Fonte: Pesquisa de Campo, 2008. ACONCHEGO DO BEBÊ Trabalhadoras domiciliares Fação Industrial Guaíra- Visual e Visual Baby.(costura e bordado) – Terceirização de empresa de costura em Palotina Bordadeiras Quarteirização limpar
139 Nesse sentido, Franco (2005) sugere que há uma divisão do trabalho, em que as etapas com maior especialização técnica (como costura e bordado) ficam a cargo dessas fações industriais e as demais são desenvolvidas na empresa maior; destaca, ainda, que há somente uma empresa na cidade de Terra Roxa, que, além de ter sua própria produção, faz bordados para outras empresas.
Percebemos que há uma divisão territorial do trabalho, em que a concepção fica a cargo das empresas maiores e dotadas de maior capacidade tecnológica para desenvolver e conceber os modelos das peças. É nesse espaço que se concentra o trabalho mais qualificado e mais bem pago, enquanto as etapas mais trabalhosas e mais precarizadas são transferidas e exteriorizadas, seja para as fações industriais, seja para fações domiciliares, trabalhadoras domiciliares e para as cooperativas de costura.
Nessa perspectiva, Leite (2004, p.254) observa: “[...] as empresas de confecção
estão concentrando internamente apenas o molde, o corte e algumas partes mais complexas da
costura. Às oficinas de costura são encaminhadas as peças para serem montadas.” Há,
segundo a autora, uma divisão do trabalho, pois às oficinas de costura ou fações é encaminhada a etapa de montagem da peça, já testada e cortada na empresa-cabeça. Existe, portanto, uma divisão de trabalhos entre a empresa-cabeça e a empresa-mão.
Desse modo, de acordo com Lima (1996, p.02), podemos observar o seguinte:
Em termos tecnológicos, a multiplicidade de tecidos utilizados e a dificuldade de seu manuseio dificultam a automação industrial fazendo com que a base da produção esteja fundada na relação máquina de costura/operador. Grandes indústrias atendem amplos mercados estandartizados onde as variações são menores em termos de moda. Nas demais, a tendência é a terceirização da produção já que pressupõe uma grande flexibilidade nas várias etapas da produção, havendo separação nítida de processos. Dessa forma, o processo de criação de modelos que acompanha tendências da moda em termos de estilo, design e mesmo corte e modelagem, desvinculam-se do processo de costura propriamente dito, podendo ser realizados por diversas confecções ou por costureiras façonistas. Um exemplo típico, em escala mundial é a Benneton, que praticamente não dispõe de fábricas, ficando apenas com o processo de criação de modelos e marketing da marca, encomendando o produto final a fábricas diversas, estabelecendo, contudo, especificações, prazos de entrega, etc.
Segundo Franco (2005), no APL Terra Roxa, a confecção-bordado de artigos infantis pode ser dividida em 10 etapas: matéria-prima, preparação do tecido para o uso,
140 criação e design, corte, bordado, costura, controle de qualidade, preparação do produto para embalar, embalagem e entrega. De acordo com a autora, nesse arranjo não existem firmas especializadas em uma ou mais etapas do processo produtivo, atuando como prestadora de serviços para outras empresas, o que existe é a subcontratação de etapas do processo produtivo, pois todas possuem marcas próprias e mercados diferenciados. Concordando com
isso, em seu estudo, o IPARDES (2006b) aponta a existência de “subcontratação”, afirmando
que o maior número estaria envolvido no setor de bordado. Revela que as MdEs terceirizam parte de sua produção e contratam empresas de fora do arranjo, tanto na costura, bordado e design. Porém, percebemos que essas empresas, mesmo que tenham firmas independentes, pertencem a essas MdEs e PEs, para reduzir a carga tributária, como é o caso da Paraíso Bordados.
Em Cianorte, conforme o IPARDES (2006c), as empresas confeccionistas, em sua maioria microempresas, subcontratam o trabalho domiciliar de costureiras autônomas ou de outras empresas, para realizarem etapas do processo produtivo, e as etapas subcontratadas são de costura e acabamento, realizadas na própria região.
Pudemos perceber que existem empresas que trabalham para outras e que não têm marca própria, mas são terceirizadas, conforme lista das empresas, em anexo. Também, segundo a própria dona de uma dessas empresas (M. G. Bordados e Confecções), sua firma funciona apenas prestando serviços de bordado para várias empresas da cidade.
Essa situação foi destacada igualmente pela dona de uma microempresa, a Universo Infantil, que, em entrevista, indicou a tendência de essas micros e pequenas empresas em se tornarem prestadoras de serviços para as maiores indústrias, pois não tem sido muito fácil manter-se no mercado, concorrendo com as maiores, para conservar marca própria. Dessa forma, essas empresas estariam funcionando em esquema de fação industrial ou, de acordo com Leite (2004), como oficinas de costura, que funcionariam num mesmo esquema da fação.
Mesmo que haja uma tendência de as maiores indústrias de Terra Roxa adotarem a estratégia de produção por meio de fações industriais, seja ligado ao seu próprio grupo econômico ou não91, pudemos observar que a subcontratação não está concentrada apenas nas micros e pequenas empresas, pois encontramos trabalhadores domiciliares, ligados às várias indústrias (Aconchego do Bebê, Doces Momentos, Tropical Baby, Paraíso Bordados), de diversos tamanhos e exercendo variadas atividades de trabalho domiciliar.
91A tendência observada e vista na bibliografia é de as menores indústrias passarem a funcionar como prestadoras de serviço
141 Também pudemos observar, nas últimas visitas a Terra Roxa, que a indústria Tropical Baby (Figura 7) tem-se utilizado do trabalho das micro-indústrias para a realização de suas confecções, além de usar trabalhadores domiciliares, sem qualquer forma de contrato de trabalho. Essas pequenas empresas são constituídas pelas fações domiciliares de costura, porém encontramos igualmente fações de bordado prestando serviço para as indústrias.