigindo normas que regulassem

não só a área comercial como também da indústria e de serviços, as normas de Direito Comercial se tornaram obsoletas, e o legislador brasileiro, segundo Oliveira Filho (2010, p. 3), entendeu que “o âmbito de incidência das normas de direito comercial está delimitado pelo conceito de empresa e não mais pelos atos de comércio”. Adotou-se, dessa forma, a teoria jurídica da empresa.

Assim, o Código Civil brasileiro de 2002, no artigo 966, trouxe o conceito de empresário, qual seja, “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços” (BRASIL, 2002). Atualmente, temos o Direito Comercial, que regula o comércio marítimo, e o Direito Empresarial (inserido no Código Civil), o qual normatiza a teoria geral da empresa, bem como sociedades empresárias, títulos de crédito, propriedades intelectuais, falência e recuperação de empresas (BRASIL, 2002). As normas jurídicas de Direito Empresarial são aplicadas, por exemplo, quando há constituição de uma sociedade entre duas ou mais pessoas para a abertura de um restaurante.

Em se tratando dos ramos do Direito Público, há o Direito Tributário, o qual, com suas normas jurídicas, disciplina a atividade do Poder Público de criação, fiscalização e arrecadação de tributos (PALAIA, 2018). Por exemplo, se o Estado cobra o pagamento do imposto sobre veículos automotores (IPVA) daqueles que possuem veículos, é porque existe uma lei em que constam todas as especificações quanto à cobrança de tal imposto. Da mesma forma, quando o Governo Federal determina, por meio da Receita Federal, a realização da Declaração do Imposto de Renda, é porque há uma norma jurídica específica para regular tal situação. Ambos os exemplos são de aplicação do Direito Tributário, cujas normas gerais se encontram no Código Tributário Nacional (BRASIL, 1966).

Por meio de regras próprias, o Direito Processual determina o procedimento a ser adotado quando ocorre um litígio. Segundo Fuhrer e Milaré (2015, p. 196, grifos do original), “o processo civil é

um actumtrium personarum, ou seja, uma relação entre três pessoas, em que um litigante (autor) pede ao juiz que lhe reconheça ou faça valer um direito contra uma outra pessoa (que será o réu)”.

Portanto, quando uma pessoa (autor) reclama no Poder Judiciário (juiz) uma indenização contra alguém (réu) que, por exemplo, deu-lhe prejuízo no descumprimento de um contrato, cada um dos atos praticados pelas partes envolvidas no processo é regulado pelo Direito Processual.

O Direito Processual é dividido em Direito Processual Civil, Direito Processual Penal e Direito Processual do Trabalho, conforme a situação a ser decidida pelo Poder Judiciário, seja um conflito na esfera cível, na esfera criminal ou na esfera das relações do trabalho.

Exemplificando: se o caso a ser julgado pelo Poder Judiciário é de não pagamento das verbas de um contrato de trabalho pelo empregador ao empregado, as normas aplicadas são de Direito Processual do Trabalho. Já em uma situação de julgamento de homicídio, serão aplicadas as normas de Direito Processual Penal. Por fim, se as normas jurídicas que não foram respeitadas e geraram o conflito a ser julgado pelo Poder Judiciário forem de Direito Civil, como o requerimento de reconhecimento de paternidade de uma criança, serão aplicadas as normas do Direito Processual Civil.

Quanto ao Direito Penal, segundo Nunes (2015, p. 141), trata-se de um ramo do Direito Público que “corresponde ao conjunto das normas jurídicas que regulam os crimes e as contravenções penais (condutas ilícitas penais de menor potencial ofensivo), com as correspondentes penas aplicáveis”. Nesse sentido, é o Direito Penal (baseado no Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940) que determina quais comportamentos são tidos como crimes, conforme a lei penal, e quais são entendidos como contravenções, bem como quais punições são aplicadas a cada caso. Por exemplo, o artigo 121 do Código Penal especifica como homicídio simples “Matar

alguém”, culminando na pena de “reclusão, de seis a vinte anos”

(BRASIL, 1940).

Um comportamento entendido como contravenção penal (também regulado pelo Direito Penal), segundo a Lei n. 7.437, de 20 de dezembro de 1985, artigo 7º, é: “Recusar a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil”, cuja pena é de “prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa [...]”

(BRASIL, 1985).

Outro ramo do Direito que faz parte do Direito Público é o Direito Administrativo. Conforme Nunes (2015, p. 139), essa área

“corresponde ao conjunto de normas jurídicas que organizam administrativamente o Estado, fixando os modos, os meios e a forma de ação para a consecução de seus objetivos”. Cabe ao Direito Administrativo, por exemplo, determinar como deve ocorrer a contratação de servidores públicos, bem como de serviços da administração pública prestados à população. Então, se houver necessidade de uma escola pública contratar professores, tal situação será regulada pelo Direito Administrativo.

Quanto ao Direito do Trabalho, ele está voltado ao regramento específico da relação de emprego, para que as obrigações dela decorrentes sejam respeitadas por empregador e empregado.

Tal regramento contido no Direito do Trabalho é feito por meio de suas normas e seus princípios. Então, nas relações jurídicas com vínculo de emprego, aplica-se o Direito do Trabalho, o qual determina, por exemplo, em quais situações o empregador deve pagar por horas extras realizadas pelo empregado, as atitudes deste que podem levar à justa causa no contrato de trabalho, bem como suas consequências. Nesta obra, não há pretensão de abordar todos os ramos do Direito, por isso somente apresentamos as principais áreas existentes.

No documento DIREITO. undamentos. Fundamentos de Direito (páginas 25-30)