FASE IV 12 A 18 MESES INCOMPLETOS
3.3 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS DE COLETA
3.3.1 Instrumentos de coleta
3.3.1.1 Entrevistas semi-estruturadas
As duas entrevistas semi-estruturadas, a inicial (APÊNDICE B) e a continuada (APÊNDICE C), foram construídas a partir do roteiro utilizado nos trabalhos de Oliveira (2013), Flores (2012), Beltrami (2011) e Pretto-Carlesso (2011), de Schwengber e Piccinini (2001), ampliado e adaptado para esta pesquisa a partir da discussão do grupo e dos inúmeros objetivos do projeto guarda-chuva no qual se insere esta dissertação. O roteiro aborda dados psicossociais (planejamento da gestação, apoio da família, dentre outros), obstétricos (pré- natal, tipo de parto, intercorrências, dentre outros) e sociodemográficos (idade, escolaridade, estado civil, profissão materna e paterna, número de filhos, dentre outros), por meio de perguntas simples apresentadas à mãe e/ou quem faça a função materna, em caso de ausência desta. A entrevista continuada foi feita em dois momentos, no segundo encontro, isto é, quando os bebês se encontravam dentro da faixa etária dos quatros meses e, posteriormente, no quarto encontro da pesquisadora com as díades, quando os bebês se encontravam na faixa etária dos nove meses. As entrevistas foram realizadas nas mesmas ocasiões em que foram verificados os sinais PREAUT e os IRDIs das respectivas faixas etárias, tendo como objetivo verificar modificações ocorridas ao longo dos nove primeiros meses de vida do bebê.
3.3.1.2 Protocolos de Avaliação Padronizados
Nesta seção serão apresentados os protocolos de avaliação padronizados a serem utilizados na pesquisa, salientado que tais instrumentos consideram a relação intersubjetiva mãe-bebê para sua análise, uma vez que o desenvolvimento infantil, principalmente na primeira infância, está intimamente associado ao exercício das funções parentais.
3.3.1.2.1 Indicadores Clínicos de Risco ao Desenvolvimento Infantil
Para a presente pesquisa, serão utilizados os IRDIs referentes às Fases I, II e III. Como já mencionado anteriormente, acredita-se que, especialmente os sinais da Fase I e os indicadores 6, 12 e 14, que compõem as Fases II e III, respectivamente, permitirão avaliar os bebês até os nove primeiros meses de vida, quanto à presença ou ausência de riscos que podem constatar a presença de dificuldades no desenvolvimento infantil referentes à constituição subjetiva. A seguir, o quadro com os indicadores das três primeiras fases dos IRDIs.
Quadro 5 - Indicadores utilizados na pesquisa a partir dos IRDIs construídos com 18 indicadores.
FASES PRESENTE AUSENTE
FASE I 0 – 4 meses incompletos
1. Quando a criança chora ou grita, a mãe sabe o que ela quer.
2. A mãe fala com a criança num estilo particularmente dirigido a ela (manhês).
3. A criança reage ao manhês
4. A mãe propõe algo à criança e aguarda a usa reação 5. Há trocas de olhares entre a criança e a mãe FASE II
4 – 8 meses incompletos
6. A criança utiliza sinais diferentes para expressar suas diferentes necessidades.
7. A criança reage (sorri, vocaliza) quando a mãe ou outra pessoa está se dirigindo a ela.
8. A criança procura ativamente o olhar da mãe. FASE III
8 – 9 meses e 29 dias
9. A mãe percebe que alguns pedidos da criança podem ser uma forma de chamar a sua atenção.
10. Durante os cuidados corporais, a criança busca ativamente jogos e brincadeiras amorosas com a mãe. 11. Mãe e criança compartilham uma linguagem particular.
12. A criança estranha pessoas desconhecidas para ela. 13.A criança faz gracinhas.
14. A criança aceita alimentação semi-sólida, sólida e variada.
Os indicadores ilustrados no quadro 5 e observados a partir da interação mãe-bebê nos encontros da pesquisadora com a díade, foram avaliados quanto presentes ou ausentes pela pesquisadora. Dessa forma, a ausência de algum dos 14 indicadores observados já assinala a presença de risco para o desenvolvimento infantil, ao passo que os indicadores da Fase I e os indicadores 6, 12 e 14 assinalam, especialmente, um risco psíquico ao desenvolvimento infantil.
No caso dos bebês que apresentaram risco nos IRDIs, na análise da pesquisa, realizada durante a elaboração escrita desta dissertação, os vídeos foram olhados novamente e as entrevistas lidas, para aplicação da versão estendida do protocolo, sobretudo na fase II em que a versão exposta no quadro 4 é muito limitada. Então, nesses casos foram observados os indicadores, 6, 7 e 8 do quadro 4 e também os indicadores listados a seguir, expostos no quadro:
6. A criança começa a diferenciar o dia da noite.
8. A criança solicita a mãe e faz um intervalo para aguardar sua resposta. 9. A mãe fala com a criança dirigindo-lhe pequenas frases.
12. A mãe dá suporte às iniciativas da criança sem poupar-lhe o esforço. 13. A criança pede a ajuda de outra pessoa sem ficar passiva.
Já na fase III, além dos indicadores 9 a 14 expostos no quadro 4, também se buscou observar os indicadores:
16. A criança demonstra gostar ou não de alguma coisa. 19. A criança possui objetos prediletos.
21. A criança busca o olhar de aprovação do adulto.
Os resultados obtidos a partir do quadro 4 alimentaram um banco de excel para análises quantitativas. Já os resultados obtidos pelo conjunto total dos IRDIs nos casos de risco foram dispostos em tabelas para análise qualitativa descritiva desse número menor de casos.
3.3.1.2.2 Sinais PREAUT
Os sinais PREAUT tem como objetivo avaliar o fechamento do circuito pulsional, a partir de sinais tanto no nível corporal quanto na voz materna e interação do bebê. Pra tal, são avaliados dois sinais fenomênicos a partir da relação intersubjetiva da díade mãe-bebê, são eles (Laznik et al., 1998):
Sinal comunicativo 1 (S1): O bebê procura “se fazer” olhar por sua mãe (ou substituto) na ausência de qualquer solicitação dela;
Sinal comunicativo 2 (S2): o bebê procura suscitar a troca jubilatória com sua mãe (ou com seu substituto) na ausência de qualquer solicitação dela.
Inicialmente, os sinais foram observados a partir da interação mãe-bebê e depois da interação entre a pesquisadora e as díades. Salienta-se os casos em que a mãe não interagia com o seu bebê no período de avaliação, a pesquisadora solicitou que a mesma conversasse com o seu bebê, tal como faz em casa. A partir da observação e conferência no vídeo, foi atribuído um valor para cada resposta às perguntas apresentadas no Protocolo PREAUT. Quando o somatório era 15, considerava-se ausente o risco para o autismo. Quando a soma estivesse entre 5 e 15 risco intermediário, ao passo que se a soma for inferior a 5, o risco para um desenvolvimento autístico foi considerado alto. Nestes casos, não apenas a primeira parte mas a segunda parte do sinais foi aplicada. A seguir, os quadros 3 e 4 ilustram a primeira e a segunda parte dos sinais PREAUT observados tanto na faixa do 4º quanto no 9º mês.
Quadro 6 - Sinais PREAUT utilizados na pesquisa e verificados na faixa etária do 4º e do 9º mês.