LEITOR DE CONTOS ÉTNICO-RACIAIS

No documento PRÉ-COLÓQUIO INTERNACIONAL PAULO FREIRE NA REGIÃO METROPOLITANA RECIFE ISSN Vol (páginas 62-66)

Ingrid Lorena Campos Alves16

Angela Maria Ferreira Sousa17

Fabíola Mônica da Silva Gonçalves18

No presente momento pandêmico, diversas atividades ligadas ao ensino tiveram que ser repensadas e remodeladas aos propósitos da educação em modelo remoto. Em meio a isso, os projetos de extensão tiveram que repensar em novas tecnologias e múltiplos letramentos para que se houvessem contribuições úteis na formação dos alunos. O que resultou assim em planejamentos de inovar a extensão, visando como prioridades às vivências enriquecedoras e de autonomia dos alunos. Assim sendo, o projeto de extensão intitulado “Formação inicial do professor leitor: práticas de leitura de contos étnico-raciais” é de parceria entre a solidaris com a Universidade Estadual da Paraíba, apresentando como seguinte reflexão um breve relato sobre a autonomia dos estudantes de graduação pertencentes à universidade. Segundo Freire (1996, p. 20), “é próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas o cronológico”. Deste modo, o processo de adaptação ao modelo remoto posicionou os alunos como protagonistas do projeto em inspiração ao mesmo pensado nas ações

16 Graduanda em Letras Português (UEPB), Campina Grande, PB. E-mail: ingridloren1@gmail.com

17 Graduanda em Letras Espanhol (UEPB), Campina Grande, PB. E-mail: angelamfsousa22@gmail.com

18 Professora do Departamento de Educação (UEPB), professora Permanente do Programa de Pós-Graduação Profissional em Formação de Professores (UEPB), Campina Grande, PB. Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (UFPE), Recife, PE. E-mail: francesfabiola@gmail.com

extensionistas realizadas na Escola pública Municipal Cícero Virgínio, anos iniciais do ensino fundamental, que foi realizado nos anos letivos de 2018 e 2019. Ações essas que contaram com vivências de leitura do gênero textual conto, cuja temática versava sobre as questões étnico-raciais. O que nos motivou a trabalharmos com uma formação inicial para estudantes do ensino superior. Diante disto, o projeto vem colaborando para a formação de professores leitores de contos étnico-raciais, tendo por objetivo principal formar profissionais com disposição para uma educação inclusiva, trabalhando, ao longo do processo, a significação da leitura de contos populares com temáticas étnico-raciais, juntamente com os licenciandos da UEPB, e sua expansão para uma comunidade maior por intermédio das redes sociais, apresentando assim uma grande variedade de livros que possam ser usados nas salas de aula. No processo de adaptação, o projeto teve que ser reformulado para o modelo remoto, em que a princípio, foi bem aceito a nova proposta através de reuniões com nossos alunos da formação, no entanto sabíamos que o projeto traria bons frutos e novos desafios a serem ultrapassados. Após a reformulação, os participantes ao mesmo tempo em que teriam a liberdade de escolherem as obras as quais trabalhariam no projeto, teriam que ter autonomia para desenvolver as atividades propostas. Mediante isso, as adaptações foram: para a comunicação entre os participantes, foi criado um grupo no Whatsapp para informes das atividades; utilizamos também o Google Meet para os encontros de planejamento da equipe extensionista; assim como o Google Drive como webteca, onde foram armazenadas as obras; além da página do projeto criada no Instagram para a postagem e divulgação dos vídeos produzidos pelos participantes; tal como espaço para a divulgação das lives com convidados que pesquisam, ensinam e escrevem contos na temática étnico-racial; e por fim, como uma forma suporte aos participantes, foi criado um trabalho de tutoria para assim acompanhar o processo de desenvolvimento de cada um no projeto. No que se refere à autonomia, Freire (1996, p. 33), cita que “Ao pensar sobre o dever que tenho, como professor, de respeitar a dignidade do educando, sua autonomia, sua identidade em

processo, devo pensar também, como já salientei, em como ter uma prática educativa em que aquele respeito, que sei dever ter ao educando, se realize em lugar de ser negado.” Tendo apoio à prática educativa livre, foi feito um perfil no Instagram para as postagens dos alunos da formação. E através dessa criação, os alunos escolhiam os seus contos a partir da recapitulação de memórias de contos trabalhados na escola, ou por meio de gostos e identificações com o conto. Em seguida, foi observado que boa parte dos alunos optaram por livros diversos e de diferentes públicos-alvos para transpor sua visão daquele conto como instrumento de mudança social em sala de aula. Vale destacar que os alunos compartilhavam suas escolhas em formato de PDF, além de compartilharem o perfil do Instagram em suas redes individuais para ter-se um alcance maior no projeto. Sobre a elaboração dos vídeos, foi vivenciado pelos alunos o seu papel de professor leitor em formação, o que os levou a estruturarem um estudo de como resumir, expor e sugerir as obras dentro de vídeos de no máximo 5 minutos. Foi perceptível que a criação de cada aluno nos revelou o quão singular é a visão de cada um e como cada elaboração expressavam suas identidades e suas autonomias como chaves de criatividade. Portanto, foi passível de observação que cada aluno investiu em programas sugeridos pelos tutores, mas com a criação de um visual e designs únicos para cada apresentação, da mesma maneira que criaram o próprio roteiro e as formas de apresentação (por slides e voz, por declamação e imagem, por dramatização, entre outros). Já o dia das postagens foi sorteado pela equipe, em que cada aluno tinha o seu dia definido sem horário específico para a postagem. O que afirmamos por meio de Freire (1981, p. 9) que: “[...] Estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. Desta maneira, não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao texto, renunciando assim à sua atitude crítica em face dele. A atitude crítica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo, da realidade, da existência”. Como palavras finais, temos que o projeto de extensão ajudou os alunos a aprimorarem seu senso crítico, criativo e artístico, pois, vimos vídeos multimodais, multiculturais, e

com vários símbolos; com a fala de cada aluno; com as suas visões de mundo e de interpretação. Finalizamos assim que a experiência vêm sendo enriquecedora e gratificante, além de permanecer alcançando cada vez mais pessoas de diferentes espaços do ensino. Entretanto, é importante destacar que esse processo também apresentou evasões e consequentes atrasos nas postagens, além da ausência por parte de alguns alunos nos comentários do grupo do Whatsapp e das elaborações feitas pelos outros alunos.

PALAVRAS-CHAVE: Formação inicial do professor, Autonomia,

Contos étnico-raciais.

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. 5. ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra. 1981.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Ed. 25°. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

INTEGRANDO ESCOLA, COMUNIDADE E UNIVERSIDADE:

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