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Limite Bankroll mínimo

PUNINDO OS LIMPERS

Numa mesa com muitos limpers (jogadores que apenas dão call nos blinds sem aumentar), a única coisa a se preocupar realmente é com o primeiro limper, já que pode ter entrado com uma grande mão. Nenhum dos outros mostrou qualquer força e não poderá pagar o seu “roubo”, mesmo suspeitando de que você está roubando a todos. Uma das técnicas de se roubar o “dinheiro morto” no pote é fazer um grande raise, evitando qualquer confronto pós-flop. Essa não é uma jogada que pode ser feita com frequência, pois perderá sua efetividade. O valor de sua mão não tem importância, já que não pretendemos jogar essa mão pós-flop. Por exemplo: temos 74o no SB e quatro jogadores pagam o blind de 300. Se você achar que o primeiro limper tem uma mão fraca, essa é a oportunidade perfeita para roubar o pote. Um raise de 5 ou 6 vezes não adiantará, pois poderá atrair jogadores, com mãos como 88 ou 99. Portanto, o ideal é dar um raise de 10 a 12 vezes, algo como 3.000. Você só precisa estar atento aos seguintes detalhes:

O big blind não acordar com uma mão forte.

O primeiro limper não estar preparando uma armadilha.

Nenhum dos limpers estar short-stack.

Que os jogadores da mesa não sejam muito loose e paguem apostas altas com mãos fracas.

Que você não arrisque uma grande quantidade do seu stack com essa jogada, pois poderá ficar pot commited com uma mão marginal.

SQUEEZE

Como sabemos que não vamos ter grandes mãos o tempo todo e precisamos fazer fichas em situações EV+, nossas cartas não importam tanto. Além de ganhar fichas roubando blinds e antes, podemos buscar novas situações, tais como squeeze. Parecido com o “punindo os limpers”, mas, no caso do squeeze, normalmente há um raise pré-flop.

Antigamente, quando alguém aplicava o squeeze, significava que a pessoa tinha Ases ou Reis. Na mesa final do main event de 2004, Dan Harrington surpreendeu os telespectadores que acompanharam mais tarde as imagens das mãos transmitidas pela ESPN ao efetuar um squeeze blefando, o que foi prontamente seguido pela “new school” do on-line.

Se você tem aplicado blefes durante todo o torneio e se envolvido muito, outros jogadores irão contra-atacar. É muito importante também conhecer seus oponentes. Uma situação perfeita para o squeeze ocorre quando o agressor inicial é um jogador loose e o caller é um jogador previsível que sempre 3beta suas mãos premiums.

EXEMPLO

UTG+1 dá um raise padrão e eu sei que é um jogador que abre muitos potes de diversas posições. Outros dois jogadores apenas pagaram o aumento. Especialmente com um stack entre 13-25 bbs, essa é uma situação ideal para ir all in com qualquer carta. Tenha certeza de que você tem uma imagem tight antes de tentar o squeeze. Com sua imagem sólida na mesa, você poderá levar um belo pote sem showdown. Normalmente o único jogador com que você deve se preocupar é o que aumentou primeiro. Não estou dizendo para fazer sempre esse tipo de jogada, mas que você saiba o momento certo em que ela pode ser executada. Nunca faça essa jogada se você estiver short-stack ou se o raise inicial for muito alto. Do mesmo modo, preste atenção se nenhum dos adversários está short-stack.

Também pode ser considerado quando os blinds estão muito altos e um jogador entra de limp, chamado High Blind Limper (HBL), e outros entram atrás. Ou seja, é até compreensível que o primeiro limper esteja tentando

induzir um re-steal,4 mas é praticamente impossível que o segundo pagador esteja com uma mão que mereceria pagar um shove. Então, a sua equidade é praticamente a mesma contra um ou contra vários limpers. O importante é a leitura que você tem do primeiro. Se os blinds estiverem altos, como há mais dinheiro no pote (chamado de dead money) no caso de vários limpers, um shove é até mais indicado. Para aqueles que não sabem, o shove é o mesmo que ir all in.

Vamos ver um exemplo: Blinds em 100/200 – 8 jogadores

Você, com 1.600 fichas, tem 9♣T♣ no big blind. Os blinds irão pra 200/400 no próximo minuto.

Vilão 1 (2.400 fichas) e vilão 2 (1.900 fichas) entram de limp de UTG+2 e no CO. Vilão 3 (2.000 fichas), um jogador bem tight, também paga no BTN. O small blind (3.000 fichas) completa. O que você faz?

VOCÊ VAI ALL IN!

Somadas todas as fichas no meio da mesa, já temos 1.000 fichas no pote, nenhum oponente demonstrou força e você tem uma mão que joga relativamente bem em caso de um call, pois dificilmente estará dominada. Além disso, você precisa fazer um move logo a fim de evitar ser comido pelos blinds. Então dê o PUSH (empurre)!

Os possíveis cenários que podem acontecer são:

A. Todos foldam: Isso não é difícil de acontecer, o primeiro limper é confirmadamente um HBL, e fez seu limp loose-passivo, como costuma fazer, tendo pouco entendimento sobre posição ou pot odds. Ele pode até gostar da sua mão, mas normalmente não vai querer arriscar uma parcela considerável do stack dele em cima da sua demonstração de força. Ele vai dizer algo como: “Tinha uma mão tão linda”, e vai mostrar ao jogador do lado algo como KQs, 77, ATs ou 89s. Os outros, que foram sendo atraídos por crescentes pot odds, irão foldando consecutivamente. Você adicionou 1.000 fichas ao seu stack de 1.600 sem sequer ver o flop. Uma grande vitória.

B. Um jogador paga: Isso normalmente acontece quando o primeiro HBL estava realmente tentando fazer uma armadilha, ou quer flipar uma mão

que ele considera decente.

Pode acontecer de o primeiro HBL foldar e um dos callers subsequentes pagar com um par, talvez até intuitivamente, devido às boas pot odds com muito dinheiro morto no meio da mesa. O pote tem 600 fichas de dead money, o que equivale a quase 1/3 do nosso stack. Além disso, suited connectors medianos, que são cartas como 78s, 89s, TJs, jogam bem até mesmo contra uma mão premium. E ver um flop estando underdog5 em 1:3 é o pior cenário em que provavelmente poderemos estar.6

Normalmente, devido à combinação das mãos do vilão, teremos uns 35% ou 38% contra a combinação de um range de limp/call (pares baixos, pares altos, AQ, AJ…). Portanto, fazemos duas contas: uma de quando o vilão folda, e outra de quando ele paga. E aí somamos a perda com o ganho, e teremos o EV.

Nesse caso espefífico, a jogada é boa por duas razões: por causa do dead money, sim, mas principalmente por causa da frequência alta de fold dos adversários (fold equity). Em suma: vamos ganhar 1.000 ou perder 1.600.

Nesse caso, seria:

Quando o vilão folda (estimando que eles foldam em 60% das vezes): EV = 60% ∗ 1000 = +600 fichas

Quando o vilão paga e a gente ganha (estimando que eles pagam em 40% das vezes, o que é muito, mas como são quatro vilões vamos compensar). Temos 35% de equity quando ele paga, então é 35% de 40% quando a gente ganha, e 65% de 40% quando a gente perde.

Saldo = 600 + 140 – 416 = +324 fichas. A cada vez que executamos a jogada, esperamos ganhar 324 fichas no longo prazo (1 blind e meio, um lucro bastante considerável).

Isso deixa claro uma coisa: quanto maior seu stack em relação ao pote, maior precisa ser o percentual de fold do vilão, porque você vai perder mais fichas na parte de baixo, então precisa ganhar mais na parte de cima (o fold dele) para recuperar.

Por exemplo, você tem 40% contra um AKo. Então, em média, podemos estimar que se um HBL paga o shove, você perderá 3 em cada 5 vezes e ganhará 2 em cada 5 vezes.

Seu oponente poderia até mostrar um par mais baixo, no caso, dando um cEV positivo.

C. Múltiplos callers: Apesar de ser um cenário catastrófico, raramente acontecerá. Claro que tudo é possível, principalmente nos jogos mais baratos, mas é ilógico para qualquer mão que o oponente esteja segurando.

Ou seja, dos três casos, o primeiro, onde todos foldam, é obviamente o ideal e acontece no mínimo 30% das vezes. Se assumirmos que o 3o cenário dos múltiplos callers aconteça 10% das vezes levando em média metade do seu stack, um único caller acontecerá nos outros 60% do tempo.

Fazendo as contas, chegaremos à conclusão de que nossa jogada é muito boa, pois, com poucas fichas restantes, você precisa de uma boa oportunidade para fazer um move. Essa situação de cEV postivo é, portanto, um bom movimento.

Um problema do squeeze é que ficou tão rotineiro que muitos estão dando loose calls em shoves, imaginando terem a melhor mão. Por isso, assegure-se de que seu stack é grande o suficiente para amedrontar qualquer tentativa de call com mãos marginais.

Atenção, pois, visando mixar seus jogos, muitos jogadores fazem slow play com AA pré-flop, esperando a ação de um “squeezer”. O problema é que se não atrair o “squeezer”, pode atrair mais callers para a mão, perdendo força com o AA.

No documento Poker - A Essencia Do Texas Hol - Carlos Mavca (páginas 169-173)