A linha reformista de Álvaro de Castro foi mantida pelo governo de José Domingues dos Santos (22 de novembro de 1924 a 15 de fevereiro de 1925)291. Desde
o momento da apresentação no parlamento, o executivo do líder da facção esquerdista do PRP assumiu o dever de cumprir um programa de reformas radicais292. A
declaração ministerial levada à Câmara dos Deputados, a 27 de novembro de 1924, expunha todas as medidas que foram efetivamente tentadas nos meses de vigência do gabinete, assumindo-se o axioma político que fez deste o primeiro governo formado sob o princípio de autodeterminação da esquerda republicana: “Não se esquece o governo de que, saído do bloco das esquerdas parlamentares, é chamado a realizar o ideal democrático. E não há ideal republicano onde não há justiça social. É em nome dessa justiça social que nos propomos governar.”293. Este enunciado resume o
desiderato da esquerda republicana, aquilo que definiria esse campo político relativamente aos concorrentes mais próximos. A república cumprir-se-ia, nas aspirações progressistas, quando se democratizasse e isso significava atender às
290
Para a importância dos lojistas de Lisboa no movimento republicano até 1910 ver Daniel ALVES, 2010.
291
As pastas ministeriais distribuíam-se do seguinte modo: José Domingues dos Santos (Presidência, Interior e interino da Marinha, Pedro Augusto Pereira de Castro (Justiça), Manuel Gregório Pestana Júnior (Finanças), Helder Armando dos Santos Ribeiro (Guerra), João de Barros (Negócios Estrangeiros), Plínio Octávio Sant’Ana e Silva (Comércio e Comunicações), Carlos Eugénio de Vasconcelos (Colónias), António Joaquim de Sousa Júnior (Instrução), João de Deus Ramos (Trabalho), Ezequiel de Campos (Agricultura). Vd. QUEIRÓS, 2008, p. 47.
292
A linha de governação anunciava-se desde o congresso do PRP de abril de 1923. Idem, pp. 43-45. 293
necessidades materiais de vida dos cidadãos para garantir condições de participação política às classes mais desprotegidas, as assalariadas.
Na declaração ministerial anunciavam-se os objetivos de restabelecimento do equilíbrio entre classes, melhorando as condições de vida das pobres e medianas, entre atividades económicas, estimulando as produtivas em detrimento das especulativas, da dimensão da propriedade fundiária, nem muito grande nem muito pequena, e das ideias, valorizando a coesão social pela solidariedade tendo em vista os interesses da colectividade. O plano era vasto para perfazer estas finalidades. Incluía, entre as medidas mais significativas para o nosso argumento, o fim dos monopólios, a reforma bancária com a complementar criação de uma Caixa de Conversão e uma Caixa de Fomento, a reforma agrária, o estímulo ao cooperativismo, a abertura das fronteiras alfandegárias para a nivelação dos preços de bens de primeira necessidade, a legalização dos sindicatos profissionais e das federações, a gratuitidade do ensino em todos os graus, a lei de habeas corpus e a regulamentação da lei de responsabilidade ministerial294.
A “Proposta de Lei de Organização Rural”, da autoria de Ezequiel de Campos, entrou na Câmara dos Deputados a 12 de janeiro de 1925, sem nunca ter chegado a ser debatida. O projeto tinha antecedentes ideológicos, inserindo-se na linha que, desde Oliveira Martins, defendia a reestruturação da propriedade fundiária, pela concentração no Norte e a divisão no Sul, enquanto elemento base de um plano de regeneração económica do país295. Tinha também alguns antecedentes legislativos,
medidas tendentes a impulsionar o aproveitamento das terras - particularmente, pelo aumento da cultura cerealífera -, das quais se devem apontar os decretos nº 7127, de novembro de 1920 (governo António Granjo), nº 7933, de dezembro de 1921 (governo Carlos Maia Pinto), e nº 9843 e nº 9844, de junho de 1924 (governo Álvaro de Castro). A primeira destas leis incidia, exclusivamente, sobre os terrenos baldios
294
O programa ministerial incluía a reorganização dos serviços do Estado, a reparação e construção de vias de comunicação, a reforma da administração colonial, criando uma união aduaneira, a promoção de aproveitamentos hidroelétricos, o estabelecimento de acordos comerciais com Inglaterra, Brasil, Espanha, França e Alemanha, a reformas das forças militares, a reforma da assistência pública a menores.
295
Corrente neofisiocrática, de acordo com a definição de Fernando Rosas: “(…) defensora de um modelo de regeneração económica do país, de explícita inspiração martiniana, assente num regresso modernizante à terra: a reforma «agrária» e «agrícola» constituiria a base de todo o restante edifício de restauração económica, designadamente no tocante a uma industrialização prudente e faseada, em todo o processo desempenhando papel central os aproveitamentos hidroeléctricos.”, in ROSAS, 1998, p. IX.
pertencentes ao Estado, câmaras municipais e juntas de paróquia, e tinha como objectivo a sua divisão em glebas para exploração por casais de família, mediante aforamento ou venda em hasta pública, a chefes de família da região. A segunda, além da divisão e cultura dos baldios, incluía os terrenos incultos, públicos, comuns ou particulares, sem cultura há mais de sete anos. Estes seriam alvo de levantamento cadastral e podiam ser reclamados para cultura mediante venda, arrendamento, aforamento, cessão ou comparticipação, ficando os particulares obrigados ao aproveitamento das terras no prazo de um ano para evitar a expropriação. Os dois últimos seguiam a linha do decreto de dezembro de 1921, regulamentando, respectivamente, as condições de divisão dos baldios, e de aproveitamento dos incultos. No geral, estas leis implicavam mais com a economia comunitária do que com a capitalista, subtraindo às comunidades os seus terrenos comuns, os baldios, complementares à subsistência local.
A proposta de Ezequiel de Campos incluía obras de rega e a modernização das práticas agrícolas por iniciativa estatal (reforma agrícola), e tinha um alvo preciso: os latifúndios alentejanos. Além da partilha dos baldios, pretendia-se decretar a expropriação de pousios (incultos) nos concelhos com densidade populacional média inferior a quarenta habitantes por quilómetro quadrado296 na ordem de: metade das
terras incultas de portugueses com mais de 1500 hectares e que residissem há mais de um ano no estrangeiro; um terço das terras incultas de proprietários com mais de 1500 hectares que estivessem registadas por título gratuito anterior a 1914; um terço das terras incultas dos restantes proprietários com mais de 800 hectares, que tivessem sido obtidas por título oneroso antes de 1914; um quarto das terras incultas dos proprietários com mais de 2000 hectares. Para evitar a expropriação os proprietários eram obrigados a fazer o parcelamento da terra, mediante um plano previamente aprovado pelas instituições competentes e iniciando esse processo seis meses após a aprovação da lei. O conjunto de terras expropriadas seria sujeito a parcelamento em lotes para cultivo familiar, podendo estes ser vendidos pelo preço de aquisição ou
296
Segundo o autor, citando o censo de 1920, as regiões alentejanas abrangidas eram: todos os concelhos do distrito de Beja, Évora (excepto Borba) e Portalegre (excepto a sede de concelho); os concelhos de Alcácer do Sal, Aldeia Galega do Ribatejo, Grândola, Santiago do Cacém e Sines no distrito de Lisboa (o atual distrito de Setúbal não estava autonomizado). Estes não eram os únicos concelhos do país com densidade populacional abaixo de 40 hab./Km2
, mas eram aqueles onde havia maior concentração fundiária.
arrendados. A aquisição de lotes era vedada a proprietários locais com mais de 100 hectares, tendo prioridade na aquisição os militares que prestaram serviço na Grande Guerra, os diplomados em escolas de agricultura e medicina, os agricultores e trabalhadores rurais pais de família sem terra suficiente para o seu sustento, as viúvas de militares, agricultores e trabalhadores com, pelo menos, um filho, os funcionários dispensados do serviço público, os emigrantes de retorno ao país, assim como as cooperativas e empresas sob condições especiais. Obrigava-se, em cada região, à instalação de uma cooperativa de produção e venda, consumo, seguro, crédito agrícola e socorro mútuo rural297.
Era uma reforma de cariz capitalista que tinha como objectivo o povoamento das terras alentejanas e a intensificação da produção agrícola pela divisão da propriedade, e não pela sua supressão ou colectivização. Para Ezequiel de Campos o latifúndio era um entrave à modernização agrícola, uma condição para perpetuar os modos tradicionais de cultura em extensão e o recurso à prática prolongada do pousio (podia durar dez anos). Na medida em que um grande proprietário podia deixar terra morta por longos períodos sem sofrer dificuldades de sustento, o redimensionamento fundiário era, por si, um potencial mobilizador de investimento agrícola e da alteração dos modos de produção: “Na propriedade média e pequena o pousio tradicional desaparece logo de começo; e a rega inicia-se.”298.
A resposta à proposta de lei de Ezequiel de Campos veio por um dos porta- vozes dos interesses latifundiários, dinamizador da União Agrícola, o integralista José Pequito Rebelo. Na primeira página de O Século, de dia 15 de janeiro, lemos a avaliação que fez ao projeto de organização rural. Economicamente, entre outros aspectos, justificava a necessidade do latifúndio em regiões de “mau clima, terra pobre, capital e gente rara” – características que Ezequiel de Campos não considerava fatais -, e justificava o pousio como forma de concentrar as escassas forças de produção numa zona limitada, entretanto enriquecida pelo descanso. Politicamente, julgava o ministro da Agricultura pela “(...) influência perturbante de uma certa dose de ideologia radicalista no modo de ser das suas projetadas realizações.”, acusando-o de ter abdicado do tino nacionalista (de fazer “obra nacional”), para se embrenhar no
297
Foi contestado nas páginas de A Batalha. Ver capítulo IV.3.3 298
“Proposta de lei de Organização Rural”, in Ezequiel de Campos. Textos de Economia e Política
jogo político (nas “solidariedades políticas”). Ironizando, sugeria a analogia com o “pão político”, criticado por Ezequiel de Campos. Para Pequito Rebelo, a “terra política” era inconcebível e, garantia, “ (...) [a lavoura] não transigiria nunca com uma lei como esta, ineficaz na sua técnica, injusta na sua contextura jurídica,
contraproducente nos seus critérios agronómicos e económicos e encerrando a demais um princípio de guerra civil e de dissolvente ataque á propriedade.”299. A
proposta de lei de Ezequiel de Campos não causou mais efeitos além de deixar a lavoura de sobreaviso, uma vez que o ministério caiu antes da sua discussão.
Baseado na mesma lei que havia autorizado o governo de Álvaro de Castro a tomar providências para o controlo do mercado cambial, o gabinete “canhoto” de José Domingues dos Santos, pela mão de Pestana Júnior, decretou a reforma do sistema bancário (decreto nº 10474, 17 de janeiro de 1925300). A lei compreendia: o
estabelecimento de capital realizado; a submissão da fundação de casas bancárias a autorização prévia do ministro das Finanças dependente da declaração da utilidade económica da casa a criar, e da obrigatoriedade de depósito de 50% do capital inicial na Caixa Geral de Depósitos; a limitação das operações de crédito, proibindo-se, nomeadamente, o fornecimento de mais de um décimo do capital social a um só indivíduo ou sociedade; o alargamento das atribuições da Inspeção do Comércio Bancário; a obrigação de declaração de bens imobiliários dos banqueiros em nome individual ou sócios de casas em nome colectivo; a criação de uma secção especial na Caixa Geral de Depósitos para o crédito cooperativista, sob proteção do Estado; e a criação, no Ministério das Finanças, de um Conselho Bancário ao qual era conferida a capacidade de propor os vice-governadores dos bancos emissores.
A reforma bancária vinha justificada, entre outras considerações, pela ausência de condições de capital nos bancos que proliferaram sob a influência da guerra, da inflação fiduciária e da desorganização económica. Julgava-se indispensável sujeitá- los a um regime de previdência, fiscalização e defesa comum, tendo em vista o restabelecimento da confiança, desviar as disponibilidades das práticas especulativas, fixar o ouro no país, repatriar as fortunas evadidas, canalizar os recursos para atividades úteis e produtivas, distribuí-los com justiça por todo o tecido económico e
299
“A lei da «povoação e valorização agrária»”, in O Século, 15 de janeiro de 1925, p. 1. 300
centralizar informações no Ministério das Finanças. A lei estipulava um mínimo de capital realizado para o estabelecimento de casas bancárias e a autorização prévia do Ministério das Finanças para obter licença de atividade301. Tendo essas obrigações
carácter retroativo, as casas em atividade eram obrigadas a enviar à Inspeção do Comércio Bancário um exemplar dos seus estatutos e a lista de sucursais que tinham, bem como a adaptar-se aos valores estipulados de capital mínimo. Impunha-se a obrigação de aplicação de fundos em harmonia com os interesses da economia nacional, devendo as operações bancárias concorrer para a valorização monetária, a aplicação em atividades de produção e comércio regular, a fixação de capitais no país, e para o equilíbrio social “pela justa e prudente distribuição do crédito”. Entre as várias limitações à sua atividade, incluía-se a proibição de efetuar operações especulativas, cambiais ou sobre títulos de crédito, em margem superior a 10% do capital social do banco, fazer empréstimos sobre penhor das suas próprias ações e fornecer mais de um décimo do capital social a um só indivíduo ou sociedade. As contas dos bancos deviam ser enviadas mensalmente à Inspeção do Comércio Bancário, os respectivos balancetes seriam publicados trimestralmente no Diário do
Governo. Os banqueiros em nome individual e os sócios das casas em nome colectivo ainda eram obrigados a enviar à Inspeção uma relação autenticada dos seus bens imóveis. Criava-se o Conselho Bancário, composto por nove vogais (governadores dos bancos de Portugal e Ultramarino, administrador da Caixa Geral de Depósitos, diretor geral do Comércio e Indústria, inspetor do Comércio Bancário, dois vogais eleitos pelas casas bancárias portuguesas de Lisboa e Porto e dois eleitos pelo governo), cabendo-lhe propor os vice-diretores dos bancos emissores. Quanto à Inspeção, além de atribuições gerais, consignava-se o poder de examinar os livros e documentos das casas bancárias a fim de verificar que os preceitos da lei eram cumpridos, não podendo os bancos sonegar informação solicitada. Abria-se um capítulo sobre crédito cooperativista, contemplando a criação, na Caixa Geral de Depósitos, de uma Secção de Crédito Cooperativista com o fim de proteger e auxiliar as cooperativas. A Secção podia realizar todas as operações de crédito necessárias,
301
O requerimento de licença compreendia: a exposição das necessidades económicas que justificavam o surgimento do banco; indicação dos lugares da sede e das sucursais; uma cópia dos estatutos; e a declaração de que no ato de fundação 50% do capital inicial seria depositado na Caixa Geral de Depósitos. A Inspeção do Comércio Bancário era incumbida de avaliar e validar os requerimentos, podendo introduzir cláusulas de interesse para o Tesouro. O Conselho Bancário dava parecer sobre o processo e o ministro concedia, ou não, a autorização.
incorporava um representante das cooperativas reconhecidas pelo Estado adjunto à direção, escolhido pela Federação Nacional das Cooperativas, e recebia o depósito das quantias que o Estado punha à disposição para acorrer à crise económica, por intermédio da Manutenção Militar.
Além da consolidação do sistema bancário, a reforma visava orientar o crédito para o fomento de atividades produtivas, de acordo com o juízo do governo, impedindo o uso especulativo de disponibilidades em capital. Tendencialmente, as operações de crédito mudavam de eixo, passando do Banco de Portugal para a Caixa Geral de Depósitos, sob controlo estatal. Isto, a par do impulso dado às iniciativas cooperativistas, não só afectava o poderio das elites do comércio e da alta finança, como alterava, potencialmente, a natureza das pequenas iniciativas económicas, lesando aquelas que existiam. Em paralelo, a proposta de criação de uma Caixa de Conversão, prevendo a existência de um novo valor fiduciário, retirava aos bancos emissores o monopólio sobre a emissão da moeda, e embora não tenha sido debatida, esta possibilidade oferecia mais um dado acerca das intenções do governo.
A reação do Banco de Portugal foi célere. O Conselho Geral começou por decidir o não acatamento do decreto até reunião da assembleia geral, a ter lugar no dia 29 de janeiro, e publicitar um comunicado afirmando que o banco não tinha em conta as ideias políticas dos clientes na altura de os servir. Esta declaração prendia-se com a proibição de levantamento de notas de crédito diretamente no Banco de Portugal, operação comummente efectuada pelo comércio nas praças de Lisboa e Porto. Foi precisamente esta alínea, a que prejudicava as práticas dos comerciantes, aquela que favoreceu a simpatia da ACL pelo protesto do banco. Sob este pretexto, vários comerciantes republicanos escreveram ao jornal O Século secundando o comunicado do banco, e o jornal da UIE, por seu turno302, publicou estas cartas e representações
individuais e colectivas que provavam, de facto, a inexatidão do combate ao perigo monárquico, enquanto voltavam a demonstrar, após o boicote à lei do selo, que para o pequeno e médio comércio não se tratava de lealdade ao regime. A 21 do mesmo mês, a direção e os presidentes de secção da AIP votaram contestar a lei, e a secção de economia da UIE aprovou o estudo detalhado da legislação para um protesto articulado junto das autoridades. Mas o movimento de contestação explodiu no dia
302
22, com a sessão extraordinária da assembleia geral da ACL, precisamente porque o pequeno e médio comércio emprestavam ao protesto uma aparência popular – as pequenas iniciativas aproximavam a fronteira do capital e do trabalho, especialmente quando este último significava labor. Assim, numa moção apresentada na assembleia extraordinária da ACL o primeiro ponto era dedicado ao espanto levantado pelo decreto da reforma bancária a “(...) todas as classes que do trabalho fazem o principal objectivo da sua vida (...)”303. No balanço da primeira sessão extraordinária foi
decidido levar ao parlamento as moções de protesto aprovadas, uma vez que a Câmara dos Deputados estava a discutir a questão durante a madrugada.
O debate iniciou-se feroz com a intervenção de Cunha Leal a 19 de janeiro de 1925. O deputado nacionalista pretendia, na moção apresentada, levar à discussão um projeto de lei onde a reforma pudesse ser mitigada dos princípios de fiscalização estatal e de quebra contratual304. Como em ocasiões anteriores, a minoria monárquica não perdeu a oportunidade de denunciar o ataque à propriedade privada305. No dia
seguinte, Rego Chaves apresentou uma moção pedindo a suspensão da matéria relativa ao BNU306 e Vasco Borges, democrático, secundou a exigência dos
nacionalistas307. A 21 de janeiro, Morais Carvalho, monárquico, reforçou a noção de
303
“A reforma bancária e o Banco de Portugal”, in O Século, 23 de janeiro de 1925, p. 2.
304 A moção apresentada por Cunha Leal: “A Câmara dos Deputados, verificando que o governo não tem competência legal para modificar o Código Comercial e a legislação bancária nos termos constantes do diploma que sobre essa matéria pretende inconstitucionalmente publicar; Reconhecendo que nesse diploma se incluem disposições que envolvem, sem acordo da outra parte contratante, a modificação de contratos celebrados com o Estado, violando-se, sem lei e contra lei, direitos que a Constituição da República afirma que são garantidos nos termos das leis; e Considerando que se pretende impor sem lei e contra lei, a certos bancos a obrigação de aceitar e remunerar diretamente nomeados pelo governo, e que o próprio prestígio da República deve impedir que – ilegalmente – se efetive essa pretensão: Afirma o seu propósito de não permitir esse procedimento do governo, exigindo-lhe que submeta o seu plano, em proposta de lei, à aprovação do Congresso da República e passa à ordem do dia.”, in Diário da Câmara dos Deputados, sessão nº 18, 19 de janeiro de 1925, pp. 11-12.
305
A moção apresentada por Carvalho da Silva: “Considerando que o decreto anunciado sobre a reforma da organização bancária, não só alterando várias leis do país e designadamente do Código Comercial, como ainda criando novos impostos e novos lugares, é manifestamente atentatório da Constituição, incompatível com o prestígio do parlamento, violador de contratos perfeitos, e desrespeitador do direito de propriedade; Considerando mais que a autorização da lei nº 1545, a cuja sombra se pretende publicar o mesmo decreto, há muito caducou; A Câmara passa à ordem do dia.”, in
Diário da Câmara dos Deputados, sessão nº 18, 19 de janeiro de 1925, p. 12. 306
Diário da Câmara dos Deputados, sessão nº 19, 20 de janeiro de 1925, p. 23. 307
A moção apresentada por Vasco Borges: “A Câmara dos Deputados, reconhecendo que a lei nº 1545 não confere ao Poder Executivo competência para publicar em decreto a reforma da lei bancária, mas tendo em atenção a conveniência de se legislar sobre tal matéria, convida o governo a transformar o referido decreto em proposta de lei, e passa à ordem do dia.”, in Diário da Câmara dos Deputados,