6 JUST-IN-TIME (JIT)
6.3 FILOSOFIA DO SISTEMA JIT
O JIT, ao contrário dos sistemas ERP é um sistema descentralizado e por esse motivo requer para o seu sucesso a participação de todos. O JIT utiliza de algumas ferramentas básicas que tem como objetivo instrumentalizar, preparar e apoiar as pessoas na realização de suas atribuições de forma que estas possam contribuir da melhor maneira possível para o resultado global do processo. O treinamento para utilização dessas ferramentas no local de trabalho é essencial e além deste também a conscientização das pessoas da necessidade de se comprometerem com a realização das suas atividades.
a) 5S Housekeeping* - quando se fala em qualidade no processo produtivo num primeiro momento já está implícito a necessidade de organização, limpeza, ordem e asseio. O 5S é uma ferramenta básica da Gestão da Qualidade que é utilizada no JIT. Utiliza-se o termo 5S pois na língua japonesa as cinco palavras que normatizam o Housekeeping começam com a letra “S”. São elas: Seiri – significa liberação de áreas, deve-se verificar todos os itens existentes no ambiente de trabalho separando aqueles que realmente são necessários para a realização do trabalho, daqueles que são desnecessários. Os que forem desnecessários devem ser eliminados; Seiton – significa organização, após a eliminação dos itens desnecessários é importante realizar a organização de todo o ambiente de trabalho de forma que qualquer item que seja necessário seja localizado imediatamente, e que aqueles que tem utilização mais constante tenham acesso facilitado; Seiso – significa limpeza, todo o ambiente de trabalho deve sempre estar limpo, isso implica não só na limpeza do chão, mas também das máquinas e equipamentos que houverem e inclusive das paredes, não se pode pendurar nas paredes quadros, pôsteres, ou qualquer coisa que seja pessoal; Seiketsu – significa padronização, asseio e arrumação, diz respeito a necessidade de que cada um automatize o processo de manutenção dos procedimentos realizados nos 3S anteriores de forma a que sejam mantidos por hábito; e por último tem-se o Shitsuke – que significa disciplina, é a disciplina necessária para manter sempre o foco na melhoria constante dos processos. Os 5S representam uma das ferramentas da gestão da qualidade mais difundidas em todo o mundo, pois podem ser utilizadas em qualquer tipo de empresa, seja manufatureira ou prestadora de serviços, públicas ou privadas, filantrópicas ou com fins lucrativos.
b) Kaizen – é uma palavra de origem japonesa que pode ser traduzida como “modificar para melhor”, traduz o entendimento que as mudanças para melhor devem ser constantes nas empresas, não deve haver um dia em que não se pense em como fazer melhor o que deve ser feito.
c) Poka-Yoke – significa a prova de erros. São dispositivos criados para evitar a ocorrência de desperdícios no processo produtivo, podem ser obtidos com soluções simples ou através da utilização de dispositivos
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eletrônicos de maior complexidade. Pode-se citar como exemplo uma empresa que tinha uma linha de produção de “creme dental” no final do processo cada unidade de creme dental era colocada na sua embalagem individual antes de ser acondicionada na embalagem de papelão utilizada para o seu transporte até o ponto de venda. Existia um problema algumas unidade da caixinha de papelão passavam pela esteira sem o creme dental dentro e dessa forma o varejista reclamava pelo erro. A solução encontrada foi colocar um ventilador próximo a esteira que transportava as caixinhas com o creme dental dentro para o acondicionamento na embalagem de transporte. Aquelas caixinhas sem o creme dental por serem leves demais eram atiradas para fora da esteira quando passavam pelo ventilador. A essência do JIT é essa a simplicidade.
d) Manutenção Produtiva Total – o objetivo da manutenção produtiva total é garantir que máquinas e instalações possam ser utilizadas da forma que foram projetadas ao longo de toda a sua vida útil prevista. Uma parada de máquina planejada não traz prejuízo a organização, já uma parada por quebra pode gerar grandes prejuízos incluindo perda de clientes e pagamento de multas contratuais. Existem quatro tipos de manutenção, a corretiva, a preventiva, a preditiva e a manutenção produtiva total. A manutenção corretiva é a mais prejudicial a empresa e infelizmente ainda é a mais utilizada. É aquela em que a manutenção é feita depois que o equipamento apresenta problema. A manutenção preventiva é aquela em que se faz uma programação da manutenção, dessa forma não se tem paradas do processo produtivo (já que as paradas são agendadas para ocorrerem em momentos que o equipamento não está sendo utilizado), se tem sempre um equipamento em melhores condições de uso e se tem uma redução dos custos de manutenção. A manutenção preditiva, é a manutenção que é feita no exato momento em que deveria ocorrer, porem apresenta como entrave para a sua adoção o fato de exigir a disponibilidade de equipamentos que permitam monitorar os equipamentos indicando o momento para a realização da manutenção. A Manutenção produtiva Total é muito mais que um tipo de manutenção é na verdade uma filosofia em busca da “quebra zero”, ou seja, de uma realidade onde a manutenção corretiva não ocorre, só se tem manutenção preventiva e preditiva.
e) Kanban – é um sistema extremamente simples que serve para operacionalizar no chão de fábrica o abastecimento dos clientes internos no processo produtivo. É utilizado em função da sua simplicidade inclusive por empresas que possuem sistemas ERP, para o controle do chão de fábrica. f) Setup Rápido – Setup é o tempo de preparação das máquinas, quanto mais demorado, mais custos implica na sua realização e força o aumento dos lotes de produção para possibilitar através do rateio do seu custo pelas peças produzidas que se torne aceitável para o processo. Na filosofia JIT onde se busca constantemente a redução de estoques setup’s demorados são inaceitáveis.
g) Qualidade na fonte – diferente dos sistemas de produção tradicional onde o controle de qualidade é feito no final do processo normalmente por amostragem, no JIT todos os colaboradores são responsáveis pela qualidade do que fazem, peças com defeito, fora do padrão de qualidade não podem ser passadas adiante. O colaborador no JIT além de ser o responsável pelo controle da qualidade do que faz ainda faz a manutenção do seu equipamento e também a troca de ferramentas, as empresas tradicionais mantêm equipes de manutenção, de troca de ferramentas e tem um setor responsável pelo controle da qualidade, por essa realidade que se diz que no JIT se necessita de colaboradores multifuncionais, o que significa uma mão de obra mais qualificada.
h) Parceria com os fornecedores – os fornecedores são vistos como uma extensão da empresa, por esse motivo todos os princípios do JIT adotados pela empresa devem ser estendidos aos seus fornecedores. Se estoque são ruins, o são para todos. O controle de qualidade das peças fabricadas pelos parceiros não são inspecionadas, pois o controle é feito na fonte. Algumas empresas utilizam esse sistema e utilizam a expressão em inglês Free pass para identificá-lo. Como as entregas dos fornecedores são feitas várias vezes ao dia a proximidade com estes é importante.
Alguns dos elementos do JIT não foram muito detalhados aqui tendo em vista que serão abordados novamente mais a frente nos próximos itens e capítulos.
6.3.1 Comparação entre o JIT e os sistemas de produção tradicionais
Os sistemas de produção ditos tradicionais recebem a denominação de sistemas Just-in-Case que poderia ser traduzido como “se por acaso”. São modelos de empresas que trabalham com previsões de vendas, produção empurrada, com estoques para encobrir seus problemas, pois os sistemas de gestão são sistemas “passivos”, com operadores especializados em uma única função e com processo de controle de qualidade ao final do processo, no quadro abaixo procura-se detalhar um pouco mais as características dos sistemas de produção Just-in-Case comparando-os com os sistemas Just-in-Time.
Quadro 6.1 – Just in Case versus Just in Time
Características Just in Case Just in Time
Layout É organizado pelo processo dominante ou em linha de produção.
Normalmente as máquinas são organizadas por células de produção (que processam um número específico de itens), e nessas células as máquinas são dispostas em forma de “U” para que o colaborador multifuncional fique próximo a todas as máquinas e precise se movimentar menos para operar e abastecer cada uma delas.
Previsões de
vendas
Servem como referência para o dimensionamento do processo produtivo e também para a programação da produção.
É utilizada apenas para o dimensionamento do processo produtivo, tendo em vista que a produção é feita a medida que a demanda surge.
Sistema de
informações
Sob responsabilidade do sistema de PPCP.
Visual, baseado em painéis, quadros e cartões.
Nível de produção Normalmente em grandes lotes para a otimização da capacidade instalada.
A produção é acionada pela demanda, a medida que a demanda vai ocorrendo é produzido apenas o necessário para atendê-la.
Estoques Elevados. Como são vistos como
desperdício, tendem a ser o menor possível.
Controle da
qualidade
Feito no final do processo por amostragem. Determinados níveis de perdas e defeitos são aceitos.
Feito por cada operador no local de produção. Qualquer problema gerador de problemas de qualidade é eliminado assim que aparece, por esse motivo o nível de perdas e defeitos é quase
inexistente. Sistema de Produção Empurrada. Puxada. Planejamento e controle da Produção
Feitos pelo ERP. Feito pelo Kanban.
Fonte: Baseado em Corrêa; Gianesi, 1996.
As diferenças entre o sistema JIT e o JIC como pode-se ver no Quadro 6.1 são muito grandes. Entre elas deve-se destacar o sistema de produção que para o JIC é empurrado, ou seja, a produção é feita e depois tenta-se colocar a mesma no mercado, enquanto que no JIT a produção é puxada pela demanda, só se produz após a venda do produto. Esse sistema de puxar funciona também dentro da empresa, considerando-se que cada cliente interno gera as suas demandas que são atendidas a medida que vão ocorrendo.
Uma característica importante não mencionada anteriormente é que o sistema JIT é um sistema ativo, não aceita desperdícios, descobrindo uma fonte de desperdícios trata de achar uma solução para eliminá-la. É agindo sobre as causas que levam a formação de estoques que o JIT consegue reduzí-los. Os sistemas ERP são sistemas “passivos” que aceitam os desperdícios existentes, apenas incorporando essa informação no processo de planejamento e controle. Os sistemas ERP tentam minimizar os custos envolvidos no processo, mas na maioria dos casos com foco errado. O aumento dos estoques normalmente é o resultado das soluções apresentadas por esses sistemas, seja em função de tempos elevados de setup, índices de perdas ou defeitos, frequência da quebra de máquinas ou outros.
Como já foi visto alguns problemas levam a formação de estoque, como problemas de qualidade, quebra de máquinas e setup’s demorados, mas além desses deve-se levar em consideração que a própria imprevisibilidade da demanda é um fator gerador de estoque. Se não se sabe exatamente quando a demanda vai ocorrer e em que quantidade a única forma de atendê-la é com a formação de estoques.
Além de mascararem os problemas, que impedem melhorias na qualidade e produtividade, para o JIT os estoques são indesejados porque ocupam espaço (e isso tem um custo) e também representam uma imobilização desnecessária de capital. Com estoques elevados os gestores não percebem problemas do processo produtivo que deveriam estar sendo atacados. E mesmo que tenham como intenção resolver os problemas existentes com um nível elevado de estoques será mais difícil detectá-los.
6.3.2 Os sete desperdícios de Shigeo Shingo
Shingo12, classifica em sete as categorias de desperdícios na produção:
1. Desperdício de superprodução: hábito de produzir antecipadamente à