Limite Bankroll mínimo
JOGANDO NOS BLINDS
ocorre quando estamos nos blinds (SB e BB). Por isso, o ideal é não ficar “defendendo” os blinds sem uma lógica por trás e sem saber o que vai fazer no flop, turn e river caso bata a sua carta ou não. Caso contrário, você será um alvo fácil e preferido dos bons jogadores para lhe tirarem fichas. Um dos maiores erros que as pessoas cometem quando jogam dos blinds é pagar com mãos que possivelmente estão dominadas. Os jogadores justificam seus calls com a famosa frase: “Deu pote!”, considerando suas pot odds para ver o flop e as implied odds caso venha a acertar em cheio a sua mão. Mas se esquecem do conceito das reverse implied odds. Esse conceito explica que você tende a perder muitas fichas se jogar com uma mão que não consegue largar depois do flop e está numa situação dominada, tendo a segunda melhor mão. Exemplo:
Vamos dizer que você paga um aumento no big blind com Q7o e está recebendo 2:1 (dois para um) para pagar. O flop vem A 7 Q, você pede mesa e o jogador que aumentou originalmente aplica uma aposta de ¾ do pote. Você dá call para ver a ação do adversário no turn, mas você pode realmente estar confiante no seu Q7? O quão frequente você pode ganhar um pote decente com dois pares fracos? Antes de você saber disso, você viu metade de suas fichas irem para o adversário no river que tinha uma mão com AQ contra sua mão marginal. Mãos também com Ax são muito ruins, pois ou você perderá um pote grande ou ganhará um pote pequeno.
Antes de resolver jogar nos blinds, temos que analisar a forma como a ação chegou até nós. O raise veio de alguém em posição final? O raise veio de um LAG ou de um TAG? Se acertarmos nossa mão, temos implied odds boas? Lembremos rapidamente sobre o conceito de implied odds que já vimos anteriormente: é o lucro futuro, composto tanto pelas cartas como pela qualidade dos nossos oponentes.
Vamos discutir alguns processos de pensamentos e mãos que nós podemos jogar.
Quando houver raises de jogadores TAG nas primeiras posições, 3bet de qualquer jogador e aumentos de jogadores muito tight em qualquer posição, sabemos que teremos uma ação forte após o flop se acertarmos um monstro.
dos blinds. Por quê? Porque normalmente mãos como AXs e KQ jogam mal contra os TAG e devem ser largadas. Nós podemos pagar aumentos com pares médios e baixos. Dependendo do tamanho dos stacks, posso até voltar all in, mas isso dependerá de uma série de outros fatores (quantos jogadores estão no pote, e quem foi o raiser inicial, a fase do torneio etc.). Por exemplo, fico muito feliz em pagar com um 44 do big blind contra um jogador fraco e muito tight, cheio de fichas que tenha dado raise do UTG, pois nós poderemos extrair muito valor caso acertemos a nossa trinca.
Naquelas mãos consideradas “lixo” que normalmente não acertam o flop de forma forte (Q3; T4; J2), nós podemos desistir de forma barata.
Quando houver aumentos de jogadores loose-agressivos ou de jogadores tights do cut-off e botão, ou quando os LAG apenas pagam os blinds juntamente com jogadores fracos, nós devemos foldar mãos perigosas como regra, embora em algumas situações aplicar a 3bet possa ser lucrativa. Muitos jogadores agressivos irão abrir aumentos das últimas posições mais de 30% das vezes, o que nos deixará em cenários apropriados para explorá-los dependendo das tendências de nossos adversários. É uma situação ruim se fizermos muitas 3bets contra jogadores bons fora de posição.
Aplicar a 3bet dos blinds pode ser muito lucrativo, especialmente contra jogadores fracos, e ela pode ser executada com uma grande variedade de mãos. Aplicando a 3bet, nós podemos ganhar o pote ali mesmo ou talvez ganhar com uma c-bet no flop. Também podemos acertar a melhor mão possível e achar um meio de ganhar todo o stack do oponente. Nunca fazemos c-bets sem jogo contra jogadores como o “tiozão pagador”, pois estaremos perdendo fichas!
Nosso alvo ideal deve ser alguém que aumenta regularmente das ultimas posições, mas que também desiste muito para 3bet ou paga a 3bet com um grande range e desiste muito para a c-bet no flop. Por representar uma grande mão antes do flop, nós devemos esperar que esse jogador desista para uma c-bet de metade do pote, dependendo da textura do flop uma grande parte das vezes. O flop ideal para uma c-bet desse tipo é algo como
O problema em só pagar pré-flop nessa situação é que nós não iremos ter muita informação para saber o que nossos oponentes têm nas mãos. Iremos frequentemente estar em uma situação em que nós erramos o flop e temos que pedir mesa e desistir para a aposta contínua, ou seguir pagando “no escuro”. Nós ainda temos a opção de aplicar o check raise como blefe em algumas situações quando errar o flop. Ele é mais eficaz contra oponentes fracos que apostam em boards que acertam o nosso range e erram o deles.
Ainda há a possibilidade de o raiser inicial ser um LAG em posição final, ou um short-stack desesperado. Nesse caso, o range de nossas mãos ganha ainda um leque muito maior para o call ou para o 3bet light15 (sem ter uma mão realmente tão forte). De qualquer modo, precisamos sempre ter uma ideia exata de como jogaremos a mão caso aconteça a ação A, B, C, D… Pois vejo muito jogadores voltarem reraise num short-stack e largarem seu all in. Ou não voltamos nada e apenas pagamos para ver o flop, ou largamos a mão, ou voltamos com a intenção de pagar o all in! Que isto fique claro: sempre temos que saber o que estamos fazendo!
Por isso, o que vemos como a desculpa do “Deu pote” é uma falta de estratégia ou noção matemática. Muitos até sabem que algumas mãos, chamadas mãos especulativas, podem jogar bem pós-flop em potes com vários oponentes. Essas mãos são os pares baixos e médios (para trincarem) se houver mais de um call que justifique o seu call também. Porém, alguns jogadores se perdem ao darem call com essas mãos, pois não sabem que, sem uma lógica, estarão perdendo dinheiro/fichas.
Precisamos saber que só vamos trincar a cada 7,5 vezes aproximadamente (12% para ser mais preciso, ou seja, perderemos nossa trinca 88% das vezes). Então, na vez em que trincarmos, precisamos ter certeza de que levaremos pelo menos 7,5 vezes o que pagamos pré-flop. Resumindo, não adianta trincar se não for para levar um belo pote ou dobrar as fichas. Se analisarmos esses 12% em que conseguirmos trincar no flop, chegaremos à conclusão de que só faremos muitas fichas em, no máximo 10% a 15% das vezes, dependendo do vilão. Portanto, aconselho veementemente que só jogue esses tipos de mãos quando tiver bastante experiência com a matemática do jogo e com a leitura dos adversários. Por
exemplo:
SITUAÇÃO A
BLINDS 200-400
VILÃO: 12k (jogador experiente e agressivo) HERÓI: 19k (no SB)
Vilão raise de MP para 1.200 e você está no SB com 3♠3♦. O que fazer? Vamos às contas: você terá que pagar 1.000 para completar o raise. Então, se trincarmos, conseguimos ganhar 7k?
Difícil saber, pois o vilão, apesar de agressivo, tem a experiência de perder pouco após o seu primeiro call e certamente não pagará um check raise, a não ser que também tenha uma boa mão.
Vamos supor que a mão do vilão seja J♦Q♦ e o flop venha A♦9♣7♣; você pedirá mesa e ele fará uma c-bet de 1.800 para você foldar.
Agora, vamos supor que seja o flop A♦9♣3♣ e ele faça a mesma c-bet de 1.800. Se você pagar, ele não gastará mais fichas aqui; e se você fizer o check raise, ele também largará. Nos dois casos, você só terá levado um pote de 6.400, o que não justifica matematicamente o seu call pré-flop.
SITUAÇÃO B
BLINDS 300-600 – antes 50
VILÃO 1: 54k (jogador experiente e agressivo) VILÃO 2: 60k (jogador aleatório)
VILÃO 3: 80k (jogador aleatório) HERÓI: 58k (BTN)
Vilão raise de UTG para 1.500. Vilão 2 call em MP e vilão 3 call no CO, e você está no BTN com 3♠3♦. O que fazer?
Nesse caso sim, podemos dar call, pois estaremos pagando 1.500 para um pote que pode ser bastante lucrativo se acertarmos o SET.
Vamos supor a mesma mão (J♦Q♦) para o vilão 1; (A♣T♠) para o vilão 2; e (6♦6♠) para o vilão 3.
FLOP: A♦9♣3♣
O jogador agressivo pode fazer uma c-bet de 2.800 para tentar roubar o pote, o vilão 2 dará call e o vilão 3 fold. Já haverá no pote 13.000 entre apostas, blinds e antes que darão a você o suficiente para ter justificado seu call pré-flop e, em posição, você ainda poderá arrecadar muito mais (implied odds) e até dobrar suas fichas.
Obviamente, há muitas e muitas nuances que podem acontecer (flop de um naipe só, full no flop, flop com draws, missing flop dos vilões), mas, para efeito de simplificação, vamos nos ater à lógica da questão de por que não se deve jogar essas mãos sem se aproveitar da matemática a seu favor e, pior, sem posição.
Também temos de saber os jogadores que estão à nossa esquerda, antes de tomarmos a decisão de jogar ou não a mão. Por exemplo, se abrirmos raise no CO com Q7s para roubar os blinds e o SB é um short-stack com 15 BB, pagaremos o all in dele? Se não pagarmos esse all in, é melhor esperar outro spot para roubar o blinds. Uma vez que abrimos raise e a a matemática está a nosso favor, pagamos com praticamente qualquer coisa que tenhamos nas mãos. E se à nossa direita está um jogador ultra- agressivo? A mesma lógica. Esperamos uma mão boa, pois cada vez que entrarmos no pote e ele aumentar, vamos perder essas fichas? Lembre-se de que antes de ganharmos fichas, o que queremos é não perdê-las!!!
Situações para se ver um flop barato é justamente quando estamos nas últimas posições e quando os jogadores que entraram na mão estiverem deep, ou seja, quanto mais fichas tiverem os adversários, melhor será o custo-benefício caso acertemos a mão. Por exemplo, se quatro ou cinco oponentes entram de limp, ou se há um raise e três calls antes de você e você está no botão, é uma situação ideal para se pagar, pois, a não ser que um dos blinds tenha um monstro na mão ou faça um move insano, você não perderá mais fichas pré-flop. Além disso, a presença de muitos jogadores na mão lhe “garante” ação caso você acerte a sua mão. Parece até que é chover no molhado, mas observe como sempre voltamos ao assunto posição.