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Limite Bankroll mínimo

CAPÍTULO 15 O jogador viciado

Essa visão está atrelada à história do jogo. Quem não tem na memória a imagem do velho oeste americano, com homens sentados em mesas esfumaçadas, pistolas na cintura e jogos nem sempre honestos? A imagem é uma caricatura daqueles que colocam o poker no mesmo patamar que jogos de azar e não de habilidade. Felizmente, o poker foi se separando desse ambiente e, hoje, os astros do esporte são atletas de corpo e mente, talentosos e tão reverenciados como astros da NBA.

O xadrez, por exemplo, considerado há muitos anos como um jogo dos reis, é um jogo de pura habilidade e estratégia. Mas o xadrez nunca sofreu com a imagem negativa que o poker sofreu, e você nunca ouviu alguém criticar Garry Kasparov ou Bob Fisher por terem perdido dinheiro numa partida de xadrez. O xadrez é um jogo de informações completas, sobre as quais você tem certeza. O amigo e mestre em xadrez, jogador de poker e ex-colunista da revista Flop, Vicenzo Camilotti, me disse uma vez que mesmo no xadrez podem existir algumas jogadas corretas, de acordo com seu adversário, que podem ser concluídas como sorte e azar. Em teoria, para cada posição, há sempre um lance correto que pode levar à vitória, mas outro lance também poderia ser considerado correto com outra estratégia.

A habilidade no poker, no entanto, envolve a qualidade da memória, de matemática e de pensar nos movimentos de toda a partida. É um ótimo exercício de estratégia que ensina a equilibrar forças opostas. Você toma decisões estratégicas com informações incompletas, pois não sabe nem as cartas dos adversários, nem as que irão sair no flop, turn e river. Além disso, o poker é muito mais acessível que o xadrez, já que você pode aprender a jogá-lo em uma hora.

O bingo não é um jogo de habilidade, mas de pura sorte. Ninguém precisa desenvolver a habilidade de observar e de lidar com números, ou melhorar as habilidades emocionais, como o autocontrole, e desenvolver o espírito de avaliação para marcar um X numa cartela numerada. As habilidades aprendidas e desenvolvidas no poker serão úteis para muitos outros campos

da vida. Do ponto de vista das políticas públicas, as leis deveriam incentivar os jogos de habilidade, separando-os definitivamente dos jogos de azar.

O risco no poker se assemelha muito ao risco no mercado financeiro. Na gestão de portfólio, por exemplo, é essencial avaliar sempre a relação risco/retorno e a aversão ao risco do investidor, no caso jogador. Como diversas coisas na vida, quanto maior o risco, maior o retorno, mas maior tambem a possibilidade de perdas.

Por isso, antes de se investir qualquer quantia, o ideal é que se estipule um valor que se possa perder (stop loss), a fim de não se desestabilizar financeira e emocionalmente. Essa disciplina é condição essencial em qualquer atividade que envolve risco de perdas. Quem não consegue ter controle emocional e disciplina, não deve se envolver em investimentos que possam levar a uma perda insuportável. E no caso do poker, esses investimentos são as apostas.

Por mais que exista o lado esportivo, em que pessoas que têm habilidades nessa arte conseguem resultados estimulantes e até a adotam como atividade profissional, não se pode deixar de reconhecer que jogo de apostas, como o poker, pode também se transformar em vício e causar desestabilidade na vida social, como qualquer outro vício compulsivo.

Portanto, antes de se dedicar mais profundamente a esse esporte, sempre se questione: se você tem controle sobre seus recursos financeiros; se está perdendo mais do que suporta; se está prejudicando demais suas relações sociais; e principalmente, se tem capacidade de perceber caso comece a jogar de maneira compulsiva.

Se você pensar bem, o risco no poker é totalmente controlável a partir do tipo de buy in que se decide jogar. Já ouvimos histórias em todas as famílias de alguém que tem um tio que perdeu uma fazenda jogando poker. Honestamente, não estou dizendo que isso não seja possível, mas eu sempre ouvi tais histórias e nunca conheci esse tal tio (grandessíssimo fish, diga-se por sinal) que perdeu todas as suas economias numa mesa de poker. E se esse tal parente (tio, ou avô, ou tio-avô) realmente existiu, posso lhe garantir que ele perdeu suas economias por ser um péssimo administrador, péssimo jogador e um compulsivo perdedor. Alguém que não

sabia os conceitos do jogo, que não sabia controlar o bankroll, alguém cuja compulsividade era capaz de fazê-lo perder tudo em qualquer outra coisa que ele não dominasse, desde poker a boliche ou tiro ao alvo.

Um empresário não ficará pobre por jogar poker todos os dias e perder $4.000 no fim de um mês, ou um jovem pai de família não vai deixar de colocar o leite em casa por ser um perdedor no poker entre os amigos, perdendo $18 toda semana. Paremos de hipocrisia. No poker on-line é possível jogar a partir de 1 centavo, 2 centavos. É jogo de excelente qualidade por um bom tempo. Você pode ser derrotado e ainda assim não perder dinheiro. A ideia de que alguém pode perder muito dinheiro jogando poker é estúpida. O poker é um jogo, e a maioria das pessoas o têm como diversão. Poucos resolvem fazer dele um meio de ganhar a vida. A maioria joga de acordo com seu limite e não vai entrar em uma partida de $2.000 ou $4.000.

O jogador viciado não é viciado por causa do poker, mas devido a problemas emocionais e de autocontrole. Assim como não podemos culpar o Cabernet Sauvignon por embebedar um alcoólatra, ou um Porsche por matar um jovem num acidente a 300 km/h. O risco existe em qualquer área que analisemos. A culpa está em como cada pessoa administra sua vida. Tudo em excesso é ruim. A culpa é do operador, do jogador, e não do instrumento jogado. Não entrarei nem nos méritos da nicotina, que realmente possui substâncias que causam dependência, mas o que dizer de alguém que é viciado em doces, ou chocolates, ou frituras? Comer uma barra de chocolate ou uma batata frita não significa, de forma alguma, que você seja um junkholic.

Se você é uma pessoa sem vícios, com uma vida regrada, que sabe manter sua saúde, se alimentando bem, não significa que você não poderá comer uma torta de brigadeiro numa festa de aniversário, ou beber uma cerveja numa reunião com amigos, ou jogar um poker semanal, ou gastar seu dinheiro para assistir ao seu time de futebol no estádio, pois você se tornará um viciado naquilo. Uma pesquisa americana feita com as pessoas que passam pelos cassinos de Las Vegas todos os dias e com os moradores da própria cidade, concluiu que apenas 1,89% são considerados tecnicamente compulsivos (viciados) em jogo.1 Apesar do número parecer

irrisório, isso é uma coisa muito séria, pois é uma doença e deve ser tratada como tal. Mas essa doença de compulsividade pode aparecer não somente em jogos como o poker, mas em quaisquer outras atividades, incluindo todos os esportes que fazem parte das categorias exploradas comercialmente.

Ninguém fala no mesmo tom sobre o homem que gasta sua fortuna com mulheres (entenda-se prostitutas de luxo ou não), mesmo que falte dinheiro para a mensalidade escolar do filho. Ou da pessoa compulsiva por beleza e que acaba deixando de prover uma faculdade aos filhos para efetuar mais uma cirurgia meramente estética. Acho essas situações tão graves quanto aqueles que são viciados em qualquer outra coisa e acabam prejudicando a própria vida e a de terceiros por não saberem se controlar.

Por isso, quando vejo alguém realmente viciado no poker (ou em qualquer uma dessas coisas), não costumo “tapar” o sol com a peneira e culpar o fator errado. A culpa não é do poker, mas sim da compulsividade do sujeito. E se não existisse o poker, provavelmente ele seria compulsivo em qualquer outra atividade que lhe oferecesse a “adrenalina” da aposta. Ironicamente, esse tipo de pessoa achará no poker, justamente o local onde ele terá menos chances de ser bem-sucedido no longo prazo. E justamente por isso, essas pessoas acabam se cansando de ser vencidas e buscam outras formas de “gastar” essa sua ansiedade e seu dinheiro.

Se você conhece alguém viciado em bebidas, você ofereceria uma vodka a ele? Se encontrasse um amigo que está obeso, pesando 120 kg e que está tentando fazer um regime rígido, você ofereceria uma fatia de torta? A resposta é que provavelmente você não faria nenhuma dessas coisas, pois sabe que a pessoa tem problemas de compulsividade. Por isso, se algum daqueles famosos “perdedores compulsivos” lhe pedir dinheiro emprestado, não o faça. Emprestar dinheiro a alguém “viciado” e perdedor não é a coisa mais inteligente do mundo nem para você nem para ele.

Você ficará dependente de que ele ganhe (e ele normalmente perderá) para lhe pagar de volta, e isso não é algo muito inteligente, e, ao mesmo tempo, estará alimentando uma pessoa compulsiva em fazer algo que fará mal a ela. Se o compulsivo quer fazer, que o faça, mas não com a sua ajuda.

Conheci pessoas que perderam família, emprego e deterioraram suas vidas não devido ao poker – mas apesar do poker. Eram pessoas compulsivas, negativas e depressivas. Eu me encontrava com elas em algum lugar e cumprimentava: “Como está você hoje?” A pessoa respondia: “Mal. Perdi X ontem e estou perdendo Y hoje.” Isso sem falar dos outros problemas que essa pessoa trazia consigo. Elas se esqueciam de grandes valores da vida, como família e saúde, e colocaram tudo a perder pela sua “doença”. Colocaram em risco inclusive seus empregos, buscando no seu vício uma solução para as dívidas.

Infelizmente, assisti a pessoas irem buraco abaixo, sem que eu pudesse fazer nada a respeito. A compulsividade dessas pessoas ultrapassou quaisquer barreiras e o meu conselho para elas sempre foi o mesmo: “Pare de se enganar e pare de jogar.” É o mesmo tipo de conselho que daria a uma pessoa que fosse compulsiva e descontrolada por outros motivos, tais como: “Pare de beber e procure um tratamento”; “Pare de comer fritura e açúcar e busque um médico”; “Pare de dirigir sua Yamaha a 200 km/h e seja mais prudente”; ou “Pare de gastar todo o seu dinheiro com prostitutas e preste atenção no seu filho”.

Cheguei a conversar por muito tempo com uma pessoa que conhecia e estava totalmente viciada. Já havia perdido a família e morava num quartinho, dentro do emprego. Sua loja, antes uma referência na área, estava abandonada, e, de seus dez empregados, só havia restado ele, que trabalhava sozinho para não ter que gastar o dinheiro do jogo com o salário de empregados. Seus veículos de entrega – caminhões e carros – se resumiam agora a um modesto carro. Passava o dia inteiro no trabalho para virar a noite jogando. Dormia durante o expediente na entrada da loja, sendo acordado por algum cliente que entrava. Mantinha a loja aberta só até as 16 horas, pois ainda havia a claridade do dia, já que tinha as contas de luz atrasadas, preferindo usar o dinheiro para jogar em lugar A ou B. Devia dinheiro para metade da cidade e pedia dinheiro emprestado para a outra metade. Sua loja foi falindo aos poucos e se tornou uma sombra do que fora um dia. Lembro-me de que um dia, ainda no começo de sua doença, essa pessoa deixara de ir à formatura do filho para passar a noite jogando, e isso mexeu comigo. Quando terminei de mostrar a ela no que ela havia

se transformado, sua resposta foi ainda mais chocante: “Mavca, eu não tenho mais saída. Ganhar no jogo é a única solução para ter o que tinha antes. Se eu parar de jogar, vou quebrar.” É incrível como não consegui demovê-lo da ideia de continuar a se afundar e como ele não via que seu pensamento era exatamente o oposto do óbvio. É triste estarmos falando sobre esse tema aqui, mas é necessário que as pessoas saibam separar as coisas e enxerguem qual é o real problema.

Por isso, sempre que alguém falar que alguém é um viciado em alguma coisa, saiba separar o joio do trigo e julgue com sabedoria de quem é a culpa. A culpa nunca é do jogo, mas sempre do jogador.

FALINHA

Coinflip só é bom quando bate.

CHACAL

CAPÍTULO 16

Ética do jogador vencedor

Por incrível que pareça, os jogadores vencedores seguem determinadas etiquetas que muitos jogadores não fazem. Talvez por experiência, talvez por personalidade inerente aos grandes vencedores.

Quando um adversário joga uma mão terrivelmente mal e acha seu out com remotas chances de vencer a mão, muitos perdedores vão ficar reclamando com ele, embaraçando-o para o resto da mesa. No entanto, dificilmente você verá um vencedor de verdade ficar dando lições na mesa sobre o quão mal o sujeito jogou a mão. Um vencedor de verdade sabe que o oponente continuará a fazer jogadas similares e jogar com péssimas mãos iniciais, sem a mínima noção de posição, o que assegurará que ele ganhe dinheiro mais tarde.

Um jogador inteligente raramente mostra um blefe ao adversário, a não ser que seja pago ou que haja uma lógica por trás daquela jogada a ser explorada futuramente. Eles acabam manipulando uma situação a seu favor mais tarde. Enquanto isso, diversos jogadores que seguem mostrando seus blefes no intuito de desestabilizar um adversário estão ensinando ao resto da mesa como ele joga a mão e como vencê-lo mais tarde.

Ao jogarmos ao vivo, enfrentaremos algumas situações um pouco estranhas que envolverão sentimentos contraditórios. Como nos portamos, por exemplo, se sentar-se à mesa um cara que nos deve dinheiro? Como você joga uma mão com ele? E caso você deva dinheiro a ele? Você teria a coragem de blefá-lo e mostrar? E como você se portaria se estivesse numa mão com um grande amigo que passa por dificuldades financeiras? Minha resposta será sempre a mesma: jogue o jogo.

Esqueça as questões extramesa, para não influenciar suas decisões, e saiba ler caso esses problemas estejam afetando o jogo do seu adversário para que você tire proveito. Pode parecer uma falta de coleguismo você se aproveitar do fato de que seu amigo está na pior e ainda assim, colocar uma pressão de fichas em cima dele, sabendo que caso ele perca a mão deverá sair da mesa por não ter mais dinheiro. Mas esse é o jogo. E toda

vantagem legal que você puder ter acho importante que o faça. Não digo aqui para fazer coisas do tipo: “Amigão, pode largar que estou ganhando de você” e depois mostrar um blefe. Não há necessidade disso. Mas você deve fazer o jogo correto de colocar a pressão. Quando jogo um pote grande contra um amigo meu e ele me olha com olhar de reprovação ao apostar muito forte no river, eu costumo dizer a frase: “Desculpe, mas tenho que apostar, enquanto empurro minhas fichas para o meio do pano.” Essa frase quer dizer que posso ter o nuts ou um grande blefe e só ganho a mão assim. Eu jogo o jogo!

Na vida real, ser ganancioso tem uma conotação bastante negativa, dando a entender que alguém está pegando mais do que precisa. Ganância é inclusive um dos sete pecados capitais. Na sociedade ocidental em que vivemos, se você utilizar mais do que precisa de alguma coisa (água, comida, roupa etc.), deixando menos para os outros, você será malvisto pelas pessoas ao seu redor. Quando jogamos poker, contudo, a ganância não é ruim. A ganância não só é aceitável no poker, como é vital! Você precisa conseguir a maior quantidade de dinheiro possível e perder o mínimo possível em cada situação. Já vi muitos jogadores fazendo checkdown no river com um grande jogo na mão com a seguinte frase: “O pote já estava grande o suficiente e eu não precisava ser ganancioso.” Essa linha de pensamento pode parecer nobre na vida real, mas no poker ela é catastrófica! Nós vivemos de pequenas vitórias e precisamos nos beneficiar disso. Sempre que acharmos que temos a melhor mão, apostaremos independentemente do tamanho do pote ou de quem seja nosso adversário.

O que dizer então sobre provocar o tilt no seu oponente? Bom, uma das situações mais lucrativas numa mesa é quando um ou mais adversários estão em tilt. Quanto mais eles estiverem tiltados, mais você poderá lucrar. Provocar essa situação seria algo ético? Por exemplo: manter o jogo lento para irritar alguém, ou dar raise em todas as mãos numa mesa tight, ou incentivar que alguém tome mais uma cerveja, ou mostrar um grande blefe ao fold do adversário. Essa é uma questão polêmica. Aproveitar-se do tilt adversário em benefício próprio e provocar esse tilt com técnicas de dentro do jogo, tais como blefar; apostar all in gigante, colocando pressão nos que têm problemas de bankroll; ser agressivo com raises e reraises;

ou pagar um aumento com um lixo nas mãos a fim de, caso acerte, tiltar o adversário tight, é certamente considerado correto e totalmente aceitável.

Mas e se você se utilizar de outros artifícios com o intuito de fazer seu oponente jogar mal? Ter atitudes como oferecer mais bebidas alcoólicas; lembrar a ele na mesa que ele não tem mais dinheiro a perder; lembrar a ele sobre determinado pote que ele perdeu e como ele jogou mal; fazer piadinhas implícitas; comemorar de maneira muito explícita e agressiva para que seu oponente jogue tiltado? Muitos jogadores vão dizer que colocar os oponentes em tilt dessa maneira é legal, pois em nenhum momento você desrespeitou as “regras” do jogo, então você deve fazê-lo. Já outros dirão que é uma tática antidesportiva e que você deveria vencê-los sem precisar se rebaixar a essas técnicas.

Na verdade, provavelmente, o mais correto aí seria um meio-termo. Queremos realmente que nossos oponentes joguem tiltados, mas não precisamos deixá-los constrangidos, ou deixar a mesa incomodada com a nossa presença por ser um “mala”. Sempre quero colocar meu adversário em tilt por incomodá-lo no jogo, e não por insultá-lo com palavras agressivas. Isso não é mais o velho oeste, portanto, não precisamos de tais táticas. Não estou na mesa para criar amigos ou inimigos, e sim para ganhar dinheiro!

E se elogiarmos uma jogada EV- na maldade, para induzir os jogadores mais fracos a continuar a cometer erros; isso seria antiético? Pior, e se ensinarmos algo errado quando perguntados?

Eu, particularmente, acho que as jogadas não devem ser explicadas em nenhum momento do jogo, especialmente num cash live contra jogadores fracos que jogam regularmente contra você. E quando alguém não gostar de alguma jogada sua e quiser ensinar a você na mesa, saiba que é muito melhor ser surdo naquele instante. A pessoa que tenta dar “uma lição de poker” provavelmente tem outras intenções, como mostrar que sabe jogar, apesar de ter perdido o pote ou de reclamar por que você pagou como menor par do bordo.

Se alguém der uma grande bad beat em outro jogador, acho que o que pode ser feito é elogiar o ganho do pote mesmo com a bad beat. Algo como: “belo pote”. E, caso ele rebata com “Obrigado, mas eu vi que o outro

sujeito ficou muito chateado com a minha jogada. Você acha que eu deveria ter pagado ou não?”, você pode falar: “Ah, o poker é assim mesmo. Faz parte.” Agindo assim, você não educa o cara e se mostra simpático, mantendo satisfeita a pessoa que paga as suas contas no fim da história.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche disse: “Toda vez que subo a ladeira, sou perseguido por um cachorro chamado EGO.” É claro que todos gostam de ser elogiados pelos seus atos benfeitos, e todo jogador de poker gosta de ser enaltecido por uma jogada benfeita. Mas entenda que o ego das pessoas está nas suas fichas. Se um jogador perde suas fichas, ele sente um dever latente de justificar sua derrota, para que as outras pessoas não achem que ele é alguém sem conceito. Quando isso acontecer com você, não perca o foco nem fique se justificando. Isso será só seu EGO tentando falar com você, gritando no seu ouvido “Fulano lhe deu uma bad beat. Ele não sabe quem nós somos? Vamos nos vingar dele!” Esqueça

No documento Poker - A Essencia Do Texas Hol - Carlos Mavca (páginas 145-162)