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3.4 – FUNCIONAMENTO DOS SISTEMAS DE PAGAMENTO

No documento RELATÓRIO ANUAL DE 2007 VERSÃO RESUMIDA (páginas 58-64)

Em 2007, os novos sistemas de pagamento foram marcados pelos seguintes principais eventos :

- o arranque de SICA-UEMOA nos últimos três países onde ainda não estava operacional, a saber : a Guiné-Bissau, o Níger e o Togo ; - o arranque da monética interbancária

regional em 15 de Junho de 2007 ;

- a assinatura, em 30 de Abril de 2007 pelo Governador do BCEAO, da Instrução N° 141- 04-07 relativa ao procedimento da acredita- ção dos organismos de qualificação e ao procedimento de avaliação e de qualifica- ção das prestações de serviços de certifica- ção electrónica nos sistemas de pagamen- to da UEMOA ;

- a formalização da política e dos instrumen- tos de supervisão dos sistemas de paga- mento da União ;

- a criação efectiva do Comité Oeste Africano de Organização e Normalização Bancária e Financeira (CONOBAFI) com a realização, em 20 de Setembro de 2007, da Assembleia Geral Constitutiva ;

- a elaboração de um plano de acção para o reforço do número de pessoas titulares de conta bancária e a promoção da utiliza- ção dos meios de pagamento escriturais e a organização da campanha de sensibiliza- ção sobre estes aspectos.

3.4.1 – Sistema de Transferência utomati- zado e de Pagamento na UEMOA (STAR-UEMOA)

As actividades realizadas no quadro do funcio- namento do Sistema de Transferência

Automatizado e de Pagamento na UEMOA (STAR-UEMOA) para o ano 2007 foram relativas diz às tarefas correntes de gestão operacional e de apoio aos participantes (Agências Principais, Sede do BCEAO, bancos, CTMI- UEMOA, DC/BR, BOAD), assim como ao segui- mento da implementação dos mecanismos de avanços intra-diários.

Foi registada uma apropriação satisfatória do sistema pelos utentes, materializando-se por uma participação activa dos bancos da União, um acréscimo em número e em valor das trocas efectuadas no sistema, a melhoria tanto qualitativa como quantitativa dos indi- cadores de desempenho do sistema (taxa de rejeição, prazos de pagamento das opera- ções, disponibilidade do sistema e redução dos riscos), que são traduzidos pelos seguintes resultados :

- todos os bancos da União participam nas jornadas de troca, com excepção dos recentemente instalados ;

- o número médio diário de operações tratadas aumentou consideravelmente, passando de de 716 em 2005 para 1.120 em 2006 e 1.453 em 2007 ;

- o valor médio diário das operações pagas fixou-se em 202,2 mil milhões de FCFA em 2007, contra 133,2 mil milhões de FCFA em 2006 e 102 mil milhões de FCFA em 2005 ;

- a taxa de rejeição por insuficiência de fundos estabeleceu-se em média em 0,1% nos três anos e permaneceu lar- gamente abaixo da norma máxima de 1% ;

- os incidentes de funcionamento do sistema baixaram significativamente durante este ano.

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3.4.2 – Sistema Interbancário de

Compensação Automatizado na UEMOA (SICA-UEMOA)

O sistema Interbancário de Compensação Automatizado na UEMOA (SICA-UEMOA) é composto de nove sistemas de compensa- ção, um sistema nacional para cada um dos Estados membros da UEMOA e um sistema de compensação sub-regional para as trocas de valores inter-países.

Entrou em vigor no Mali em 17 de Novembro de 2005, no Senegal em 19 de Janeiro de 2006, no Burkina em 29 de Junho de 2006, na Côte d'Ivoire em 03 de Agosto de 2006, no Benin em 09 de Novembro de 2006, na Guiné-Bissau em 08 de Fevereiro de 2007, no Togo em 15 de Março de 2007 e no Níger em 28 de Junho de 2007. O funcionamento dos sistemas nacionais é

globalmente satisfatório com taxas de rejei- ção técnica inferiores a 1% em todos os países para uma norma máxima de 5%. Esta situação traduz o domínio do novo dispositivo de com- pensação pelos diversos participantes através da melhoria e de um respeito do formato das operações transmitidas ao sistema. Além disso, os principais objectivos do novo sistema de compensação foram alcançados. Trata-se da automatização das trocas, da redução dos prazos de cobrança e de imputação nas contas dos clientes, da segurança das trocas e da melhoria da gestão da tesouraria dos bancos.

Na sequência do arranque de SICA-UEMOA em todos os países da UEMOA, a entrada em vigor do sistema regional para as trocas dos valores inter-países iniciou a sua última fase com a rea- lização dos testes de operações reais com vista a um arranque em Fevereiro de 2008.

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3.4.3 – Sistema monético interbancário regional

No âmbito da criação do sistema interbancário de pagamento por cartão, o BCEAO desem- penha um papel de federador e impulsionador. A gestão administrativa e técnica do sistema é assegurada pelos bancos através de duas estruturas interbancárias distintas :

- uma estrutura de governação constituída em Fevereiro de 2003, sob a forma de GIE e denominada o Agrupamento Interbancário Monético da União Económica e Monetária Oeste Africana (GIM-UEMOA) ;

- uma estrutura de tratamento ou Centro de Tratamento Monético Interbancário da UEMOA (CTMI-UEMOA), criada sob forma de sociedade anónima em Janeiro de 2005. O Banco Central participa na definição das orientações estratégicas destas estruturas atra- vés da sua participação, por um lado enquan- to membro de direito do Comité de Direcção do GIM-UEMOA e, por outro lado, enquanto Administrador do CTMI-UEMOA.

O sistema bancário de pagamento por cartões agrupava até finais de Dezembro de 2007, setenta e quatro (74) estabelecimentos que aderiram ao GIM-UEMOA. O Agrupamento vali- dou o conjunto das regras de funcionamento da solução monética, estabelecidas com base nas normas internacionais Europay MasterCard Visa (EMV) e adoptou contratos « portadores » e « comerciantes » modelos para o conjunto dos cartões emitidos pelos seus membros. O arranque efectivo do CTMI-UEMOA foi efec- tuada em 15 de Junho de 2007, tendo seis bancos da União beneficiado da inter-opera- bilidade regional. A conexão de outros 29 bancos da União está prevista para 2008. Para permitir a adesão de todos os bancos ao projecto monético, o BCEAO organizou, nos dias 26 e 29 de Outubro de 2007 em Paris, um encontro com os grupos franceses com filiais na UEMOA. As Sessões de trabalho foram reali- zadas com o BNP Paribas, o Crédit Agricole e a Societé Générale. Na saída destes encontros, estes grupos prometeram tomar disposições para organizar a participação das suas filiais no projecto monético regional. Com efeito, até

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este encontro, estes bancos mantiveram-se fora do processo de interbancaridade monéti- ca regional.

Um dos principais objectivos da criação de um sistema interbancário regional de pagamento por cartão bancário é promover o uso do cartão de pagamento à escala da União, de tal modo que o cartão bancário possa desem- penhar o seu verdadeiro papel de instrumento de pagamento, largamente aceite por todos os comerciantes e em todos os distribuidores automáticos de notas da região. As orienta- ções estratégicas da monética baseiam-se nos seguintes eixos :

- uma monética de massa interbancária- com o objectivo de atribuir a cada conta um cartão bancário ;

- uma adopção dos padrões provados, a fim de reforçar a segurança do sistema ; - uma mutualização dos investimentos a fim

de realizar economias de escalas e reduzir os custos.

As próximas etapas integram nomeadamente :

- a finalização dos pré-requisitos pelos bancos membros do GIM-UEMOA, a fim de poder ser conectados no CTMI-UEMOA ;

- o reforço das acções de comunicação em torno do cartão de pagamento interbancá- rio, bem como de acções de comunicação dirigidas à população ;

- a criação em 2008 da actividade de paga- mento centralizada através da instalação de Terminais de Pagamento Electrónicos (TPE) junto dos comerciantes.

3.4.4 - Central dos Incidentes de Pagamento (CIP)

As actividades realizadas no âmbito da Central dos Incidentes de Pagamento (CIP) referem-se a análise mensal dos incidentes de pagamento e o seguimento da implementa- ção do novo programa informático.

Os dados saídos da centralização dos inci- dentes de pagamento em finais de de Dezembro de 2007 são resumidos no quadro em baixo.

CONTEXTO ECONÓMICO E FINANCEIRO

Em Dezembro de 2007, o Ficheiro das Contas Bancárias (FICOB) recenseou uma taxa de constituição de 70,75%. O Ficheiro de Centralização dos Incidentes de pagamento por Cheques (FCC) registou um cúmulo de inci- dentes de pagamento de 16.922 e a taxa de regularização dos incidentes declarados fixou- se em 32,11%.

A implementação do projecto de moderniza- ção dos sistemas de pagamento foi uma opor- tunidade para proceder uma releitura crítica do dispositivo legal, regulamentar e operacional da CIP em colaboração com os parceiros.

Assim, uma nova versão do programa informá- tico da CIP foi criada e deve permitir uma per- feita coerência entre as rejeições dos bancos devido à insuficiência de fundos da parte do cliente escolhido e a inscrição nos ficheiros da CIP. Esta nova disposição vai contribuir para o reforço da segurança dos pagamentos e a confiança dos actores económicos no sistema financeiro graças a uma informação exacta actualizada e de fácil acesso.

A produção deste novo programa depende da actualização dos sistemas de informação dos Estabelecimentos Conservadores de Contas (ETC) para ter em conta os dados rela- tivos à CIP. A sua entrada em vigor, prevista para 2008, será efectiva quando a taxa de declaração global para um determinado Estado atingir 75%.

A entrada progressiva para produção da apli- cação nova CIP é planejado dentro 2008.

3.4.5 – Supervisão dos sistemas de pagamento

Uma das missões atribuídas ao BCEAO é a supervisão de todos os sistemas de pagamen- to da UEMOA. Neste âmbito, o ano de 2007 foi consagrado à definição das modalidades práticas de exercício da missão de supervisão dos sistemas de pagamento pelo Banco Central. Para isso, o Banco Central definiu os seus objectivos em matéria de supervisão dos sistemas de pagamento através de uma políti- ca geral precisando nomeadamente as suas responsabilidades e as dos outros actores, bem como o perímetro da supervisão.

Complementando o documento de política geral, o BCEAO finalizou uma Instrução desti- nada a gerentes dos sistemas de pagamento e precisando as disposições e modalidades gerais definidas em matéria de supervisão. Criou igualmente um modo operatório para a supervisão dos sistemas de pagamento. De janeiro, 2008 o modo operatório da super- visão será difundida aos serviços do BCEAO encarregados da supervisão dos sistemas de pagamento. Um seminário de formação será igualmente organizado para eles, com vista a implementação prática da actividade de supervisão.

3.4.6 - Textos regulamentares

A consolidação do quadro jurídico dos siste- mas de pagamento prosseguiu-se em 2007 com nomeadamente dois factos importantes. O primeiro diz respeita à assinatura pelo Governador do BCEAO, em 30 de Abril de 2007, da Instrução N° 141-04-07, relativa ao procedimento de acreditação dos organis- mos de qualificação e ao procedimento de avaliação e de qualificação das prestações de Serviços de Certificação Electrónica (PSCE), nos sistemas de pagamento da UEMOA. Esta Instrução permite organizar o quadro da prova electrónica e confere ao BCEAO o papel de centro de acreditação no domínio dos sistemas de pagamento.

O segundo foi relativo à finalização dos pro- jecto de Lei Uniforme relativa às infracções em matéria de cheques, de cartões bancá- rios e outros instrumentos e procedimentos electrónicos de pagamento. Este texto erige em infracções as fraudes, os abusos e as falsi- ficações dos cartões bancários e outros ins- trumentos electrónicos de pagamento e organiza o quadro repressivo das referidas infracções.

Neste propósito, o BCEAO organizou em 25 de Outubro de 2007 uma concertação que reu- niu nomeadamente profissionais do direito e especialistas em direito penal provenientes de diversos Estados da União. O projecto, termi- nado no final desse encontro, será submetido em Março de 2008 ao Conselho de Ministros da UMOA, antes da consulta dos Parlamentos

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dos países da União. Por outro lado, durante 2007, os nomes atribuídos aos sistemas de pagamento do BCEAO (STAR-UEMOA e SICA- UEMOA) beneficiaram da protecção jurídica nos países da União Europeia, no Canadá assim como nos Estados Unidos (apenas para SICA-UEMOA). A protecção de STAR-UEMOA nos EUA deverá ser finalizada em 2008.

3.4.7 – Organização e normalização bancária e financeira

No quadro da organização e da normalização do sector bancário e financeiro, o BCEAO deci- diu, em colaboração com a comunidade bancária e financeira da União, criar um Comité Oeste Africano de Organização e Normalização Bancária e Financeira (CONOBAFI).

A Assembleia Geral Constitutiva do CONOBAFI foi realizada em 20 de Setembro de 2007, sob a presidência do Governador do BCEAO. Reuniu representantes das Associações Profissionais dos Bancos e Estabelecimentos Financeiros (APBEF), da Bolsa Regional dos Valores Mobiliários (BRVM), do Conselho Regional da

Poupança Pública e dos Mercados Finan-ceiros (CREPMF), do Agrupamento Interban-cário Monético da UEMOA (GIM-UEMOA) e do BCEAO.

No final deste encontro, os Estatutos da Associação foram adoptados pelos membros fundadores. O Secretário Executivo e os membros do Conselho Executivo foram igual- mente designados nesta ocasião. O CONO- BAFI terá, no âmbito das suas atribuições, de prosseguir as reflexões já iniciadas sobre a organização e a normalização bancária e financeira, bem como instituir grupos de tra- balho a este efeito.

O arranque dos sistemas de pagamento auto- matizados na União permitiu igualmente, graças a uma revisão das normas em vigor, a adopção de uma nova norma do cheque e de outros títu- los de comércio (letra de câmbio e promissória) no seio da UEMOA. As diligências relativas à homologação destas normas no plano regional estão em curso a nível do Secretariado Regional de Normalização, Certificação e Promoção da Qualidade (NORMCERQ) da Comissão da UEMOA.

No documento RELATÓRIO ANUAL DE 2007 VERSÃO RESUMIDA (páginas 58-64)