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3 7 IMUNIDADES INCONDICIONADAS E CONDICIONADAS

Entende-se por Imunidades Incondicionadas aquelas que independem de qualquer Integração de norma infraconstitucional para viabilizá-las ou seja, a Constituição não estabelece qualquer requisito, qualquer condição para que a imunidade tenha plena eficácia.

Enquanto as Imunidades Condicionadas, só produzem plenamente efeitos mediante norma infraconstitucional integrativa, sobretudo porque a Constituição subordina a eficácia plena dessas imunidades à observância de certas condições estabelecidas em normas infraconstitucionais.

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3. 7. 1 Imunidades Incondicionadas

Ao examinar o texto Constitucional no que tange às limitações do poder de tributar, relativamente às imunidades do artigo 150, VI, evidencia-se que não existem condições, restrições ou estabelecimento de requisitos, a cargo de norma infraconstitucional, face a chamada imunidade recíproca (artigo 150, VI, a), da imunidade dos templos (artigo 150, VI,b), e da Imunidade do livro, do jornal, do periódico e do papel destinado a sua impressão (art.150, VI, d).

No que diz respeito à imunidade recíproca dos templos, do livro, do jornal, do periódico e do papel destinado à sua impressão (artigo 150, VI, b e d), tem-se que os entes políticos constitucionais – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, pela simples condição que possuem, têm o seu patrimônio, as suas rendas e os seus serviços imunes à tributação.

Diante do sistema federativo brasileiro, neste particular, nada ficou “entregue” à norma infraconstitucional, vez que o patrimônio, a renda e os serviços destas pessoas políticas não se sujeitam à tributação, diante da imunidade – incondicionada – que as beneficiam.

Assim, os dispositivos constitucionais que regulam esta matéria são de eficácia plena e aplicabilidade imediata, não dependendo, portanto, de norma infraconstitucional para produzir efeitos.

Quanto aos templos de qualquer culto (previsto no artigo 150, VI, b, da Constituição Federal), a regra é a mesma. Assim, basta que exista um templo de qualquer culto para que haja a imunidade relativamente à instituição de impostos, mesmo porque, se tal ocorresse, haveria ofensa ao direito individual da liberdade da crença e das práticas religiosas.

Este é o principal fundamento a embasar a imunidade recíproca dos templos de qualquer culto. Trata-se, pois, de fuma forma de melhor viabilizar e garantir o exercício do referido direito individual. Se houvesse a tributação aos templos, o Estado poderia coibir – pela interferência na esfera patrimonial das pessoas, a liberdade religiosa dos indivíduos.

O entendimento de BARRETO e BARRETO (1999 p. 22) é crucial neste sentido, in

verbis:

“Basta ser templo para ser imune. Templo de qualquer culto. Nenhuma restrição , condição, circunscrição, limitação, pode ser posta, validamente, por norma infraconstitucional. A imunidades dos templos é incondicionada. Tem-se no caso, também norma de eficácia plena e aplicabilidade imediata”109

No que diz respeito à imunidades dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, prevista no artigo 150, VI, d, são as mesmas incondicionadas. A Constituição Federal não exigiu nenhum requisito especial para que fosse operada a referida imunidade.

Assim, basta ser livro, jornal, periódico e papel destinado a sua impressão, para que haja o benefício da imunidade.

Por todo o exposto, as imunidades previstas no artigo 150, VI, a, b e d, são consideradas imunidades incondicionadas.

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3. 7. 2 Imunidades Condicionadas

No que tange às imunidades condicionadas, encontram-se elas previstas no artigo 150, VI, c, e referem-se aos Partidos Políticos, Entidades Sindicais, Instituições de Educação e de Assistência Social, desde que sem fins lucrativos.

Na leitura atenta do referido dispositivo constitucional, tem-se que, nestes casos, o benefício da imunidade condiciona-se à apreciação e obediência de determinados requisitos.

Em primeiro lugar, ressalte-se que a própria Constituição condiciona a imunidade à inexistência de finalidade lucrativa das entidades descritas. Isto quer dizer que, não basta tratar-se de Partidos Políticos, Entidades Sindicais, Instituições de Educação e de Assistência Social.

Trata-se, portanto, do primeiro requisito previsto pela Constituição para que tais entidades possam gozar do benefício da imunidade. Se acaso visarem a obtenção de lucro, não há falar-se mais acerca do referido benefício.

Em que consistem as Instituições sem fins lucrativos? É toda entidade que não tenha por objetivo distribuir seus resultados, nem o de fazer retornar seu patrimônio às pessoas que a instituíram.

A classificação atinente à condição de “sem fins lucrativos”, exige a observância de determinados requisitos, quais sejam: a não distribuição de lucros e a não reversão de seu patrimônio às pessoas que a instituíram.

É o entendimento de MACHADO (1998 p. 69) acerca do tema:

“Instituição sem fins lucrativos é aquela que não se presta como instrumento de lucro para seus instituidores ou dirigentes. A instituição pode, e deve, lucrar. Lucrar para aumentar seu patrimônio e assim prestar serviços cada vez a maior número de pessoas, e cada vez de melhor qualidade.O que não pode é distribuir lucros. Tem que investir os que obtiver, na execução de seus objetivos.”110

Além disso, para que possam gozar do benefício da imunidade, deve-se observar, ainda, que os resultados obtidos não podem incorporar ao patrimônio pessoal daqueles que as instituíram.

É magistral a intelecção de AMARO (1998 p 150) a respeito das entidades sem fins lucrativos, transcrita a seguir:

“a inexistência de fim lucrativo (exigida pela Constituição) foi corretamente traduzida pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, ao estabelecer a não distribuição de patrimônio ou renda a título de lucro ou participação no seu resultado. Com efeito, quando se fala em entidade sem fim lucrativo, está- se querendo significar aquela cujo criador (ou instituidor, ou mantenedor, ou associado, ou filiado) não tenha

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fim de lucro em si, o que, obviamente, não impede que a entidade aufira resultados positivos (ingressos financeiros, eventualmente superiores às despesas) na sua atuação. Em suma, quem cria a entidade é que não pode visar a lucro. A entidade (se seu criador não visou a lucro) será, por decorrência, sem fim de lucro, o que – repita-se – não impede que ela aplique disponibilidades de caixa e aufira renda, ou que, eventualmente tenham, em certo período, um ingresso financeiro líquido positivo (superávit). Esse superávit não é lucro. Lucro é conceito afeto à noção de empresa, coisa que a entidade, nas referidas condições, não é, justamente porque lhe falta o fim de lucro (vale dizer, a entidade não foi criada para dar lucro ao seu criador, mas para exercer uma atividade altruísta.” 111

Ressalte-se, ainda, que a inexistência de finalidade lucrativa não esteia a não remuneração dos dirigentes das respectivas entidades e das demais pessoas que nelas trabalham. Claro está que, no exercício de um mister e de um trabalho, a remuneração é conseqüência clara, que não deve ser questionada. Mesmo porque, os funcionários têm famílias a quem devem o sustento. Inadmissível querer-se que, para que se tratasse de entidade sem fins lucrativos, devessem seus empregados trabalhar sem nada receber… O que não se admite, e aí sim, atendendo aos requisitos indispensáveis para a configuração de uma entidade sem fins lucrativos, é o visão de lucro e reversão destes mesmos rendimentos para os seus instituidores ou mantenedores.

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Além destas condições estabelecidas no dispositivo constitucional acima referenciado, a Constituição Federal, no mesmo artigo 150, VI, c, in fine, condiciona ainda o gozo do benefício da imunidade condicionada aos requisitos da lei.

Neste sentido, ao contrário do que ocorre com as alienas a, b e d, do artigo 150, da Constituição Federal, trata-se de uma norma de eficácia limitada, a ensejar a necessidade de regulamentação por lei complementar.