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Liderança e clima da organização escolar

No documento Escola católica, liderança e ethos (páginas 33-38)

PARTE I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO

E THOS DE ESCOLA E ELEMENTOS QUE O EDIFICAM

7. Liderança e clima da organização escolar

A liderança formal de uma organização tem um papel determinante na construção da sua cultura organizacional, na medida em que pode reproduzir e reforçar o modelo cultural politicamente instituído, visto ser a instância reguladora da ação organizacional que concretiza as lógicas estruturais e simbólicas ou, como agência periférica, pode exigir o acionamento de novas lógicas de ação. Ela é mesmo determinante no clima de escola. Segundo Brunet (1992, p.128) “o clima organizacional reporta-se às percepções dos actores escolares em relação às práticas existentes numa dada organização”. Na perspetiva do mesmo autor,

“o clima de organização reporta-se a uma série de características relativamente permanentes: a) diferenciam uma dada organização, podendo considerar-se que cada

escola é susceptível de possuir uma personalidade própria, um clima específico; b) resultam dos comportamentos e das políticas dos membros da organização, especialmente da direção, uma vez que o clima é causado pelas variáveis físicas (estrutura) e humanas (processos); c) são percepcionadas pelos membros da organização; d) servem de referência para interpretar uma situação, pois os indivíduos respondem à solicitação do meio ambiente de acordo com a sua percepção do clima; e) funcionam como um campo de força destinado a dirigir as atividades, na medida em que o clima determina os comportamentos organizacionais” (idem, p.126).

Revez (2004) considera que nos processos de interação, o tipo de clima encontra-se, frequentemente, associado ao estilo de liderança. Por outro lado, para alguns investigadores o clima de escola é considerado como um atributo do ambiente escolar sujeito à influência da liderança exercida pelo diretor do estabelecimento. Ainda segundo a mesma autora,

“torna-se evidente até para os mais céticos que, se por um lado a liderança não conduz por si só à eficácia e à existência de um clima positivo, por outro, ela constitui-se, indubitavelmente, uma condição para a eficiência escolar e para a existência de um ethos ou clima positivo” (idem, p.109).

A autora, citando Quintela (1994), refere que este último, após ter elaborado uma síntese sobre as dimensões de análise do clima usadas em vários estudos, constatou que a liderança era a dimensão mais frequentemente usada.

A liderança formal de uma organização tem um papel determinante na construção da sua cultura organizacional na medida em que pode reproduzir e reforçar o modelo cultural politicamente instituído, visto ser a instância reguladora da ação organizacional que concretiza as lógicas estruturais e simbólicas ou, como agência periférica, pode exigir o acionamento de novas lógicas de ação. Desta forma, posiciono- me na linha de Torres (2006) que defende que a estrutura de poder formal da escola pode “abrir novas possibilidades no mapa das práticas” (idem, p.148). O mesmo autor (2011, p.132) refere que “os órgãos de administração e gestão das escolas constituem um incontornável contexto, formalmente legitimado, de produção quotidiana de símbolos, de significados, de visões e de orientações para a acção”.

Neste sentido, pelo exercício da liderança, do poder, da influência poderá ter um papel determinante no ethos da escola, uma vez que:

“cada escola tem a sua personalidade própria, que a caracteriza e que formaliza os comportamentos dos seus membros. O clima organizacional é percebido ao mesmo tempo, de uma forma consciente e inconsciente, por todos os atores de um sistema social, tal como o clima atmosférico que nos afeta, sem que necessariamente estejamos ao corrente da sua composição. De facto, o clima de uma escola é multidimensional e os seus componentes estão interligados” (Brunet, 1992, p.138).

Serve-me de fio de ligação a esta questão da relação entre ethos de escola e a liderança, Nóvoa (1992, p.26), quando afirma: “a coesão e a qualidade de uma escola dependem em larga medida de uma liderança organizacional efectiva e reconhecida, que promova estratégias concertadas de actuação e estimule o empenhamento individual e colectivo na realização de projetos de trabalho”.

Mas esse é um assunto, que, exatamente pela sua relevância e pertinência, pela influência que tem na afirmação e desenvolvimento do ethos de uma escola, merece o próximo capítulo, que apresentarei, focando-me, neste estudo, especificamente, em teorias, modelos e tipologias de liderança, que se relacionem com a liderança escolar e que me permitam situar e compreender a liderança dos colégios católicos observados.

2º CAPÍTULO:

A LIDERANÇA ESCOLAR

“No exercício da autoridade, Santo Agostinho não admite mediocridade de espírito, nem vulgaridade de carácter, nem desfalecimento da vontade, mas, pelo contrário, altura de visão, espírito de decisão e firmeza. A autoridade para o autor desdobra-se em três funções: comandare (imperare), prover (providere) e aconselhar (consulare). São estes, pois, os deveres que qualquer chefe, desde o pai de família ao Imperador, que traduzem três funções ou officia: o officium imperandi, o officium providendi e o officium consulendi. Para o autor, a autoridade não é apenas uma honra, mas antes um fardo muito pesado. O poder tem os seus encantos, mas sobretudo os seus encargos. Sob aparências brilhantes, as mais altas posições são as mais expostas e também as mais onerosas. Aquele que manda deve começar por mandar em si próprio antes de mandar nos outros” (Barracho, 2008, citado por Borracho, 2012, p.49).

A liderança é considerada, por muitos autores, como um elemento central e verdadeiramente capaz de marcar a diferença, quer nas organizações em geral, quer nas organizações educativas. O reconhecimento da importância dos processos de liderança no funcionamento das organizações escolares continua na ordem do dia. Não é de mais, voltar à afirmação de Nóvoa (1992, p.26),

“a coesão e a qualidade de uma escola dependem em larga medida da existência de uma liderança organizacional efetiva e reconhecida, que promova estratégias concertadas de atuação e estimule o empenhamento individual e coletivo na realização dos projetos de trabalho”.

A importância da liderança, para a afirmação da identidade e futuro da escola, e nomeadamente da Escola Católica, objeto desta investigação, é destacada, entre as principais conclusões do X Congresso da Escola Católica:

“O futuro da Escola Católica dependerá do impulso da função diretiva. Há que favorecer o nascimento de novos líderes, para a Escola Católica, apostando numa ampla formação dos mesmos, dedicando-lhes os recursos necessários. Para que os colégios sejam significativamente católicos, os seus diretores devem liderar também os aspetos espirituais e pastorais” (AAVV., 2009, p. 46).

Assim se compreende e depreende a importância da liderança, na condução das organizações escolares segundo uma visão muito própria e uma missão específica. Pelo que, no vasto capítulo de liderança das organizações, me focarei exclusivamente na liderança escolar.

No documento Escola católica, liderança e ethos (páginas 33-38)