3. AS INTERAÇÕES ENTRE EPT, EJA E ENSINO DA LEITURA
4.2 CARACTERIZANDO A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA NO
Mesmo colocando a formação de professores de EPT de área técnica com foco no desenvolvimento de práticas de leitura como elemento central desta pesquisa, não podemos desconsiderar outros aspectos que contam muito como esta pesquisa se desenvolveu. Nesse sentido, partimos de uma visão ampla sobre educação profissional no Distrito Federal até a instituição de ensino em que a pesquisa de desenvolveu.
De início, caracterizamos a educação profissional e tecnológica no Distrito Federal por meio das ofertas de cursos da educação profissional que estão dentro da abrangência da educação básica. Estar nesse nível de ensino vincula necessariamente esta pesquisa no âmbito da educação de jovens e adultos.
Tabela 01 - Número de Matrículas da Educação Profissional no Distrito Federal (2018)
Curso
Dependência Administrativa
Federal Distrital Privada
Número Percentual Número Percentual Número Percentual
Tec. Integrado 1840 7,75% 896 3,6% 125 0,53%
Normal/ Mag 8 0,03%
Tec. concomitante 214 0,9% 1602 6,75% 3173 13,4%
Tec. subsequente 5032 21,20% 5830 24,55% 3552 14,96%
Tec. Integrado EJA 304 1,3% 515 2,17%
FIC Concomitante 47 0,20% 613 2,60%
FIC integrado a EJA Fundamental
19 0,08%
Total 7.390 31,12% 8.909 37,52% 7.471 31,46%
Fonte: INEP, Censo da Educação Básica (2018)
A rede distrital é a maior ofertante de curso da educação profissional e
tecnológica em nível da educação básica. Mas podemos considerar que as ofertas são bem distribuídas entre as três redes. Sobre os cursos articulados com a EJA, na forma integrado, verificamos que se trata de uma oferta exclusiva das redes públicas.
Quanto a tais cursos, percebemos que os cursos técnicos integrados são a maioria entre eles, mas representam na rede distrital apenas 2,17 de todas as matrículas na EPT. Os cursos técnicos subsequentes representam mais da metade de toda oferta, considerando as três dependências elas representam 60% de todas as matrículas nessa modalidade, mais de 45,75 % das matrículas nas redes públicas (INEP, 2019).
Já em relação os docentes que atuam na EPT no Distrito Federal/DF, ao todo são 1449. Atuantes nos cursos da EPT articulado com a Educação de Jovens e Adultos (EJA), somando-se os FIC’s e os técnicos, 74 (setenta e quatro) profissionais, que correspondem apenas 5% do total (INEP, 2019).
Cabe-nos ainda salientar a questão da formação dos docentes da EPT atuantes no DF, como já dito, são 1449, na qual 36,2% são graduados sem licenciatura, os professores que não tem graduação representam 5,4%, já aqueles que possuem licenciatura são 57,9% (INEP, 2019). Com base nesse recorte, verificamos que assim como quadro nacional, no Distrito Federal a formação docente é uma lacuna no contexto dessa modalidade.
Em consulta ao sítio oficial da Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais de Educação do Distrito Federal, unidade ligada à SEEDF, observamos a inexistência de cursos de formação continuada voltado especificamente para professores de EPT entre os cursos ofertados pela unidade no segundo semestre de 2019, conforme pode ser observado no seguinte quadro:
Quadro 02 – Curso ofertados pela EAPE no Segundo Semestre (2019) Cursos Ofertados EAPE | SEGUNDO SEMESTRE (2019)
• (Re)pensando as relações étnico-raciais na escola
• A arte dos bonecos – recursos para muitas histórias
• A Importância do Audiovisual na Prática Pedagógica Docente
• Administração de Moodle
• Arte e Animação – o movimento na era digital
• As multidimensões pedagógicas do Cineclubismo
• Atendimento Educacional Especializado Para Altas Habilidades_Superdotação
• Brinquedos e Brincadeiras-Desafios e Descobertas
• Construindo Novos Caminhos – o projeto de vida na escola
• Criação de jogos pedagógicos por meio do software JCLIC
• Curso – LIBRAS 1B
• Deficiência Intelectual: concepções e processos de escolarização
• Desenvolvimento humano aprendizagem e os transtornos funcionais específicos
• EAD – Concepções e Possibilidades – Informativo
• Educação Bilíngue de Surdos
• Educação, Democracia e Cidadania
• Elaboração de Pré Projeto de Pesquisa
• Espiral das Artes
• Formação da Rede de Comunidades de Aprendizagem do DF
• GSUITE – Ferramentas do Google para Educação
• Inovações no uso de ferramentas de autoria
• Introdução à Robótica Educacional Livre _ Aluno Maker Digital
• Libras, Codocência e Sinais-Termo no Ensino de Ciências
• Língua de Sinais Brasileira _ Ciclo 1, Nível 1C
• Língua de Sinais Brasileira _ Ciclo 1, Nível 1A
• Língua de Sinais Brasileira Ciclo 1, Nível 1A – São Sebastião
• Língua de Sinais Brasileira – Turmas 1B – Sobradinho
• Língua de Sinais Brasileira – Turma 1C – Sobradinho
• Maria da Penha vai à Escola_abordagem téc. e legal das situações de violência sexual
• Mala de Jogos Matemáticos_ ação e reflexão-Atividade Lúdica em sala de Aula
• Maria da Penha Vai à Escola Para Professores e Monitores
• Maria da Penha Vai à Escola Para Gestores, Orientadores Educacionais e Partícipes TJDFT
• Movimento, Arte e Expressividade na Escola
• O brincar e a infância_ a Educação Física para pedagogos
• O brincar e o ensino estruturado no autismo
• Origami – Arte e Educação
• Pedagogias Urbanas II_ práticas de Sustentabilidade
• Plena Atenção_ práticas para saúde e paz
• Projeto Educação com Movimento_o brincar e a infância na escola 2
• Robótica Educacional – Arduino e suas funcionalidades
• Rodas de Brincar I_A Importância do Brincar na Escola
• Rodas de Brincar II_ Músicas, Danças, e Brincadeiras do Brasil e do Mundo
• Scrapbook Pedagógico I
• Scrapbook Pedagógico II
• Scratch e AppInventor _ Criação de jogos e aplicativos educacionais
• Sistema Braille Integral
• Sorobã Básico Pela Ordem Menos Elevada – Técnica Ocidental
• Uso de Ferramentas Digitais para Otimização do Processo de Aprendizagem
• Xadrez como recurso lúdico, pedagógico e artístico Fonte: EAPE (2019)
Esse quadro enfatiza, novamente, a questão da formação dos professores de EPT no DF, frisando que não há uma ação sistemática na formação de professores para essa modalidade.
Considerando o tipo de regime de contração, com foco na rede distrital, observamos que dos 536 profissionais que trabalham nessa rede, destes 48,9% são concursados, 46,8% são contratos temporários e 4,3% são contratos terceirados, ou seja, metade dos profissionais que atuam não são do quadro da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal – SEEDF. (Inep, 2019).
Em consulta, ao sítio do SEEDF, verificamos que o órgão cita como “escola de educação profissional, 10 (dez) instituições, as quais seguem relacionadas:
Centro de Educação Profissional Escola Técnica de Ceilândia, Centro de Educação Profissional Escola Técnica de Brasília, Centro de Educação Profissional Escola de Música de Brasília, Centro de Educação Profissional Escola Técnica de Planaltina;
Centro de Ensino Médio Integrado do Cruzeiro; Centro de Ensino Médio Integrado do Gama; Centro Educacional 02 do Cruzeiro; Centro Educacional Irmã Maria Regina Velanes Regis; Centro Educacional Stella dos Cherubins Guimarães Trois, Centro de Educação Profissional Articulado do Guará Teresa Ondina Maltese – CEPAG; Centro de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional a Distância de Brasília - CEJAEP EaD” (GDF, 2019).
Conforme dados oficiais extraídos do sítio do Governo do Distrito Federal (GDF), a região do Distrito Federal é dívida em 31 (trinta e uma) regiões administrativas, as escolas técnicas citadas estão presentes em 08 (oito) regiões administrativas.
4.3 O PRONATEC E OUTROS ASPECTOS DA CONTEXTUALIZAÇÃO DO programas de formação inicial e continuada ou qualificação profissional;
II - fomentar e apoiar a expansão da rede física de atendimento da educação profissional e tecnológica;
III - contribuir para a melhoria da qualidade do ensino médio público, por meio da articulação com a educação profissional;
IV - ampliar as oportunidades educacionais dos trabalhadores, por meio do incremento da formação e qualificação profissional;
V - estimular a difusão de recursos pedagógicos para apoiar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica.
VI - estimular a articulação entre a política de educação profissional e tecnológica e as políticas de geração de trabalho, emprego e renda (...).
Para cumprir com tais objetivos, o Pronatec articulava ações novas, como Bolsa-Formação, Mediotec e Pronatec Oferta Voluntária, com outras pré-existentes (Programa Brasil Profissionalizado; Rede e-Tec Brasil, Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, Acordo de Gratuidade com os Serviços Nacionais de Aprendizagem). (Brasil, 2019)
Um dos principais mecanismos de apoio financeiro do Pronatec foi bolsa-formação. Com base nele, SETEC prestou apoio “as instituições vinculadas às diversas redes de ensino do país na oferta de vagas gratuitas em cursos de educação profissional técnica de nível médio e cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) ou qualificação profissional, custeando a abertura de vagas”
(Brasil, 2019).
O instrumento legal que regulamentou o bolsa-formação foi Portaria nº 817/2015, do Ministério da Educação. Entre os vários aspectos relevantes dessa normativa, selecionamos:
Art. 3º. Os cursos ofertados por meio da Bolsa-Formação serão organizados nas seguintes modalidades: I - Bolsa-Formação Estudante: a) cursos técnicos na forma concomitante, para estudantes em idade própria; b) cursos técnicos na forma concomitante ou integrada, na modalidade Educação de Jovens e Adultos - EJA; c) cursos técnicos na forma subsequente, para estudantes que concluíram o ensino médio; e d) cursos de formação de professores em nível médio, na modalidade normal. II - Bolsa-Formação Trabalhador: a) cursos de formação inicial e continuada ou qualificação (...).
Nesse artigo, verificamos os tipos de bolsa-formação, fica também estabelecido aos tipos de oferta vinculados a forma de financiamento. Em outro trecho a referida normativa traz o público beneficiário do programa:
Art. 8º. A Bolsa-Formação atenderá prioritariamente: I - aos estudantes do ensino médio da rede pública, inclusive da EJA; II - aos trabalhadores; III - aos beneficiários titulares e dependentes dos programas federais de transferência de renda, entre outros que atenderem a critérios previstos no âmbito do Plano Brasil sem Miséria, instituído por meio do Decreto no 7.492, de 2 de junho de 2011; e IV - aos estudantes que tenham cursado o ensino médio completo em escola da rede pública ou em instituições privadas na condição de bolsista integral, nos termos do regulamento. § 1o Será estimulada a participação de pessoas com deficiência, povos indígenas, comunidades quilombolas, adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, mulheres responsáveis pela unidade familiar beneficiárias de programas federais de transferência de renda e de trabalhadores beneficiários do Programa Seguro-Desemprego, considerados reincidentes, nos termos do Decreto no 7.721, de 16 de abril de 2012. § 2o As vagas que não forem ocupadas pelos públicosprioritários poderão ser preenchidas por outros públicos, respeitadas as previsões da presente Portaria(…).
Frisamos, nesse trecho, a inclusão dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Conforme dados extraídos do Sistema Nacional de Informação da Educação Profissional e Tecnológica (SISTEC) em 23.09.2019, identificamos que foram ofertados entre 2014 a 2018 por meio do Pronatec/Bolsa-Formação 14.194 cursos de formação inicial de continuada – FIC por meio de 87 (oitenta e sete) instituições em sua maioria unidades de SEEDF, escolas-classe, centro de ensino fundamental, centro de ensino médio, escolas técnicas e outras unidades fora do âmbito da SEEDF, como: unidades prisionais, igrejas, organizações não-governamentais, unidades de internação de jovens em cumprimento de medidas socioeducativas.
Em relação aos cursos técnicos (concomitantes) destinados ao ensino médio, foram ofertados 9.044 (nove mil e quarenta e quatro), por meio de 19 (dezenove) instituições algumas delas escolas técnicas. Houve uma expansão exponencial da oferta de cursos da EPT no contexto da rede distrital, sem precedente da história da SEEDF. Com isso, aconteceram ofertas em escola de Educação de Jovens e Adultos (EJA), em turno noturno. Sendo ofertado em 29 (vinte nove) escolas da EJA, de um total de 106 (cento e seis) escolas.
Entre as escolas de EJA que receberam esses cursos do Pronatec, estava o Centro de Educação de Jovens de Adultos da Asa Sul (CESAS), lugar que esta
pesquisa aconteceu.
Figura 02 - Entrada do CESAS
Fonte: Acervo do Pesquisador ( 2019)
Observamos que o CESAS não é mais uma escola da EJA, trata-se de uma escola que busca ser referência nessa modalidade e que presta atendimento ao seu público EJA desde 1975, nos três segmentos (1º, 2º e 3º), de acordo com dados dos Projeto-Político Pedagógico (CESAS, 2018, p. 17):
O CESAS surgiu após aprovação do Projeto, pelo Parecer nº 19/75 – CEDF e foi autorizado a funcionar pela instrução nº 29 de outubro de 1975, do Presidente do Conselho Diretor da, então, Fundação Educacional do Distrito Federal. Com a implantação da proposta de Educação de Jovens e Adultos, o CESAS adequa sua filosofia à EJA, em busca de conseguir melhor qualidade de ensino para jovens e adultos que não tiveram oportunidade de concluir seus estudos na idade própria ou que, por algum motivo, tiveram que interromper o seu percurso Desde a sua criação, o CESAS vem ofertando a Educação de Jovens e Adultos para os 03(três) segmentos em 11 semestres, na modalidade presencial. Em 2005, a Escola passou também a oferecer a EJA à distância, como projeto da SEEDF, sendo a primeira instituição pública do Brasil a ofertar Educação de Jovens e Adultos EaD. A partir de janeiro de 2018, com a criação do Centro de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional a Distância de Brasília - CEJAEP EaD de Brasília, o CESAS passou a atender exclusivamente o ensino presencial EJA de segunda à sexta-feira, nos 03(três) turnos, em conformidade ao Artigo 28 – resolução nº1/2005 CEDF.
Além disso, o documento traz informações sobre inserção de educação
Ser um Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional para Política de Estado de Educação, atuando de forma proativa, com foco na criação de condições objetivas e diversificadas de recrutamento e permanência na escola de pessoas fora do sistema regular de ensino, visando a promoção de elevação de escolaridade e educação profissional como instrumento de seu desenvolvimento social e produtivo (CESAS, 2018, p. 31).
Por meio desse documento, o CESAS nos faz entender o modelo de educação
profissional que objetiva implementar:
Se respondemos que a Educação Profissional é importante, precisamos definir que modelo nós queremos e para qual objetivo ela é importante no contexto social e econômico do Distrito Federal e do nosso público atendido. Entendendo que o nosso público não tem a vida como futuro mas como presente urgente, a educação deve estar associada a capacidade de resposta direta para sua vida imediata e constituir itinerário de desenvolvimento continuado do estudante, não podendo, portanto, restringir-se ao processo de formação e certificação, mas se constituir em Educação Integral (não no contexto de horário mas de abrangência), interativa com a realidade (capacidade de promover alavancagem direta da vida do estudante), focada em competências (capacidade efetiva de ensino regular, na mesma instituição de ensino ou em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis no contra turno em que o estudante esteja matriculado.
c) Subsequente Técnico - Educação Profissional Técnica de Nível Médio, oferecida após a conclusão do Ensino Médio regular ou na modalidade de EJA.
Verificamos que educação profissional integrada à modalidade educação de jovens de adultos é projeto em construção. Não se trata da oferta efetiva. Vimos que os cursos técnicos e FICs ofertados são concomitantes. Também observamos uma oferta que mescla duas formas: a concomitante para os alunos da EJA e subsequente para o público externo, comunidade em geral.
O CESAS, por meio do documento, empreende um trabalho interessante para oferta da EJA, considerando também as condições dos alunos. Esse esforço é visível na oferta da Educação de Jovens e Adultos Combinada, que traz a seguinte orientação:
Como se apresenta nas Diretrizes Operacionais da Educação de Jovens e Adultos (2014/2017), a EJA Combinada é uma proposta diferenciada para a organização curricular da Educação de Jovens e Adultos em curso presencial para os 2º e 3º Segmentos, a fim de ampliar a oferta e melhor atender a perfis específicos de estudantes, tais como, trabalhadores do campo, trabalhadores plantonistas, sazonais, temporários, pessoas em cumprimento de medida judicial de restrição de liberdade, dentre outros.
Esclarece ainda nas Diretrizes Operacionais da EJA, que a Educação de Jovens e Adultos Combinada tem como base o cumprimento da carga horária mínima estabelecida para cada Segmento/Etapa de forma direta (presencial) e indireta. Deverá ser uma das alternativas de oferta para a
escolarização das pessoas jovens, adultas e idosas e não somente a única opção na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. (CESAS, 2018, p. 38)
Além de muitas informações sobre a forma como cada curso se organiza, o objetivo, a missão da instituição, a sua visão sobre a educação de jovens e adultos e sobre a educação profissional, bem com as teorias da aprendizagem que sustentam a proposta, esse documento traz muitas informações obtidas por aplicação de questionário sobre perfil do público atendido pela instituição, bem como um conjunto de informações que abrangem oferta de cursos, corpo docente, constituição da comunidade escolar entre outras informações. Nesse universo, destacamos um grupo de informações que consideramos relevantes:
Gráfico 01 – Perfil da Naturalidade dos Estudantes do CESAS
Fonte: CESAS (2018)
Por meio dessa informação, verificamos que Distrito Federal é uma unidade da federação marcada pela migração de pessoas outras regiões do país. Essa característica também está presente no público da EJA. O próximo gráfico aponta a relação ente o aluno do CESAS é mundo do trabalho, bem como o número considerável e alunos que estão desse universo.
Gráfico 02 – Perfil da Relação Trabalhista do Estudante do CESAS
Fonte CESAS (2018, p. 152)
No gráfico seguinte, avaliamos a tendência de continuidade do estudo, com foco na formação em nível superior. A educação profissional aparece depois.
Gráfico 03 – Perfil dos Estudantes do CESAS (Expectativas Conclusão do Ensino Médio)
Fonte: CESAS (2018)
O próximo gráfico revela aspectos ligados à formação dos professores que atual no CESAS. Verificamos um número expressivo de professores com especialização e com mestrado. Observemos:
Gráfico 04 – Perfil da Formação Profissional Professor do CESAS
Fonte: CESAS (2018)
No gráfico seguinte, o documento traz informações sobre a atuação dos professores no âmbito do CESAS, notamos que há um percentual pequeno que professores da educação profissional.
Contudo apenas dois professores estão presentes na oficina de leitura ofertada. Convém-nos observar que a oficina foi experiência piloto e que posteriormente poderia ser ofertada aos demais profissionais. Além disso, observamos que os horários dos professores nem sempre permitem que todos possam ser reunir num dado momento para participar de processo formativo sem prejudicar o andamento dos cursos que ministram suas disciplinas.
Vejamos:
Gráfico 05 - Perfil da Área de Atuação do Professor do CESAS
Fonte: CESAS (2018)
No gráfico posterior, notamos que, apesar do número expressivo de professores com especialização e com mestrado, a formação específica para atuação em EJA constitui um problema, pois a maioria não tem formação para lidar com esse público.
Essa informação suscinta uma questão muito importante no contexto da EJA:
a formação de professores. De acordo com Paiva (2006):
Professores quase sempre formandos para lidar com crianças acabam “caindo”, no âmbito dos sistemas, em classes de jovens e adultos com pouco ou nenhum apoio ao que deveriam realizar. Também educadores populares plenos de verdades sob os prestígios descrevem concepções pautadas em um tempo, em uma realidade social cujo momento se altera, necessariamente, por ser histórica, sem que as enunciações ou mesmo as práticas o acompanhem.
Conforme essa afirmação, observamos que a realidade apresentada pelo CESAS representa a realidade da educação de jovens e adultos em um contexto mais amplo em que se evidencia a carência de professores formados para esse público específico, consideramos assim uma lacuna da formação inicial realizada por instituições superiores de ensino, uma lacuna nas políticas públicas para essa modalidade. Olhar a formação de professores para EPT não significa observar uma realidade mais aprazível, haja vista que , pelo dados já apresentados nesta pesquisa, a formação de professores para EPT não se consolidou ainda para atendimento do público do ensino regular, o que esperar de ações voltadas para formação de professores para o atendimento de modalidades que exigem uma formação mais específica como a educação de jovens e adultos.
Gráfico 06 - Perfil da Formação Específica Para EJA do Professor do CESAS
Fonte: CESAS (2018, p. 164)
Nesse próximo gráfico, apreciamos que o CESAS possui um expressivo número de professores efetivos (pertencentes ao quadro da SEEDF) mais de 70%
(setenta por cento).
Gráfico 07 - Perfil do Vínculo Funcional dos Professores do CESAS
Fonte: CESAS (2018)
Com tais informações, contextualizamos o ambiente em que a pesquisa se desenvolveu. Além da observação da instituição de ensino, valemo-nos do Projeto Político Pedagógico como meio de caracterizar o CESAS sobre alguns ângulos, considerando o público atendido, o tipo de oferta de cursos, o perfil dos professores e sua formação profissional, sendo assim possível entender o que motivou sua escolha como local para desenvolvimento desta pesquisa.
Ademais, verificamos que essa instituição de ensino foi bastante receptiva à proposta da pesquisa, logo no primeiro contato com o pesquisador, no sentido de prover condições para que pesquisa ali se realizasse, em especial, quanto à mediação do contato entre pesquisador e os professores de educação profissional (área técnica), bem como permitindo o uso espaço físico dentro da escola para realização dos encontros.
Isso foi fundamental para escolha dessa instituição de ensino, tendo em vista que a maioria das escolas que atuam na educação profissional e educação de
Isso foi fundamental para escolha dessa instituição de ensino, tendo em vista que a maioria das escolas que atuam na educação profissional e educação de